<$BlogRSDUrl$>

quinta-feira, julho 31, 2003

  Intervalo

Este blogue adormeceu com a noite de Tavira. Regressa na próxima semana.


Ponte Romana, Tavira, Julho de 2003

quarta-feira, julho 30, 2003

  Doentes Utentes

Os médicos fazem horas extraordinárias, porque se não as fizessem os pobres utentes doentes não eram atendidos nos hospitais e ficavam mais doentes. Como acham que não estão a receber a pipa de massa que julgam ser-lhes devida, fazem greve. Assim os pobres utentes doentes já não são atendidos nos hospitais e ficam mais doentes. Que bela demonstração de ética profissional.

  Noite de Ananases


Mercado Velho, Tavira, 1 horita atrás.

terça-feira, julho 29, 2003

  Meio Mundo no Meio Fundo na Meia Praia

Parece que a Meia-Praia está na moda para os jovens alegres. A praia terá sido incluída nos roteiros gay de meio mundo. Contaram-me que as dunas estão cheias de “cães-da-pradaria”, umas criaturas que de vez em quando levantam a cabeça para logo de seguida a esconder. Vêm do norte da Europa, da América e até da Austrália.

O amigo que me contou esta história confessou-me o seu espanto por saber que alguém atravessa o mundo para ser enr..., ah, queria dizer, sodomizado na Meia Praia.

Por mim, acho perfeitamente normal. Se há portugas que vão à Austrália só para ver o pôr-do-sol atrás dum pedregulho, porque não hão de vir australianos a Portugal para ver estrelas atrás duma duna?

segunda-feira, julho 28, 2003

  Eu gosto é do Verão

Ainda faltam... 14 dias para as férias acabarem.


Dança no Sal, Salinas de Tavira, Julho de 2001

sábado, julho 26, 2003

  Notas sobre o Sábado

1. No mercado de Tavira todas as bancadas vendem os mesmos peixes ao mesmo preço. Os mais pequenos ficam a perder porque não podem usar o factor preço para cativar clientes. Isto é a antítese do que deve ser um mercado. Alguém dizia: "Assim é que está bem, senão isto era uma selvajaria". Assim está mal. Se bem me lembro, a concertação de preços é ilegal.

2. Recebi um simpático hate mail de um lampião zangado com o post sobre o Benfica (Regresso à Europa). O jovem 'Red Devil' pensa que vou 'puxar' pela Lazio. Engana-se, vou estar de alma e coração ao lado do Benfica. A minha regra é simples: Quando o Sporting não joga, estou sempre do lado dos mais fracos. Por exemplo, hoje estou do lado do Belenenses.

3. Hoje foi dia de sardinhada. Salada com oregãos. Pimentos assados. Vinho do Douro. Azeitonas de Santo Estevão. Belas sardinhas em pão de Martinlongo, bem pingado. Figos cachopeiros. Estou que nem posso.

  Com que fogão cozinhou este petisco?

O Valacomum questiona-se, acerca do jaquinzinhos: "que máquina fotográfica terá ele?"
Ora isso é coisa que se pergunte? Alguém pergunta ao cozinheiro a marca do seu fogão?

Dedico-lhe esta foto feita há 2 anos, nas salinas de Tavira. A máquina era outra.


Dueto ao Sal, Salinas de Tavira, Julho de 2001

sexta-feira, julho 25, 2003

  Regresso à Europa

Benfica regressa à Europa. Qualificou-se hoje para a Taça Uefa. Parabéns.

  Tavira Romana



Gradeamento e Sombra da Ponte Romana, Tavira, 25 de Julho de 2003, 09:50


  Publicidade Subliminar

Quanto terá a Siemens pago a Ferro Rodrigues para ele mostrar ao mundo o seu Nokia?

quinta-feira, julho 24, 2003

  Luz de Tavira


Luz, Tavira, Julho de 2003

  Boaventura Reinventa os Neoconservadores

Tem muito pouco a ver com a realidade mas vale a pena ler. Boaventura define o que ele gostaria que os neoconservadores fossem para que as suas críticas tivessem fundamento. Na Visão, hoje.

quarta-feira, julho 23, 2003

  Mercado Velho, Ontem


Mercado Velho, Tavira, 22/Julho/2003

  Perguntas a que não soube responder

Pai, há mais estrelas no céu ou grãos de areia na praia?
Pai, quantos grãos de areia tem esta praia?

Agradeço todas as sugestões. Isto é completamente mais importante que a Coreia do Norte. Terrivelmente mais relevante que os filhos do Sadam. Totalmente mais grave que a al-Qaeda.

Felizmente já sei que o espaço é infinito. A minha filha de 7 anos explicou-nos que se o espaço fosse finito, os astronautas batiam com a cabeça no céu.

terça-feira, julho 22, 2003

  America vs Sadam

E esta sondagem, não é interessante?

  Óbvia

Não li nenhum jornal desportivo, mas aposto que algum usou a expressão óbvia...

Ricardo, Coração de Leão

  Coisas Boas de Verão

A Praia do Barril. O Barril de Imperial da Praia do Barril.

  Por Aqui...


O Pequeno Pescador, Tavira, 22/Julho/2003, 20:07

segunda-feira, julho 21, 2003

  2 dias e meio de Algarve.

Positivo: As praias estão mais limpas. Tavira está mais bela. O arroz de lingueirão estava au point. A Cintra já se vende por todo o lado. O tempo está excelente.

Negativo: O grunho da “Hamburgueria Ferreira” em Monte Gordo, que implica com uma criança de 7 anos porque passou entre as mesas vazias da sua espelunca. Os caracóis com demasiado picante. O estacionamento abusivo em Cacela Velha (ninguém respeita os sinais de proíbido e a polícia/guarda confirma a sua absoluta indigência, incompetência e/ou incapacidade para fazer cumprir as mais elementares normas do código da estrada).

  À Boa Maneira Estalinista

Um dos últimos comunistas hard-line do nosso PC, Ruben de Carvalho, sugere que David Kelly foi "suicidado". Só mesmo um estalinista dos puros para nos evidenciar este velho exercício de avaliação dos actos alheios pelos nossos próprios critérios, não é, Ruben?

  Pindérico

O anarca constipado escreveu sobre o jaquinzinhos "Há gajos pindéricos". Como é que o tipo descobriu? Vá lá um tipo acreditar que consegue manter o anonimato na blogosfera...

  Blogue Triste

Por favor, não abandone o seu blogue em férias! O seu blogue gosta de si.

sábado, julho 19, 2003

  Férias

O blog vai desacelerar...

Estas cadeiras já estão à espera.


Férias, Vale da Asseca, Tavira, Julho de 2001

  Vida Difícil

Nos próximos dias a vida vai ser muito mais difícil. Demasiadas opções. Vejam bem: A que praia vamos? Pézinhos na Areia ou Adão e Eva? Barril ou Terra Estreita? Quem vai com os putos para a água? Sardinhada ou besugos grelhados? Cintra geladinha ou vinho? Branco ou tinto? Cacela Velha ou Santa Luzia? Índio ou Vela 2? Chaminé ou Capelo? King ou Sueca? Que livro ler a seguir?

Tantas decisões a tomar! E o governo, não faz nada?

  Escândalo!

A PSP multou os motards que não cumpriam a lei, à entrada de Faro. O presidente do Motoclube de Faro, entrevistado na SIC-N, já se queixou deste comportamento vergonhoso da Polícia. Onde é que isto já se viu, multar motociclistas sem capacete e sem documentos?

MAS ONDE É QUE ESTE PAÍS VAI PARAR? A continuar assim, qualquer dia a polícia começa a multar o pessoal que estaciona em cima do passeio.

Um escândalo.

sexta-feira, julho 18, 2003

  Quem Constrói os Robots - The Last Post - Sobre a Pobreza

(Este é o ultimo post da série com este título. Não porque o assunto se esgote, mas porque o título está a ficar muito robotizado)

Começemos pelas cenas do último capítulo. Jorge reagira à última acção opinativa do Jaquinzinhos deste modo:

Agora explica-me lá como é que fazes o que a Agenda 21 propõe obedecendo cegamente à lógica do mercado livre que neste momento está dominado, nos sectores mais importantes (e em cada vez mais sectores), por grandes corporações multinacionais e grupos empresariais dominados pelos países mais ricos, que têm todo o interesse em sabotar, por exemplo, o ponto g). Explica-me como é que a lógica do mercado livre se compatibiliza com o ponto h), que enquadra tudo nos "objectivos nacionais, sociais, económicos e de desenvolvimento" das nações, o que implica alguma planificação do desenvolvimento. Explica-me como é que o Deus Mercado faz para cumprir todo o Capítulo 3. E tantos eteceteras, pá, tantos...

Os meus jaquinzinhos:

1. Não faz sentido referir um "mercado livre que neste momento está dominado". Se está dominado, não é livre. Os mercados são geralmente dominados sempre que os governos tomam "medidas completamente anti-liberais e algumas claramente socializantes".

2. No objectivo H (bom nome para um romance de Frederic Forsyth) lê-se:

h) Remove biases against exports and in favour of inefficient import substitution and establish policies that allow them to benefit fully from the flows of foreign investment, within the framework of national, social, economic and developmental goals;

isto é, só um mercado livre de proteccionismos pode permitir desenvolvimento nacional, social e económico.

3. Não é o Deus Mercado que tem que fazer o que quer que seja para cumprir todo o capítulo 3). Importante é evitar que muitos demónios façam tudo para que o capítulo 3) não seja cumprido.

Teorema:

A existência de pobreza só foi diminuida a valores residuais nos países que adoptaram regimes de economia liberal ao longo de várias décadas. A única inferência que se pode fazer da análise histórica, é que a única solução conhecida, testada e sustentada que ataca convenientemente o problema da pobreza chama-se capitalismo.

Demonstração:

Lista dos 25 países que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano da UN: Norway, Iceland, Sweden, Australia, Netherlands, Belgium, United States, Canada, Japan, Switzerland, Denmark, Ireland, United Kingdom, Finland, Luxembourg, Austria, France, Germany, Spain, New Zealand, Italy, Israel, Portugal, Greece, Cyprus, Hong Kong.

QED.

