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quarta-feira, dezembro 17, 2003

  A Não Perder!

Não é só em filmes de Manuel de Oliveira que o riso pode surgir de onde menos se espera. Se a programação da RTP se cumprir, hoje à noitinha poderemos assistir a um momento hilariante, num filmezeco de série B. O motivo da gargalhada, já o contei num post de 15 de Setembro. Dizia o seguinte:

SPOILER

No Sábado à noitinha, por terras algarvias, jogava-se King com uma televisão ligada por perto. Passava num qualquer canal nacional um filme de série B sobre uns terroristas que desviavam um avião carregado com uma arma biológica capaz de arruinar com o futuro de vários milhões de inocentes. O jogo acabou quando a fita se aproximava de um final originalíssimo: um herói que não percebia nada de aviões ia aterrar o bicho seguindo instruções de um controlador em terra, depois do heroísmo de alguns passageiros ter arruinado o plano dos terroristas.

É então que acontece uma coisa fantástica: ignorando os problemas da despressurização, um terrorista abre a porta do avião e atira um passageiro pela borda fora. Ou então foi um passageiro que despejou um terrorista. É indiferente. O realizador escolheu um plano choque: o despejado em queda livre, rumo a uma morte certa por estatelamento terminal, afasta-se da câmara esbracejando em direcção às luzes distantes de uma qualquer metrópole americana.

Cena seguinte: torre de controle do aeroporto. O tal controlador que ia ajudar o herói a chegar a bom aeroporto e mais uns quantos preocupados intervenientes na fita estão todos presentes, congeminado a melhor solução para salvar os inocentes passageiros. E é nesse momento que o tipo que tinha sido feito pássaro involuntário estoira com o tecto da torre de controle e cai no meio da sala... isto, uns minutos antes do mesmo avião chegar ao aeroporto...

Nem a impossibilidade geométrica, nem a improbabilidade absoluta se constituíram em 'gag' humorístico. Juro que aquilo não era para rir. Ou dizendo de outro modo: não pretendia; o que sei é que desde a cena do atropelamento do ‘Snatch’ que não me ria tanto...


Mas a criatividade dos autores do argumento é ainda mais estonteante. No sistema de comentários, alguém esclareceu um importante detalhe. Efectivamente foi o terrorista que atirou um advogado pela borda fora, porque detestava advogados, devido a problemas do passado. Nada de especial, qualquer um de nós agiria da mesma maneira; (claro que nem todos escolheriam advogados. Alguns despejariam liberais, outros livravam-se de sociólogos, por aí fora). O que é fantástico é que o terrorista queria mesmo acertar na torre de controlo. Não foi sorte, foi pontaria. Quando empurrou o pobre jurista, gritou: "send them a message for me!"

FIM DE SPOILER

Dá hoje, outra vez. Começa à meia-noite. A queda deve ser lá para a uma e picos da manhã.

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