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domingo, agosto 31, 2003

  Early Morning News

Espero que tenham reparado. A blogosfera tem um novo assunto.

Foi o meu jornal que me abriu os olhos. Hoje, descobri que a blogosfera lusa anda em polvorosa com Santana Lopes. Tão elevado é o nosso empenho na nobre causa anti-santanista que o Público dedicou-nos uma página inteirinha e mais uma coluna na página do lado, para lá de chamada com gordas na capa do Local e uma referência na primeira página! Uauuu! Então, para quem não sabia, os bloggers nacionais andam irritados com o presidente da câmara alfacinha, por causa dos cartazes.

Os blogues que fizeram correr a tinta dos jornais são o Substrato, o Muros sem Vergonha, o Lisboa a Arder, o Arte da Fuga, o Vizinhos, o Lisboa Abandonada, o Jornal da Praceta, o Cozinheiro, e o Filhos da Madrugada. E mais dois ou três que já estavam à venda na banca da direita.

Por onde tenho eu andado?

Sou mesmo tonto. Perdido na leitura diária de blogues menores, convenci-me que o assunto mais importante da blogosgera nacional era a Joni Mitchell. LOL.

  Já é Domingo?

Tenho uma certeza quase absoluta que este Sábado só durou 22 horas e 17 minutos. Mistério.

sexta-feira, agosto 29, 2003

  Fim do Período de Murcon.

Mereciam mais. Foi pena. Espero que estejam todos muito cansados para a próxima terça-feira. Deixo-vos uma foto de uma berdadeira adepta.


Vestida a Rigor, Lisboa, 1998

  Murcon

Nas próximas duas horas, serei murcon.

  Justos

Da CNN:

"A massive car bomb explodes outside a mosque in the Iraqi city of Najaf, killing at least 75 people, hospital officials say. The spiritual leader of the Supreme Council for Islamic Revolution in Iraq is among the dead, Shiite officials in Baghdad and Tehran say."

Desde que foi declarado o fim da guerra, os 'freedom fighters' iraquianos já mataram mais iraquianos do que invasores. E já mataram mais iraquianos do que os invasores. Pura demonstração de democracia. Matam todos por igual. É a tal visão maniqueísta. Americanos, ONU, Xiitas, é tudo a mesma coisa.

Miguel Sousa Tavares vai-nos explicar na próxima Terça-feira, na TVI, em directo do Algarve, que os atentados contra outros iraquianos acontecem porque os 'freedom fighters' estão a resistir contra o invasor americano. Afinal, o que é que um patriota luso faria se um dia ao acordar, descobrisse que os tanques espanhóis estavam dentro de Portugal? Ora, como é evidente, o bom patriota iria explodir uma bomba no Mosteiro de Alcobaça à hora do culto.

Compreensível.

  Sobremesa

Ouvi de passagem na TSF que o Benfica vai defrontar uma equipa cujo nome me soou a Bavaroise. Faz sentido. Perderam o prato principal mas, do mal o menos, ficaram com a sobremesa.

  Fidel Castro, esse perigoso neo-liberal!

Um grupo de psicólogos espertos concluiu que os conservadores são todos uns desgraçados. Logo, alguns jornais e blogues embandeiraram em arco. Escreveram-se coisas com esta:

"O sentimento de instabilidade na sociedade, o medo da morte, a intolerância face à ambiguidade, a necessidade de reclusão, uma baixa complexidade cognitiva e um sentimento de ameaça são os factores que levam as pessoas a optarem politicamente pela direita. Não se ofendam. Isto é o que dizem uns cientistas americanos, na edição de ontem do Washington Post.". (Tirei daqui, mas não sei se foi citação.)

Como já ando cá há muitos anos, fui à fonte. Fiquei esclarecido.

"There are also cases of left-wing ideologues who, once they are in power, steadfastly resist change, allegedly in the name of egalitarianism, such as Stalin or Khrushchev or Castro (see J. Martin, Scully, & Levitt, 1990). It is reasonable to suggest that some of these historical figures may be considered politically conservative"

Para os autores do estudo, Stalin, Khrushvev e Castro são conservadores. Agora acredito nas conclusões. Ser conservador é claramente um caso patológico.

Nos fáceis raciocínos que se seguem, se é conservador é de direita, se é de direita é neo-liberal, e não tarda estamos no ponto: Fidel Castro é um exímio representante do capitalismo globalizante neo-liberal. Buuuuuuu. Fidel, no te queremos.

Nota 1: Esqueçam o meu post anterior. Acabo de descobrir onde se deu um novo apagão. Aconteceu dentro da cabeça de alguns 'cientistas' de Berkeley.

Nota 2: Muito sobre este assunto aqui. Sigam os links.

Nota 3: O Valete já tratou deste assunto. Como sempre. A partir dele fui parar a este link.

quinta-feira, agosto 28, 2003

  What? No Watt?

