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quarta-feira, agosto 27, 2003

  Escalas de Burrice

A sombra respondeu mais rápido que a sua própria sombra. E como de costume, lá veio mais um adjectivo para o jaquinzinhos: Agora foi 'distraído'. Porque, "como de costume, os meus 'filtros' impediram-me de analisar correctamente o seu texto. Agora, se eu fosse uma assombração da sombra, responderia em fundo sombreado com outros adjectivos desassombrados. Adelante.

É inconsequente dizer que um povo é ignorante numa qualquer disciplina sem referenciais de comparação. O qualificativo “ignorante” não deixa de ser uma marca numa escala de sabedorias. Por isso, escrever que os americanos são ignorantes numa qualquer matéria, é sempre por contraponto a outros povos mais sabichões. E é muito indelicado para os portugueses. Como escreveu Francisco, "alguém lembre aos 10 milhões de intelectuais lusos aquele ditado dos telhados de vidro."

É óbvio, porque foi testado, que há muito menos americanos jovens do que suecos jovens a apontar num mapa a localização de Itália, da Hungria ou de Israel. De acordo com o teste a que se referiu o presidente da NGS, o que se pode dizer é que os suecos têm uma cultura geográfica superior à média, sobre a Europa, sobre o médio oriente, e até provavelmente sobre quase todo o mundo, mas não certamente sobre a América.

Apenas 15% dos franceses que responderam ao survey sabiam o que é o el niño, contra 48% de americanos. Será isto motivo para dizer que "a ignorância do europeu médio, para não falar na generalidade, em questões de meteorologia é imensa?"

Confesso que o interpretei mal num ponto. Quando o RS escreve “para não falar na generalidade”, percebi agora que se refere à generalidade dos americanos e não à generalidade dos assuntos. É que até faz sentido admitir, porque é verdade, que há muitos americanos impreparados culturalmente em muitos assuntos e principalmente em geografia. Afinal, 80% dos americanos nunca viaja para o estrangeiro, 20% falam em casa outra língua que não o inglês e a geografia nem faz parte dos curricula oficiais de muitas escolas. Mas esse geralmente, sugere-me que o RS também aplica o adjectivo 'ignorante'’ às elites. Interpretei bem, ou distraí-me?

Nota: A NGM é americana. Não se diz que um americano é filo-americano. Será que o Público é um jornal filo-português?

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