  Direitos de Personagem

Escreveu JPP:

Nos blogues …

… as pessoas zangam-se muito, são muito piegas, são malcriadas, são gentis, são espertas, são espertinhas, são parvas, copiam, fazem de conta que não copiam, irritam-se, reconciliam-se, cuidam muito da sua identidade, dão-se todas aos estranhos, representam, representam-se, são azedas, são poucas vezes alegres, são tristes, são tristonhas, são fúteis, são totalmente fúteis, tem interesse, tem interesses, tem egos gigantescos, tem egos pequeninos, tem que “dizer-qualquer-coisismo” , deixam cair muitos nomes, deixam cair muitos livros, parece que lêem muito, lêem muito, não lêem quase nada, nunca vêem televisão, tem graça, são engraçadinhas, tem tribos, tem fúrias, tem territórios, estão sozinhas, estão tanto mais sozinhas quanto mais acompanhadas, tem alguns pais, começam a ter filhos, tem maridos, não tem amantes, têm “o que escrevo é para ti”, têm “o que escrevo é só para ti”, têm “o que escrevo é só para ti”, mas é só para mim , ou para o outro(a), não tem muita paciência, têm pressa de chegar a algum lado, tem a esperança de chegar a qualquer lado, estão convictos que não vão chegar a lado nenhum, tem quereres, tem birras, tem , são meli-melo, são assim …


Que fique registado para a posteridade no Arquivo Electrónico da Internet Portuguesa que considerei muito indelicado por parte do abrupto descrever o autor do jaquinzinhos sem o referenciar.

  Nelson, Durão e Eu

Os benfiquistas antiliberais militantes escolheram como principal alvo das suas diatribes blogueanas o nosso primeiro, o DesBlogueador e o jaquinzinhos. Imagino o profundo orgulho que Durão Barroso está a sentir neste momento por ter sido colocado ao nível de tão ilustre companhia.

quinta-feira, julho 17, 2003

  Descobrimentos

Covers, exposição de fotografia no Padrão. Do grupo BZK, constituído por Mário Pires (Retorta), Luís Farrolas, Bruno Espadana, António Vieira e António Soares.

Cuidado com as cabeças. A minha filha gostou muito mas não percebeu porque é que as fotos estavam quase todas desfocadas.

  Quem Constrói os Robots - Part 5 - The Hidden Agenda

Lendo nas entrelinhas, interpreto no sentido das palavras escritas um pequenino abespinhamento do meu comprovinciano da Lâmpada em reacção ao post anterior desta série. Comentou ele:

"Ah, o papão soviético. Claro, tinha de vir aí o papáo soviético. Não, jaquim, o sistema soviético foi um desastre. Não sei se pelo sistema em si se pela completa imbecilidade do modo como foi posto em prática (podia-te contar umas anedotas), mas nem me interessa. Satisfeito? Agora, também digo que é triste e muito revelador quando o único argumento que há a apresentar contra coisas como a Agenda 21 é o papão soviético. É que os conceitos envolvidos no desenvolvimento sustentável não têm nada a ver com o papão soviético. Nada. Zero. Nicles. Népia."

Caíram-me algumas escamas, confesso. Caem sempre algumas quando alguém diz que afinal não era aquilo, era outra coisa, que se faz da mesma maneira mas diferente porque agora é só a mesma coisa sem as asneiras, quando na realidade nunca foi nada diferente do que realmente foi, porque nunca poderá funcionar doutra maneira uma vez que por si só já é uma asneira, já repetida umas largas dezenas de vezes e nunca deu outra coisa que não fosse asneira. Enganaram-se todos? (A minha mamã sempre elogiou o modo simples e claro como exponho alguns conceitos relevantes)

Voltando à posta anterior, esclarece-se que não era propriamente à Agenda 21 a que me referia. Releia-se a frase do Mágico, depois de desagendada a agenda:

"Há caminhos alternativos que passam pela imposição de limitações severas à lógica do mercado livre, pela localização da produção, por esquemas de solidariedade local... Medidas completamente anti-liberais e algumas claramente socializantes."

Excepto no pontapé de bicicleta, chutando para trás só se marcam golos na própria baliza. Caro Jorge, como queres eliminar o problema do desemprego, que imaginas catastrófico no prazo de 15/20 anos, bloqueando o investimento?

É a própria agenda 21, que recomenda:


2.37. More specifically, all countries should develop policies that improve efficiency in the allocation of resources and take full advantage of the opportunities offered by the changing global economic environment. In particular, wherever appropriate, and taking into account national strategies and objectives, countries should:

(a) Remove the barriers to progress caused by bureaucratic inefficiencies, administrative strains, unnecessary controls and the neglect of market conditions;

(b) Promote transparency in administration and decision-making;

(c) Encourage the private sector and foster entrepreneurship by improving institutional facilities for enterprise creation and market entry. The essential objective would be to simplify or remove the restrictions, regulations and formalities that make it more complicated, costly and time-consuming to set up and operate enterprises in many developing countries;

(d) Promote and support the investment and infrastructure required for sustainable economic growth and diversification on an environmentally sound and sustainable basis;

(e) Provide scope for appropriate economic instruments, including market mechanisms, in harmony with the objectives of sustainable development and fulfilment of basic needs;

(f) Promote the operation of effective tax systems and financial sectors;

(g) Provide opportunities for small-scale enterprises, both farm and non-farm, and for the indigenous population and local communities to contribute fully to the attainment of sustainable development;

(h) Remove biases against exports and in favour of inefficient import substitution and establish policies that allow them to benefit fully from the flows of foreign investment, within the framework of national, social, economic and developmental goals;

(i) Promote the creation of a domestic economic environment supportive of an optimal balance between production for the domestic and export markets.


Se num golpe de barbatana dorsal, eliminarmos o lirismo da agenda, o que sobra não sugere em nada "limitações severas à lógica do mercado livre", nem as medidas recomendadas são "completamente anti-liberais" ou "claramente socializantes". Porque se fossem, a utilidade da Agenda 21 seria absolutamente nula...

(continue-se...)

  200 euros de multa



Um tribunal francês ímpôs aos 'Reporters Sans Frontiéres' uma multa de duzentos euros por cada utilização deste cartaz. Estes franceses são loucos. Que enormidade de multa! Só um tribunal sem grande sentido da dimensão dos números estabeleceria uma multa equivalente a 25 vezes o salário mensal de tantos cubanos!...

  Logo pela manhã, duas singelas provocaçõezitas.

'Eu, abaixo assinado, cão fedorento e criminoso, arrependo-me perante o Tribunal Revolucionário e o Exército Vermelho, confesso os meus pecados e prometo trabalhar conscienciosamente' - declaração que operários grevistas no regime estalinista foram obrigados a assinar para serem libertados da prisão.

'Permanecendo no quadro estrito da constatação histórica, pode definir-se socialismo como sendo o regime que liquidou todos os direitos dos trabalhadores' - Jean-François Revel

quarta-feira, julho 16, 2003

  Quem constrói os Robots ? part 4 - "The Model"

escreveu o Lâmpada:

"Porque seguindo o modelo de deixa-andar económico e social que tem sido seguido pelo ocidente (e em grande medida imposto pelos Estados Unidos, dada a sua condição de economia mais forte, e pelos grande barões da finança, uma vez que a curto prazo ainda é esse o caminho mais lucrativo)..."

Permitam-me uma ligeira correcção ao sentido causa-efeito desta frase. Não é por serem mais fortes que impõem o seu "modelo". É ao contrário. O "modelo" é que fez deles os mais fortes.

e mais à frente...

"Claro que isto não é inevitável. Há caminhos alternativos que passam pela imposição de limitações severas à lógica do mercado livre, pela localização da produção, por esquemas de solidariedade local, enfim, pela maioria das medidas que se sugerem na Agenda 21, que podem ajudar a um desenvolvimento sustentável. Medidas completamente anti-liberais e algumas claramente socializantes."

Já foi e ainda está a ser experimentado. Com algumas variações de detalhe, propõe-se o modelo ensaiado na União Soviética, Europa de Leste, Vietname, Laos, Coreia do Norte, Cuba e outros quejandos. É duro verificar que em 2003 ainda se acredita que é esta a solução para a felicidade. Tal modelo só poderá ser posto em prática através do cerceamento compulsivo das liberdades individuais. Quem é que proclamava que a revolução só se faz através da violência?

  Justiça Celeste

No passado dia 24 de Junho recebi uma "Notificação Judicial por Via Postal com Registo e Prova de Recepção, Artº 113º nº 1 alínea b) e nºs 5 e 6 do Código do Processo Penal", enviado pelos "Juízos Criminais e Pequena Instância Criminal" de um Tribunal Judicial de uma Comarca perto de mim.

O Grande Planeador, o Estado, notificava-me para "comparecer neste Tribunal, pelas 9:30 do próximo dia 7 de Abril de 2004, para ser ouvido no processo y, na qualidade de testemunha".

Escrevi nessa altura no blogue: "A minha agenda não tinha nenhuma entrada para lá do fim do mês, se excluir os aniversários dos amigos e o início das férias. Agora, devido à fantástica capacidade de planeamento do estado, a minha vida desorganiza-se. Já estou em pânico... Ajudem-me... Na FNAC ainda não estão à venda agendas para 2004 e a duração dos gadgets electrónicos raramente ultrapassa dos 6 meses. Se me esquecer, sou preso?"

Qual não é a minha surpresa quando hoje recebo outra "Notificação Judicial por Via Postal com Registo e Prova de Recepção, Artº 113º nº 1 alínea b) e nºs 5 e 6 do Código do Processo Penal", enviado pelos "Juízos Criminais e Pequena Instância Criminal" de um Tribunal Judicial de uma Comarca perto de mim. O Grande Planeador, o Estado, volta a notificar-me para "comparecer neste Tribunal, pelas 9:30 do próximo dia 7 de Abril de 2004, para ser ouvido no processo y, na qualidade de testemunha".

Salta aos olhos que as coisas estão a melhorar na nossa justiça.

1. Convocam-se as testemunhas duas vezes para cada processo, de acordo com o príncipio da redundância.
2. Os prazos estão a diminuir. Há apenas um mês estavam a notificar testemunhas num cenário de 10 meses. Agora já estão a fazer convocatórias para apenas 9 meses.

Bom trabalho. A justica está mais célere, Celeste.

  O Baile

Um jornalista a dar baile a um político. É o que Sérgio Figueiredo está a fazer a Ferro Rodrigues, com punhos de renda e palavras medidas, levando o líder do PS a balançar nas suas permanentes contradições. Na SIC-Notícias.

Adenda: Particularmente educativo foi o momento em que Ferro Rodrigues acusou o actual governo de fazer 'manigâncias' nas contas públicas. Sérgio Figueiredo disse-lhe que o governo de que Ferro sempre fez parte tinha feito o mesmo. Ferro argumentou que este fez muito mais. E Sérgio Figueiredo perguntou-lhe algo como isto: "Então qual é o montante a partir do qual as medidas, que o seu governo também tomou, se passam a chamar manigâncias?"

terça-feira, julho 15, 2003

  Pobre Sophia

Leio no Flor Obsessiva: "INCURSÕES COM ERROS: Pedro Correia faz hoje no DN uma recensão às Incursões Literárias de Mário Soares e avisa-nos que, no livro, entre outros equívocos, Soares considera Sophia de Mello Breyner já falecida. Comentários? Nenhum. Vamos esperar que Mário Soares retire o livro do mercado e corrija o erro. Esta não teve graça, sr. ex-presidente."