Apagão em Nova Iorque. Apagão em Londres. A seguir, só pode ser Tavira.

Update: Afinal Tavira foi antes de Nova Iorque. Repõe-se a lógica da importância decrescente das coisas. Tavira, Nova Iorque e Londres. Segue-se o apagão dos suecos em Malmöe.

  No link, no forward

Anda por aí um blogue panfletário que está a fazer sucesso e que, aparentemente, descreve a famosa teoria da cabala. Descobri-o no dia em que nasceu porque estava em cima da lista do frescos e, como bom português, li-o de uma ponta a outra e não o divulguei. Um director de uma empresa que aprendi a muito respeitar usava uma máxima que adoptei: "Papel não assinado, assunto encerrado."

Hoje recebi o panfleto, enviado por e-mail, com o comentário de um bom amigo militante rosa: 'Estás a ver, eu não te disse que eram estes? Agora é que as coisas vão aquecer, ehehehe.'

De repente, muitos que não acreditaram nas razões dos juízes, estão agora predispostos a aceitar de braços abertos acusações tenebrosas feitas por desconhecidos de cara tapada. Um simples vislumbre de reconfortante vingança e, num minuto, esquecem-se princípios éticos construídos ao longo de uma vida.

No jaquinzinhos, a atitude a tomar só pode ser uma. No link, no forward.

quarta-feira, agosto 27, 2003

  Escalas de Burrice

A sombra respondeu mais rápido que a sua própria sombra. E como de costume, lá veio mais um adjectivo para o jaquinzinhos: Agora foi 'distraído'. Porque, "como de costume, os meus 'filtros' impediram-me de analisar correctamente o seu texto. Agora, se eu fosse uma assombração da sombra, responderia em fundo sombreado com outros adjectivos desassombrados. Adelante.

É inconsequente dizer que um povo é ignorante numa qualquer disciplina sem referenciais de comparação. O qualificativo “ignorante” não deixa de ser uma marca numa escala de sabedorias. Por isso, escrever que os americanos são ignorantes numa qualquer matéria, é sempre por contraponto a outros povos mais sabichões. E é muito indelicado para os portugueses. Como escreveu Francisco, "alguém lembre aos 10 milhões de intelectuais lusos aquele ditado dos telhados de vidro."

É óbvio, porque foi testado, que há muito menos americanos jovens do que suecos jovens a apontar num mapa a localização de Itália, da Hungria ou de Israel. De acordo com o teste a que se referiu o presidente da NGS, o que se pode dizer é que os suecos têm uma cultura geográfica superior à média, sobre a Europa, sobre o médio oriente, e até provavelmente sobre quase todo o mundo, mas não certamente sobre a América.

Apenas 15% dos franceses que responderam ao survey sabiam o que é o el niño, contra 48% de americanos. Será isto motivo para dizer que "a ignorância do europeu médio, para não falar na generalidade, em questões de meteorologia é imensa?"

Confesso que o interpretei mal num ponto. Quando o RS escreve “para não falar na generalidade”, percebi agora que se refere à generalidade dos americanos e não à generalidade dos assuntos. É que até faz sentido admitir, porque é verdade, que há muitos americanos impreparados culturalmente em muitos assuntos e principalmente em geografia. Afinal, 80% dos americanos nunca viaja para o estrangeiro, 20% falam em casa outra língua que não o inglês e a geografia nem faz parte dos curricula oficiais de muitas escolas. Mas esse geralmente, sugere-me que o RS também aplica o adjectivo 'ignorante'’ às elites. Interpretei bem, ou distraí-me?

Nota: A NGM é americana. Não se diz que um americano é filo-americano. Será que o Público é um jornal filo-português?

  No comments

Mea culpa. Erro humano. Ninguém me mandou escolher um sistema de comentários sionista.

  Americanos Burros

RS da Sombra (estamos a tornar os nossos blogues íntimos, tantas são as citações cruzadas), escreveu:

"A ignorância do norte-americano médio, para não falar na generalidade, em questões internacionais é imensa e, no que toca à História das Relações Internacionais ainda maior."

Perguntei-lhe:

"Seria demasiado pretensão da minha parte pedir-lhe que publique a fonte de onde esta interessante aferição foi retirada? Obrigado."

Já respondeu. Foi daqui:

"Extracto de uma carta de John M. Fahey Jr., presidente da NGS, publicada na revista National Geographic de Janeiro de 2003 (Vol. 2, n. 22, em Portugal), na rubrica "Carta do Presidente".

Pronto. Ainda não é sobre a generalidade mas é sobre Geografia. Esclarecido. Os americanos são os mais ignorantes cidadãos terráqueos porque são uns lorpas a indicar onde ficam países num mapa mundi. Será que é desta que vão incluir Geografia como disciplina obrigatória nos curricula escolares? É que, para um americano médio, saber onde fica a Suécia num mapa da Europa, tem mais ou menos a mesma importância que para um um sueco saber onde fica o Dakota do Sul num mapa da América. Lá no continente deles, há duas dezenas de estados com populações semelhantes ou superiores à Suécia.

