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segunda-feira, junho 30, 2003

  A Casa sem Ouro

Confesso a minha ignorância sobre este assunto. Nunca soube para que servia a Casa do Douro. A única coisa que sei é que nos últimos anos pede mais e mais milhões e atribui as culpas da sua tragédia a mil e uma causas. Aos governos, principalmente. E a uma administração passada.

Sem ir muito longe, basta ler as suas atribuições originais para perceber parte da sua tragédia:

"A Casa do Douro, criada em 18 de Novembro de 1932 como designação da Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro, surgiu como organismo sindical dos viticultores do Douro, de inscrição obrigatória. Foram-lhe atribuídas nessa altura funções de natureza pública, no domínio da disciplina da produção de vinho e de mostos, na fixação de preços mínimos e na intervenção para o escoamento dos vinhos.".

Desde 1995 também faz outras coisas. Entre elas:

"Promover, conceder ou colaborar nos financiamentos à vitivinicultura da Região, nomeadamente empréstimos e subsídios".

Uma impossibilidade e uma asneira. Esperavam milagres?

  A Baía de Cascais

Subitamente, fala-se dos Delfins...


A Baía de Cascais, 1999



  Uau!!!

Já aqui brinquei com alguém que não conheço, Bruno Sena Martins, a propósito do Forum Virtual Português (6/Junho). Escrevi na altura:

"A intervenção da subjectividade num outro mundo feito possível", por Bruno Sena Martins. - uma dissertação pós-moderna sobre o mundo. Ninguém vai entender a mensagem, nem mesmo o próprio autor, o que não impedirá um forte aplauso no final.

Bruno Sena Martins já tem um blogue. Chama-se Avatares de um Desejo. Escreve coisas como estas:

"Em relação à introdução em que o João reflecte sobre o corpo, gostaria apenas de acrescentar que essa “heightened self awareness” do corpo que temos/somos, não resulta apenas de processos de escrutínio por “outros relevantes” produtores de olhares passíveis de resgatar o corpo à sua costumeira infra-consciência. Na realidade, e numa perspectiva eminentemente fenomenológica, importa que o corpo possa ser analiticamente acolhido fora dos processos de apresentação do self. É nesse sentido que faço notar que, ao falarmos de eventos fomentadores de uma consciência do corpo (ou sobre-consciência), não estaremos necessariamente (ou apenas) perante uma sobre-consciência de si. Parece-me também instigante que possamos dar conta da centralidade que o corpo adquire em experiências de dor/sofrimento somático, prazer, ou experiências de privação corporal, que colocam questões que vão muito para além das construções identitárias."

Esmagador. Não há maneira de discordar disto.

  Peixe Fresco na Lota

Na coluna do lado, muitos blogues novos. Uma bancada nova, a dos chocos com tinta, onde estão os peixes que Pedro Rolo Duarte não gosta de ver nos blogosfera. Por lá andam vários chocos graúdos, Carlos Vaz Marques, Manuel Falcão, o Querido que entrevistou o pipi e Manuel Jorge Marmelo. O Umbigoniilista entra para a categoria dos Peixe Prata, ou clickó-blogues. A Causa também já está à venda na banca dos peixes livres. Numa outra banca servem-se caldeiradas. O Notícias da Blogosfera já por lá para e para lá também saltou o Bloco-Notas. Reparei que o blogue que deixou de ser anónimo e passou a ser da Ana não estava listado. Já está.

Na banca dos peixes que nadam em águas calmas, já estão à venda as incongruências, o Almocreve das Petas, a Razão Impura, a Flor do Ópio e o novíssimo Fanicos.

Abri uma banca com peixe sem classificação oficial. Para já, vendem-se por lá as partidas dobradas do Conta-corrente, o sociológico Socio[B]logue, o feliniano Satyricon, os lusitanos Filhos de Viriato, O Blogue Heterodoxo, o lobbie dos arquitectos, Notas Soltas, e ainda o Contra Factos.

Se algum peixe desejar mudar de bancada, levante a guelra.

Benvindos todos à blogosfera livre.

domingo, junho 29, 2003

  Jovens Felizes

Foi hoje, à chuva, dançaram que se fartaram. Extasiados, todos. Ecstasiados, muitos.

  Imprensa Empobrecida

Ontem de manhã um amigo voltou a falar-me nos milhares de crianças que vão morrer no Iraque, afectados pelas bárbaras radiações das bombas americanas temperadas com urânio empobrecido.

Será motivo para me espantar? Todos os jornais trouxeram o caso do urânio empobrecido para as primeiras páginas. As radiações mortais. Hiroshima revisited. As bombas capitalistas matam agora e no futuro. Ainda nos tempos que correm aparecem alguns gurus a recordar os nefastos efeitos radioactivos das bombas. O omnipresente Pilger. Robert Fisk, sempre. O lingusita reescritor da história Noam Chomsky. O Guardian, claro está, dá espaço a todos.

No Jornal do Brasil, escreveu Leonardo Boff em Fevereiro deste ano: “Esse material radioativo, resíduo na fabricação de armas atômicas, permanece ativo por 4.500 anos, suas partículas penetram no solo, contaminam águas e alimentos e produzem câncer e deformações genéticas.”.

Alguma imprensa gosta muito de dar voz ao rumor e desprezar a notícia. Os desmentidos, quando aparecem, surgem escondidos em pequenos parágrafos de páginas interiores. E neste caso, com uma agravante: o rumor é progressista, a verdade é reaccionária. As bombas são sempre más porque são bombas. Matam. Estas, porque são americanas, só podem ser ainda piores.

O Valete Fratres! e o Picuinhas já se dedicaram a este assunto e à reacção de algumas figuras lusas quando confrontadas com os resultados dos relatórios científicos feitos sobre este caso.

E para o meu bom amigo que só leu o primeiro capítulo da história, recomendo-lhe um livro que sei que ele gostará. 'Feiticeiros e Cientistas, O Oculto Desmascarado pela Ciência', de George Charpak e Henri Broch, da Gradiva, nº 121 da colecção Ciência Aberta.

Logo na página 17, pode ler-se: 'Já assistimos à realização de estudos dispendiosos, com custos sem dúvida da ordem dos milhões de francos, com a única finalidade de analisar os efeitos nocivos do urânio empobrecido utilizado nos obuses antitanque durante a guerra do golfo, entre os quais os devidos à radioactividade eram manifestamente nulos, já que a sua intensidade era inferior à do ar que pode ser inalado por quem se desloque pelo campo a quatro patas, com o nariz enfiado nas flores silvestres, devido à emissão de um gás radioactivo natural, o rádon, que acompanha o decaimento radioactivo do urânio presente em toda a crosta terrestre e também em muitas casas. A dependência em relação a um preconceito ideológico pode conduzir a surpreendentes desfigurações da realidade'

  Miguel Angelo Lyrics Generator

Ontem à noite acabei por ir parar à Praia de Carcavelos onde os contribuintes de todo o país e os munícipes de Cascais ofereceram involuntariamente ao povo da linha um concerto gratuito dos Delfins. Reconheça-se a limpidez do som que permitia entender facilmente todas as palavras cantadas por Miguel Ângelo. Dei por mim a imaginar que deve ser bem fácil criar um 'Miguel Ângelo Lyrics Generator'. Se já temos o Postmodernism Generator que tão bem funciona, porque não um "fazedor de letras" para os Delfins? A dificuldade de gerar discursos pos-modernos e letras delfinianas deve estar ela por ela...

Update - No DesBlogueador de Conversa está um exemplo de um poema moderno delfiniano.

sábado, junho 28, 2003

  Didáctico e Sintético

Invejo estas duas qualidades de João Miranda. As linhas que a Nike tece.

  Notas Soltas

Mais um blogue liberal. Notas Soltas. Benvindo à blogosfera.

  Resistência à Mudança

Sempre, sempre conservadores.

  Tantos Blogues!

A blogosfera está febril. A velocidade a que aparecem novos blogues está a dificultar a actualização da lista de links do jaquinzinhos. Como resolver este problema? Que atitude tomar perante esta explosão incontrolável da blogosfera? Deveremos ficar quietos e esperar, ou tomar uma atitude?

O jaquinzinhos imaginou várias soluções sem no entanto querer sugerir qual a atitude mais correcta a tomar. Por exemplo...

Atitude Partido Socialista de António Guterres: Vamos dialogar com todos os blogues e definir por consenso a melhor forma de permitir que todos eles, sem excepção, possam ocupar o lugar a que têm direito na blogosfera.

Atitude do Governo de Durão/Portas: Este problema foi herdado do anterior governo, que nos últimos 6 anos não fez nada para o resolver! O nosso governo tem em preparação um novo pacote legislativo para os blogues, que terá início já no próximo mês com a apresentação da primeira Lei de Bases dos Blogues.

Atitude Partido Socialista de Ferro Rodrigues: Palermas!

Atitude União Europeia : Definição de quotas de blogues para cada país. Se a quota for ultrapassada, os países serão multados. Um sistema de subsídios está a ser estudado.

Atitude Grupos Minoritários do Forum Social Português: O governo tem que garantir que os blogues minoritários são tratados como todos os outros blogues. É necessário promover a discriminação positiva dos blogues LGBT e acabar com a homoblogofobia enraizada na nossa sociedade conservadora.

Atitude Mohammed Said al-Sahhaf : Blogues? Quais blogues? Estão a ver alguns blogues? Não há blogues nenhuns!

Atitude CGTP : Estamos contra! Jornada de luta em todo o país no próximo Sábado.

Atitude Libertária : Queremos blogues livres e desregulamentados sem intervenção governamental.

Atitude Cubana : Proibição imediata de todos os blogues. O governo atribui ao Ministério da Cultura a organização do Blogue Oficial.

Atitude Bloco de Esquerda : A competição desenfreada entre blogues está a conduzir a um empobrecimento gradual do bloguismo. É necessário acabar imediatamente com o neo-liberalismo bloguista. Uma outra blogosfera é possível!

Atitude da Administração Pública: Nenhum blogue poderá iniciar actividade sem estar inscrito na Conservatória do Registo de Blogues. Para registar o blogue, o bloguista deverá dirigir-se ao Registo Nacional de Blogues e escolher um nome. Após 3 semanas, receberá uma comunicação que o informará da aceitação ou recusa do nome. Se o nome for aprovado, deverá dirigir-se com o documento ao Instituto Nacional de Blogues e solicitar em requerimento ao director de serviço a autorização para a actividade bloguista. Após 28 dias haverá diferimento tácito. Seguidamente deverá marcar uma escritura no notário para a constituição formal de blogue. O prazo não deverá ultrapassar 6 meses e imediatamente após a escritura deverá então dirigir-se com uma cópia autenticada da escritura à conservatória de Registo de Blogues. Assim que tiver em seu poder a certidão da conservatória, poderá dirigir-se à repartição das finanças e requerer início de actividade do blogue. Assim que o Ministério da Cultura tiver aprovado o início de actividade, é então possível criar o blogue. Mas apenas se já tiver o alvará emitido pela Câmara Oficial dos Blogues, claro está!