Azar do Mário. Pedro Correia leu mesmo o livro, ou parte dele. Como é óbvio, nem os editores, nem os revisores nem mesmo a família do ex-presidente tiveram pachorra para o ler.

  The Fisherman Blues

"Ao ganso" no Rio Gilão.


Debaixo da Ponte, Tavira, Verão de 2001

  Um Anti-Liberal da Nova!

JAK não gostou do meu post 'Lavagens ao Cérebro'. Sugere que a argumentação é saloia e se ele o sugere, deve mesmo ser; tenho em excelente conta a opinião dos economistas da Nova.

E para dizer a verdade, até não fico muito surpreendido por encontrar um anti-liberal formado na Nova. Até poderia usar aqui o clássico "desde que vi um porco a andar de bicicleta, já nada me surpreende". Mas como, honestamente, nunca vi o bicho dar ao pedal, prescindo da graçola do suíno.

  Valente Valentim

O Major explicou agorinha mesmo na TSF que a velocidade máxima em autoestrada é de 140Km/h. É por isto que eu gosto da TSF. Ensina-me coisas.

  Quem constrói os Robots – part 3

Continuando o debate com o Incongruências e também com o algarvio da Mágica Lâmpada...

Escreveu o primeiro: "Teremos também empresas ultra automatizadas, com as fábricas paradas, sem ter a quem vender os seus produtos"

Serei o único a despistar nesta frase uma pequena incongruência? Que empresário com meio palmo de testa investiria numa fábrica ultra automatizada se não tem mercado para os seus produtos? (Admitindo que o empresário não é o estado, claro...)

Escreveu o segundo: "A tendência é, no entanto, a substituição também do trabalho nos serviços por trabalho informatizado e, consequentemente, de trabalhadores por computadores. A consequência é clara: desemprego em massa. Porquê? Porque seguindo o modelo de deixa-andar económico e social que tem sido seguido pelo ocidente...,a eficiência aconselha a substituição de trabalhadores por software sofisticado, e esses trabalhadores não terão qualquer sítio para onde ir."

Então e não reconhecem a este maldito sistema nenhuma capacidade de auto regulação? Se houvesse mais desemprego, baixariam os salários até que o preço do trabalho voltasse a ser competitivo, admitindo que os governos não o impedissem através de leis restritivas à livre contratação.

Mas nem é bem esse o caso. O passado ensina-nos que nos devemos preocupar muito mais com a falta de inovação do que o contrário...

Lamentava-se alguém pela deslocalização de uma indústria da Holanda para a Coreia. Se os trabalhadores holandeses ganhassem o mesmo que os coreanos, aquela indústria teria continuado em Roterdão. Só se deslocalizou porque o valor do trabalho na Holanda tornou a indústria pouco competitiva. E o valor do trabalho na Holanda aumentou porque outras empresas inovadoras criaram empregos e pressionaram o mercado de trabalho para equilíbrios mais altos. Parece-me bom para os holandeses. Não é?

(continua...)


  Quem constrói os Robots? - Part 2

A Maria lavava a roupa à mão. A Maria comprou uma máquina de lavar roupa. A roupa continua a ser lavada e a Maria fica livre para "produzir" o que desejar que acrescente valor para ela própria. Ler, descansar, ver uma novela, pintar uma obra-prima, fazer bolos para vender, escrever um blogue. Quando o robot substitui a Maria, o valor para a sociedade aumenta. À riqueza que a Maria criava anteriormente ao transformar roupa suja em roupa lavada, adiciona-se a riqueza adicional que a Maria vai criar.

Quando os trabalhos mais duros passam a ser executados por máquinas, a sociedade enriquece. À riqueza que não deixa de ser criada, junta-se o valor criado pelos trabalhadores livres para outras actividades. No longo prazo todos ganham. No curto prazo, há um problema friccional de trabalho, porque a redistribuição de riqueza não é imediata. Esse problema já foi sentido na pele por aguadeiros, ferreiros, correeiros, copistas, arqueiros, caçadores, carregadores, fiandeiras, ladrões de diligências, programadores de Cobol, e por todos os trabalhadores de todas as fábricas que ao longo de todos os tempos conheceram a obsolescência.

"Economic progress, in capitalist society, means turmoil." (Schumpeter)

(continua...)

  Lavagens ao Cérebro

Pimentel. Eu também estudei na FE da UNL Mas a mim não me lavaram o cérebro.

Este foi um comentário de JAK a alguém da Faculdade de Economia da Universidade Nova que respondera a um texto do blogue. JAK andou na Nova e não acreditou no que por lá lhe ensinaram. Boa. Não é o único. Olha mais:

"O quê? Não se pode parar na faixa central das auto-estradas? Ora essa, claro que pode! Eu também andei numa escola de condução, mas a mim não me lavaram o cérebro."

"Inocente até o tribunal provar a culpa? Nem pensar, todos são culpados até prova em contrário. Eu também andei na Faculdade de Direito, mas a mim não me lavaram o cérebro."

"Deves estar a brincar! 2+2 são 7! Quem te ensinou a fazer contas? Eu também fiz a primeira classe mas não os deixei lavarem-me o cérebro."

"A aspirina faz mal às dores de cabeça! O que cura as dores de cabeça é dar marretadas na tola. Eu também estudei na Faculdade de Farmácia, mas a mim não me lavaram o cérebro!"

As nossas escolas têm esta mania de ensinar coisas erradas aos estudantes e as faculdades de economia devem ser as piores. Felizmente há quem resista aos falsos ensinamentos e feche os ouvidos a tais cânticos.

No limite, há por aí alguns gurus que não deixaram que lhes lavassem o cérebro, mas em compensação deixaram que lhes levassem o dito cujo.

segunda-feira, julho 14, 2003

  Quem constrói os Robots?

O incongruências lançou o mote. "Como estaremos daqui por 15/20 anos?" E sugere um futuro negro. As novas tecnologias vão provocar aumentos vertiginosos de desemprego, e no limite, teremos "empresas ultra automatizadas, com as fábricas paradas, sem ter a quem vender os seus produtos.”

Incongruência nº1: Todas as velhas tecnologias tiveram a sua idade da beleza suprema. Velho, antes de ser velho foi novo. E o novo sempre amedrontou. Os aquedutos ameaçavam mandar por água abaixo as carreiras dos aguadeiros, a maravilha do automóvel era a desgraça dos criadores de cavalos, o comboio trucidou o negócio das diligências, o avião afundou o transporte naval, a televisão iriaa calar a rádio, a máquina de calcular empoeirou as tábuas de logaritmos, o processador de texto riscou do mercado a máquina de escrever, o e-mail enviou para o passado a carta de amor, os telemóveis simbolizam os maus tempos dos produtores de fio de cobre, a folha de cálculo destruiu as carreiras dos analistas financeiros de outrora, as máquinas digitais estão a condenar todas as ‘one hour photo’ deste planeta.

E porque os computadores já computam há algumas décadas, pergunta o ‘jaquinzinhos’ onde param esses milhões de desempregados que o silício condenou a esse desemprego final. Superma incongruência: não só não existe, como são justamente as indústrias de novas tecnologias que mais gente empregam. Afinal, alguém tem que construir os robots.

(continua)

  O Emplastro na Sic!!!

Chama-se Nando. Gosta do Porto e do Sporting. O Benfica vai para a segunda divisão. O Pinto da Costa é como um pai para ele. Gosta da Marisa Cruz e diz que a SIC é bonita. Vai arranjar os dentes, peditório no site. Como é que se pode não gostar deste tipo?

domingo, julho 13, 2003

  Cores do Sul

Faltam 6 dias.


Proa Colorida, Rio Gilão, Tavira, Julho de 2000

  Ah, então é isso!!!

Escreve o Cruzes:

Mas, a não ser que o Mr. Chicharro me convença que a polícia e PJ não são necessárias, que não existe crime de colarinho branco em Portugal e que os tribunais, juízes e advogados de acusação e defesa são prescindíveis, continuo a considerar que os trabalhadores se devem unir para defender os seus direitos, que os seus direitos devem estar consagrados por escrito e que deve haver instituições dispostas a salvaguardar.

Ahhh... pois. E os comunistas, comem criancinhas ao pequeno almoço? (esta é perigosa, nos tempos que correm)
Ninguém lhes recomenda por aí um 'liberalismo for dummies'?


  Bugs do Blogger

Um bug do blogger obrigou-me a apagar e a re-inserir o post 'Pessoal e Transmissível'. Tentei re-inserir os comentários a partir dos e-mails que o Backblog envia. Também o artigo 'Notas sobre a Traição' em que se referenciava o Abrupto ficou destrambelhado. Parece que agora está quase tudo bem. Quase, porque a confiança neste suporte tecnológico já não é a que era.

  Pessoal e Transmissível

O Outro Eu (eu não, o outro ele que se chama Outro Eu) refere o post de ontem intitulado "Narcisista, linha Miranda". No seu post intitulado 'Ficção', acerta quase na mouche. Só errou em dois detalhes. A expressão "Pobre cidade, cercada por tanto trogloditismo" não foi uma descarga biliar porque foi escrita a sorrir e não foi contra o Porto, foi um lamento pelo Porto.

No resto, CVM tem toda a razão. Se os europeus tivessem escolhido, Al Gore estaria na Casa Branca. Ninguém gosta do Alberto João excepto os madeirenses e a dupla eleição do Berlusconi só causa espanto fora de Italia.

Muitos sulistas gostam de Rui Rio. Como político, Rui Rio tem dignidade, não cede a populismos fáceis e está-se nas tintas para os caciques da terra. Não se põe em bicos de pés na televisão nem se ajoelha ao papa do futebol. Não atira sound-bytes para os jornais, não inventa factos políticos. É leal e responsável. Uma raridade nos tempos que correm.

Rui Rio até poderá ser um péssimo presidente da autarquia, não é fácil avaliar à distância. Os portuenses que o digam nas próximas eleições. No Porto apenas avalio o antecessor de Fernando Gomes que aparentava ser tão mauzinho que até do nome do senhor me esqueci. Nesses tempos, vivi no Porto.

Sobre Meneses, o portuense Matamouros explica bem a coisa. Quem errou o alvo por quilómetros foi outro portuense, o autor do Cerco do Porto. Usa os nomes de Macário Correia e Cavaco Silva para demonstrar que no Algarve também há trogloditismo. Não grocou o conceito. Macário e Cavaco não se ajustam nem de longe à definição que CAA tão bem apresentou: "Há atitudes, na política e na vida, que pela perversidade que revelam, pelo alheamento de todo e qualquer parâmetro moral de conduta, definem para sempre os que as protagonizam."

