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quarta-feira, agosto 20, 2003

  Anti-liberais, digo, alter-liberais

Escrevem os canhotos:

"O The Guardian lançou um blogue para fazer campanha pela abolição dos subsídios à agricultura. Têm todo o nosso apoio a bem de um desenvolvimento global equitativo. É espantoso como os maiores apologistas do liberalismo económico só o são para os outros."

Entraram então no bota-abaixo das tarifas aduaneiras. Caros canhotos! Welcome to the club. Só que, e desculpem as minhas dúvidas sobre o tema, ou eu tenho andado surdo e ceguinho ou são justamente os liberais cá da praça que se insurgem contra os subsídios à agricultura... e são os canhotos e amigos que lutam contra a liberalização do comércio... ou não?

Tenho lido e ouvido um ódio concentrado na Conferência da Organização Mundial de Comércio porque esta tem como objectivo "eliminar as barreiras alfandegárias à circulação dos produtos agrícolas no contexto da liberalização do comércio mundial. "

Ser contra a OMC neo-liberal e a favor de liberalização anti-neo-liberal é anti-globalizante ou alter-globalizante? (Jaquinzinho Confuso).

"É que, como bem sabem, vai haver um autêntico circo dos movimentos anti/alter-globalização contra a Conferência da OMC, no próximo mês de Setembro.

E quem vai estar lá, é um símbolo dos movimentos anti... ahhh alter-globalização da esquerda, o guru José Bové, o maior defensor dos subsídios que por aí para... Confuso, não é?

Por outro lado, o blog de esquerda diz que não gosta de Bové... mas não quer a liberalização.

"A liberalização das trocas vai desorganizar as políticas de preços, desregrando os já fragilizados mercados locais. Ou seja, com o fim das medidas proteccionistas e de controlo dos preços, um pequeno produtor de arroz na Índia, que apenas tem uns dois ou três hectares de terreno, não poderá assegurar, com a venda do que produz, o necessário para a sua subsistência."

E o nosso canhoto pré-histórico PCP também tem uma posição clara. Querem...

"... o direito de cada país a uma produção agrícola razoável para a alimentação do seu povo, ou seja, o direito a ter uma agricultura e a exigência de produtos agro-alimentares saudáveis, não agressivos da saúde humana. Segurança alimentar que é explicitamente posta em causa pela liberalização dos mercados agrícolas, pela redução da protecção às produções nacionais, pela concepção dos «produtos agrícolas» apenas como «mercadoria» semelhante a qualquer produto industrial."

Ou ainda, quando a Comissão Europeia fala em diminuição de subsídios, o Avante insurge-se:

"A serem aprovadas, as propostas da Comissão Europeia, como vem sendo evidenciado por diversos especialistas e organizações sociais, constituiriam uma nova e forte machadada (senão a machadada final!) nestas actividades produtivas, com graves consequências para os interesses dos agricultores e pescadores portugueses, mas também um rude golpe na segurança e soberania alimentares do País. E se a agricultura e as pescas não são apenas actividades económicas, mas constituem um dos principais substractos materiais de moldagem e fundação de uma identidade cultural e nacional (no dizer do ilustre economista norte-americano Galbright), a continuação de políticas para a sua prática liquidação não pode deixar de ser vista como um incontornável atentado à soberania e independência de Portugal."

Em que ficamos? Cada canhoto, sua sentença? Olhem que entre os liberais não há muitas dúvidas. Todos os que conheço estão contra a subsidiação das agriculturas. Incluindo a americana, claro.

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