Atitude Professor Boavenura: Desconstruindo a blogolismo: o explosivismo nas teorias blogosféricas constituiu o fundamento predominante no conceito da dialética narrativa do post. Mexia [1] promoveu o uso do precapitalistmo na desconstrução da narrativa hierárquica pré-bloguista; podemos dizer que o paradigma cultural da neo-narrativa é o atributo do significado intrínseco postnihilista. A escolha é única: ou se aceita o este paradigma cultural ou se conclui que a linguagem é a simbologia responsável pela fundação das premisas do neobloguismo. Silva [2] sugere o use deste paradigma da expressão escrita como uma atitude analítica da narrativa postcapitalista. A concordância ensaística destas teses representa a falência da sociedade conceptal tal como Pacheco[3] a definiu. Canhoto [4] usou o termo 'discurso capitalista' para salientar o totalitarismo subconstrutivista... (continua por mais 97 páginas)


O jaquinzinhos aceita outras sugestões...

sexta-feira, junho 27, 2003

  O Horror Liberal

Escreve Manuel Vilaverde Cabral no Diário de Notícias de hoje:

"A conjuntura depressiva que se abateu sobre a economia global é a demonstração da funesta ficção propagandeada pelo neoliberalismo. Segundo este, a estabilidade monetária e financeira, o livre comércio, a privatização dos serviços públicos e o desmantelamento da segurança social seriam a melhor garantia de crescimento económico, através do investimento privado. Nos países em vias de desenvolvimento, onde o investimento depende do capital estrangeiro, este último exige a desregulação do mercado do trabalho e toda a espécie de benefícios fiscais.

Ora bem, não há praticamente país que não tenha adoptado este modelo e contudo a economia estagna no mundo inteiro. Em muitas sociedades, as pessoas perderam as protecções associadas ao welfare state e não ganharam nada em troca. O Brasil é, tipicamente, um país onde a grande maioria da população nunca beneficiou daquelas protecções, nem, muito menos, das maravilhas prometidas pelo mercado."


A que modelo se refere o Manuel? Em Portugal, o estado consome quase metade da riqueza produzida na economia. Em quase toda a Europa, os estados ‘liberais’ consomem entre 40% e 60% do PIB. Será a isto que Manuel Vilaverde Cabral chamará neoliberalismo?

Se a resposta é positiva, lamentemo-nos. Já não se fazem neo-liberais como antigamente. Estes modernos neo-liberais ainda deixam metade da economia funcionar em paz! Um balúrdio de economia livre. E não nos devemos esquecer desse terrível exemplo irlandês, esse estado que ainda é 65% neo-liberal, e que tem sido o melhor exemplo da trágica conjuntura depressiva...

Resta-nos a consolação por alguns países não terem embarcado nesta aventura liberal, recusando este modelo durante períodos mais ou menos longos da sua história. Que sorte a dos cubanos e dos norte-coreanos por terem governantes com visão e que rejeitaram, a bem dos seus povos, o modelo neo-liberal! E na Europa, é tempo de aprendermos com a lição de desenvolvimento que estes modelos progressistas nos sugerem. Regressemos ao dirigismo estatista que tão bons resultados deu na Europa de Leste durante mais de 40 anos!

Que saudades, Manuel!

  Ano Gaudi


Barcelona, 5 de Agosto de 2002

  O Blogue da Causa

É este.


  Liberdade de Ensino

“Educação e Liberdade”, conferência por João Carlos Espada, promovida pela Causa Liberal, hoje pelas 21.30 no Auditório do Instituto de Cultura e Estudos Sociais, Travessa da Conceição, n.º 6, em Cascais (junto à estação da CP). Entrada livre.

  Taxistas em Luta

Os taxistas estão contra o pagamento especial por conta. Por isso, hoje vão atravancar as ruas de Lisboa. Com esta medida, os taxistas esperam conquistar a simpatia de todos os que vão ficar engarrafados no trânsito horas a fio. Estes homens pensam.

quinta-feira, junho 26, 2003

  Acelerar com o pedal do travão

E porque é verdade, citemos

"A Europa, em diversos graus consoante os países - sendo o mais tacanho a França -, atribui a um excesso de liberalismo os males que resultam do seu excesso de regulamentação, da superfiscalidade, de redistribuição, de protecção sectorial e de intervenção estatal. É um pouco como se um sedentário sobrealimentado atribuísse ao abuso de exercício físico o seu excesso de peso."

Jean-François Revel, A Grande Parada, Maio de 2001

  A Busca do Santo Graal

"A única igualdade que o estado alguma vez será capaz de promover é a igualdade na mediocridade. Nenhuma lei fará de um medíocre um anjo, mas cortando as asas de um anjo criar-se-à um medíocre". (Fev 2002)

  Concorrência Desleal

O jaquinzinhos recebeu um emeile a propósito do post de 24 de Junho intitulado ‘Filoche, o palerma’; A autora chama a atenção do jaquinzinhos para o problema da 'concorrência selvagem que o trabalho desregulado provoca'. Segundo a autora, quem tem família ou quem quer ‘ter uma vida’ para lá do emprego está em situação de desvantagem perante 'quem está disposto a escravizar-se para os patrões'. A autora sugere que os sindicatos deveriam ter uma 'permanente actividade de denúncia de situações de deslealdade no trabalho'.

Deixo à consideração da autora do emeile algumas sugestões de denúncias que por não terem sido feitas causaram gravíssimas injustiças a quem apenas ambicionava ter uma vida normal.

Querido Sr. Filoche

Serve esta missiva para apresentar uma queixa do meu conterrâneo e vizinho que dá pelo nome de Leonardo. Este senhor dedica-se ao trabalho muito mais horas que o autorizado. Sei que ontem o senhor Leonardo trabalhou 18 horas seguidas e é assim quase todos os dias e agora diz-se que foi convidado para ir trabalhar para Florença, é uma injustiça porque eu também queria aquele emprego, mas ele fez-me uma concorrência desleal, eu só quero pintar e inventar 7 horas por dia. Por favor actue e detenha o delinquente. Ass: Leopoldo de Vinci.


Querido Sr. Filoche

Quero denunciar-lhe uma situação de trabalho infantil, há aqui na rua um menino chamado Luís que joga à bola de manhã à noite. O pai, o sr.Figo, consente nesta pouca vergonha. Para a semana o Sporting vai escolher miúdos para a equipa infantil e o meu filho está em grande desvantagem porque só joga uma hora por dia. Por favor actue, prendendo as crianças delinquentes que jogam mais horas que o meu filho! Ass. Ambrósio, pai do Analideo, jogador do Pastilhas.


Querido Sr. Filoche

Sou escritor de livros de aventuras e quero denunciar-lhe uma situação de concorrência selvagem que urge acabar. Há aí uma escritora chamada Rowling que escreve 8 horas por dia. Como compreende a situação é da máxima gravidade porque não se pode escrever tanto tempo de seguida, nem toda a gente aguenta e assim ela está em situação de vantagem perante os outros escritores. Por favor ponha termo a isto e confisque-lhe os livros. Sugiro que se faça uma lei que obrigue todos os livros a terem a mesma tiragem para evitar tais injustiças. Ass: José Medíocre, escritor de best sellers.


Querido Sr. Filoche

Queria denunciar uma situação de terrível injustiça, sr. Filoche, anda aí um rapaz chamado Burmester que treina no piano pela noite fora, sr. Filoche, ora isto não pode ser, sr. Filoche, o meu filho também quer ser pianista mas só quer trabalhar uma hora e tem esse direito, é preciso acabar com isto, sr. Filoche! Se o outro se dedica tantas horas por dia ao piano vai chegar certamente a administrador de empresas e o meu filho nunca passará dum vulgar pianista da Orquestra Metropolitana do Porto! Assina, Pai de futuro músico gestor


Ora aqui está! Denunciemos sempre estas situações, não queremos mais injustiças, igualdade para todos!

  1 mês

O jaquinzinhos nasceu há apenas um mês e até parece que já passaram 30 dias...



quarta-feira, junho 25, 2003

  Feriados de Junho no Gerês

1. Modelo, apresentador de TV e artista de telenovela com namorada loira e jipe

Estalagem de São Bento da Porta Aberta no Gerês. Fim de tarde. Uma estrela luzente do panorama audiovisual português entra na estalagem e pede para ver os quartos. A informação espalha-se rapidamente e a loucura apodera-se das empregadas. Correm que nem loucas para as varandas, e aguardam a saída do herói.

20 pares de olhos observam histéricos a caminhada do verdadeiro artista e da sua loura acompanhante no regresso ao jipe. Dei por mim a pensar nas desvantagens de ser estrela. Que desconfortável deve ser viver em permanente escrutínio dos olhos dos outros. Só quando deixei a estalagem me apercebi que afinal é fácil. Elas espreitam com tanta discrição que nem dei por elas...


Estalagem de São Bento da Porta Aberta, Junho de 2003

2. As Barragens

O Gerês é um paraíso para qualquer ecologista que se preze. Verde e água em profusão. Verde da natureza, água das barragens. O ecologista que há em mim tenta imaginar o que seria do Gerês sem os espelhos de água da Barragem da Caniçada ou de Vilarinho das Furnas. O antropólogo que há em mim agradece aos homens pré-históricos por nunca terem riscado um cavalo numa pedra.


Barragem de Vilarinho das Furnas, Junho de 2003

  Poço/Pozo


Olivença, Portugal / Olivenza, España
Fevereiro 2001/ Febrero 2001

  O Punch do Boxeur

Volta a taxa de televisão, disfarçada, envergonhada e escondida atrás de uma burkha. 40 escudos por mês.

A vitória de Carrilho.

  O Diabo Mexe

Cito:

FARDO DO HOMEM BRANCO: O Congo e o Zimbabwe, entre outros oásis africanos, continuam a sua marcha de paz e progresso. Sorte a deles não haver por lá tropas americanas, caso contrário teríamos os respectivos horrores a toda a hora na tv.

Mais como esta, aqui.

terça-feira, junho 24, 2003

  Filoche, o palerma

Gerárd Filoche, um alto dirigente do Partido Socialista Francês, é uma das principais figuras da luta contra o Plano Fillon, uma reforma essencial para evitar a falência do sistema de segurança social gaulesa. Durante os recentes governos socialistas, Filoche foi Inspector Geral do Trabalho do governo francês e ganhou a imortalidade. Em meados dos anos 90, a IGT de Filoche iniciou uma cruzada contra o trabalho fora de horário e deteve vários administradores e directores de grandes empresas, médicos, engenheiros e outros quadros de topo porque estavam na empresa fora do horário de trabalho oficial; Gerard Filoche explica que não é aceitável ninguém trabalhar mais de 35 horas semanais, mesmo que por vontade própria. E queixava-se de não poder fiscalizar mais ferozmente os empresários prevaricadores que trabalham mais do que o limite, incluindo os profissionais liberais.

A perseguição aos quadros de topo das empresas que ultrapassavam as 35 horas semanais chegou a ser caricata. Algumas empresas construiram saídas e salas secretas para iludir o grupo de Filoche. Contavam-se várias histórias de administradores envolvidos em fugas hollywodescas das suas empresas para não serem apanhados pela IGT. Numa entrevista à revista Visão, publicada em Março de 2002, Filoche explicava que “um em cada dois patrões é um delinquente” (sic). Lamentava-se que dos 472 patrões que levou a tribunal, só um tenha sido preso.

Haverá maior delinquente do que quem deu poder a um palerma destes?

Na opinião de Filoche, se um director duma empresa só trabalhar 35 horas em vez de 45, haverá emprego para mais um. Filoche é brilhante na sua ignorância. Pensa que o desemprego pode sempre ser resolvido por diminuição do horário de trabalho e propõe a criação de um salário mínimo europeu. Dizendo de outro modo, propõe a falência de metade das empresas portuguesas.