Exemplos há muitos. Em Lisboa, no Algarve ou nas ilhas. E no Porto, evidentemente.

  O Conquistador

Um homem solitário atravessa a ponte. Ele quer conquistar uma nova cidade. O Rio é o último obstáculo.


Para a Outra Margem, Rio Douro, 7 de Junho de 2003

  A Salvação dos Aflitos

Gravem os vossos templates. Por mim, resta-me agradecer a quem me aconselhou a fazê-lo.

sábado, julho 12, 2003

  Narcisista, linha Miranda

Pôs-se em bicos de pés e gritou: "Aqui vou eu! Ou por mim, ou contra mim". Meneses quer saltar por cima do Rio e conquistar o Porto.

Pobre cidade, cercada por tanto trogloditismo.

Miranda e Meneses, Nortistas e Populistas, Provincianismo Ilimitado.
Especialistas em Sistemas de Vácuo.
Sede em Matosinhos, delegação em Gaia. Em breve, também no Porto.

  A Crescer

Ele é o JPP. Ele é o VGM. Até o EPC. Todos falam no Pipi. O homem já deve estar com ele bem grande.
Refiro-me ao ego, claro.

  Encantamentos

As Noites da Moura Encantada. De 10 a 13 de Julho na bela Cecela Velha.


A Lua sobre o Paraíso, Cacela Velha, Junho de 2002

sexta-feira, julho 11, 2003

  Trabalho de Casa

Mas que enorme confusão faz o Satyricon!

"Mas, o que se pode dizer da crença, deste, numa sociedade sem regulação, onde não existiriam os patifes e os aproveitadores. Em que todas as relações entre os agentes económicos se processariam na melhor das boas intenções, sem que houvesse o abuso daqueles que detêm o poder económico."

Claro que existiriam patifes a abusadores. Há em todas as sociedades. E para isso serve a justiça que é uma das funções essenciais do estado e que nenhum liberal renega. Os contratos são para cumprir. O que é terrível é imaginar que somos todos patifes e abusadores e por isso devemos inibir a liberdade contratual. Aqui reside o perfeito disparate. Seria semelhante a proibir toda a gente de andar pela rua, porque pode haver um assaltante atrás duma esquina.

Está-se mesmo a ver quem está precisado de umas leiturazitas de férias...

  Timings Políticos

*História de Ficção*

Uma autarquia deve cerca de 100.000 contos a uma empresa privada devido a erros cometidos pelos serviços da própria autarquia em anteriores gestões. A autarquia tem pleno conhecimento da dívida e reconhece-a em correspondência trocada com a empresa, o que não impede que um jurista da autarquia escreva um parecer em que se afirma que o verde é vermelho e que 1=3, logo nada há a pagar. A empresa informa a autarquia que aquela argumentação é destituída de sentido.

É então que um vereador explica off-the-record. "Claro que não faz sentido, mas estamos tesos. Se formos para tribunal perdemos, mas só se paga daqui a 4 anos. E com sorte, quem vai ter que pagar é o mesmo partido que cometeu a borrada".

Nem vale a pena explicar-lhe que quem vai pagar são os contribuintes. Pagam a dívida, os custos do tribunal, as indemnizações. E esperemos que não tenham também que pagar subsídios de desemprego aos ex-trabalhadores de uma empresa falida.

quinta-feira, julho 10, 2003

  Mais Sindicatos

A Causa e o L-de-E já digeriram o assunto, mas deixaram espaço para mais alguns jaquinzinhos.

1. "O Tóino cada vez mais miserável e dependente do Chico".

No local onde gasto muitos dos meus dias, trabalham 3 secretárias (todas mulheres, que discriminação!); nenhuma é sindicalizada. Recebem entre 140 e 230 contos líquidos por mês. Segundo a lógica do Satyricon, esta situação seria totalmente impossível. Não haveria motivo nenhum para não ganharem todas o salário mínimo (ou, se não houvesse salário mínimo, serem brutalmente escravizadas) e ficarem cada vez mais miseráveis e dependentes do respectivo Chico. Como explicar este paradoxo?

2. Os governos criaram legislação desequilibradora das relações contratuais que seriam livremente estabelecidas entre empregados e empregadores. Por exemplo, legislação que impede o fim livre dos contratos, que impõe normas de progressão de carreiras, salários mínimos ou que atribui a uma das partes o direito de chantagear a outra para alterar anteriores acordos.

Independentemente do mérito ou demérito de algumas leis (pe, gosto de ser operado por cirurgiões e quero que os condutores dos autocarros que transportam os meus filhos para a escola não estejam alcoolizados), as limitações à livre contratação são fonte de desemprego. Mas há um outro efeito preverso desta legislação. Mais cidadãos preferem ser empregados, e menos querem ser empresários. As leis de "protecção" ao trabalhador com emprego, não só aumentam a atractividade da situação de empregado por conta de outrém, como aumentam fortemente o custo e, principalmente, o risco da iniciativa empresarial. Diminuem a procura por trabalho e aumentam a oferta. Os preços de equilibrio estabelecem-se em patamares mais baixos. Os preços de equilíbrio neste mercado chamam-se salários.

3. O autor do Satyricon acredita “que o autor do "Jaquinzinhos" é adepto de um liberalismo utópico que, embora algo ingénuo, é genuíno e pouco cínico”. Bem, não me considero propriamente ingénuo. Tê-lo-ei sido quando acreditava naquilo que o autor do Satyricon ainda acredita. As interpretações erradas que o Satyricom faz dos argumentos do Causa Liberal e do L-d-E sugerem uma incompreensão dos fundamentos da lógica económica que ambos tentam trazer para a blogosfera. O mesmo se passa com o Cruzes. Não será o desconhecimento a mais provável fonte de tantas ingenuidades?...

4. Continua o Satyricon: “Estou a falar da limitação do horário de trabalho, do direito a férias, direito à greve, descanso semanal, assistência na doença e na velhice, etc. Este tipo de coisas singelas só foi conseguido à custa de muitas lutas, lutas estas em que os movimentos sindicais tiveram um papel indiscutivelmente importante. A miséria não veio com o aparecimento dos sindicatos, ela era um facto, visível e chocante antes do seu aparecimento.

A miséria é ainda visível e chocante depois do aparecimento dos sindicatos, em todos os países que não adoptaram uma economia capitalista mais ou menos liberal, mesmo quando estão carregadinhos de sindicatos. Em Cuba até era obrigatório ser sindicalizado. A diferença não está evidentemente nos sindicatos. Está no capitalismo.

  Paris, Tavira

Ry inspirado com a Buena Vista.
Natassja se-ria mais Formosa.
Wim faria melhor em Tavira.

Faltam 9 dias.


Paris, Tavira. Julho 2002

  Correcção - Arrependimento - Disclaimer

O jaquinzinhos confessa-se arrependido. A histórinha do Chico, do Manel, do Tóino e do Jaquim está imbuída de um imperdoável espírito machista: os personagens são todos homens. Se não tenho perdão para os grupos feministas, ao menos que me perdoem os defensores de outras minorias. Acreditem que o Chico é gay, o Tóino é afro-europeu, o Jaquim pertence a uma minoria étnica de natureza nómada e o Manel é imigrante transexual.

Está melhor assim?

  Swingado

Os Manatham Transfers são simpáticos, cantam quase todos bem e são ricos. Aposto que, em compensação, não têm nenhum blogue.

quarta-feira, julho 09, 2003

  O Blog do Alexandre

Escreve bem à brava. Fotografa bem que se farta. Consta que mergulha bem que nem ginjas. Tem um blogue e pêras. No Arame, de Alexandre Monteiro.

  Bolas

O presidente disse "caramba"?

Dassssse!

  Ainda os Sindicatos

O Satyricon mandou-me ler a Historia Universal para descobrir a origem dos sindicatos. Agradeço o conselho. Foi de borla e bem intencionado. Mas o argumento que usa não é muito forte. O comunismo também nasceu para o bem dos trabalhadores e foi a tragédia que se viu.

Os sindicatos, em troca de benefícios para os seus membros, muitas vezes ilusórios, ignoram e desprezam os interesses individuais dos cidadãos preferindo sempre um colectivismo que só é nivelador na mediocridade. E quase sempre, os benefícios que os sindicatos conseguem para os seus membros, são irrisórios face aos prejuízos causados ao resto da sociedade. Desemprego e greves de transportes, são só dois exemplos.

Do post do Satyricon, gosto particularmente desta parte: "O problema é que as pessoas não podem e não devem pura e simplesmente ser tratadas como objectos, pois resulta em situações de miséria humana, incomportáveis para qualquer sociedade digna desse nome."

Absolutamente de acordo. Por isso é que a miséria humana é generalizada justamente onde as pessoas são colectivizadas e tratadas como objectos, onde a vontade de cada individual é ignorada em nome de um pretenso bem comum. De boas intenções está a história do comunismo cheia. E a dos sindicatos também.


  Riscos

As duas gémeas siamesas das terras do Sião viveram nos últimos dias um sonho. Quero acreditar que foram dias felizes.

Evite-se a crítica aos médicos que perderam a aposta; crucificá-los será um enorme desincentivo para todos os que têm a coragem de arriscar.

terça-feira, julho 08, 2003

  Ter ou não ter Voz no Ter Voz

O Ter Voz é um blogue com dois defeitos maiores: não são liberais e são de Benfica. E além disso são miltantes num partido, uma coisa horrível que nos limita a liberdade.

O jaquinzinhos achou piada a um post em que o Ter Voz assassinava o camarada Lello. Assassinava politicamente, está claro, apesar de socialistas e benfiquistas, acredito que sejam boas pessoas.

Vai daí, o jaquinzinhos deu voz ao Ter Voz. Logo o Ter Voz reagiu. Afinal a voz do Ter Voz não era do Ter Voz, era tão só a voz de um dos Ter Voz, o FG. Acontece que o LT não concorda com o FG. O LT gosta de dar voz no Ter Voz a quem quer ter voz, mesmo que a voz não seja a voz que um dos Ter Voz queria ouvir.

O viscoso Jaquinzinho Lagarto agradece as explicações.

  Algarve Rules!

A Blogosfera pulula de algarvios. Na lota do lado há uma nova banca onde se vende lingueirão da Ria Formosa. Por lá para 'Um Pouco Mais de Azul', um blogue com inclinação para o sotavento, compensado com o Vialgarve, do Barlavento.

A algaraviada marafada que nos almareia está no 'Mac Jête'. Afinal, quem matou o pato?

Não temos albricoques nem alfarrobas mas temos Alcagoitas. Do cantinho mais distante, o Jornal do Algarve envia-nos SMS's.

