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segunda-feira, maio 26, 2003

 
Blagues de Esquerda - 1

O Bloco faz-nos rir muitas vezes. Muitas. Aquele albergue de antigos trotskystas, desiludidos da vida, sonhadores de bom coração, revolucionários empedernidos, boémios, GLBTs, feministas militantes, anti-capitalistas, anti-americanos, saudosistas dos movimentos de libertação e outra gente gira é uma fonte permanente de diversão.

Recentemente o bloco produziu um documento que contém algumas pérolas. Hilariantes. Se bem entendi, o documento intitula-se PROJECTO DE RESOLUÇÃO POLÍTICA - DA POLÍTICA DA CRISE À POLÍTICA DO SOCIALISMO e foi produzido pela Comissão Executiva da Mesa Nacional à  III Convenção do Bloco de Esquerda.

Fica-se a saber que o caminho da crise até ao socialismo faz-se por um labirinto de teses desconexas que se constituem nas causas da moda a que o Bloco de Esquerda se dedica. Entre várias propostas sujeitas a votação, encontra-se esta interessante sugestão do bloquista Francisco Casaca:


'Para vislumbrar, o que imediatamente, as massas populares têm a ganhar com o derrube do capitalismo, poderemos enumerar algumas das primeiras medidas a tomar pelo governo socialista:

- A adopção dum sistema de pagamento horário uniforme para toda a população trabalhadora.
- Um imediato cancelamento de todas as dí­vidas.
- Substituição do governo parlamentar por uma legislação directa do povo.'


A proposta foi rejeitada - ohhhhh!!!. Esclarece a Comissão de Redacção do Projecto que: 'Não compete a este texto determinar o que serão as medidas de um governo socialista, e presumimos que dificilmente um governo socialista imporá um salário horário igual para todas as pessoas.'

Imagino a desilusão do bloquista Casaca, ao perder a esperança de igualar o salário do deputado Fazenda e ter a casa paga antes dos 40... Felizmente a nega teve direito a uma clara justificação:

'Ao assumir esta perspectiva, o Bloco projecta a esquerda como movimento polí­tico e social de vocação maioritária. E neste sentido, distingue-se quer das sociais-democracias rendidas ao liberalismo quer dos nostálgicos dos regimes de Leste: o Bloco sublinha que só se constroem alternativas de civilização em nome de uma cultura de alternativa.

O socialismo é assim uma proposta de confrontação polí­tica que faz viver a democracia na vida social e económica e que, portanto, não se pode fazer em nome da maioria da sociedade mas somente por via da maioria da sociedade - esse é o seu sentido profundamente emancipatório.'


Hmmm... acho que percebi o sentido: é emancipatório.

Pois.


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