O norte-americano médio sabe vagamente onde fica Paris (não o do Texas, mas o outro) e pouco mais. E o europeu médio, saberá onde fica Chicago? O americano médio desconhece onde fica Lisboa. E o português médio, saberá onde fica Atlanta? No teste da NGS, os jovens franceses identificaram num mapa do mundo, em média 6 países europeus entre 12. Os ingleses 4,5. (Ainda bem que os portugas não foram convidados...) Os rapazolas americanos identificaram metade dos estados americanos num mapa americano. (Este teste não foi feito aos jovens europeus...).

Mas com o mal dos outros podemos nós bem. Ainda bem que, pelos lusas terras, os nossos jovens médios têm um excelente nível cultural, para não falar na generalidade, em questões internacionais. Façam o teste juntos e vão ver... Era cá um KITA(*) nesses yankees! Ye!

Nota 1: Os autores do estudo surpreendem-se porque os homens europeus safam-se melhor do que as mulheres neste teste. Eles desconhecem que na Europa, os jovens machos são ensinados por uma entidade diferente da Nat Geo, mas muito "inducativa", no que diz respeito à Geografia. Refiro-me à UEFA, uma organização benemérita que ensinou a milhares de jovens europeus onde estão cidades tão improváveis como Minsk, Halmstad, Colerane, Lodz ou Graz.

Nota 2: Em 1991 estive nos EUA por duas semanas, em trabalho. Confesso que o primeiro contacto com os noticiários das principais cadeias nacionais me surpreendeu. O número de 'acontecimentos' diários nos EUA é tão grande que o noticiário internacional é 'chutado' para os últimos 3 ou 4 minutos dos alinhamentos. Há sempre um estado com um acidente grave, há sempre uma catástrofe natural num outro, há sempre uma cidade em que um qualquer escândalo é notícia de primeira página, há sempre eleições para alguma coisa, há sempre um atleta que bateu um recorde do mundo de qualquer coisa. Para o tal americano médio, uma notícia sobre Portugal tem a mesma relevância que uma notícia sobre o Condado de Oulu para um português.

Nota 3: Em 1990 visitei uma escola primária no Senegal, a cerca de 20Km de Dakar. Qual não foi a minha surpresa quando os miúdos (que andavam no 4ª ou 5º ano de escolaridade) me dizem que a capital de Portugal é Lisboa, temos aeroportos em Faro e no Porto, e os principais rios são o Minho, Douro, Mondego, Tejo, Sado e o Guadiana. Sabiam tudo isto porque na aula de geografia estudam um país de cada vez. Por não haver mapas, desenham-nos, com as principais cidades, os rios, as regiões. Sabiam a nossa religião predominante, que produzíamos vinho e que na vizinha Guiné e em muitos outros países se falava português. Portugal tinha sido o país escolhido na semana anterior, porque Vata tinha marcado o célebre 'but a main' (Quem se lembra?).

Nota 4: A NGM não é filo-americana. É americana.

(*) KITA - Kick In The Ass

  Hoje, somos todos vermelhos.

Há muitos anos que a Europa não se vê, nem com binóculos. Oportunidades destas são raras e não devem ser desperdiçadas. Hoje os vermelhos estão mais próximos que nunca. Logo às 9:00, a Europa está à vista. E o resto do mundo também. Hoje, somos todos marcianos.


terça-feira, agosto 26, 2003

  Lido na Sombra

"A ignorância do norte-americano médio, para não falar na generalidade, em questões internacionais é imensa e, no que toca à História das Relações Internacionais ainda maior."

Seria demasiado pretensão da minha parte pedir-lhe que publique a fonte de onde esta interessante aferição foi retirada?
Obrigado.

  Terras do Sempre

Jmf, do Terras do Nunca, não gosta muito dos meus escritos. No entanto gosta das fotografias de Tavira. Como, apesar de liberal, fotografo apenas por prazer, ofereço-lhe este boneco feito num fim de tarde de Verão, junto à ponte das barcas que dá acesso à belíssima Praia do Barril.


Regresso da Praia, Tavira, Verão de 2002. Dedicado a jmf.

  Leituras

Escreve o Ai Jesus

"Panaceia milagrosa - O Jaquinzinhos argumenta num dos seus ultimos textos que o capitalismo e' a panaceia para todos os males da humanidade."