A juntar a tudo isto, descobri que A Formiga de Langton, a Lâmpada Mágica e as Notas Soltas também chegam à blogosfera sopradas pelo Levante.


Gilão, Julho de 2001

Tanto Algrave. Benvindos

  Será possível sobreviver sem um sindicato?

Eis a pergunta terrível a que o Satyricon responde... E a resposta é: Não, não é! Sem o sindicato, a vida é impossível para o Tóino.

A história do Manel, do Jaquim, do Tóino e do Chico, segundo o Satyricon acaba mal:

"O "Jaquinzinhos" não se deu ao trabalho de explicar a forma como evoluiria a vida do Chico e do Tóino, caso este último não fizesse um sindicato. Então, vou completar:

O Chico ficaria cada vez mais rico e o Tóino cada vez mais miserável e dependente do Chico. O Tóino ver-se-ia obrigado a trabalhar entre 14 a 16 horas para o Chico, a troco de um salário miserável, sem quaisquer regalias, como descanso semanal, protecção na doença ou na velhice. E, ainda assim, vivia apavorado com o dia em que uma criança ou uma mulher se oferecesse para trabalhar para o Chico, o mesmo número de horas, a troco de 1/3 do salário."


Que horror! O Tóino só trabalha para o Chico se daí retirar alguma vantagem. Porque aceitará o Tóino ser escravo? O Tóino e o Chico contrataram livremente a prestação de serviço. Acordaram no tempo de trabalho e na remuneração. Nesta história há plena liberdade contratual.

Se algum dos dois não cumprir o contrato, o acordo desfaz-se. Será assim tão difícil de entender? Para o satyricon a solução é outra. A partir do momento em que o Tóino fez o acordo, cria o sindicato para eternizar a situação, chantagear o Chico, obrigá-lo a negociar salários e impedir que ele contrate outras pessoas que queiram trabalhar no restaurante.

Podemos agradecer ao Satyricon a demonstração de metade da frase final da história. "Depois o governo criou os impostos e o Tóino fez um sindicato. As coisas começaram a andar mais devagarinho". Pois claro. Se o Chico para contratar o Tóino tem que obedecer a regras impostas de fora e perde a liberdade contratual, o Chico pensa duas vezes andes de o contratar. E eventualmente, avalia negativamente o projecto do restaurante e desiste. Em vez de investir, prefere continuar como antes, ir pedir um subsídio ao governo ou ser empregado do Manel. Não tem risco e o sindicato protege-o. O Tóino vai para as estatísticas do desemprego. A culpa é dos capitalistas.

segunda-feira, julho 07, 2003

  Lendas Lunares


Palácio da Pena, Sintra, 1999


  The Economist, 160 anos.

"When you consider what liberal capitalism has achieved over the past century and a half, not to mention the record of its rivals, the fact that its virtues and its very legitimacy remain so contested is surely remarkable."

Pois é. Custa a compreender.

  Serenalla Bem Aventurada

Dizem os jovens rosáceos que a sorte de Serenella Andrade é ter o papá que tem. Sugerem que "sempre que o PSD regressa ao poder, Luís Andrade, pai de Serenela, regressa a director de programas" e a Serenella arranja emprego. Escrevem os jotas: "Os anteriores directores de programas não exigiam tanto dela. Na verdade, não exigiam mesmo nada, deixando-a, injustamente, sem programas para apresentar."

Não é bem assim. Não é mesmo nada assim, futuras promessas. Serenella sempre teve empregos na televisão, mesmo durante o reinado de el-Rei Guterres I, o Fugidio.

Caros jovens socialistas: a gente sabe que desejam rapidamente esquecer aqueles anos. Mais ainda, desejam que toda a gente esqueça. Mas não matem a memória da pobre Serenella.

Deixo-vos esta fotografia que pode funcionar como um lembrete. Confesso que tentei que encontrar a Serenella com Luís Pereira de Sousa, mas na falta do Luís, fica o prof.Boaventura que também serve para o efeito.


Serenella e Boaventura, postmodernizaram na Figueira da Foz.

E não precisam de corrigir a boca que mandaram no vosso blog. O jaquinzinhos sabe que vos custa muito reconhecer os erros. Se não fizeram mea culpa no Wolfowitz affair, também não será a pobre Serenella a conseguir esse milagre redentor.



  A Terceira Via

Na caixa de correio do jaquinzinhos estava um simpático emeile assinado por José Amaro, ilustre advogado da cidade invicta. Sugere que quando escrevi "Desde meio do primeiro mandato de Guterres pelo menos umas centenas de economistas (e não só) avisaram para o que aí vinha" no post intitulado cotonetes, estou a fazer uma avaliação a posteriori. (O mesmo poderá ser dito do editorial de Daniel Deusdado, que escreve hoje no Público um artigo intitulado "Os Eleitores Sabem Quem Governou Mal a Economia"). Sugere o Dr.: "Como as coisas andam mal, atiram-se as culpas para o anterior governo; se corressem bem, os méritos seriam deste governo".

Caro Dr., não acredito que pudessem correr bem. O diagnóstico já estava feito. Em 1998, em plena euforia guterrista, escrevi este diálogo num qualquer forum da Usenet. Chamava-se "A Terceira Via". Reproduzo:

---
Diálogo entre marido aderente à Terceira Via e mulher que ainda não compreendeu as vantagens do pragmatismo social.

Marido : Mulher, a partir de agora a nossa casa adere à Terceira Via. Está decidido: vamos viver melhor pragmaticamente.

Mulher : Que bom! Como é que isso se faz?

Marido : Em primeiro lugar, com a saúde não se brinca. Este ano vamos para as termas. Com a alimentação também não. Temos todos direito a satisfazer as nossas necessidades básicas. Daqui para a frente nunca mais compras palmeta, só linguado.

Mulher : E isso não é caro?

Marido : Lá vens tu com essas visões economicistas! Saúde e Alimentação têm que ser geridas sem olhar a essas coisas. São um direito inalienável da terceira via. E a casa vai ser aquecida todas as noites.

Mulher : Ai! E a conta da luz?

Marido : Com a terceira via também a nível do governo, as tarifas vão descer. E além disso, vamos todos viver melhor. Para nos aquecermos não podemos olhar a estas questões economicistas. Temos é que ser pragmáticos. E vamos contratar um jardineiro para nos tratar dos canteiros da varanda!

Mulher : Mas isso é tão caro! Temos dinheiro que chegue?

Marido : Temos que ter consciência social! Não serão os capitalistas a resolver o problema do desemprego. Temos que ser nós todos, com pragmatismo. Além disso, os canteiros arranjados fazem parte do nosso direito inalienável a uma paisagem de qualidade. Já chega de betão! Não podemos olhar a dinheiro quando se tratam de questões destas. Além disso vamos aumentar a Maria em 10%.

Mulher : Ela queria um aumento de 20%. Mas achas que o dinheiro chega? Eu estava a pensar dar-lhe 2%...

Marido : 20%? Deve ser apoiante do Paulo Portas! Quer arruinar-me o orçamento familiar! Leva 10%, que já demonstra o meu pragmatismo com consciência social! Nunca a poderemos aumentar só 2%, senão podemos criar tensões sociais graves cá em casa.

Mulher : Com tanta despesa, como vamos aguentar?

Marido : Para já vou criar um imposto de 10% sobre o salário da Maria. Vou criar outro de 30% sobre as mesadas das crianças. Os nossos filhos tem que aprender desde pequenos que os impostos são um factor essencial ao desenvolvimento. E como todos temos que contribuir para o aumento de bem estar da família, 50% do teu ordenado reverte para gastos comuns. É essencial ao bom funcionamento da Terceira Via. Podes pagar em Visa ou transferência bancária, e até mesmo por Internet porque a terceira via aposta no caminho da modernidade.

Mulher : O quê? O meu dinheiro? E como é que pago o empréstimo ao banco?

Marido : O poder dos bancos que gerem a nossa liquidez familiar acabou-se! Chega de gestão das contas com critérios monetaristas. Informa o banco que a partir de agora nós é que decidimos os nossos empréstimos, quanto é que precisamos e que dinheiro é que vamos usar. Eles tem que compreender que quem manda é a terceira via.

Mulher : Isto vai dar para o torto. O dinheiro nem vai chegar para pagar o condomínio.

Marido : Como administrador deste prédio, vou baixar significativamente os custos de gestão do condomínio. Para já, todas as despesas futuras vão ser suspensas para reanálise. Temos que passar tudo a pente fino. Até lá suspendemos o plano de investimento.

Mulher : Então e os vizinhos? É preciso arranjar os esgotos. E pintar o prédio.

Marido : Não há problema. Vou anunciar aos vizinhos que em breve se iniciarão todas as obras cá no prédio. Pelas regras da terceira via, cada obra pode ser anunciada cinco vezes antes de se dar início ao concurso preliminar de escolha do lote de consultores que analisarão o projecto de concurso de selecção dos concorrentes ao concurso limitado para pré-qualificação dos candidatos à execução do projecto inicial.

Mulher : Mas isso vai atrasar as obras lá para o ano 2005!

Marido : Vai atrasar, mas o volume de obras atrasadas, superará em muito todas as obras feitas pelo meu antecessor! Será algo de nunca visto! Vou fartar-me de recordar isto em alto e bom som!

Mulher : E os vizinhos não se fartarão de esperar?

Marido : Não tenhas problema. Resolve-se com diálogo. Muito diálogo. Ao contrário das outras vias, a nossa é dialogante.

Mulher : Olha que o vizinho de baixo já disse que se não lhe arranjarem os esgotos, vem despejar os bacios à nossa porta...

Marido : O quê? Nem pensar! Desacatos no prédio, nunca consentirei! Os outros vizinhos saberão que podem contar comigo para garantir a estabilidade e a ordem pública no prédio.

Mulher : Mas tu armaste aí umas escandaleiras, no tempo do antigo administrador...

Marido : Nessa altura não havia uma administração dialogante! Era um autista que só pensava em gastar dinheiro para fazer obras no prédio! Agora não. Agora há diálogo. Agora há a terceira via.

Mulher : Eu não estou a ver é onde é que vamos arranjar dinheiro para pagar estas coisas todas.

Marido : Se for preciso, vendemos alguns activos. Por exemplo, o carro. Segundo a terceira via, as privatizações são um bom modo de tranferir recursos dos capitalistas para utilizar no bem comum.

Mulher : O carro? Mas o carro faz-nos falta...

Marido : Fazemos um Aluguer de Longa Duração. Assim para já ficamos com dinheiro para melhorar o nosso bem estar, e só vamos pagar o carro no futuro. Aí já viveremos todos muito melhor, devido à política da terceira via. Vamos fazer o mesmo à televisão, à máquina de lavar, ao frigorífico, e à hidro-massagem. Vender agora, pagar depois. E vamos também pedir dinheiro para comprar um submarino em nome do condomínio.

