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quinta-feira, setembro 04, 2003

  Standarts

Escrevi: "E sim, somos obrigados a usar o Windows, o Excel, o Word e o Powerpoint. Até é proibido usar outras coisas. Qual é a alternativa viável?"

Respondeu o Paulo:

"Toue???? Onde é que você trabalha?? Alternativas viáveis há várias no mercado -- tanto a pagar como gratuitas. Bem... Acho que um patrão tem o direito de proibir o uso de ferramentas que ele, por uma razão qualquer, entenda que não entram na sua "oficina". Mas digo-lhe sinceramente: gostava de conhecer o patrão e as razões dessa proibição. É que... cheira altamente a esturro. Cheira a contratos muito mal interpretados - isto para ficarmos por aqui."

Parafraseando alguém, deixei um queijinho na ratoeira... e assim, prolonga-se o debate.

Sim, caro Paulo, somos obrigados a usar Windows, Excel, Word e Powerpoint. Será tão difícil entender porquê?

Temos 200 PCs ligados em rede e uma só equipa de assistência e formação. O software de cada PC não custará mais do que um salário mínimo nacional para cada utilizador. O custo do grupo da informática e os custos de formação (mesmo informal) são muito superiores aos custos do software. Logo, a base tem que ser igual para todos. Não podemos ter "especialistas" dispersos por diferentes ferramentas. Em casa, cada um usa o que quer. No escritório, todos os PCs têm software legalizado e standartizado. E não, não há alternativa. Qual seria a alternativa para 200 Excel's, 200 Word's e 50 Powerpoint's?

O 'monopólio' da Microsoft, não foi imposto por Bill Gates. Foi imposto pelos consumidores, em particular pelo seu principal sub-grupo: as empresas. Com a generalização do correio electrónico, trocam-se diariamente milhões de ficheiros saídos de processadores de texto e folhas de cálculo, não só intra-empresa, mas também entre empresas. Estas trocas têm que ter plataformas comuns. Recebi esta manhã um modelo de procura feito numa outra empresa para preparar um concurso. Depois de fazer algumas alterações, reenviei-o para outras 6 pessoas em 3 locais diferentes que preparam o mesmo concurso. Tenho uma certeza: todas, sem excepção, usam Excel. Uma dessas 6 pessoas acaba de enviar o texto da proposta de concurso a todas as outras. Também ela tem uma certeza: todas usam Word.

A situação é desejável: acabaram-se as confusões de formatos. Bancos, advogados, consultores, auditores, todos usam o mesmo software. Quando alguém pede 'envie-me o modelo financeiro do projecto?", esse alguém sabe que vai receber um modelo feito em Excel, com a extensão xls. Com os escritórios de advogados, os contratos vão e vêm com notas, correcções e alterações, utilizando sempre as ferramentas próprias do Word.

A última vez que vi um modelo financeiro não-Excel foi em 1994. E não, não era Lotus 123, o primeiro quasi-standart. Era Supercalc. E já na altura a confusão que se criou por causa das incompatibilidades foi tão grande, que o autor teve que converter tudo para o formato.xls. Foi também nesse tempo que no contrato de consórcio do sindicato financiador de uma das grandes obras que se fizeram em Portugal, estabelecia-se o formato .xls 4.0 ou posterior como único utilizável pelas 13 instituições subscritoras.

E não vale a pena pensar em conversão de formatos. Nunca resultam. No fim dos anos 80, era indiferente usar Lotus 123 ou Quattro (da Borland), mas esse tempo passou. O standart era desejado e é por isso que ele existe.

Em casa posso usar o que quiser. Profissionalmente, não. Afinal, quais sáo as alternativas viáveis?

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