Filoche não percebe que em muitas empresas os quadros especializados trabalham o que querem. Ninguém impede ninguém de ir para férias a qualquer altura, ninguém diz nada se a ou b trabalhar hoje e não trabalhar amanhã. Os quadros são avaliados pelos resultados do que produzem e numa empresa dinâmica em que há criação, há sempre quem vista a camisola. Não há horas extraordinárias, não há controles, nada. Apenas prémios. Há sempre quem prefira trabalhar de noite e quem madrugue. Todos são livres de se irem embora (o que muitos fazem) e ninguém é obrigado a trabalhar para lá do horário. Está tudo na liberdade e na vontade de cada um.

Para as empresas dinâmicas as leis rígidas são assassinas. Não se compram horas de criatividade, compram-se vontades criativas. Só se realizam projectos com qualidade e originalidade se houver motivação. Em alguns sectores, como por exemplo na banca de investimentos, trabalha-se por projectos com deadlines. Pode haver uma sobrecarga de trabalho uma semana e não haver nada para fazer na seguinte. Se alguém tem um trabalho para entregar amanhã, trabalha durante a noite para cumprir o compromisso. Chama-se a isto responsabilidade e brio profissional.

Se estas empresas pagassem horas extraordinárias aos seus quadros, não seriam os melhores a trabalhar mais, mas sim os piores. Ninguém quer saber quanto ganham os colegas porque todos sabem que quem trabalhar mais e melhor será compensado a posteriori. Se as horas de trabalho fossem contabilizadas o clima deteriorar-se-ia, a desconfiança crescia e as administrações acabavam por proibir as horas extraordinárias. Virava função pública. Aquilo que Filoche acha que é bom.

Por coincidência, na altura em que Filoche veio a Portugal, o meu livro de cabeçeira era o Hooking Up de Tom Wolfe. Num dos capítulos do livro conta-se a história de Silicon Valley, desde que a Fairchild Semiconductors se instalou no vale até aos nossos dias. Uma história de sucesso multiplicada por dez mil, história de empresas que nascem e crescem da vontade de homens, onde cada um dá o que tem e o que quer dar. Quem quer trabalhar é sempre benvindo, os níveis hierárquicos são reduzidos ao mínimo, não há portas fechadas, os CEOs não usam gravata e trabalham nas mesmas condições que as secretárias. Muitos trabalhadores destas empresas (que se chamam Intel, National, Micron, AMD, Compaq, Hewlett-Packard, etc.) vivem para a criação nesse fantástico mundo da electrónica, comem nas empresas e trabalham fins de semana, noites e dias, porque querem. Ninguém as obriga. O prazer de descobrir e de se dar o que tem. Brio profissional.

A certa altura do artigo, conta-se que Robert Noyce, fundador da Fairchild Semiconductors e um dos inventores do circuito integrado (Jack Kilby da Texas Instruments apresentou-o primeiro e ficou com a fama), combateu fortemente a entrada dos sindicatos no Valley. Segundo ele, os sindicatos imporiam regras rígidas aos trabalhadores, impedindo a informalidade que caracteriza a gestão destas empresas. Os sindicatos matariam a criatividade e a dinâmica no Valley. Numa votação feita na altura, os trabalhadores da Fairchild recusaram o entrada de sindicatos por larguíssima maioria. Não queriam ser todos iguais uns aos outros. Não queriam que ninguém de fora criasse conflitos entre níveis hierárquicos, impusesse planos de carreira quando não existiam carreiras.

Silicon Valley está actualmente estagnado. Excepto para os franceses. Na última década a entrada de cientistas e engenheiros franceses em Silicon Valley surpreendeu toda a gente. Já estavam habituados a indianos, chineses, ingleses, israelitas, gente de todo o mundo. Mas de repente dá-se a invasão francesa. Em poucos anos, jovens formados nas universidades francesas de biotecnologia e electrónica inundam Silicon Valley. A Businees Week relatava que de um momento para o outro, o francês tornou-se na segunda língua de Silicon Valley. Porquê? Porque em França já não é possível criar. A falta de investimento em novas tecnologias devido à rigidez do mercado de trabalho, à perseguição da fiscalização laboral e ainda a regimes fiscais asfixiantes que impossibilitam a remuneração da criatividade (através de stock options, coisa que todos os quadros das novas empresas de high tech recebem normalmente nos states), causou a debandada.

Os EUA agradecem. É por causa de parvalhões como este Filoche que a França vive numa tremenda estagnação económica.

Este assunto foi em tempos debatido nos foruns do Público, de onde retirei parte deste artigo. Porque me relembrei de Filoche, hoje? Porque o homem hoje estaria aos gritos com a proposta de reforma da administração pública...

  Machados de Guerra

Mudança, Alteração, Mérito. Palavras que provocam alergia aos sindicatos. Preparem-se para a guerra. A reforma anunciada da função pública é o mote para as batalhas dos próximos meses. Os sindicatos e os seus dirigentes, que só sobrevivem pela defesa da mediocridade, tremem só de pensar na hipótese de promoções por mérito. Quando assim acontecer, apenas os mais competentes serão promovidos e esses são os que não querem saber dos sindicatos para nada.

A minha aposta? Um Outono quente...

  Exodus

Soube pelo Valete Fratres! que faleceu Leon Uris. Uris foi um autor que marcou a minha adolescência através de dois livros, primeiro o Exodus e mais tarde o Mila 18. Por coincidência, comprei na Feira do Livro o Mila 18. Comprei-o por nostalgia e por pensar que os meus filhos poderão gostar tanto deste livro quanto o pai gostou.

No fim de semana passei os olhos pelas primeiras páginas e descubro que já não é o mesmo livro. Quando tinha 15 anos, li um livro de aventuras, de heróis que combatiam um inimigo poderoso e malévolo; hoje leio também um manifesto político.

  Esclarecimento

O PS do post anterior a este, não era um post scriptum. Era uma pergunta para o Partido Socialista. Ainda não entendi os critérios que definem quais são os casos em que as testemunhas se devem demitir.

  O Grande Planeador

Estou estupefacto! Acabei de ser convocado para "comparecer no Tribunal Judicial de XXX, pelas 9:30 do próximo dia 7 de Abril de 2004, para ser ouvido no processo y, na qualidade de testemunha".

A minha agenda não tinha nenhuma entrada para lá do fim do mês, se excluir os aniversários dos amigos e o início das férias. Agora, devido à fantástica capacidade de planeamento do estado, a minha vida desorganiza-se. Já estou em pânico... Ajudem-me... Na FNAC ainda não estão à venda agendas para 2004 e a duração dos gadgets electrónicos raramente ultrapassa dos 6 meses. Se me esquecer, sou preso?

PS: Devo demitir-me?

  A França e a PAC

Recomenda-se este artigo publicado na Economist. E recomenda-se principalmente aos amigos de José Bové, cuja causa, a defesa do proteccionismo agrícola europeu, prejudica severamente o terceiro mundo.

“Farmers in the poor world are doubly hurt. They must compete against subsidised European stuff. And even then their access to European markets is severely impeded.”

Outra coisa não seria de esperar. Está nos livros.

O que quer afinal Bové? A resposta é fácil e demasiado óbvia. Bové quer continuar subsidiado e sem concorrência. Tão magnânimo, não é?

  E o governo não faz nada?

Os espanhóis continuam a pescar em águas portuguesas. Querem comprar tudo o que é nosso. Levam os nossos recursos. E o governo, não faz nada?

Notícia da Marca

Vicente del Bosque y Fernando Hierro no seguirán en Real Madrid la próxima temporada, tal y como adelantó MARCA a las nueve de la noche. Tras la reunión de la Junta Directiva del conjunto blanco Jorge Valdano hizo público que el técnico y el defensa no renovarán sus respectivos contratos. Mientras tanto, el portugués Carlos Queiroz parece ser el mejor situado para ocupar el lugar de Del Bosque en el banquillo madridista.

Outra Notícia da Marca

FUE EL DESCUBRIDOR DE FIGO Y ES LA PRIMERA OPCIÓN DEL REAL MADRID
Carlos Queiroz, ayudante de Ferguson, podría ser el nuevo técnico

El sustituto de Vicente del Bosque parece que podría ser Carlos Queiroz, ayudante de Alex Ferguson en el Manchester United. El técnico portugués fue el descubridor de Luis Figo y ha sido uno de los técnicos que ha tenido David Beckham en el equipo inglés. Es por ello que el centrocampista luso ha estado en la Junta Directiva del Real Madrid de este lunes. Jorga Valdano no ha querido hablar de nombres en la rueda de prensa. La otra opción es el portugués Jose Mourinho, actual entrenador del Oporto.


Nota: O Jaquinzinhos prefere que vá o Mourinho...

segunda-feira, junho 23, 2003

  Um cidadão aparentemente igual aos outros.

Um cidadão aparentemente igual aos outros entra em propriedade privada e destrói produtos que se encontravam armazenados. Como é normal, o cidadão aparentemente igual aos outros é condenado em tribunal a uma pena de prisão, que é suspensa. O mesmo cidadão aparentemente igual aos outros destrói um restaurante durante o período de suspensão. O cidadão aparentemente igual aos outros é chamado para cumprir a pena. O cidadão aparentemente igual aos outros organiza cortes de estrada. O cidadão aparentemente igual aos outros recusa-se a cumprir a pena. O cidadão aparentemente igual aos outros é detido.

No país onde reside o cidadão aparentemente igual aos outros, o líder do Partido Comunista interrompe as sessões parlamentares em protesto pela detenção do cidadão aparentemente igual aos outros.

No país onde reside o cidadão aparentemente igual aos outros, o líder dos sindicatos grita que a prisão do cidadão aparentemente igual aos outros é um ataque à liberdade do movimento sindical.

No país onde reside o cidadão aparentemente igual aos outros, os movimentos de esquerda exigem a interferência do governo no poder judicial para libertar o cidadão aparentemente igual aos outros.

Exige-se uma amnistia que se aplicará exclusivamente ao cidadão aparentemente igual aos outros.

O cidadão aparentemente igual aos outros é afinal um cidadão aparentemente melhor que os outros; é antiamericano, é de esquerda e é anti-globalização.

Egalité rima com Bové?

  Porto 2004

O meu último tópico teve direito a dois emeiles de resposta "insultuosos" e a alguns comentários depreciativos. Impõe-se um esclarecimento: esse post não era sobre Pedro Burmester. Ao Pedro dediquei o post 'Clássico. Lírico.'

Se o Pedro Burmester fosse responsável pelo atraso das obras da Casa da Música, já deveria ter sido despedido e processado em tribunal. Pobre pianista. Não, o activador do tópico foi mesmo Nuno Cardoso. Alguém que não deve lavar as mãos do evento Porto 2001 - Capital das Obras. A Casa da Música deveria ter estado pronta em 2001. A Casa da Música serviria para acolher os principais espectáculos musicais da Porto-2001. Com sorte, será inaugurada a tempo do Euro-2004. Tão português-nacional-nosso, não é?

domingo, junho 22, 2003

  O Nuno gosta do Pedro

Li no meu jornal:

Segundo Nuno Cardoso, "foi Pedro Burmester, quando era ainda membro da comissão instaladora do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura que teve a ideia inicial da criação da Casa da Música". "Embora não tenha entrado logo na primeira administração, Pedro Burmester foi sempre o coordenador da Casa da Música desde o primeiro dia, desde o primeiro minuto", sublinhou.