Mulher : O quê? Um submarino? Mas isso custa uma fortuna!

Marido : Não custa nada. É de borla. Só se paga mais tarde, e aí o administrador do prédio é outro.

Mulher : Ai homem que nos vais levar à falência... Eu não quero dar metade do meu ordenado para estas coisas todas! Prefiro gerir eu o meu dinheirinho. E a Maria e os nossos filhos também não vão querer pagar.

Marido : O quê? Sua ultra-liberal! Sua agente do pensamento único! Sua radical de direita! Já estás a pensar em coligações negativas para dar cabo do orçamento familiar da terceira via! Pois bem! Terás de decidir! Ou comigo, mas com a minha política, ou vou-me embora. Mas também te digo que se me for embora, deixo já os contratos de aluguer de longa duração todos feitos para o futuro, e o submarino encomendado.


(2/Dez/1998)
---
A realidade não foi muito diferente...

  Os Crimes de Lello

No blogue Ter Voz, não gostaram da voz de Lello:

Camaradas.
Mais uma vez, o camarada José Lello deu uma daquelas entrevistas que só servem para dividir o Partido Socialista. Uma entrevista inútil e cobarde. Tanto alarido para dizer que sim e que não ao mesmo tempo. Nada me move contra o camarada Lello, sou sim um defensor convicto deste secretariado, e não partilho da visão, algo minimalista, do camarada Lello de que o secretáriado de Ferro Rodrigues estão "pessoas que têm um défice curricular em termos partidários, políticos e institucionais". Em vez mandar para o "ar", o camarada Lello devia apontar nomes. Dizer o que pensa. Mostrar-se como alternativa. Ao invés, diz que detesta e ama ao mesmo tempo. Passando para a opinião pública uma péssima imagem do PS. E volta a mostrar o pensamento retrogado em relação às minorias(?) sexuais. Como bom político que aparenta ser, -pelo menos chegou a ministro - , o Camarada Lello devia ter um pensamento mais aberto, e com uma mentalidade socialista. Só mostra o quão longe estamos dos políticos holandeses, belgas ou suecos... O que vale é que poucos têm em conta a opinião deste ex-ministro. Melhores dias virão.


Procedamos então ao julgamento público do camarada Lello. Acuse-se. A lista de crimes é imensa.

Divisionismo Reaccionário
Inutilidade Cobarde
Indecisão Ubíqua
Visão Minimalista
Pensamento Pró-homofóbico
Conduta Desviante
Actividade Subsersiva
Mentalidade Fechada
Atitude Anti-europeia
Insignificância Opinativa

Condene-se sumariamente o camarada Lello à pena de ficar bem caladinho. Exclua-se a locução pública de loas ao líder. Cumpra-se.

  Bom Fim de Semana

Foi bom, sim. Por estes lados.


Ria Formosa, Regresso da Praia do Barril, Tavira. Julho de 2001.

  O Fascista que não sabia que o era - The Sequel

E-mail de Luís Miguel Oliveira em resposta ao post "O Fascista que não sabia que o era"

Ena tanta violência. Estamos um bocadinho hipersensíveis, não?

Abstraindo-me do insulto com que o jcd termina o seu post (e aposto singelo contra dobrado que sei mais sobre a escola do cinema fascista do que ele sabe sobre a minha escola), e assegurando que não tenho a mínima intenção de o insultar em resposta, gostava, sem prejuízo de eventualmente se continuar a conversar, de dizer duas ou três coisas:

- que acho piada que, não tendo eu falado de conservadorismo mas de extrema direita, seja jcd a fazer tal associação (na frase "Se os conservadores norte-americanos são o que LMO parece imaginar, não perdoarão ao realizador por este ter feito um filme profundamente anti-racista")

- que não me parece correcta a sua suposição sobre o que diria eu se o vilão fosse um "radical de esquerda". Sabe lá o jcd o que eu diria.

- que mesmo partindo da assunção de que sou mesmo um "crítico de esquerda" (como jcd decreta, seja lá o que for que isso quer dizer) tal não me impede de gostar de "filmes de direita", ou mesmo de filmes declarada e abertamente fascistas (que los hay). Pergunto-me se, perante tamanha firmeza, jcd seria capaz de gostar de "filmes de esquerda".

- que um filme pode não ser "político" em primeiro grau sem com isso deixar de conter uma dimensão política mais ou menos desenvolvida. Diria mesmo que todos os filmes a têm, tiveram e terão, venham de onde vierem.

- que apesar da sua explicação sobre a carreira de Forest Whitaker, não altero uma vírgula à minha frase. A história e as regras de Hollywood são o que são, e lamento mas a sua graçola ("Os fascistas americanos dão-lhe poucas hipóteses") não tem absolutamente nada a ver com o que eu disse.

- que ainda assim me congratulo por ter escapado ao mais irritante adjectivo dos nossos tempos. Uf, felizmente, não me chamou "anti-americano".

No hard feelings

LMO


  A Última Palavra

Luís Miguel Oliveira (LMO) escreveu-me um e-mail. Achou que eu o tinha insultado. Provavelmente tem razão. A última frase do post não era muito delicada:

LMO acaba a crítica com o melhor sound byte: “Schumacher pode ser um cineasta fascista, mas falta-lhe alguma escola para poder ser um grande cineasta fascista. A verdade é que não podemos exigir muito deste crítico. Luís Miguel Oliveira pode ser um crítico de esquerda, mas falta-lhe alguma escola para poder ser um crítico de cinema.

Será que Joel Schumacher também se sentiria insultado com a última frase da crítica de LMO? O insulto só resulta se nos tocar fundo. LMO quer ser um bom crítico e eu terei insinuado que ele não seria bom naquilo que faz. Schumacher, certamente não desejará ser um realizador fascista, por isso não se pode sentir insultado quando alguém o apelida de mau realizador fascista.

O debate poderia prosseguir com a definição do que é o fascismo. Ou de como as características que LMO atribui à extrema direita americana colam quase na íntegra com as características da extrema esquerda europeia. Se LMO tivesse acrescentado à lista que o vilão 'odeia homossexuais', teríamos uma boa descrição de Fidel Castro. (exceptuando a história dos distribuidores de pizzas, coisa que deve ser desconhecida em Cuba)

Deixo a última palavra a LMO. (No post seguinte). Nunca gostei da demonstração de poder jornalístico de ter sempre a última palavra em qualquer debate e de dar sempre resposta à resposta.

sábado, julho 05, 2003

  O Fascista que não sabia que o era

Na sua crítica de cinema ao filme ‘Phone Booth’ de Joel Schumacher, Luis Miguel Oliveira explica-nos porque não gosta do realizador: porque ele é fascista, reaccionário, puritano e raivoso. O filme também leva pela mesma medida. É moralista, reaccionário, intolerante, puritano, raivoso e mais 3 eteceteras.

Os filmes antigos do mesmo realizador são proto-fascistas, repulsivos e odiosos, de demagogia moralista e intolerante.

Seguindo o crítico, devemos acreditar que Joel Schumacher defende as ditaduras, as polícias políticas, a opressão e demonstra raiva às democracias, imaginamos que Phone Booth é um filme político, um manifesto de direita, cinema alinhado. Certo?

Não. Phone Booth é um simples thriller americano, realizado por um típico realizador de thrillers, sem nada de genial para nos oferecer excepto o rigor formal a que Hollywood nos habituou. O pior defeito do homem talvez seja ter gostado de ‘Dancer in the Dark’.

Qual é então a lógica deste testemunho público anti-fascista travestido de crítica de cinema? Bem, parece que nos filmes de Schumacher há personagens conservadoras e racistas. Aliás há de tudo. Schumacher é pouco criativo e costuma seguir de perto os best-sellers que leva ao ecrã. Luis Miguel Oliveira poderia ter chamado comunista a Schumacher que o insulto não seria menor. Se os conservadores norte-americanos são o que LMO parece imaginar, não perdoarão ao realizador por este ter feito um filme profundamente anti-racista (Tempo de Matar).

O problema aqui está no vilão. Conta LMO que o mau da fita “odeia condutas "imorais", despreza prostitutas, chulos e distribuidores de pizzas, desdenha as instituições federais, abomina os egoístas executivos das grandes corporações (até já matou alguns), e vira-se, com a personagem de Colin Farrell, para o "corrupto" universo do "show biz". Em suma, um autêntico catálogo da extrema-direita americana, exibido às claras e apenas mascarado por alguma ironia (vide planos finais, com a revelação do "sniper", filmado como os "cowboys" solitários e justiceiros dos "westerns" antigos).

Ah... ainda bem que o vilão não era comunista. Até que não está muito longe, pela lista de atributos que LMO apresenta... Se o vilão fosse radical de esquerda, a diferença não estaria no filme, estaria apenas na crítica. LMO teria falado num filme de denúncia, um líbelo acusatório da decandente sociedade de consumo, uma demonstração dos drama psicológicos da globalização e dar-lhe-ia 4 estrelas.

Pelo meio de tanta visão política, LMO ainda se lamenta por em Hollywood não haver papéis que cheguem para Forest Whitaker, "esse imenso actor que teve o azar de ser negro, gordo e feio". Coitado. O Forrest, que tem 42 anos, ainda só conseguiu participar em 43 filmes, 4 séries de TV, teve tempo para produzir ou co-produzir mais 7, e vai na sua 5ª realização. E isto para um tipo que parece que está sempre a chorar. Não chega, é pouco. Os fascistas americanos dão-lhe poucas hipóteses.

LMO acaba a crítica com o melhor sound byte: “Schumacher pode ser um cineasta fascista, mas falta-lhe alguma escola para poder ser um grande cineasta fascista.”

A verdade é que não podemos exigir muito deste crítico. Luís Miguel Oliveira pode ser um crítico de esquerda, mas falta-lhe alguma escola para poder ser um crítico de cinema.

  Fim de Semana ao Sul

Boas zonas.


A Nora de Cacela Velha, Julho de 2001

sexta-feira, julho 04, 2003

  Congruências

Escreve-se no incongruências: "De todo em todo, não vejo como se cria riqueza real. Talvez alguém me possa explicar...". Posso tentar?

1. O Manel tem uma vaca e um boi. Se poupar, amanhã o Manel terá uma vaca, um boi e dois vitelos.

2. O Jaquim tem um monte de barro. Ninguém quer o barro do Jaquim. Até que o Jaquim mistura o barro com água, amassa-o, corta-o em paralelípipedos, seca-os e coze-os ao sol. Agora o Jaquim tem tijolos. O Manel dá-lhe um dos vitelos em troca de tijolos.

3. O Tóino tem muitas árvores. O Manel quer uma árvore para fazer um barco. O Tóino dá-lhe a árvore. O Manel paga-lhe com leite da vaca.

