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terça-feira, agosto 19, 2003

  Comidinha na Mesa

Resumo do episódio anterior: "Sem o estado morremos à sede. Sem o estado morremos de doença. Sem o estado as noites são escuras". Perante tão sombrias perspectivas, então, inquiriu o ‘jaquinzinhos’, e a comidinha na mesa? E não morremos à fome, sem o estado?"

A Sombra responde sempre 3 vezes:

1. Enquanto houver um MacDonald's nunca morreremos à fome. (Morro eu. Esfomeadinho.)
2. O sector alimentício é totalmente controlado e legislado pelo estado. (Pois é. O sector automóvel também. E os aviões. E a construção civil. E as telecomunicações. Mas são privados. A luz também pode ser. E a água também. E o Hospital das Curas Milagrosas também.)
3. And with this last thought by The blog-arabist I rest my case. (Esta era na sequência da pergunta/resposta do meu co-provinciano silvista algarvio do barlavento pró-arabe António Baeta. Ah não?! A maioria da população mundial sofre de fome endémica.)

Não liguem muito ao tom brincalhão, reconheço no RS da Sombra um equilíbrio de opinião que não é muito fácil de encontrar na nossa esquerda. Continuando.

O problema parece ser o odiado lucro. Que horror. O lucro. Se só querem lucro, não podem ser tão bons como o estado bonzão que não se importa de ter prejuízos em nome do bem comum. Só que... o outro mundo que é possível ainda não foi inventado, infelizmente. Um mundo em que a gente saia de casa de manhãzinha e o senhor do café da esquina nos ofereça o pequeno-almoço de borla. Em que o médico trabalhe por amor à saúde, prescindindo do seu salário, isto é, do seu lucro. Esse mundo em que um qualquer Sousa Cintra distribua gratuitamente pelo povo garrafas de água do Alardo. E também um mundo em que os administradores da EDP prescindam do ordenado.

Em todos estes casos, na energia, na saúde, e em tudo o resto, estou-me nas tintas para quem pode prestar o serviço. Quero é que alguém o preste. E quando chega a este ponto, diz-nos a experiência que o estado não presta lá muito bem. (gosto do sentido dúbio da frase). Principalmente porque a relação preço/qualidade é por vezes absurda.

E até porque, diz-nos a história, quando o estado entra no sector da comidinha... aparecem as senhas de racionamento, as filas nas lojas do estado e a ajuda internacional.

Em Cuba, numa peixaria do estado:
- Por favor, tem carne?
- Não, aqui não temos é peixe. Carne não há é na loja da frente.


E sobre a fome endémica... digam-me lá: qual é a democracia capitalista liberal com fomes endémicas ao fim de uma simpes geração?...

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