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quarta-feira, agosto 13, 2003

  Garantido

Durante o período de relaxe do blogue, andaram por aí a discutir o RMG, a propósito de um post do Abrupto. Quando o jaquinzinhos tinha apenas uma semaninha de vida, (era ainda um jaquinzinhozinho) a prosa abaixo republicada também valeu alguns insultos e um debate acalorado com o Cruzes.

Lembro-me de ter sido censor pela primeira vez, apagando um comentário que sugeria que o *#%?#! do "jaquinzinho" nunca chegará a carapau.

Era isto:

"E no produto maravilha que foi o RMG, Paulo Pedroso foi triplamente incompetente:

1. Foi incompetente no conceito. Não foi Paulo Pedroso que baptizou o RMG, mas adoptou-o como se fosse o seu próprio filho. O apelido escolhido é muito pernicioso. A palavra "garantido" pressupõe que alguém tem um direito absoluto, independente da capacidade de o suportar por quem tem o dever de o pagar. Sinaliza a sociedade para ir em contramão. Se tens dificuldades, não tentes sair delas porque o estado só te ajuda se tu não fizeres nada. Não arranjes emprego que perdes o subsídio.

2. Foi irresponsável no financiamento. Apenas teve que gastar, não se preocupou com o financiamento que foi generosamente suportado pelos nossos impostos e pelo déficite público (o que é a mesma coisa). Quando se lança um produto que custa 50 milhões de contos deve dizer-se claramente de onde vêm os fundos. Se Paulo Pedroso tivesse dito: "os 50 milhões que vamos gastar serão financiados assim: nos próximos anos vamos aumentar menos os funcionários públicos, vamos atrasar a construção de x escolas ou de y hospitais e provavelmente vamos também aumentar impostos", teria sido muito mais honesto. Mas como não fez nada disto, foi simplesmente leviano.

3. Tecnicamente o RMG dificilmente poderia ter sido pior concebido. Retirar ao montante do subsídio todo e qualquer rendimento adicional que o beneficiário receba, desmotivando imediatamente qualquer trabalho legal é o maior incentivo que se pode dar à economia paralela. Não foi criada qualquer estrutura capaz de fiscalizar e de gerir a atribuição dos subsídios abrindo porta à fraude generalizada. O RMG foi extensivamente usado por comunidades marginais(para as quais é impossível fazer prova de rendimentos uma vez que vivem na economia paralela) e por toxico-dependentes e traficantes (o que muitas vezes era usado por estes como atenuante para a situação ilegal em que se encontravam). Isto para não falar na enorme pressão sobre as assistentes sociais que tinham de ir informar o "Zé Espanhol" que a partir do mês que vem os subsídios vão ser cortados...


O tempo blogosférico atropela os calendários. Diria que isto foi escrito no século passado mas nem sequer três meses passaram.

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