4. O Chico sabe fazer barcos. O Chico ensina o Jaquim a fazer barcos. O Jaquim dá-lhe tijolos em troca.

5. O Chico sabe pescar. O Chico ensina o Manel a pescar. O Manel dá-lhe os tijolos que tinha recebido do Jaquim.

6. O Manel contrata o Jaquim para que este lhe faça um barco. Dá-lhe o outro vitelo. O Jaquim faz-lhe o barco. O Manel dedica-se à pesca.

7. O Chico constrói um restaurante com os tijolos. Contrata o Tóino para empregado.

8. Agora o Jaquim tem uma vaca e um boi. Se poupar, amanhã o Jaquim terá uma vaca, um boi e dois vitelos.

Num instante arranjei-te uma indústria cerâmica, uma agro-pecuária, uma indústria piscatória, uma escola náutica e uma indústria de restauração.

Foi rápido. Depois o governo criou os impostos e o Tóino fez um sindicato. As coisas começaram a andar mais devagarinho.

  Só mais esta

Agora que Berlusconi se lamentou dos alhos e que Schroeder agradeceu a desculpa dos bugalhos, o caso estará encerrado até à próxima peixeirada parlamentar. Para o Sr.Schulz, aqui fica uma recomendação do Europundits: "there's one thing that should always be kept in mind: people, or rather, peoples whose mothers were still working in the Red Light District shouldn't be too quick to call other people names."

  Desejo Blogar

Ena pá, tantos!

  Os Estádios da Nação

Lello está zangado. Ferro está cansado. O dia está quente. O Sporting volta hoje ao trabalho.

quinta-feira, julho 03, 2003

  Manipulações actuais

Exemplo nº 1

Notícia Real - Durante uma conversa telefónica com o chanceler alemão, o primeiro ministro italiano Sergio Berlusconi lamentou a séria afronta de que foi alvo na véspera quando se dirigiu ao parlamento europeu. O primeiro ministro italiano repetiu o que já havia dito no dia anterior, isto é, que lamenta que alguém não tenha entendido o significado de uma brincadeira em que apenas pretendia ser irónico.

Notícia Publicada - Schroeder aceita desculpas de Berlusconi. O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, falou ao telefone com o primeiro-ministro italiano e aceitou as suas desculpas a propósito do incidente com um eurodeputado germânico no Parlamento Europeu, que Silvio Berlusconi comparou a um guarda de um campo de concentração nazi.

Exemplo nº 2

Notícia Real - O eurodeputado alemão, Martin Schulz, social-democrata do SPD, criticou com violência o primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, acusando-o de não ter condições para o cargo de líder europeu devido ao risco que «o vírus do conflito de interesses italiano» fosse «transferido para o nível europeu». Num discurso ofensivo referiu-se a questões de política interna italiana, e acusou Berlusconi de tentar moldar a lei para fugir às consequências dos seus actos. O primeiro-ministro respondeu às críticas de um eurodeputado alemão dizendo que «Um produtor está a fazer em Itália um filme sobre campos de concentração nazis. Vou propô-lo como kapo.»

Notícia Publicada - O primeiro-ministro respondeu às críticas de um eurodeputado alemão com uma tirada de fino recorte: «Um produtor está a fazer [em Itália] um filme sobre campos de concentração nazis. Vou propô-lo como kapo.» A palavra designa os guardas responsáveis pelo controlo quotidiano dos campos. O eurodeputado alemão, Martin Schulz, social-democrata do SPD, reagiu com indignação e as palavras do líder italiano provocaram imediatas reclamações de outros parlamentares. Berlusconi respondeu, explicando que falara com «ironia» e que não iria retirar a frase enquanto Schulz não retirasse as suas anteriores críticas, pelas quais o primeiro-ministro se sentira pessoalmente «ferido».

  Manipulações (Há apenas 16 meses...)

Notícia nº 1

No Jornal Independente Rosa: "Durão Barroso decidiu subir o tom da dramatização do discurso eleitoral, ao ver a maioria absoluta cada vez mais distante. Confrontado com as sondagens vindas hoje a público - que dão ao PSD a vitória, mas sem maioria parlamentar clara - o líder social-democrata ameaçou os eleitores para uma subida da taxa de desemprego se não tiver maioria absoluta."

No Jornal Independente Laranja: "Durão Barroso alertou para os riscos da instabilidade política em Portugal após as eleições de 17 de Março. Confrontado com as sondagens vindas hoje a público, que dão ao PSD uma clara vitória, o líder social-democrata relembrou que sem estabilidade os portugueses arriscam-se a assistir a uma subida da taxa de desemprego."

Notícia nº 2

No Jornal Independente Rosa: "O dirigente laranja, que falava aos microfones da TSF no final de um encontro com autarcas sociais-democratas em Lamego, ameaçou que um cenário de instabilidade política - resultante de uma vitória com maioria simples nas legislativas de 17 de Março - será negativo para o país e inviabilizará o aumento dos salários ou das pensões de reforma."

No Jornal Independente Laranja: "O líder social-democrata recebeu esta manhã os autarcas sociais-democratas em Lamego, e no final do encontro em entrevista à TSF, explicou que um cenário de instabilidade política que possa resultar das legislativas de 17 de Março, seria muito negativo para Portugal e no longo prazo poderia limitar o aumento dos salários ou das pensões de reforma."

Notícia nº 3

No Jornal Independente Rosa: "Sem conseguir descolar definitivamente para a maioria absoluta, Durão tenta um último esforço para convencer o eleitorado ainda indeciso."

No Jornal Independente Laranja: "A um passo da maioria absoluta, o líder do PSD Durão Barroso tenta um último esforço para convencer o eleitorado ainda indeciso."

Notícia nº 4

No Jornal Independente Rosa: "Depois de ontem ter agitado com o "fantasma" da subida ao Governo da CDU e de uma maioria de esquerda na Assembleia da República, o líder do PSD vira-se, agora, para a dramatização dos riscos que a instabilidade pode provocar, até porque, diz Barroso, da estabilidade dependem a retoma da confiança e a recuperação económica do país."

No Jornal Independente Laranja: "Depois de ontem ter alertado os portugueses para os riscos de uma maioria de esquerda na Assembleia da República, o líder do PSD continuou a marcar a agenda política alertando agora para os riscos que a instabilidade pode provocar, até porque, relembra Barroso, da estabilidade dependem a retoma da confiança e a recuperação económica do país."

  Cotonetes

Acordei com problemas nos ouvidos. Logo de manhã, acreditei ouvir a ministra das finanças explicar que o Pagamento Especial por Conta é um instrumento de combate à fraude fiscal. Eu pensava que era apenas um instrumento de antecipação de receitas. Ouvi mal. Mas logo imaginei ouvir Carlos Carvalhas explicar que comunistas foram os primeiros a avisar que vinha aí uma crise económica, assim que este governo tomou posse. Desde meio do primeiro mandato de Guterres pelo menos umas centenas de economistas (e não só) avisaram para o que aí vinha. Também ouvi mal. Logo a seguir, imaginei ouvir o mesmo personagem explicar que a banca está a aumentar os spreads com cumplicidade do governo. As coisas que eu imagino ouvir. O governo imiscuir-se nos spreads bancários. Ninguém de perfeito juízo diria tal coisa. Malditos ouvidos. Por fim acreditei ouvir Ferro Rodrigues queixar-se que o governo está numa estação à espera que passe o comboio. Não, ele não ia dizer uma coisa dessas. Então não foi ele um dos que saltou do comboio quando viu o precípicio?

Enquanto não marco a consulta no otorino, alguém me arranja cotonetes?

  Berlusconi e o Sr. Schulz

Berlusconi não teve graça na graçola com que respondeu ao alemão. Mas então, e do Sr.Schulz, ninguém fala?

Com que legitimidade é que um alemão se intromete no processo legislativo italiano, insulta um partido da coligação do governo de outro país, insinua incompatibilidades que não lhe dizem respeito e gesticula histericamente para um primeiro-ministro no dia em que este assume a liderança da União Europeia?

Imaginei Ferro Rodrigues no lugar de Berlusconi. Um qualquer deputado espanhol levantava-se, insinuava má-fé nos contratos do metro, acusava-o de participação no caso da pedofilia, perguntava-lhe porque é que tem ex-comunistas no seu partido e esbracejava histericamente. Tenho a certeza que Ferro não o convidaria para um filme de Manuel de Oliveira. A resposta seria só uma: "Palerma!".

Também teria sido essa a melhor resposta de Berlusconi ao Sr. Schulz.

quarta-feira, julho 02, 2003

  Mudaram as regras e ninguém me disse nada!

Primeiro foi Burmester, que criticou o accionista por este não lhe explicar como queria que a casa fosse gerida. Ontem foi Grosso que, aparentemente, quer que lhe digam como gerir o teatro. E hoje ouvi um tal Carlos Pereira, que fez parte de uma administração que levou uma empresa à falência, acusar o accionista de não explicar qual o caminho a seguir.

No meu tempo, os accionistas nomeavam os administradores e estes geriam. Agora, parece que é ao contrário e ninguém me avisou. Devem ter mudado isto durante as férias.

Amanhã já vou falar com o meu accionista e por os pontos nos ii. Se ele não me aumentar, demito-o.

  Câmara de Pândora

Ontem abriu-se a caixa. Provou-se hoje no forum da TSF com o desfile dos indignados e a lamúria dos ultrajados.

Fátima e Canas festejam, felizes e indiferentes aos sentimentos de injustiça alheios.
'Pois nada parece infame aos olhos dos que ganham'.
(Henrique IV, segundo Guilherme)

  Belas Bombas

Uma fábrica de bombas tão bonita como esta fabricaria bombas inteligentes?


O Depósito de Água da Antiga Real Fábrica de Pólvora Negra de Barcarena, Novembro de 1999

  O Vício - 2

Filho: Pai, as pessoas viciadas em crack conseguem deixar de se drogar?
Pai: Algumas conseguem, filho, com muita força de vontade.
Filho: Conheces alguma, pai?
Pai: Hmm... deixa ver... hmmm... de crack não. Olha... a Clara Pinto Correia está a tentar deixar o copy-paste.

  O Vício

Filho: Pai, as pessoas viciadas em crack conseguem deixar de se drogar?
Pai: Algumas conseguem, filho, com muita força de vontade.
Filho: Conheces alguma, pai?
Pai: Hmm... deixa ver... hmmm... de crack não. Olha... o Eduardo Prado Coelho está a tentar deixar o name-dropping.

terça-feira, julho 01, 2003

  A Tríade

Prós e Contras na RTP. Tema: a reforma da administração pública. Do lado do contra, as duas centrais sindicais e o líder do MRPP.