Para o ex-autarca portuense, uma eventual saída do pianista da Casa da Música seria "gravíssima, uma grande perda, até porque este é o projecto central e emblemático dessa grande iniciativa que foi a Porto-2001".


O Pedro agradece. o Nuno está excitado com a abertura da Casa. O projecto correu lindamente e a excelência com que foi coordenado, permitirá a inauguração no prazo previsto: o Pedro vai cortar a fita no Verão de 2001.

  Forum Social Português ainda não terminou

Ontem à noite, à saída do jantar/espectáculo de World Music no Velho Páteo de Sant'Ana, pude observar os últimos resistentes da manifestação-desfile do Forum Social Português, membros de um dos vários grupos de opção minoritária que animaram a festa do Dr. Boaventura. Estes jovens não eram Ls, eram certamente Gs, talvez tenham sido Bs e aparentavam ser Ts, apesar de nunca sabermos o que vai por baixo das minisaias. Passeavam às duas da manhã pela Rua Luciano Cordeiro, em frente ao hospital dos Capuchos. Imagino que se tenham desviado da confusão das várias manifestações, desfiles, grupos, facções, blocos, partidos e sensibilidades do forum e foram ali parar, perdidos e desorientados.

Este grupo minoritário é vítima permanente da homofobia enraizada na sociedade marialva, capitalista e retrógada em que vivemos. Uma amiga e comensal referiu-se-lhes do seguinte modo: ‘Olha, estão ali uns gajos vestidos de putas ao ataque.

Censurável! Expliquei-lhe imediatamente que a forma com que ela se exprimira era politicamente incorrecta. Estávamos em presença de gente explorada e maltratada pela sociedade a quem devemos todo o nosso respeito e solidariedade. Lembrei-me de José Neves, da ATTAC, e da sua pungente descrição da mulher, negra, desempregada, mãe solteira, imigrante ilegal e lésbica e logo sugeri que estávamos em presença de algo bem mais triste. Estes minoritários nem sequer conseguem ser mulheres a sério, as leis discriminatórias da biologia capitalista neoliberal vedam-lhes o direito à maternidade, vivem na economia paralela porque os clientes não querem pagar IVA, muitos são brasileiros ilegais e ainda há quem lhes chame nomes. São tão pobrezinhos que alguns ainda vestem as sainhas pequeninas do tempo em que eram crianças. Tadinhos!

Só nos resta esperar que os nossos governantes entendam que é obrigatório encontrar políticas activas de discriminação positiva que contrabalançam as injustiças causadas a este grupo minoritário pela nossa sociedade egoísta. O jaquinzinhos deixa já aqui as primeiras sugestões para o governo do Dr. Barroso:

1. Redução do IVA nos adereços para 5%. Os coitados estão sujeitos a enormes despesas em sapatos altos, cabedais, latex, perucas e pinturas. Os vestidinhos andam pela hora da morte. Não parece lógico que o livro só pague 5%de IVA e o cinto de ligas pague 19%. Corrija-se.

2. Subsídios à produção - Se há portugueses que recebem um subsídio por cada oliveira ou pereira que plantam, também estes trabalhadores devem receber um subsídio equivalente por cada Sr.Oliveira e Sr.Pereira que produzem. Um país não se faz só com agricultura.

3. O sistema nacional de saúde tem que dar resposta a uma exigência já antiga de todos os minoritários deste grupo, e que poderá ser facilmente aceite como um direito inalienável de todos os portugueses: o direito ao corte livre e gratuito da pilinha nos hospitais públicos.

São só três pequenas ideias que se forem postas em prática, podem ajudar a diminuir a exploração e o sofrimento a que estes jovens estão sujeitos. Esperemos que sejam entendidas como contributos para um debate sério e evoluído ao nível a que o Forum Social Português já nos habituou.

  Fado

Noite de Fado no Velho Páteo de Sant´Ana. Vozes gastas sobre guitarras limpas. Já há algum tempo que não assistia a um espectáculo de World Music.

sexta-feira, junho 20, 2003

  Lula

Lula é um tipo simpático, não se pode negar. Também está a demonstrar ser mais inteligente do que prometia ao ignorar parte significativa das suas promessas eleitorais. Um acto de enorme bom senso.

Lula quer agora trazer investimentos para o Brasil. Diz Lula:

"A inflação não é mais um bicho-papão e já foi controlada. Agora vai começar o processo de investimento nos setores que consideramos que geram o crescimento econômico e os empregos que precisamos."

Aplaude-se a vontade de Lula e anota-se a contradição com as acções passadas. Veja-se esta entrevista que a Globo fez a um apoiante de sempre do PT e companheiro das lutas sindicais:

GLOBO: O que mudou no ABC desde as greves lideradas por Lula nas décadas de 70 e 80?

GILBERTO GONÇALVES: A única coisa que aconteceu é que as fábricas foram fechadas. Muitas foram para outros estados, outras para o interior do estado, e, por isso, hoje tem 70 mil desempregados só em São Bernardo e a região do ABC está nesta situação.


70.000? Grande Lula, o planeador! Já estava a arranjar beneficiários para o programa Fome Zero!

  2 remos


Avô, Maio de 2000


  O Mistério dos Frangos Dançantes

Por vezes, gente inocente que procura informação útil na Internet é malevolamente transportada para esta página. O jaquinzinhos já foi acedido por quem procurava coisas tão díspares como:

"Festa Senhora da Piedade"
"Jardel Karen Fotografias"
"Durão Comentário Pedofilia Socialistas"
"Vaca Porco Carneiro Frango"
"Socialista Escândalo SCUT"
"Repartição de Finanças de Queluz"


Hoje, a surpresa foi ainda maior. Alguém acedeu ao Jaquinzinhos através da seguinte busca:

"Imagens Animadas de Frangos"

Confirmei. É verdade. O jaquinzinhos é um destino mundial do Sapo para os milhões de cibernautas que procuram avidamente imagens animadas de frangos.

Fazendo juz à fama e porque não quero que ninguém se sinta defraudado por aqui vir, aqui estão eles:



Isto sim, é serviço público.

  Passeio de Domingo com Mulher e Sogra

Circulava lentamente pela marginal em direcção a Cascais quando o drama começou. Uma travagem um pouco mais brusca e sente qualquer coisa tocar-lhe nos calcanhares. Baixa o olhar e vê, horrorizado, um sapato de senhora entre os seus pés. No lugar do morto, a mulher fala animadamente sobre a novela da noite. A sogra escuta, atenta, no banco de trás.

Como é que o sapato foi ali parar? Claro! A escapadela da véspera. As amigas do irmão, embriagadas, as aventuras no carro. Saíram meias despidas para a praia, aquele sapato sobrou...

E se a mulher vê? Calcula mentalmente as linhas de visão entre os seus pés e os olhos da esposa. Ela pode ver. Basta o acaso dirigir-lhe o olhar distraído para a prova da traição. Que vergonha, um escândalo em frente à sogra. Tenta fazer deslizar o sapato para baixo do banco mas o teimoso prende-se, dobra-se, deforma-se e não desaparece da vista. O coração bate mais rápido, a condução torna-se nervosa. Está a transpirar. Só lhe resta uma solução. Desfazer-se da prova. Abre a janela e espera pela oportunidade. A sorte sorriu-lhe no primeiro semáforo.

“O casino está outra vez em obras. Já viram?”

As duas mulheres seguem naturalmente a sugestão e observam desinteressadas o palácio do jogo. No segundo certo, a mão esquerda desliza para o tapete, agarra decididamente o sapato e zás! Atira-o pela janela. Quando a luz verde se acende, arranca apressadamente, ignorando 2 ou 3 buzinas surpreendidas com o inesperado objecto voador.

No carro, ninguém deu por nada. Ufff... Respira fundo. Está salvo. Já passou. A calma regressa e sugere uma visita de descompressão à Boca do Inferno.

Só percebeu o que realmente aconteceu quando ao sair do carro, ouve a sogra dizer:

"Mas que coisa estranhíssima! Falta-me um sapato..."

  Teoria da Ensimesmação

Mamadou Ba, da direcção nacional da Associação Luso-Senegalesa foi ao Forum Social Português. Mamadou gostou. Mamadou imagina que o Forum marca um irreversível processo em construção. Mamadou acredita que vem aí uma alternativa para a qualidade da democracia em Portugal. Mamadou tem esperança. Mamadou tem sobre o forum estas ideias e outras que podem ser lidas nas cartas que se escrevem ao director do melhor jornal.

A parte mais interessante da carta do Sr. Ba é esta: "Não há dúvida para quem acompanha o debate político em Portugal: J.P.P. já sofre dele próprio, ou seja, construiu um mundo de debate e de discussão supérfluos à volta dele para o gozo próprio, ensimesmando-se em discussões estéreis...".

Mamadou tem razão. Pacheco Pereira ensimesma-se muitas vezes. O seu ensimesmamento é permanente na comunicação social e é um dos maiores ensimesmadores da blogosfera. De todos os portugueses que praticam a arte da ensimesmação, não me recordo de nenhum que se ensimesme como Pacheco Pereira se ensimesma. Representa um ensimesmamento de qualidade e não se ensimesma assim quem quer. Ele é o ensimesmado.

E tem razão Mamadou quando escreve que J.P.P. 'construiu um mundo de debate e de discussão supérfluos à volta dele para o gozo próprio'. O Jaquinzinhos sabe de fonte segura que Pacheco Pereira foi o inventor dos blogues. Deu-se a esta trabalheira toda só para ter assunto para se ensimesmar na crónica de ontem.

quinta-feira, junho 19, 2003

  O Distraído Espectador

Eu, jaquinzinho me confesso, desatento e acalorado. Peixe fresco na rede. Benvindo.

  Clássico. Lírico.

Um administrador de uma empresa considera o orgão de que faz parte, o conselho de administração, incompetente. Parece que há por lá um ou dois administradores que querem respeitar os accionistas que os nomearam. Líricos.

O problema é ainda mais grave. O administrador também não está contente com os accionistas e pretende que eles se demitam. E tem toda a razão. O accionista em causa já demonstrou muitas vezes a sua total incompetência para gerir o seu portfolio de participações. Mas a lei, infelizmente, não inibe este agente económico de participar em empresas.

Registe-se então este novo paradigma da gestão:

Quando as coisas correm mal, demitam-se os accionistas, deixem-se os administradores em paz... Burmester, o novo Drucker?

  Nova Democracia

Escreve Jorge Ferreira: "Informam-me que uma parte da blogosfera anda apreensiva por existir uma alegada ofensiva da Nova Democracia no mundo dos blogs". Não é bem isso. Andamos todos apreensivos, é verdade, porque queremos honestamente que consigam pelo menos fazer dois pares para a sueca. Se faltar alguém, apitem. A Blogosfera é solidária.

  O Blog do José Magalhães

Afinal, há um não há um blog do deputado ex-comunista e ex-guru da sociedade de informação? Só encontrei isto... A acreditar em tudo o que se ouve na rádio pública, o flashback já está a 50% na blogosfera.

quarta-feira, junho 18, 2003

  Ser do Contra

A CGTP está sobre escuta telefónica, garantiu ao jaquinzinhos uma fonte anónima confidencial não identificada de máxima credibilidade e reputação. Como prova, entregou uma transcrição de uma pretensa conversa telefónica entre Carvalho da Silva (CS) e José Cartaxo (JC). O jaquinzinhos não tem qualquer hipótese de confirmar a veracidade da conversa...