Não há panaceias para todos os males e o jaquinzinhos não argumenta nada disso. O que argumenta é um pouco diferente: de todas as soluções testadas, ainda não se encontrou melhor. E o Ai Jesus tem razão em algumas coisas que afirma. Democracia e liberdade têm que andar a par, até porque o capitalismo não é mais do que uma simples consequência da liberdade e não concebo liberdade sem democracia. Mas não tem razão noutras. O comunismo nunca teria sido uma boa solução para Cuba em nenhuma época, porque até hoje nunca resultou em nenhuma ocasião. Porque iria resultar em Cuba? Por muitas histórias que se possam contar, a única coisa que sabemos é que antes de Fidel, Cuba era um dos mais prósperos países da América Latina. Atenção: não estou a escrever que era um paraíso; estou a escrever que nos outros países da América Latina vivia-se pior, com algumas excepções. Hoje, mais pobres que Cuba, já quase não restam nenhuns. Afinal, Cuba não foi diferente de todas as outras experiências de comunismo à face do planeta.

Só para terminar, as leituras apressadas levam a conclusões erradas. A conclusão do meu post era bem diferente daquela que sugeres. Era só isto: se de entre alguns modelos que, de um modo ou de outro e com sucessos variáveis, já foram testados, porquê escolher as soluções que deram piores resultados?

Eu acho estranho. Tu não? Ai Jesus!

  Blogue Alentejano

O Janeca tem um blogue. Chama-se Praça da República em Beja. Só não percebo porque é que um fotógrafo desta qualidade, não mostra as suas fotos no blogue.

  Lamento

O Valete e o Liberdade-de-Expressão não têm comentários. Isso obriga-me a aplaudir posts como este ou este fora do local próprio. É pena.

  Constatações, Comparações e Razões Misteriosas

Passeando por alguns blogues menos habituais, saltitando de casa em casa sem rumo definido, encontrei muitas ideias brilhantes para salvar a humanidade. Porque vivemos no século XXI com toda a informação disponível, tais ideias são francamente estranhas. Constatando e comparando...

Antes de Fidel chegar ao poder, Cuba e Chile tinham níveis de vida semelhantes. Quando Chiang-Kay-Shek chegou a Taiwan, a ilha era menos desenvolvida que a China Continental. Antes da guerra da Coreia, não havia diferenças económicas substanciais entre o sul e o norte. No fim da 2ª Guerra Mundial, não havia significativas diferenças de desenvolvimento entre o que viria a ser a RFA e o que viria a ser a RDA. Quando os judeus começaram a fluir para a Palestina, não havia grandes diferenças de desenvolvimento entre o que viria a ser Israel e outros países árabes, mesmo os que tinham petróleo. A Irlanda já foi vista como 'prima' do Clube Med. Hoje é dos países mais bem sucedidos da União Europeia. No início do século, a Polónia era mais rica que qualquer dos países escandinavos. O Botswana é actualmente o país mais bem sucedido de África e está em vias de ultrapassar a África do Sul em muitos indicadores. Os 30 países que lideram o Índice de Desenvolvimento Humano da UN têm como factor comum pelo menos 30 anos de capitalismo.

Todas estas informações e muito mais são públicas e estão ao alcance dos cliques do rato. Não vivemos em ditadura, a verdade é livre.

Por isso, continuam a ser misteriosas as razões porque tanta e tão boa gente pede que os governos façam o contrário do que fizeram os que tiveram sucesso e imitem os perdedores.

Alguém me explica?

  Crónicas de Guerra

Imperdíveis. No valete, obviamente.

  Incompreendidos

À moda da Clarinha, copiei na íntegra do Prazer Inculto, de Possidónio Cachapa. Bolas, gostava de ter escrito isto!

"CAÇA

Julgo que é de 200.000, o número de caçadores em Portugal. Gente que se mete honestamente à estrada, com uma ou duas armas às costas, sacos com garrafas de vinho ou cerveja e cães que talvez regressem ao canil se provarem ser bons farejadores.

A semana passada protestaram contra as reservas impostas pelo governo à caça em zonas ardidas. Aparentemente, quem decide não percebe a dificuldade de calcorrear quilómetros para estourar os miolos a meia-dúzia de animais. E logo agora que seria tão fácil apanhar os sobreviventes, amontoados nas zonas que sobraram e matar a gosto, lembram-se de vir dificultar a vida.

É preciso não ter compreensão..."


  O mundo está perigoso

Escreveu RS

"Por vezes, porém, não consigo discutir determinados assuntos com determinados interlocutores; por exemplo, não consigo discutir cinema com quem nunca viu um filme. Nessas alturas, o melhor é mudar de conversa e/ou de interlocutor. Hoje tive essa experiência com o jcd, do Jaquinzinhos. Compreendo, perfeitamente, a sua raiva e a sua convicção, mas nunca conseguirei aceitar a sua visão limitada do conflito israelo-árabe."
...
"Compreenderá jcd (de quem não faço a mínima ideia de como se chama ou que idade tem) que não consiga ver o mundo a preto e branco, como ele. O mundo, para mim, será sempre obscuro, como já tive oportunidade de lhe referir. E não lhe tenho nada a levar a mal."
...
"Se existe um responsável por não me fazer entender junto a jcd sou eu, que sei há muito que não adianta falar de matizes com quem é incapaz de ultrapassar a barreira do preto ou do branco."