Cada vez faz menos sentido usar o termo conservador para a direita.

  Conselhos sobre os Concelhos

O populismo de todos os partidos que apadrinham cada terrinha com aspirações a urbe maior, temperado com a promessa de novos cargos autárquicos e regado com muitos pequenos orgulhos locais faz destas. Um país cada vez mais retalhado. As auto-nomeadas Comissões de Elevação a Concelho sabem que os futuros lugares pagos pelo erário público estão no papo. E um dia, quem sabe, terão o nome numa placa da terreola.

Hoje foram Fátima e Canas. Já tinha sido Vizela. Amanhã serão Esmoriz, Samora Correia e Tocha. Quarteira e Sagres já estão em bicos de pés. Depois virão Paço de Arcos, Queluz, Costa da Caparica e Amora. Estes dão mais votos, vai ser mais fácil. Também a Expo quer ser concelho. E Troia. E em todos as vilas e aldeias que ainda só são freguesias já há um grupo de pioneiros no café central a germinar a ideia entre uma bisca e um dominó. Em Almancil, Atouguia da Baleia, Alvor, Cabanas de Viriato, Rio Tinto, São Teotónio, Frielas, Bobadela, Parceiros, Quelfes e mais umas dezenas, já se conspira pela fatia do bolo do orçamento.

Todos encontrarão os seus padrinhos que mais tarde ou mais cedo pagarão a promessa em troco dos votos agradecidos.

E a manta de retalhos ficará cada vez mais retalhada. Cada vez será maior o montante dos impostos transferidos para as autarquias e que serão cada vez mais desperdiçados em novas e desnecessárias estruturas. Ou seja, está a fazer-se exactamente o contrário do que recomendaria o bom senso.

É necessário virar a lei do financiamento ao contrário. A lei deveria beneficiar fortemente a concentração voluntária de municípios. Fazer a regionalização de baixo para cima. Dar mais a quem tem mais população. Extinguir ou fundir os mini-municípios ou integrá-los em municípios vizinhos. Quem quiser ficar orgulhosamente só, terá menos dinheiro. Muito menos dinheiro. Municípios que escolhessem voluntariamente a sua concentração teriam uma forte bonificação na repartição de verbas. Com menos de 5.000 habitantes, nem pensar. Com menos de 10.000 desapareceriam a pouco e pouco. E num prazo mais ou menos longo, o limite poderia ficar nos 25.000 habitantes.

Com menos de uma dezena de milhar de habitantes, temos estes, só no continente: Aguiar da Beira, Almeida, Almodôvar, Alandroal, Alcoutim, Alfândega da Fé, Aljezur, Alpiarça, Alter do Chão, Alvaiázere, Alvito (2.200 habitantes), Armamar, Arraiolos, Arronches, Arruda dos Vinhos, Avis, Barrancos (1800 habitantes!), Belmonte, Borba, Boticas, Campo Maior, Castelo de Vide, Carrazeda de Ansiães, Castanheira de Pêra, Castro Marim, Castro Verde, Celorico da Beira, Constância, Crato, Cuba, Ferreira do Alentejo, Ferreira do Zêzere, Figueira Castelo Rodrigo, Figueiró dos Vinhos, Fornos de Algodres, Freixo de Espada à Cinta, Fronteira, Gavião, Góis, Golegã, Manteigas, Mação, Marvão, Meda, Mértola, Mesão Frio, Miranda do Douro, Monchique, Mondim de Basto, Monforte, Mora, Mourão, Murça, Nisa, Oleiros, Ourique, Pampilhosa da Serra, Paredes de Coura, Pedrógão Grande, Penalva do Castelo, Penamacor, Penedono, Penela, Portel, Ribeira de Pena, S. Brás de Alportel, S. João da Pesqueira, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Sardoal, Sernancelhe, Sobral de Monte Agraço, Sousel, Tábua, .Tabuaço, Torre de Moncorvo, Redondo, Viana do Alentejo, Vidigueira, Vila do Bispo, Vila do Rei, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Paiva, Vila Nova de Poiares, Vila Velha de Rodão, Vila Viçosa e Vimioso.

90 concelhinhos. 90 senhores presidentes, 400 senhores vereadores, 500 secretárias, centenas de directores de serviços, 90 serviços de contabilidade autárquica, 90 serviços de fiscalização, 90 planeamentos, 90 departamentos disto, 90 departamentos daquilo, centenas de fiscais municipais, centenas de regulamentos, de posturas, de editais, 90 serviços munipalizados, 90 abastecimentos de águas e de saneamento, um sem fim de organizaçõezinhas inviáveis. O desperdício levado ao grau mais alto.

Desde hoje já não são 90. São 92. Nelas e Canas de Senhorim entraram na lista dos concelhinhos.

  O Blogo do Bloco e a Ilusão da Utopia

No blogue do Bloco, o Blogo Social Português, está esta entrada:

"Do lado da Utopia

Ouvi esta manhã na Antena 1 que esta mesma estação irá transmitir um programa dedicado aos movimentos anti-globalização em Portugal e q dá por título «Do lado da utopia». O programa será transmitido amanhã, Quarta, às 18h, com repetição à 1h da manhã."


Iludem-se os bloguistas bloquistas. O programa é sobre os libertários portugueses. Os bloguistas bloquistas arriscam-se a ser os bombos da festa.

A confusão entende-se. Ouviram falar em utopia, pensaram que era sobre eles.

  Contas Antigas

Nos comentários ao post ‘Concorrência Desleal’, alguém que assina como RN, escreveu.

“Por cada história de sucesso, quantas outras pessoas não ficaram para trás e poderiam também ter dado muito a qualquer uma das áreas referidas?”

Não sei. Talvez muitas. Como vamos saber?

“No grande sonho liberal, os "resultados" correspondem sempre ao "investimento".”

Estranha esta inversão de valores: atribui-se ao liberalismo aquilo que o socialismo prometia mas não foi capaz de cumprir. Planear a economia de um modo científico é apanágio do socialismo científico. No mundo real, nunca se conhece o resultado futuro de uma opção tomada hoje. Apenas se conhecem as expectativas e mesmo essas dependem de cada um.


...

”Mas na vida real do mundo do trabalho, rapidamente se aprende que as coisas não são assim tão fáceis. Muito medíocre que sobe na vida, muita gente que se mata a trabalhar sem nunca conseguir o que merece.


Talvez. E portanto, sugeres que pedalem todos à velocidade do mais lento para ninguém ficar para trás. Proíba-se o sucesso porque pode ser injusto para quem não o alcança?


...

“E mesmo aquilo que se identifica como sucesso pode e deve ser questionado. "Ninguém ganha mais do que aquilo que outro perde" (Asger Jorn)”


Esta afirmação é desmentida pela simples constatação do crescimento económico. Se as transacções fossem um jogo de soma nula, o crescimento económico era também nulo.

Num comentário ao post “Filoche, o palerma”, alguém que assinou como Tbone escreveu:

“Não leves a mal mas ao ler o teu texto ia adormecendo por duas vezes. A razão é simples: vieram-me à ideia as histórias que a minha mãe me contava para me deixar dormir. “

A tua mãe não gostava de ti. Adormeceste duas vezes, foi muito bom. Os outros que leram isto cairam ferrados no sono e já não acordaram.

“Apetece-me fazer-te uma pergunta, à qual responderás apenas e só se assim o entenderes. Então aí vai: acreditas no coelhinho da Páscua? É que o coelhinho da Páscua é um exemplo notável de "brio profissional". Vejamos: cumpre o compromisso (volta todos os anos), apesar de não ter qualquer tipo de obrigação; é invulgarmente criativo (todos os anos surge com novos formatos, cores e valências); trabalha uma vez por ano e faz férias o resto do tempo e não consta que seja sindicalizado. Se o teu Filoche sabe ainda o manda prender.”

Acredito no coelhinho, confesso. Até porque está no quarto da minha filha, numa prateleira. No resto, não percebi a ligação. Porque é que o Filoche iria prender um herbívoro que só trabalha um dia por ano?

  Juro que li

O Crítico deu uso ao gerador.

Vale a pena levar o post a sério. Quem escreve assim, mais tarde ou mais cedo, chega a catedrático. Ou a guru.

  Elogio Fúnebre

Vinhos de Julho

É a uva, é videira, é o fim do caminho
É o resto do mosto, é o preço do vinho

É o lobby tramado, o subsídio pedido
É o mercado fechado, é o cartel falido

É o branco e o ruby com preço garantido
É o vintage, é a vantagem, é o fundo perdido

É para a Casa do Douro o fim da história
Beba-se um Porto em sua memória.


  Casa sem Ouro - 2

Recebi um E-mail de GSD. Escreve que o mercado de produtores de Vinho do Porto está fechado. Não há licenças para novos produtores. Resumindo: Proteccionismo, Lobby, Cartel e Oligopólio.

  Minoritário

Ontem fui em trabalho ao meu Algarve. Milagres das auto-estradas, vou ali já venho. No Algarve Shopping era quase o único que passeava de gravata.

Agora sei como se sentiram os heterossexuais no Forum Social Português.

  In Vino Veritas

O Forum TSF debateu os luso-problemas da vitivinicultura (ou será viniviticultura?). Foi o coro dos aflitos. Choradinhos, lamentações, o governo não apoia, o governo não ajuda, a culpa é das margens dos restaurantes, do mau tempo, da CEE, dos espanhóis, das uvas, das cooperativas, dos impostos, dos argentinos, ó meu Deus, porque fizeste de mim produtor?

Ouviu-se de tudo. Um quer que o governo imponha margens máximas no vinho vendido nos restaurantes. Parece que são eles os culpados. Explicou aos donos de todos os restaurantes portugas que estão todos a gerir mal o negócio: devem fazer ao contrário, margens mais altas nos pratos e mais baixas nos vinhos. O forum TSF sempre teve momentos didácticos. Outro explicou que os males do vinho nos últimos anos acontecem porque o governo tem uma lei atrasada 6 meses.

A maioria dos nossos produtores tem uma fixação doentia: o nosso produto é o melhor, tem a melhor qualidade, melhor que o nosso não há. A desgraça é que entram cá os vinhos dos outros, que não prestam. Bolas. Os produtores portugueses vivem numa angústia permanente: é preciso vender o vinho. Esta dependência do mercado é muito inconveniente. Os consumidores não compram a quantidade que deviam. Filhos da mãe, o governo devia obrigá-los a comprar nacional.

No meio de oceano de queixas, alguns momentos de racionalidade. A melhor das vozes foi a de Luís Pato. 3 minutos de inteligência, ao vivo na TSF. Explicou o mais simples dos conceitos. Fica em bold, porque merece destaque:

Quem define qualidade é o consumidor no momento da compra.

Fim de Página