Início de transcrição
CS: Tá? Zé?
JC : Sim, sou eu. Tás bom Manel?
CS: Tou! Ouve lá Zé, hoje somos contra o quê?
JC: Hoje? Deixa lá ver... Ontem fomos contra a contra o Contrato Social para a Competitividade e Emprego; Hoje somos outra vez contra o Pacote Laboral.
CS: Contra o Pacote está marcado para amanhã... Hoje devemos ser contra a liberalização do mercado energético.
JC : Contra a liberalização do mercado energético é só na segunda-feira! Já sei, hoje somos contra a administração dos CTT!
CS : Ah, pois é. E na sexta? Podemos ser contra as novas medidas para o ensino superior.
JC : Não, esse já fomos contra na semana passada... Quando é que vamos ser contra o aumento das pensões mínimas?
CS : Domingo, é no Domingo. Não me digas que sexta-feira não vamos ser contra nada?
JC: Bem.. podemos ser só contra a política do governo... um Contra Geral.
CS: o Contra Geral foi no príncipio do mês, não convém ser contra tudo 2 vezes no mesmo mês. Não arranjas mais nada para sermos contra?
JC : Deixa ver.. Contra as políticas de emprego?
CS: Hmm... isso é na quarta feira.
JC : Contra as alterações à Lei da Segurança Social?
CS : Foi na semana passada. Podemos ser contra as Reformas da Saúde. Já não somos contra desde quando?
JC : Já lá vão 15 dias. Não será melhor antecipar o ser outra vez contra a ocupação do Iraque...
CS.. Contra o capitalismo.. (.... barulhos na linha ...) .. Zé, ouviste estes barulhos?
JC : Ouvi camarada! São escutas telefónicas!
CS : Então está resolvido. Sexta podemos ser contra as escutas!
JC : Boa Manuel! Olha, hoje chego mais tarde, tá bem? Estou sem carro, fui contra um poste...

Fim de transcrição

  Falta de Visão

A Visão insiste. Em artigo assinado por Julie Pêcheur e Phillippe Boulet-Gercourt, da Nouvel Observateur, lê-se: "...Wolfowitz, o adjunto de Rumsfeld, tem a franqueza de ver em toda esta história de armas de destruição maciça uma mera 'justificação burocrática' para a aventura iraquiana".

O original em françês dizia: "Décernons au passage un accessit, dans la catégorie «brutalement cynique», à Paul Wolfowitz, l’adjoint de Rumsfeld, qui voit dans toute cette histoire d’armes de destruction massive la «justification bureaucratique» derrière l’aventure irakienne".

Traduziram 'brutalmente cínico' por 'prémio de consolação', mas insistem mais uma vez na mentira. Provavelmente ninguém na Visão lê o que publicam...

  Mais Linhas Tortas

Vale a pena voltar ao debate com o Linhas, um fiel representante da doutrina que alguma esquerda publicita à volta do investimento estrangeiro no terceiro mundo.

Escreve o Linhas: “É ver os preços praticados pela NIKE, imaginar o custo de um sapato feito no Vietname e obtemos o lucro.” Não é preciso. Está no Annual Report da Nike. Em 2002 a Nike ganhou 663 milhões de dólares. Uma rentabilidade de activos de cerca de 10%.

Pergunta o Linhas “porque é que os padrões utilizados nas fábricas situadas em países desenvolvidos não são impostos nos países de terceiro mundo?”. Vejamos então porquê. Bastam umas continhas fáceis, só somar e multiplicar.

Há 410.000 empregos ligados à Nike no Extremo Oriente. (Do site da Nike more than 50 independent footwear contract factories in the Asia Pacific region, providing more than 245,000 jobs to local communities. In addition, there over 300 apparel factories, providing more than 165,000 jobs to local communities.”.)

Imagine-se que em vez do tal salário médio de 54USD/mês, estes trabalhadores recebessesm o salário médio do operário americano, digamos, 1500 USD/mês.

A Nike, em 2002, teria mais 7.100 milhões de custos, apenas relacionados com salários. O prejuízo teria sido de 6.400 milhões de dólares e a Nike já não existiria. Na Ásia, terias mais 410.000 famílias a viver com menos de 1 USD por mês, sem dinheiro para a bicicleta, sentindo na pele os efeitos da alter-globalização.

Diz o Linhas: “Um vietnamita é dos povos mais pobres da terra em que o PNBpc é de apenas 410$ tendo os seus índices de desigualdade bastante elevados”. É verdade. Os vietnamitas tiveram azar. Gramaram com um governo que seguiu por linhas de esquerda. Deu nisto.

terça-feira, junho 17, 2003

 
Direitos Universais

O governo quer encerrar as escolas primárias com menos de 10 alunos? Nem de propósito... o jaquinzinhos teve acesso a esta carta que um cidadão ultrajado nos seus direitos universais enviou ao primeiro ministro:


Albojardaria, 10 de Maio de 2003
Exmo. Senhor Primeiro Ministro Durão Barroso

Espero que esta vos encontre de boa saúde. Eu por cá ando irritadíssimo com o seu governo que até agora só demonstrou uma total incompetência no que me diz respeito.

Passo a contar a Vossa Excelência o meu caso. Reformei-me recentemente e eu e minha Idalina, decidimos mudar-nos para Albojardaria, a terra da família, não sei se o senhor Durão conhece, fica a 20Km de Balurcos do Olival e a 30 de Cavernezes do Sul. Atrás de nós vêm 3 filhos, 5 netos, uns primos, a cunhada que nunca casou, os sogros, uma nora e um genro, e mais o cão, o gato e o passarinho. A aldeia não tinha habitantes e agora vai ter 17! Todos sabemos que não pode haver esperança no futuro sem uma política que inverta a macrocefalia do litoral e esperava eu ter do seu governo todo o apoio nesta minha decisão de repovoar o interior. Puro engano: só me arranjam complicações, senhor Durão!

Olhe só estas desgraças do seu governo. Meti o requerimento ao Ministério da Educação para abrirem a escola primária com jardim de infância para os meus netinhos. Tenho dois, um na segunda classe e um outro que ainda só tem 4 anos, mas já sabe as vogais todas. Pois sabe o que me responderam do Ministério? Para pôr os miúdos na escola mais próxima, que fica a 15 Km! Já viu isto? Era só o que faltava, mandar as crianças para uma escola a 15Km. Os meus netos têm o mesmo direito dos outros miúdos portugueses que é o direito de ter a escola ao pé de casa. Como é óbvio, vai ser também necessária uma escola secundária, para o meu neto mais velho (e para os mais novos que os anos passam a correr). Pois veja só: meti os papéis no Ministério há já 2 meses e ainda não se vê sinal de início das obras. Senhor Durão, as aulas começam em Setembro, não sei o que é que pretendem fazer. Todos sabemos que os jovens são o futuro deste país e não pode haver esperança no futuro com atrasos destes, principalmente quando podem provocar privação de um direito universal, o ensino público gratuito.

Estamos na disposição de esperar 5 ou 6 meses para que construam as escolas, antes de nos decidirmos por medidas de luta mais duras. Até lá, façam o favor de nos providenciar taxis para transportar os miúdos de e para as escolas.

Mas se fosse só isto, senhor Durão! É muito pior. Requeri à Rodoviária lá da zona que providenciassem três carreiras diárias de autocarros entre Albojardaria e Balurcos (é o mínimo) e mais duas para Cavernezes. Responderam-me que não havia movimento que o justificasse. Já viu isto? Imediatamente participei da empresa à Secretaria de Estado dos Transportes. Senhor Durão, disseram-me na cara que não podiam fazer nada, que a empresa é privada. Que vergonha, senhor Primeiro Ministro! Exijo a Vossa Excelência o favor de nacionalizar imediatamente a empresa e de providenciar o transporte público com qualidade, horários adequados e preços sociais, tendencialmente gratuitos. Todos sabemos que não há futuro para o país sem meios de transporte em condições. A mobilidade do povo é um direito universal. (Amanhã vou meter o requerimento para reactivar a estação ferroviária de Albojardaria, está fechada há 20 anos)

Entretanto, também não está a funcionar nenhum centro de saúde nas redondezas. Já requeri a instalação de um ao Ministério da Saúde e sabe o que me responderam? Que não têm intenção de abrir nenhum centro de saúde em Albojardaria. Como é possível? O meu sogro é idoso e faz hemodiálise. Querem fazê-lo deslocar-se 40Km para o centro mais próximo? Era só o que faltava! Dê vossa excelência ordem imediata ao seu ministro para fazer o centro de saúde de Albojardaria, dotado de primeiros socorros, instalações para pequenas cirurgias, hemodiálise e cardiologia para a minha Idalina. Mande instalar também uma máquina de ecografia que a minha nora está de esperanças. A maternidade só tem que abrir daqui a seis meses, mas, como pode haver parto prematuro, é melhor abrir já daqui a quatro. Vai ser preciso uma farmácia, é melhor abrir o concurso já. Tem que ser de serviço permanente, não se esqueça. Todos sabemos que não há futuro para o país sem um sistema de saúde pública universal e gratuito, um direito do povo!

E o ambiente, senhor Durão... Então não é que temos uma aterro a 7Km de casa? Já pedimos ao Ministério o encerramento imediato do aterro e... nem nos responderam, senhor Durão! Mas que país é este em que querem pôr o lixo perto de onde moram as pessoas??? O seu ministro do ambiente é um incompetente.

E senhor Durão, as coisas também não funcionaram na autarquia! Sabe o que me disseram quando fui pedir o asfaltamento da estrada entre Balurcos e Albojardaria? Que nem têm dinheiro para fazer uma fonte cibernética na praça quanto mais 15 Km de estrada. Parece-me que o senhor primeiro ministro não está a transferir o suficiente para as autarquias. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem um poder local forte. Faça favor de dar o dinheiro para me fazerem a estrada. Tenho um carro novo e não quero estragá-lo. Ou então, faça uma SCUT, é capaz de ser melhor que são os privados a pagar. Olhe que se o carro se estraga, mando a conta para o governo! As estradas gratuitas são um direito universal.

Mas quer mais? Quando pedi água e esgotos, respoderam-me : “Poço e Fossa”. Estamos no século XXI, senhor primeiro-ministro! Isto é que é a CEE? Peçam um subsídio à Europa, mas resolvam-me lá este problema. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem as condições mínimas necessárias à higiene moderna. Não se esqueçam da ETAR. O saneamento básico é um direito universal.

Senhor Durão, o seu Ministério do Equipamento Social também não está a funcionar. Já pedi o pavilhão gimnodesportivo há quase um ano e indeferiram-me o pedido. Mas o que é isto, senhor primeiro-ministro? Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem que as nossas crianças possam praticar desporto em condições! Ou será que os meninos de Lisboa são mais que os meus netos? Olhe que a Educação Física é um direito universal.

Continuando o rol de incompetências, que parece não ter fim, não querem instalar em Albojardoria uma necessidade básica de todas as localidades: o posto da polícia. Nem sabe como estamos indignados... Será que querem deixar uma família indefesa abandonada à sua sorte? Senhor Durão: todos sabemos que não há futuro para Portugal sem que esteja assegurada a segurança dos cidadãos, um direito absolutamente universal.

