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segunda-feira, maio 26, 2003

 
Blagues de Esquerda - 2

O grupo feminista do Bloco de Esquerda anda muita activo. As militantes da causa vasculham cada linha de cada documento em busca de resquícios do machismo que pretendem exonerar da sociedade. E como mandam as regras, deve começar-se por limpar a própria casa.

No tal documento em que o Bloco nos ensina o caminho que nos fará deixar para trás a crise actual e encontrar o paraí­so futuro, é evidente a profunda preocupação das camaradas militantes fêmeas bloquistas com a remanescente desigualdade de tratamento entre sexos que os seus camaradas militantes machos bloquistas, subconscientemente, incorporaram em versões preliminares do documento.

As bloquistas Alda Macedo, Fátima Grácio, Helena Pinto, Manuela Tavares e Maria José Magalhães sugeriram um infindável número de alterações. Por exemplo, quando o documento refere a "ofensiva neo liberal", logo sugerem que se acrescente "que a igualdade entre homens e mulheres ... tem sido alvo importante desta ofensiva neo-liberal."

Quando o documento fala genericamente de minorias, pedem que se inclua no texto "A perda de direitos sociais reduz as condições para uma maior participação social e polí­tica das mulheres".

A palavra "barbárie" (que o Bloco opõe a socialismo, citando Rosa Luxemburgo) sugeriu às militantes bloquistas mais uma oportunidade de protagonismo: "Este neoliberalismo conservador precariza o trabalho com consequências mais gravosas para as mulheres, já que a flexibilização, o trabalho a tempo parcial e o trabalho ao domicílio conduzem ao não cumprimento dos direitos sociais, a uma maior exploração, reduzindo a sua capacidade de exploração e resistência".

Por aí fora. Tudo serve às bloquistas feministas para meter a sua colherada. Quando se fala de 'movimentos de massa' anti capitalistas, anti-neoliberais e anti-guerra, as bloquistas pedem que se acrescente "Entre eles, os movimentos feministas e de mulheres que denunciaram e questionaram o contrato social e sexual implícito fortemente enraizado na cultura e na organização social que pressupõe o feminino afecto à esfera privada e o masculino à esfera pública".

Elas lembraram que "No analfabetismo as mulheres duplicam o número dos homens", "a pobreza se concentra nas famí­lias monoparentais encabeçadas por mulheres e, nos idosos, maioritariamente mulheres, tornando mais visí­vel a feminização da pobreza" e que "A oferta de formação continua muito estereotipada e fordista e com muito menor oferta para as mulheres"e protestam contra o conservadorismo que "atenta contra a legitimação das diferenças em matéria de orientação sexual não aceitando a diversidade de estruturas familiares, como é o caso das famílias gays e lésbicas".

E o prémio da Melhor Alteração Sugerida Politicamente Correcta e Absolutamente Ridí­cula vai para...

substituir "todos os trabalhadores" por "homens e mulheres trabalhadores". Claro. A língua portuguesa é muito traiçoeira...

Foi uma vitória absoluta para o feminismo militante bloquista. Toda as propostas foram aprovadas.

E para evitar a multiplicação destes problemas no futuro, o Bloco decidiu criar o género 'assexuado', inventando uma nova letra. Confirme-se:

"A redacção final integrará a generalização da referência aos géneros (exemplo: "reformadas e reformados, ou reformad@s)."

O líder do Bloco que se ponha a pau... não falta muito para que seja obrigado a assinar como Francisco/a Louçã/ão. Ou, simplificando, Francisc@ Louç@. Parece que tanto @ Miguel Port@s como @ Luí­s Fazend@ estão de acordo.

Viva a igualdade.


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