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quinta-feira, julho 17, 2003

  Quem Constrói os Robots - Part 5 - The Hidden Agenda

Lendo nas entrelinhas, interpreto no sentido das palavras escritas um pequenino abespinhamento do meu comprovinciano da Lâmpada em reacção ao post anterior desta série. Comentou ele:

"Ah, o papão soviético. Claro, tinha de vir aí o papáo soviético. Não, jaquim, o sistema soviético foi um desastre. Não sei se pelo sistema em si se pela completa imbecilidade do modo como foi posto em prática (podia-te contar umas anedotas), mas nem me interessa. Satisfeito? Agora, também digo que é triste e muito revelador quando o único argumento que há a apresentar contra coisas como a Agenda 21 é o papão soviético. É que os conceitos envolvidos no desenvolvimento sustentável não têm nada a ver com o papão soviético. Nada. Zero. Nicles. Népia."

Caíram-me algumas escamas, confesso. Caem sempre algumas quando alguém diz que afinal não era aquilo, era outra coisa, que se faz da mesma maneira mas diferente porque agora é só a mesma coisa sem as asneiras, quando na realidade nunca foi nada diferente do que realmente foi, porque nunca poderá funcionar doutra maneira uma vez que por si só já é uma asneira, já repetida umas largas dezenas de vezes e nunca deu outra coisa que não fosse asneira. Enganaram-se todos? (A minha mamã sempre elogiou o modo simples e claro como exponho alguns conceitos relevantes)

Voltando à posta anterior, esclarece-se que não era propriamente à Agenda 21 a que me referia. Releia-se a frase do Mágico, depois de desagendada a agenda:

"Há caminhos alternativos que passam pela imposição de limitações severas à lógica do mercado livre, pela localização da produção, por esquemas de solidariedade local... Medidas completamente anti-liberais e algumas claramente socializantes."

Excepto no pontapé de bicicleta, chutando para trás só se marcam golos na própria baliza. Caro Jorge, como queres eliminar o problema do desemprego, que imaginas catastrófico no prazo de 15/20 anos, bloqueando o investimento?

É a própria agenda 21, que recomenda:


2.37. More specifically, all countries should develop policies that improve efficiency in the allocation of resources and take full advantage of the opportunities offered by the changing global economic environment. In particular, wherever appropriate, and taking into account national strategies and objectives, countries should:

(a) Remove the barriers to progress caused by bureaucratic inefficiencies, administrative strains, unnecessary controls and the neglect of market conditions;

(b) Promote transparency in administration and decision-making;

(c) Encourage the private sector and foster entrepreneurship by improving institutional facilities for enterprise creation and market entry. The essential objective would be to simplify or remove the restrictions, regulations and formalities that make it more complicated, costly and time-consuming to set up and operate enterprises in many developing countries;

(d) Promote and support the investment and infrastructure required for sustainable economic growth and diversification on an environmentally sound and sustainable basis;

(e) Provide scope for appropriate economic instruments, including market mechanisms, in harmony with the objectives of sustainable development and fulfilment of basic needs;

(f) Promote the operation of effective tax systems and financial sectors;

(g) Provide opportunities for small-scale enterprises, both farm and non-farm, and for the indigenous population and local communities to contribute fully to the attainment of sustainable development;

(h) Remove biases against exports and in favour of inefficient import substitution and establish policies that allow them to benefit fully from the flows of foreign investment, within the framework of national, social, economic and developmental goals;

(i) Promote the creation of a domestic economic environment supportive of an optimal balance between production for the domestic and export markets.


Se num golpe de barbatana dorsal, eliminarmos o lirismo da agenda, o que sobra não sugere em nada "limitações severas à lógica do mercado livre", nem as medidas recomendadas são "completamente anti-liberais" ou "claramente socializantes". Porque se fossem, a utilidade da Agenda 21 seria absolutamente nula...

(continue-se...)

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