Olhe senhor Durão, estou verdadeiramente irritado com esta calamidade que é o seu governo. Eu não lhe quero tomar mais tempo, sei que é um homem atarefado, mas a incompetência dos seus ministros é tão grande que não consigo parar... deixe-me dizer-lhe que também não obtive respostas positivas para a estação de correios, dizem-me que só me montam o telefone se eu pagar uma data de dinheiro e o telemóvel só tem sinal de cimo do monte. Ponha essa gente na ordem, senhor primeiro ministro. Andou a privatizar as companhias e agora é esta pouca vergonha. Dê-lhes ordens, senhor Durão, ou nacionalize esses incompetentes! Esta é a era da informação, faça ver isso aos seus ministros. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem acesso a boas telecomunicações, que são um direito universal.

E a luz, senhor Durão! Dizem-me que tenho que comprar um gerador ou um moinho. Era só o que faltava, a EDP que compre! Haverá futuro para Portugal com o interior às escuras? Os quilovátios são um direito universal dos cidadãos.

Por fim, senhor Duráo (e esta é inacreditável) o Ministério da Segurança Social recusa-se a abrir em Albojardaria um centro de emprego. Ora isto é verdadeiramente ultrajante. Para virem para Albojardaria, os meus filhos e os outros todos despediram-se e agora estão todos no desemprego. Diga-me lá, senhor Durão, como é que uma taxa de desemprego de 100% não justifica um Centro de Emprego? É sabido que os efeitos desta globalização neo-liberal capitalista, é não haver empregos em terras como Albojardaria. Acha que há futuro para Portugal com taxas de desemprego desta grandeza? Olhe que o emprego é absolutamente um direito universal.

Entretanto, continuo à espera do subsídio que pedi para preparar o dossier de criação do Concelho de Albojardaria. Parece-me que sem poder definir o seu destino, Albojardaria nunca conseguirá fazer valer os seus direitos. A descentralização é um direito universal.

Só lhe quero pedir mais uma coisa. Há um terreno muito bom mesmo no centro de Albojardaria e que é bem adequado à instalação de outros serviços necessários. Por exemplo, podemos instalar lá o tribunal, o notário, as conservatórias, a repartição de finanças, o veterinário, a superesquadra, a Caixa Geral de Depósitos, e ainda dá para fazer um jardim, um parque de estacionamento subterrâneo gratuito, piscinas públicas gratuitas, um auditório municipal, a biblioteca e o centro de dia para os idosos e uns multiplexes da Warner. Só que o terreno pertence a uns latifundiários e é preciso expropriá-los. Faça favor de avançar com o processo que eu vou já preparar os outros requerimentos. Senão, tomo medidas mais duras e é pior.

Essa gente do seu governo não quer trabalhar. Senhor primeiro-ministro, aceite o meu concelho; ponha os com rédea curta, ou perca as esperanças de ganhar as próximas eleições. A SIC está a preparar-se para fazer um directo de Albojardaria para divulgar a escandaleira, é melhor mexer-se depressa.

Subscrevo-me com toda a consideração
Justino dos Direitos Universais

PS: O meu neto pede-me para lhe dizer que precisa de Internet com banda larga e flátreite.


  Sal Mouro


Salinas de Tavira, Verão de 2002

segunda-feira, junho 16, 2003

 
Linhas Tortas

O blog da "resistence" ao poder estabelecido, "Fachó-Chic" escreve que o blog filo-americano, anti-comunista e neoliberal continua a escolher os textos mais disparatados para postar no seu blog.

Porquê? Porque o Valete referenciou um artigo publicado na Spectator acerca dos investimentos da Nike no Vietname. O texto foi escrito pelo premiado economista sueco Johan Norberg e não contém nada de extraordinário. É apenas mais um bom artigo que corrobora uma evidência por demais conhecida: os países do terceiro mundo só têm a ganhar com o investimento estrangeiro.

Por que se choca então o resistente? Simples: defender o investimento estrangeiro é defender a exploração dos países do 3º mundo por parte das multinacionais.

Esta convicção omnipresente em quase toda a esquerda é um dos maiores mistérios da existência. Não será fácil encontrar um único argumento que demonstre ter sido melhor opção para o Vietname que a Nike tivesse feito o investimento noutro qualquer país. Se a Nike não tivesse investido no Vietname, os actuais trabalhadores da multinacional estariam certamente muito pior; uns no desemprego, o que na prática significa que viveriam numa economia agrícola de subsistência, outros com melhor sorte em empregos cuja remuneração só poderia ser substancialmente inferior à actual. Ainda hoje o desemprego no Vietname afecta 1/4 da população.

Ninguém obrigou os trabalhadores da Nike de Ho-Chi-Min a aceitaram aquele emprego. Se as condiçõees oferecidas pela empresa não significassem uma melhoria de nível de vida para os vietnamitas, a Nike ficaria às moscas. Os operários são livres de se irem embora se encontrarem melhor alternativa, o que raramente acontece; pelo contrário, as listas de inscritos para trabalho nas multinacionais são muitas vezes gigantescas porque as condições de trabalho nestas empresas são incomparavelmente superiores às oferecidas pelo mercado de trabalho local. Os trabalhadores da Nike no Vietname recebem um salário médio de 54 dólares, aproximadamente o triplo do salário pago pelas empresas públicas. Diz o artigo "furthermore, the Nike job comes with a regular wage, with free or subsidised meals, free medical services and training and education".

Para a esquerda isto é exploração. Trazem à baila os miúdos que trabalham para empresas locais em regime de subcontrato com a mutinacional. Os putos, em vez de trabalharem nos campos de arroz de sol a sol, vão coser bolas para casa. E só o fazem porque é muito mais compensador. E continuarão a fazê-lo até que o Vietname atinja um nível de desenvolvimento que permita às famílias pobres subsistir enquanto os filhos estudam, uma evolução que os portugueses bem conhecem.

As acusações que a esquerda faz à Nike não mudaram nada nos últimos 40 anos. Disse-se exactamente o mesmo da Texas Instruments quando esta construiu a sua primeira fábrica de componentes electrónicos nos anos 60 em Taiwan, iniciando o surto de investimento estrangeiro na ilha. Exploração, 10 horas de trabalho por dia, 6 dias por semana, acusava-se. Pois era. Mas já não é. Não arrepia a esquerda saber que bastaram 45 anos de globalização capitalista para que o salário médio taiwanês ter ultrapassado o português? Maldita globalização.

E não, a Nike não está no Vietname por altruísmo. Adam Smith já explicou porquê há 227 anos. O que pretende afinal a esquerda anti-globalização? Manter o terceiro mundo na miséria por tempos infinitos? Porque não abrir ao Vietname a mesma porta que Taiwan abriu há 40 anos?

E não, não vou acabar esta mensagem com nenhuma frase do género "aqui se vê a moral da esquerda". Eu sei que eles não fazem por mal. Apenas leram os livros errados.

 
Porcarias dos Porcos

As porcarias dos porcos emporcam praias perto da Marinha Grande. O presidente da associação dos donos dos bichos atira as culpas para o governo. Parece que não deram o subsídio, ou deram mas é preciso mais. Como é evidente, não se pode esperar que os porcos façam cócó limpo sem subsídios.

Neste caso não se aplica o príncípio do poluidor-pagador. Os porcos não têm dinheiro que chegue.

 
Carrilho, o Modesto

Na sua coluna semanal do Expresso, Contigências, Manuel Maria Carrilho refere-se ao desafio que Pedro Santana Lopes lhe fez por duas vezes para um debate público sobre políticas culturais comparadas dos governos em que participaram.

Manuel Maria Carrilho vê o debate como desnecessário: os ex-titulares de cargos políticos não devem discutir entre eles qual foi o melhor. Mas a razão principal para não ir a combate é outra. Debater para quê se o consenso é generalizado? Manuel já ganhou!

Segundo o ex-ministro, há consenso público e privado, partidário e transpartidário, nacional e internacional. Mas Carrilho é extremamente modesto e por isso explica ao mundo que a sua natural parcimónia impede-o de ser mais elucidativo e concreto.

O balanço é tão consensual que, segundo o modesto ex-ministro, não há o mais ténue índicio que os portugueses o pretendam questionar. Bem, eu pretendo. Manuel Maria Carrilho foi um ministro que comprou a sua popularidade através das benesses que distribuia a quem o apaparicava. No universo de Carrilho, só esses terão capacidade de julgar. Carrilho não vê contestação à sua superioridade porque entende que fora da sua esfera de subsidiados apenas existe subcultura, cuja opinião é irrelevante para o debate.

Bem pode pensar Carrilho que tem consenso. Engana-se. Também Pedro Santana Lopes angariou a sua corte de aduladores, principalmente de entre os actores que faziam parte dos grupos de teatro que priviligiou quando foi secretário de estado da cultura e os saudosistas da época áurea do teatro de revista não subsidiado que Santana usa como bandeira. Em frente às câmaras, o Pedro é melhor que o Manuel. Seria um interessante momento televisivo.

E se não sei quem "ganharia" o debate, sei perfeitamente quem o perde há muitos anos: os contribuintes portugueses que pagaram os milhões que Carrilho desbaratou pela sua corte e que eram sempre, sempre insuficientes. Santana, pelo menos, não chorava por mais.

domingo, junho 15, 2003

 
Um pouco mais de azul...

Hoje, 10:15, Parque dos Poetas em Oeiras. Um casal de sexagenários aproxima-se da estátua de Mário de Sá Carneiro. Param em frente ao poeta e contemplam a escultura com admiração.

- Este sim, foi um grande homem! - proclama ele.

Ficam por ali, parados, em evidente homenagem à memória do grande homem, até que ela se atreve a quebrar o silêncio:

- Não se parece nada com ele. - murmura-lhe.

Outro silêncio longo.

- Claro, isto não é ele, é o pai. Ele era o Francisco, este é o Mário. - esclarece ele.

Dá-lhe a mão com evidente ternura e afastam-se na direcção de Teixeira de Pascoaes. Ainda tenho tempo de ouvi-la sugerir-lhe:

- Sabes, aquela que vimos antes também não devia ser a Florbela Queiroz.

O amor não ocupa lugar.

sábado, junho 14, 2003

 
A Constituição Europeia

Telmo Correio indignou-se. “O preâmbulo da futura constituição europeia refere a herança da antiguidade e do Século das Luzes, e omite qualquer referência às raízes cristãs da Europa”.

Durão Barroso concorda. A tradição judaico-cristã, claro. Esther Mucznik joga na mesma equipa.

O papa deixa a judaica de fora e só quer a cristã. Espera que a constituição se “inspire com fidelidade criativa nas raízes cristãs que marcaram a história europeia.” Mas quer mais, o Sumo Pontífice. Quer “salvaguardar em cada situação a dignidade humana e o direito à liberdade religiosa, compreendido na sua tríplice dimensão: individual, colectiva e institucional”, sem esquecer o “princípio de subsidiariedade nas suas dimensões horizontal e vertical”. O papa está a ficar pós-moderno.

O Deputado do Bloco Luís Fazenda não quer saber de rezas e prefere que as referências sejam feitas a um orçamento redistributivo. O PS também quer incluir umas coisas, mas de momento não têm tempo para pensar em quê.

A minha avó, que era uma grande devota, gostaria que a constituição não esquecesse a Nossa Senhora de Fátima.