Toma, que já levaste! Bem dizia a minha mamã para respeitar sempre os doutores. O que é que me terá passado pela cabeça? Debater o Médio Oriente com alguém que até lê livros desse famoso historiador, Noam Chomsky? Já não tenho perdão. Fui aniquilado pelo name-dropping! Reduziram-me à minha insignificância. Resta-me fazer um acto de contricção

Ilustre RS: Desculpe, está bem? Penitencio-me. Eu nunca fui ao cinema. A minha raiva e convicção são fruto da minha ignorância. Vejo o mundo a preto e branco. Tenho 6 anos. Não me leve a mal. A culpa não é sua, é minha, tenho dificuldades de entendimento. Por favor, não se considere culpado desta minha incapacidade em debater todos os assuntos com a clarividência, inteligência e elegância que encontro nas suas palavras. Vou continuar a ler a sombra, para aprender a ver o mundo a 256 cores. Muito obrigado pelos ensinamentos.

PS: Só mais uma questão (não é obrigado a responder, claro...): para entender melhor o conflito israelo-palestiniano, devo passar a usar um kufiya...ahhh, perdão, um kuffiyeh a cores ou a preto e branco?

  Ena pá, 3 meses!

O jaquinzinhos completa hoje 3 meses de existência, o que, na escala de tempo blogosférica, equivale aproximadamente a meia eternidade.

segunda-feira, agosto 25, 2003

  Prós e Antis

Não é o uso de kufiya que define um pro-palestiniano. Pro-palestiniano é o que deseja ver uma Palestina independente, livre, democrática e pacífica ao lado de Israel. Esta desejável situação implica a derrota de todos os grupos anti-americanos, anti-sionistas e anti-israelitas que mais do que ver uma democracia na Palestina, desejam a derrota da única nação do médio oriente que adoptou uma democracia ocidentalizada e economia capitalista.

O uso de um kufiya num ocidental, mais do que identificar um pro-palestiniano, identifica um anti-israelita.

  Mais Tavira


Descendo a Rua, Tavira, Verão de 2001

  Coisas que li na Blogosfera - Parte 3 - (repost - apagado por engano. Revisto e Aumentado)

(As minhas desculpas ao RS de A Sombra que comentou o post apagado)

O 'pro-palestiniano' da sombra, escreveu:

"O embaixador de Israel em Lisboa, Shmuel Tevet, não consegue entender "como é que alguém consegue entrar num autocarro, olhar para estas crianças, ouvir o seu riso e explodi-las" (sic). Na faixa de Gaza ou na Cisjordânia, existirão palestinianos que não entendem como é possível alguém ter uma criança de doze anos na mira de uma espingarda e premir o seu gatilho."

Não é só na faixa de Gaza ou na Cisjordânia que esses actos são incompreensíveis. Ninguém bem formado pode entender que se assassine uma criança voluntariamente. Esses atentados também acontecem na Cisjordânia ou em Gaza? Os relatos que tenho lido sobre assassínio voluntário e premeditado de meninos são quase sempre passados em Israel.

Como proceder com esses assassinos de crianças? Qualquer homem (ou mulher) que tenha um menino, uma menina ou um recém-nascido na mira de uma espingarda e dispare, ou ao alcance duma bomba e a accione, é um criminoso. Esses homens que matam adultos e crianças e/ou organizam crimes contra inocentes não deveriam andar em liberdade, viver entre gente civilizada.

O que fazer para detê-los? Será desejável dialogar com essa gente? Em vez de os prender, devemos negociar com assassinos? Chegar a acordo com eles? Premiá-los a troco da promessa de reduzir a matança no futuro? Devemos ser complacentes para quem mata os nossos filhos?

Imagina que o homem que mandou matar o teu filho passeia em liberdade pelas ruas da cidade onde vive, dá entrevistas na televisão do estado, anuncia que está a organizar mais umas matanças de crianças e velhos para os próximos dias, e apesar da evidência, a polícia, em vez de prendê-lo, protege-o.

Imagina que a televisão pública incita ao assassínio dessas crianças, fazem-se galas em louvor dos assassinos e o mais importante político do país ao mesmo tempo que condena internacionalmente os assassinos, louva-os em sua casa.

Estranho? Não! Parece que é natural. Nesta nossa Europa civilizada, evitemos o clamor contra esta barbárie. Esses que protestam são maniqueístas, sofrem de um problema de incompreensão cultural da realidade dos outros povos.

Como se ouvia na canção, "a terra gira ao contrário, os rios nascem no mar".

  Como disse?

