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quinta-feira, agosto 14, 2003

  O Paradoxo de Olson

O sempre interessante Socio[B]logue acrescentou uma nova entrada ao seu GLOssário: O Paradoxo de Olson.

Lê-se na entrada:

O «paradoxo de Olson» refere-se ao desenvolvimento de determinado tipo de comportamento, baseado no cálculo racional de custos-benefícios, onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros. A esses indivíduos, ou grupos, que procuram retirar o máximo de benefícios da acção de outros evitando, simultânea e intencionalmente, os respectivos ónus dá-se o nome de «free-riders».

A designação «paradoxo de Olson» resulta do facto deste princípio ter sido expresso, primeiramente, por Mancur Olson, sociólogo e economista de origem norte-americana, na sua obra «A Lógica da Acção Colectiva» (1971). Entre os inúmeros exemplos típicos deste tipo de comportamento encontram-se, por exemplo, a greve motivada pela contestação salarial e o trabalho em equipa desequilibrado. No primeiro caso, aqueles que não fazem greve usufruem, por norma, dos benefícios da acção daqueles que fazem greve sem, todavia, assumirem os riscos e custos que esse comportamento envolve. No segundo caso, aqueles que menos contribuem para os resultados do trabalho em equipa são, habitualmente, tão beneficiados como os restantes.


Sublinho esta frase: "onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros."

Esta é uma definição perfeita da actividade sindical nos dias que correm. O objectivo número 1 dos sindicatos é a obtenção de vantagens para os trabalhadores sindicalizados à custa de uma organização ou, em muitos casos, de toda a sociedade. Um dos exemplos que são apresentados para ilustrar o conceito é o trabalho em equipa desequilibrado. Numa economia livre, as diferenças de produtividade num grupo resolvem-se com diferenciação de remunerações. A tentativa permanente das organizações sindicais de evitar a avaliação e diferenciação salarial é justamente um modo de obrigar à manutenção do Paradoxo de Olson. Os melhores de cada grupo raramente necessitam protecção. São sempre os outros que promovem e recorrem ao sindicato com o objectivo de garantir para todos a parte dos proveitos adicionais criados pelos mais produtivos.

Uma situação semelhante é a da actividade cultural subsidiada. A pressão para obtenção de subsídios tem como objectivo conseguir proveitos adicionais para um grupo, à custa de todos os contribuintes.

No limite, o paradoxo de Olson aplica-se a toda a redistribuição de riqueza. A definição encaixa perfeitamente: "onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros". Os custos ficam a cargo de quem cria riqueza, os proveitos são divididos por todos.

Será o socialismo um enorme paradoxo de Olson?

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