A Comissão de Utentes da Ponte 25 de Abril pretenderá que a constituição deixe claro que em qualquer caso existe um direito inalienável à liberdade de circulação e exigirá que a futura constituição realçe a necessidade da Europa promover o movimento livre e sem barreiras dos povos europeus, principalmente nas regiões ribeirinhas urbanizadas, unidas por pontes suspensas com pelo menos 6 faixas e cujo comprimento seja superior a 1500 metros de comprimento. (Fui eu que inventei, mas se quiserem podem utilizar)

Por mim, não exijo muito da constituição europeia. Quero apenas que inclua uma referência ao Sporting, outra ao Algarve. Gostava de ver reflectido na constituição o direito de levar o meu cão a Inglaterra sem que o bicho fique de quarentena. O documento ficará incompleto se não referir o direito básico de comer clementinas doces tiradas das árvores até rebentar. Também gostava que os notários e as conservatórias fossem proibidos de chatear as pessoas e que não magoassem os touros nas arenas.

Parece-me que é o mínimo que se pode exigir a um documento deste tipo. Ou então não façam nenhuma constituição, também serve.

 
In-Fidel-idade.

Carvalhas não foi fiel a Fidel. Ficou no sofá.

 
Fotoblogue


Sierra Nevada, 26 de Abril de 2003

Inferno ou Paraíso?

sexta-feira, junho 13, 2003

 
Fátima vai a Fátima

O jaquinzinhos recebeu este e-mail que aparentemente foi enviado pelo advogado de Fátima Felgueiras. Infelizmente não é possível confirmar a origem do documento...

To: jaquinzinhos@hotmail.com
Fr: presidente@pramalhoeassociados.br

Oi! Tudo legal? Como é, você não fala da Fátima aí no blogue? Você tá listado na actualidade, se não fala na Fátima não tem share, pô! Eu te ajudo, meu irmão, vou dar dica para você! Olha, diz aí que ao povão do país irmão, que também é o meu, meu trisavô era de Pitões das Júnias, fica aí ao pé de Queluz, te dizia, que a Fáfá de Felgueiras se equivocou! Ela estava nervosa e broncou, ela não queria falar 'odiondo', que disparate, né? A Fáfá se desculpa e informa aí os concidadãos do país irmão que o que ela queria falar mesmo era 'hedioso'. Desculpem ela, sim?

A Fáfá pede desculpa ao Féfé por ter falado mal do tal peiésse, mas fui eu que aconselhei, a gente deve sempre botar culpa nos outros, mas ele que entenda que foi só estrátégia e que depois ela se redime e até pensa um dia aceitar o convite para um cargo importante na directoria do tal peiésse. E pede desculpa ao São Francisco de Assis (ele ainda vive? que surpresa, irmão, deve ser velhão mesmo!), ia dizendo, pede desculpa ao Santo, que houve aí uma falha de comunicação, ela mandou os amigos 'bater em retirada' e eles entenderam 'bater e dar porrada'. Que pecado, bater em santo deve ir directo pró inferno.

E ela informa aí o povo que a elegeu e que a ama, que faz uma promessa bacana: se a deixarem voltar, faz uma peregrinação a Fátima e vai partir na hora do telejornal! Podem dar a viagem todinha em directo, que máximo, né? Vai dar boa caixa prós jornais: Fátima Felgueiras: de Felgueiras a Fátima! Legal, né? (A ideia foi minha, aqui no Brasil, advogado tem que pensar em marketing, aí vocês andam atrasados, não pensam em tudo, né?)

Aqui estamos a congeminar numa nova teoria da cabala. O cabalista é o criminoso da dupla letra. Já conseguiu enganar aí toda a magistratura, e levou o juíz a prender o B.B. da Casa Pia, o C.C. das televisões, o P.P. ex-ministro e agora ia a minha F.F. autarca! Temos pistas que apontam que ele agora está a conspirar contra uma tal E.E. deputada e até um tal de P.P ministro não está muito seguro. E um tal de C.C. que come minino ao pequeno-almoço... Agarra essa, meu irmão! Vamos desvendar tudo aqui na defensoria, só estou à espera que venham os euros de aí de Portugal, me disseram que vão mandar num saco azul, eu tou esperando, sou um advogado caro e tenho muita despesa, né?

Fica bem, meu irmão!

P.Ramalho, legalista, advogado, criativo.

PS: E se precisar de ajuda, se você se sentir em dificuldade, pode vir meu irmão! Se alguém te perguntar, tu nasceu na Tijuca, tá bom? Depois eu trato dos documento.


 
Mistérios da Mente

Brancos, belos e amigos das crianças, Karen e Jardel vivem num hotel no norte de Portugal, num quarto das traseiras. A vida correu bem a este casal de Samoeidas. Têm espaço, ar puro, muita liberdade, boa comida e imensas crianças com quem adoram brincar. O dono baptizou-os nos tempos áureos em que Jardel voava sobre os centrais adversários vestido de azul e branco e não lhes mudou o nome quando Jardel virou leão.

Há um ano atrás, numa qualquer saída nocturna, o Jardel terá sido atropelado. Apareceu em casa a coxear e nunca mais recuperou.

Foi quando a dona dos cães me contou a história que percebi estar em presença de mais um inexplicável mistério da mente humana. Posso jurar pela saúde de todos os meus antepassados que não conhecia os cães de lado de nenhum, mas misteriosamente já sabia que desde o Verão de 2002, o Jardel andava coxo...

Serei eu um medium dotado de Percepção Extra Sensorial?

quinta-feira, junho 12, 2003

 
Não venhas Bill Gates, por favor...

Aqui há uns dias houve uma polemicazita entre os Jaquinzinhos e os Canhotos sobre o ex-ministro Pedroso e o RMG. Diziam os canhotos que 20% dos portugueses viviam abaixo do limiar de pobreza. Os jaquinzinhos perguntaram: “Se por acaso este governo e os próximos tiverem o sucesso que todos nós desejamos e daqui a uma década todos os portugueses ganharem o dobro do que ganham hoje... quanto terá diminuido essa percentagem?

Os canhotos emitiram umas blagues acerca do assunto mas deixaram a adivinha sem resposta. E qual era essa resposta? Nada. Népias, nadinha. Não mexe. Podemos ganhar todos o triplo e o Dr.Boaventura pode continuar a dizer que temos 20% de pobres cá no burgo. O nível de pobreza medido via limiar de pobreza, definido como a % de cidadãos cujo rendimento é inferior a 60% da média nacional, é uma aberração sociólógica que não mede pobreza, mas sim desigualdade, ou como sugerem alguns autores mede... desenvolvimento. É incapaz de ver a melhoria generalizada do nível de vida de toda a população, mas diminui quando todos caminham para a miséria.

Veja-se como o indicador reagiria às seguintes situações:

1. Se amanhã o Bill Gates viesse viver para Portugal, o nível de pobreza aumentava.
2. Se todos os ricos portugueses transferissem os seus rendimentos para uma offshore, o nível de pobreza diminuia.
3. Se amanhã todos os portugueses ganhassem o dobro, o nível de pobreza não se modificava.
4. Se amanhã desaparecessem de repente os 5 milhões de portugueses que auferem maiores rendimentos, o nível de pobreza diminuia, mas se desaparecessem os 5 milhões mais pobres, o nível de pobreza aumentava.
5. Se todos os portugueses passassem a ganhar o mesmo que um cubano médio, a pobreza em Portugal... desaparecia.

Uma definição ligeiramente melhor substitui média por mediana e é usada pela UN. Neste caso os dois primeiros absurdos deixavam de ser absurdos, mas os 3 últimos mantinham-se...

Inexplicável? Não! Esta aberração, que é usada frequentemente em toda a comunicação social, é alimentada consciente ou inconscientemente por grande parte da esquerda para demonstrar as misérias do capitalismo porque permite afirmações do género: Nos Estados Unidos há 50 milhões de pobres, vítimas do capitalismo neo-liberal.

Não é mentira nenhuma. Com esta definição, há 50 milhões de americanos a viver abaixo do limiar de pobreza. Convém é saber do que se fala quando se fala do pobreza americana:

"A casa típica possuída pelos pobres americanos é constituída por 3 quartos, 1,5 casas de banho, uma garagem, um átrio ou pátio e foi construída em 1962. Setenta por cento dos agregados familiares pobres possui carro ou carrinha, mais de 25% possui dois ou mais carros ou carrinhas. Dois terços dos pobres têm ar condicionado, um número similar tem micro-ondas, 30% têm máquina de lavar rouça. Quase todos têm televisão a cores(97%), metade tem duas ou mais televisões a cores e 75% possui videogravador.“ (citado de Riqueza e Pobreza, João Carlos Espada, Miguel Morgado e Hugo Chelo). O paper completo está aqui.

Ou seja, a Manuela Moura Guedes anda a indignar-se com números sem sentido... Isso não se faz à senhora.

Mas a mais espantosa de todas as definições de pobreza foi ouvida em tempos num debate na TSF por um bloquista (só podia ser...). Nos Estados Unidos há 70 milhões de pessoas a viver em pobreza, isto é abaixo do percentil 25 da escala de distribuição de rendimentos! Ninguém lhe explicou que em todos os países do mundo, haverá sempre 25% da população abaixo do percentil 25 do que quer que seja...

 
Blog do Momento?


Vila Real de Santo António, 16 de Maio de 2003

Ena pá, ganda vaca!

 
Futebol Bateu Política

Mais uma vez o futebol ficou à frente da política, com a complacência do canal público de televisão. O jaquinzinhos manifesta aqui a sua indignação pela atitude da RTP: o directo de Fátima Felgueiras foi cortado ao fim de 22 minutos, apenas. Uma vergonha. Ainda todos nos recordamos que a expiação lamentativa pós-coreana de Gilberto Madail durou pelo menos 25 minutos!

Que injustiça, Fátima. Querem amordaçar-te!

 
Esclarecimentos Adicionais

Aparentemente, a conversa de Ferro Rodrigues com o juíz do caso pedofilia não foi suficiente para esclarecer os líderes do Largo do Rato. António Costa quer conhecer melhor os detalhes e o juíz vai ser obrigado a prestar-lhe esclarecimentos adicionais.

quarta-feira, junho 11, 2003

 
Coisas do Forum - 2

(...continuação)

Sempre com o auxílio do melhor jornal...

5. Traficantes de café

Anabela Abreu, dirigente da associação Raízes Calé rebateu estereótipos: "Dizem que os ciganos estão ligados a actividades ilícitas. Então eu pergunto: 'Quantos ciganos costumam estar no aeroporto para embarcar para a Colômbia?'". Parece que foi um fartote de riso.

Os advogados de Bibi, Paulo Pedroso, Fátima Felgueiras, Carlos Cruz e Vale e Azevedo suspiraram de alívio com tão brilhante falácia e exigiram o arquivamento dos processos dos seus constituintes; argumentam que também eles nunca embarcaram para a Colômbia.


6. Queremos ser miseráveis.

“As organizações próximas ou ligadas ao PCP, nomeadamente sindicatos agregados à CGTP, foram responsáveis por uma 'forte pressão' no sentido de introduzir no texto final a expressão 'anti-capitalismo'.”

A gente já sabe que eles não são o supra sumo de inteligência e discernimento, mas ao menos podiam disfarçar.

Uma adivinha para os forenses comunistas: Qual é coisa qual é ela, que é a única característica comum aos 30 países que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU?