Passei por um quiosque e vi que as gordas do Público são:

OPOSIÇÃO UNE-SE CONTRA
"GOVERNO DE DIREITA RADICAL"

Confesso a minha curiosidade. De que país estarão eles a falar?

  Prémios

O mouro jaquinzinhos foi contemplado com dois magníficos troféus atribuídos pelo nortista mata-mouros na sua Revista de Blogues desta semana.

Dupla utilidade do prémio Melhor Conclusão: A re-leitura da citação que o matamouros fez de uma frase do jaquinzinhos, permitiu-me encontrar uma gralha... Já corrigido.

Também o Janela para o Rio, destacou o jaquinzinhos entre outros ilustres blogues.

Obrigado a ambos. Honrado jaquinzinhos est.

PS: Obrigado também ao valete pela referência ao jaquinzinhos.

  Coisas que li na Blogosfera - Parte 2

Li no Veto Político dois excelentes posts sobre os impostos em Portugal. O debate animou com a participação de um irreflectido bloguista. O tema é-me querido e se o tempo o permitir, contem com os meus jaquinzinhos.

PS: Já repararam que o Veto Político é um excelente blogue?

  Coisas que li na Blogosfera - Parte 1

No T-zero:

"Ainda mais depressa do que esperava, lá regressámos à obscuridade e a uma média de visitas diárias que rivaliza com a dos americanos tombados no Iraque."

Deixem lá. Eu já ando por cá há três meses e ainda estou longe de atingir o número de iraquianos tombados às mãos de Saddam.

"Por alguns dias, este blogue parecia o aniversário da morte do Salazar, tanta foi a extrema-direita que se juntou."

A extrema-direita juntou-se no vosso blogue? Então é por aí que eles andam! Passam despercebidos, esses malandros. Aqui, ainda não dei por eles.

domingo, agosto 24, 2003

  Fui a Alvalade e Gostei do Jogo


Primeira Visão do Novo Estádio, 23 de Agosto de 2003


Primeiro Golo Oficial. 23 de Agosto de 2003

sábado, agosto 23, 2003

  Confrontos

Hoje não escrevo sobre Israel nem sobre a Palestina. Não escrevo sobre o Iraque, sobre a UN ou sobre os Estados Unidos. Por algumas horas não quero saber de judaísmos, sionismos, islamismos, comunismos ou terrorismos. Hoje o palco dos confrontos não é o Bagdade, não é a faixa de Gaza nem sequer é o autocarro nº 2 de Jerusalém.

Hoje os meus confrontos não são na blogosfera; não vou debater com a sombra que se ri quando se escreve que Israel é uma democracia, nem com o Terras do Nunca que sugere que os liberais devem deixar a blogosfera e dedicar-se aos números. Não vou debater com o Avatares maniqueísmos, cada vez mais convencido que para muitos ilustres bloguistas, maniqueísta é todo aquele que não partilha da sua opinião.

Hoje o meu confronto é num novo palco. Vou a Alvalade XXI, conhecer o novo estádio e ver o meu Sporting contra o Belenenses. Se ganharmos, somos os melhores. Se perdermos fomos roubados.

Boa noite, blogosfera.

  Stress


Dormindo/Ouvindo O Relato, Amora, Junho de 2003

sexta-feira, agosto 22, 2003

  Hamas Covenant

Extractos. Documento completo aqui.

"Israel will exist and will continue to exist until Islam will obliterate it, just as it obliterated others before it."

"The Islamic Resistance Movement believes that the land of Palestine is an Islamic Waqf consecrated for future Moslem generations until Judgement Day. It, or any part of it, should not be squandered: it, or any part of it, should not be given up. "

"The Movement is but one squadron that should be supported by more and more squadrons from this vast Arab and Islamic world, until the enemy is vanquished and Allah's victory is realised."

"The Islamic Resistance Movement aspires to the realisation of Allah's promise, no matter how long that should take. The Prophet, Allah bless him and grant him salvation, has said: "The Day of Judgement will not come about until Moslems fight the Jews (killing the Jews), when the Jew will hide behind stones and trees."

"Initiatives, and so-called peaceful solutions and international conferences, are in contradiction to the principles of the Islamic Resistance Movement. Abusing any part of Palestine is abuse directed against part of religion. Nationalism of the Islamic Resistance Movement is part of its religion."

"There is no solution for the Palestinian question except through Jihad. Initiatives, proposals and international conferences are all a waste of time and vain endeavors."

"After Palestine, the Zionists aspire to expand from the Nile to the Euphrates. When they will have digested the region they overtook, they will aspire to further expansion, and so on. Their plan is embodied in the "Protocols of the Elders of Zion", and their present conduct is the best proof of what we are saying."

"The day the Palestine Liberation Organization adopts Islam as its way of life, we will become its soldiers, and fuel for its fire that will burn the enemies."

