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quinta-feira, agosto 21, 2003

  Falácias

Escreveu Bruno:

"Jaquinzinhos acham deplorável que eu não me identifique com as palvras de Durão Barroso quando este emula Bush no lamento da morte de Ségio Vieira de Melo: "em relação ao terrorismo, temos que estar de um lado ou do outro"

Correcção: Jaquinzinhos não acha deplorável que Bruno não se identifique com as palavras de Durão. Jaquinzinhos acha deplorável que alguém hesite em escolher entre duas opções, se uma delas se chama terrorismo.

"Ponto 1: O ataque terrorista dirigiu-se à representação da ONU, provavelmente porque as forças americanas, responsáveis pela segurança no território, negligenciaram a protecção de Sergio Vieira de Melo e restantes. A não estarem bem salvaguardados, os interesses americanos seriam, sem dúvida, os mais apetecíveis."

Como é evidente. Nem passa pela cabeça de ninguém que o atentado tenha sido contra a ONU porque os valorosos combatentes iraquianos que o organizaram assim o entenderam. Nope. Foram os americanos. Em Israel também foi parecido. O ataque terrorista dirigiu-se ao autocarro nº2 em Jerusalém, provavelmente porque a polícia israelita, responsável pela segurança no território, negligenciou a protecção dos 100 civis que seguiam no autocarro. Malandros.

"Ponto 2: A ONU foi feita alvo a partir de uma visão maniqueísta que pensa o Ocidente Vs Mundo islâmico, visão que funda o conceito de "ocupantes ocidentais" sem destrinça de qualquer ordem."

Então, se é por isso, estão desculpados. Foram ao engano, acreditavam que só iam matar americanos.

"Ponto 3: É também um pensamento maniqueísta que pensa que, ou se está com o terrorismo ou se está com o "roteiro da Paz" americano. Na verdade, o mais provável é que os dois lados subsistam nessa estranha relação de interdependência."

O falso dilema - qualquer um pode estar contra ou a favor do processo em curso no Iraque, mas nunca, nunca se pode estar ao lado do terrorismo.

Ajuda o Glória Fácil:

"Agora acrescento eu. O Avatares só peca por excesso de elegância. Para mim essa "estranha relação de interdependência" entre os dois lados da guerra é, na verdade, uma aliança objectiva. Mas calma! Não estou a dizer que esse entendimento seja secretamente assumido por ambas as partes. Não há aqui nenhuma teoria da conspiração, por mais que elas me fascinem. Não há aqui nenhuma teoria da conspiração, por mais que elas me fascinem. Estou a dizer que os atentados de ontem reforçam objectivamente as alas mais militaristas (os chamados falcões) tanto na administração Bush como na de Sharon."

Se bem entendo a lógica subjacente a este argumento, os militares americanos 'gostaram' do atentado porque assim vão ter justificação para matar mais uns quantos iraquianos. Sharon fica todo contente quando morrem meia dúzia de crianças num autocarro porque assim pode dar mais uns passeios por Nablus. Seria sempre péssimo que a paz vingasse rapidamente. Por muito estranho e absurdo que pareça, nem são os únicos que assim pensam.

Na prática, não estamos muito distantes da lógica de raciocínio ideológico que JPP definiu ao escrever que "muita gente que prefere os seus confortinhos ideológicos, ao decente sentimento de poupar a dor a pessoas concretas. E que não quer saber rigorosamente para nada quer dos israelitas, quer dos palestinianos, quer dos iraquianos, concretos, mas sim das abstracções longínquas de que se alimenta um discurso fácil e arrogante sobre o mundo."

Curiosamente, leio sempre muitas explicações sobre os sentimentos dos iraquianos, dos palestinianos ou dos árabes, que os levam a cometer actos terroristas; os mesmos que se dedicam a tais considerações, raramente se preocupam em perceber porque razão, no único estado democrático do médio oriente, um 'falcão' como Sharon ganha eleições.

"À violência responde-se com mais violência e a mais violência responde-se com mais violência ainda e por aí adiante - o velho e infernal círculo vicioso do olho-por-olho-dente-por-dente. Este clima é obviamente do agrado dos falcões de todos os lados desta guerra. E, sobretudo, dos interesses que os alimentam. Está dito."

É errado. Fechemos o círculo vicioso. Da próxima vez que houver um ataque terrorista, enviamos um ramo de flores aos terroristas, pedimos-lhes descupla pelo estado do mundo, desmantelamos os regimes ocidentais democráticos e aderimos ao islão.

E por último, um comentário do Alexandre.

“Mas preferiam viver de joelhos toda a vida ou morrer de pé num segundo? Por mais abjecto que seja o terror, não posso deixar de simpatizar contra quem se deixa imolar assim.”.

Tenho pena que penses assim. Espero sinceramente que um dia não sejam os teus filhos as vítima de um jovem simpático que em vez de lutar pela democracia no seu país, preferiu marcar a sua posição num qualquer autocarro escolar.

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