Resposta: Começa por C, acaba por O, e no meio tem as letras a-p-i-t-a-l-i-s-m.


7. Downsizing

Havia pouca gente para a manifestação do 10 de Junho. Por isso alguns organizadores do forum tentaram um downsizing de última hora: "Não é suposto ser uma manifestação, é suposto ser um desfile, uma festa.”

Ooooops:

"As organizações, movimentos e pessoas reunidas no plenário preparatório do Fórum Social Português, em 25 de Maio de 2003, na SFUAP, na Cova da Piedade e todas as que quiserem aderir, convocam uma Manifestação para o dia 10 de Junho de 2003, em Lisboa, que decorrerá sob o lema geral 'Um outro mundo e um outro Portugal são possíveis!'".

Quando faltam as dezenas de milhares de manifestantes esperados, apenas um outro desfile é possível...


8. Mãe, porque é que não votam em mim?

Primeiro foi Saramago, "que no primeiro dia do Fórum Social Português, no sábado, lamentou o estado agonizante do perfil democrático português alertando para a iminência de uma fatalidade.”. Terá recordado os bons velhos tempos em que ‘quem não é por mim, é saneado?”

Ontem, foi a vez do sociólogo Boaventura de Sousa Santos "aludir ao 'suicídio da democracia representativa', estendendo a situação de crise a uma dimensão internacional." Parece que o problema está no voto. Boaventura não compreende porque razão os portugueses não dão maioria absoluta ao seu Bloco de Esquerda e chama a isto suicídio. Mas Boaventura tem a solução. Esqueçam o voto: "é preciso criar uma 'nova cultura política', baseada na organização dos cidadãos em grupos sociais."

O prof. Boaventura já tem preparadas uma centena de organizações representativas do que ele quer representar. As que não votarem nele não serão convidadas. Assim, uma outra democracia será possível.


9. Capitalistas!

"O Fórum Social Português deu lucro: menos de 40 mil euros de despesas para quase 54 mil de receitas."

Como é óbvio, a organização do FSP não pode ficar com este lucro. Tal atitude seria condenável, própria de um reprovável capitalismo neoliberal. Mas descansem os organizadores. O Jaquinzinhos informa que uma outra solução é possível. Devolvam as entradas aos participantes, começando pelos que ganham menos até redimirem por completo o pecado do lucro. O exemplo será certamente apreciado.


10. Atrás de nós, sim, no meio de nós, não.

Sobre a participação do PCP nas manifestações, Paulo Vieira, da "Não Te Prives", disse ao PÚBLICO: "Eu só não quero que eles se metam no meio de nós.

O jornal não disse, mas suponho que ele terá acrescentado. "Homossexuais, sim, pedófilos não. Os comunistas tem fama de comer criancinhas ao pequeno almoço."

(uma continuação será possível...)

  Algarve


Praia Verde, 2 de Novembro de 2002

Férias marcadas. Tavira em espera.

 
Paradoxo

Ontem á tarde, na área de serviço de Antuã, havia muitos lugares livres no parque de estacionamento. Isso não impediu que um Audi A6 estacionasse num dos lugares reservados a deficientes. De dentro do carro sai um casal jovem cheio de saúde. Por momentos pensei chamar-lhes a atenção para a incivilidade do acto, mas choquei num paradoxo aparentemente irresolúvel:

Um condutor sem deficiência que estaciona no lugar reservado a deficientes, sofre de deficiência de civismo. Isso torna-o imediatamente apto para ocupar o lugar, não será?

 
Coisas do Forum - 1

O Jaquinzinhos lamenta que o Forum Social Português tenha decorrido num fim-de-semana prolongado. As peripécias do evento passaram-lhe ao longe. Estas notas que se seguem só são possíveis com o recurso ao meu jornal.

1. Joanaz, o malandro, e a cidadania neo-liberal.

João Joanaz de Melo moderava o debate "As funções sociais do estado e a privatização dos serviços públicos". O ambiente estava morno e o ambientalista lembrou-se de "fazer um conjunto de comentários e suscitar o debate": Gritou 'Viva o Benfica' no meio da claque SuperDragões. Joanaz de Melo "sugeriu que não via mal na entrada do sector privado em certos serviços sociais desde que tal prestação de serviço pudesse ser controlada pelos cidadãos".

Conta o jornal: A reacção da sala foi imediata. Houve quem tivesse abandonado a conferência visivelmente irritado largando desabafos em voz alta: "Isto parece um Fórum do PSD". Depois do burburinho inicial, veio a contestação, com alguns dos que assistiam a questionar a legitimidade do moderador em falar. A situação chegou ao cúmulo de um dos participantes ter invocado a sua função de membro do grupo de trabalho de preparação do programa do Fórum, para dizer que Joanaz de Melo tinha "falado de mais". Isto porque era "apenas moderador" e não tinha nada que ir para alí "fazer comentários" sobre o que diziam os conferencistas. Pelo meio foi até acusado de "fazer cidadania neo-liberal".

Onde é que isto já se viu? Então o Joanaz teve a distinta lata de ir para o Forum ter opinião própria? O que é que esperavam de um tipo que tem como apelido 'de Melo'? Ora...

O Jaquinzinhos desde já informa que concorda com a maioria dos forenses: o sector privado deve ser deixado de fora de tudo aquilo que é essencial ao cidadão. Toda a gente sabe que a primeira necessidade do homem - a alimentação - só pode ser assegurada pelo estado. Quando os privados entram no sector, o povo morre à fome, não é?

Cidadania neo-liberal... Buuuuuuuu!

2. Pintasilgo e as mentiras.

Também do meu jornal...

"E, para reforçar a sua posição, a antiga primeira-ministra enumerou as "mentiras" a que assistiu na passada semana, "uma semana trágica", disse. Entre elas, a controversa entrevista de Paul Wolfowitz, subsecretário de Estado da Defesa dos EUA, à revista "Vanity Fair". "Afirmou que o argumento das armas de destruição maciça foi inventado para fazer a guerra e com tal mentira foram mortas milhares de pessoas e criou-se no mundo uma grande revolta", declarou. "

A única conclusão possível: Pintasilgo não sabe blogar, iiiôôôô!

3. Tu és novo, mas o teu pai marchava!

Continuando no melhor jornal, o activista da ILGA Portugal Sérgio Vitorino, quer "lembrar às pessoas que homossexualidade e pedofilia nada têm em comum. Vai andar pelo relvado da Cidade Universitária com um cartaz dizendo "Nós não gostamos de criancinhas, preferimos os pais delas".

Sérgio... Y tu papa, también?

4. Saramago e a Democracia

O prémio Nobel da Literatura, José Saramago, "enganou-se no dia" e apareceu ontem quando a sua intervenção estava prevista para segunda-feira. Acabou por ser enfiado na conferência sobre "Democracia e Cidadania", que começou quase uma hora depois do previsto por ninguém abrir as portas da Aula Magna.

Bem, só podia ser mesmo por acidente, de outro modo seria muito difícil compreender a participação de Saramago numa conferência cujo tema é "Democracia". Por exemplo, alguém, no seu perfeito juízo, convidaria a cantora Ágata para um debate sobre a Relevância dos Biometeriais em Ortopedia e Odontologia?

(continua...)

 
Epitáfio

Ao ler a blogosfera depois de 4 dias isolado do mundo, apercebo-me que a notícia mais importante é o fim da Coluna Infame. Sim, também era um dos meus blogues preferidos. Deixo a minha sugestão para epitáfio.

Aqui jaz o Coluna Infame. Mexia mas já não mexe. Ultrapassou numa Lomba e colidiu com uma Oliveira, do lado Esquerdo da estrada. Coutadinho. Aguardam-se reencarnações.

 
Paraíso

Sábado, Domingo, Segunda e Terça-Feira, sem Expresso, sem Público, sem televisão sem Internet. Muito bom.

sexta-feira, junho 06, 2003

 
Ponte

O Jaquinzinhos só regressa na próxima Quarta-Feira. Faz ponte. Bom fim-de-semana prolongado a toda a blogosfera.


Lisboa, 13 de Janeiro de 2001

 
Forum da Realidade Virtual, 7 a 10 de Junho, Cidade Universitária, Lisboa

O programa completo está aqui. Recomendam-se os seguintes espectáculos:

"A intervenção da subjectividade num outro mundo feito possível", por Bruno Sena Martins. - uma dissertação pós-moderna sobre o mundo. Ninguém vai entender a mensagem, nem mesmo o próprio autor, o que não impedirá um forte aplauso no final.

O grupo Pédexumbo apresentará a "dança como linguagem e modelo de partilha da diversidade". As mornas contra o capitalismo, polkas anti-globalização, folclore anti-neoliberal; multinacional só a música global (alternativa).

"Globalização, Violência e Homofobia". Histórias de Porto Alegre, Génova e Parque Eduardo VII, respectivamente.

"O Ensino Superior na época da Globalização. Um outro ensino é possível" - O regresso à Tele-Escola.

A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul vai apresentar um paper candidato ao Prémio Nobel da Economia: "O Estado e os transportes colectivos de passageiros - porque razão a gente acha que a eliminação de portagens vai fazer com que muito mais gente procure os transportes públicos.". Palavras de Ordem: Não queremos portagem neo-liberal, queremos bichas até ao Seixal. (Opus Gay apoia sem reservas).

Poro'rokas da Democracia sem fim - "Acção Jovem para a Paz". Um inesquecível espectáculo de Poro'rokas anti-capitalistas animadas por uma globalização alternativa de comércio justo anti neo-liberal.

"Software livre: por uma nova globalização" - pela Associação Nacional de Software Livre. (ou, para quando o Hardware Livre? isso é que dava um jeitão à malta...)

"A diversidade sexual e de género no mundo do trabalho" - pelos alegres jovens da Opus. Exigem-se quotas iguais para homens, mulheres, gays, lésbicas, transgenders, bissexuais, sadomasoquistas e outros espécimes. Trabalhar nas empresas parietárias vai ser muito mais divertido.

"Construindo o fim da era do petróleo" - Exibição da trilogia Mad Max.

"Sistema financeiros, (des)igualdades e (in)justiça fiscal: a Taxa Tobin, a regulação dos mercados financeiros e o combate à ditadura dos mercados, no caminho para um desenvolvimento mais justo e solidário" - Attac (ou: será que algum dia a gente perceberá alguma coisa de economia para não dizermos tantos disparates...)

"De Cuba à América Latina... realidades em debate" (ou porque é que em Cuba se vive muito melhor que no Chile à luz das nossas teorias)

A animação do evento está garantida pelos grupos Opus Gay, Ilga, @t, Clube Safo, Não te Prives, e mais meia dúzia que prepararm 5.243 performances, preenchendo 80% da agenda.

Demonstrações da Haikai. Um exemplo:

Ri-te à Brava
Não te Prives
Estás Safo


Boaventura Sousa Santos irá tentar a sua entrada para o Guinness alternativo, utilizando a expressão 'globalização neoliberal' 5000 vezes durante o Forum. O treino diário dos últimos anos abre grandes expectativas. A prova será superada.

Encerra o evento a exibição do filme Matrix, seguido do debate: "Será a Matrix a solução para um mundo alternativo em que todos viveremos melhor?"

A não perder...

(Nota: A organização pede desculpa por não ter cumprido as quotas, e promete que no próximo ano os heterossexuais já não serão descriminados.)

Fim de Página