"Under the wing of Islam, it is possible for the followers of the three religions - Islam, Christianity and Judaism - to coexist in peace and quiet with each other. Peace and quiet would not be possible except under the wing of Islam. Past and present history are the best witness to that."


O que vale é que há dirigentes moderados. No Hamas, moderados são os que não queriam rebentar a bomba no centro do autocarro; preferiam as filas de trás.

  Bagão-cracia

O abono de família mudou e vai passar a ser distribuído por escalões de rendimento. Muito bem, o processo parece ser simples, para todos os efeitos o estado tem a declaração de IRS do ano anterior. Será? Não, estamos em Portugal!

O estado não sabe nada. Ignora tudo sobre nós. Para poder aplicar esta simples alteração, o estado obriga-nos a uma Prova Anual de Rendimentos do Agregado Familiar. Pede-nos encarecidamente que dediquemos algum tempo a preencher uns impressos com informação relevante para o cálculo dos novos abonos. Para o efeito, enviou por correio para todas as famílias um envelope com formulários que deverão ser preenchidos e devolvidos no prazo de 10 dias. Senão...

E então, qual é essa informação relevante que o estado tanto necessita?

No meu caso, o estado quer saber, através de declaração no impresso Mod RP5011/2003:

1. Nomes completos do pai, da mãe e dos 3 filhos (um segredo).
2. Datas de nascimento de todos (não sabem!).
3. Número de Segurança Social de todos (importante, a segurança social precisa saber o número da segurança social das pessoas a quem enviou um impresso que traz logo em cima um dos números de segurança social...)
4. Número de Contribuinte de todos (outro segredo absoluto que está em todas as declarações de IRS).

Mas além desta informação que nós sempre tentámos esconder, o estado pede-nos também tempo e vontade de preencher um anexo, Mod RP5011/2003 Anexo A. Este anexo chama-se Identificação das Crianças ou Jovens com Direito ao Abono de Família, e nele devemos fornecer ao estado mais informação relevante;

1. Os nomes completos dos 3 filhos, outra vez.
2. Datas de Nascimento de todos, outra vez.
3. Número de Segurança Social de todos, outra vez.
4. Número de Contribuinte de todos, outra vez.
5. Número de Bilhetes de Identidade e respectivas datas de emissão.

e ainda, para todos, país, distrito, concelho, freguesia e naturalidade.

Ahhh, era isto! Faltava no primeiro impresso e por isso fizeram outro para acrescentar esta informação importantíssima. País, Distrito, Concelho, Freguesia e Naturalidade. E número de BI. Tudo coisas novas e que nunca tiveram a oportunidade de conhecer.

E no fim querem a declaração de rendimentos do ano anterior. Basta copiar o número que se declarou no IRS. Outra vez.

Agora, provavelmente, vão contratar uns milhares de funcionários para tratar esta informação.

quinta-feira, agosto 21, 2003

  Motores de Busca

Alguém chegou ao jaquinzinhos com esta busca :

Figuras de doenças causadas pelo o solo que prejudica a saúde (sic). Para o yahoo, jaquinzinhos deve ser marca de enciclopédia.

  Falácias

Escreveu Bruno:

"Jaquinzinhos acham deplorável que eu não me identifique com as palvras de Durão Barroso quando este emula Bush no lamento da morte de Ségio Vieira de Melo: "em relação ao terrorismo, temos que estar de um lado ou do outro"

Correcção: Jaquinzinhos não acha deplorável que Bruno não se identifique com as palavras de Durão. Jaquinzinhos acha deplorável que alguém hesite em escolher entre duas opções, se uma delas se chama terrorismo.

"Ponto 1: O ataque terrorista dirigiu-se à representação da ONU, provavelmente porque as forças americanas, responsáveis pela segurança no território, negligenciaram a protecção de Sergio Vieira de Melo e restantes. A não estarem bem salvaguardados, os interesses americanos seriam, sem dúvida, os mais apetecíveis."

Como é evidente. Nem passa pela cabeça de ninguém que o atentado tenha sido contra a ONU porque os valorosos combatentes iraquianos que o organizaram assim o entenderam. Nope. Foram os americanos. Em Israel também foi parecido. O ataque terrorista dirigiu-se ao autocarro nº2 em Jerusalém, provavelmente porque a polícia israelita, responsável pela segurança no território, negligenciou a protecção dos 100 civis que seguiam no autocarro. Malandros.

"Ponto 2: A ONU foi feita alvo a partir de uma visão maniqueísta que pensa o Ocidente Vs Mundo islâmico, visão que funda o conceito de "ocupantes ocidentais" sem destrinça de qualquer ordem."

Então, se é por isso, estão desculpados. Foram ao engano, acreditavam que só iam matar americanos.

"Ponto 3: É também um pensamento maniqueísta que pensa que, ou se está com o terrorismo ou se está com o "roteiro da Paz" americano. Na verdade, o mais provável é que os dois lados subsistam nessa estranha relação de interdependência."

O falso dilema - qualquer um pode estar contra ou a favor do processo em curso no Iraque, mas nunca, nunca se pode estar ao lado do terrorismo.

Ajuda o Glória Fácil:

"Agora acrescento eu. O Avatares só peca por excesso de elegância. Para mim essa "estranha relação de interdependência" entre os dois lados da guerra é, na verdade, uma aliança objectiva. Mas calma! Não estou a dizer que esse entendimento seja secretamente assumido por ambas as partes. Não há aqui nenhuma teoria da conspiração, por mais que elas me fascinem. Não há aqui nenhuma teoria da conspiração, por mais que elas me fascinem. Estou a dizer que os atentados de ontem reforçam objectivamente as alas mais militaristas (os chamados falcões) tanto na administração Bush como na de Sharon."

Se bem entendo a lógica subjacente a este argumento, os militares americanos 'gostaram' do atentado porque assim vão ter justificação para matar mais uns quantos iraquianos. Sharon fica todo contente quando morrem meia dúzia de crianças num autocarro porque assim pode dar mais uns passeios por Nablus. Seria sempre péssimo que a paz vingasse rapidamente. Por muito estranho e absurdo que pareça, nem são os únicos que assim pensam.

Na prática, não estamos muito distantes da lógica de raciocínio ideológico que JPP definiu ao escrever que "muita gente que prefere os seus confortinhos ideológicos, ao decente sentimento de poupar a dor a pessoas concretas. E que não quer saber rigorosamente para nada quer dos israelitas, quer dos palestinianos, quer dos iraquianos, concretos, mas sim das abstracções longínquas de que se alimenta um discurso fácil e arrogante sobre o mundo."

Curiosamente, leio sempre muitas explicações sobre os sentimentos dos iraquianos, dos palestinianos ou dos árabes, que os levam a cometer actos terroristas; os mesmos que se dedicam a tais considerações, raramente se preocupam em perceber porque razão, no único estado democrático do médio oriente, um 'falcão' como Sharon ganha eleições.

"À violência responde-se com mais violência e a mais violência responde-se com mais violência ainda e por aí adiante - o velho e infernal círculo vicioso do olho-por-olho-dente-por-dente. Este clima é obviamente do agrado dos falcões de todos os lados desta guerra. E, sobretudo, dos interesses que os alimentam. Está dito."

É errado. Fechemos o círculo vicioso. Da próxima vez que houver um ataque terrorista, enviamos um ramo de flores aos terroristas, pedimos-lhes descupla pelo estado do mundo, desmantelamos os regimes ocidentais democráticos e aderimos ao islão.

E por último, um comentário do Alexandre.

“Mas preferiam viver de joelhos toda a vida ou morrer de pé num segundo? Por mais abjecto que seja o terror, não posso deixar de simpatizar contra quem se deixa imolar assim.”.

Tenho pena que penses assim. Espero sinceramente que um dia não sejam os teus filhos as vítima de um jovem simpático que em vez de lutar pela democracia no seu país, preferiu marcar a sua posição num qualquer autocarro escolar.

quarta-feira, agosto 20, 2003

  Há sempre um outro dia


Abertura, Setembro de 2000, Rio Tejo


  Anti-liberais, digo, alter-liberais

Escrevem os canhotos:

"O The Guardian lançou um blogue para fazer campanha pela abolição dos subsídios à agricultura. Têm todo o nosso apoio a bem de um desenvolvimento global equitativo. É espantoso como os maiores apologistas do liberalismo económico só o são para os outros."

Entraram então no bota-abaixo das tarifas aduaneiras. Caros canhotos! Welcome to the club. Só que, e desculpem as minhas dúvidas sobre o tema, ou eu tenho andado surdo e ceguinho ou são justamente os liberais cá da praça que se insurgem contra os subsídios à agricultura... e são os canhotos e amigos que lutam contra a liberalização do comércio... ou não?

Tenho lido e ouvido um ódio concentrado na Conferência da Organização Mundial de Comércio porque esta tem como objectivo "eliminar as barreiras alfandegárias à circulação dos produtos agrícolas no contexto da liberalização do comércio mundial. "

Ser contra a OMC neo-liberal e a favor de liberalização anti-neo-liberal é anti-globalizante ou alter-globalizante? (Jaquinzinho Confuso).

"É que, como bem sabem, vai haver um autêntico circo dos movimentos anti/alter-globalização contra a Conferência da OMC, no próximo mês de Setembro.

E quem vai estar lá, é um símbolo dos movimentos anti... ahhh alter-globalização da esquerda, o guru José Bové, o maior defensor dos subsídios que por aí para... Confuso, não é?

Por outro lado, o blog de esquerda diz que não gosta de Bové... mas não quer a liberalização.

"A liberalização das trocas vai desorganizar as políticas de preços, desregrando os já fragilizados mercados locais. Ou seja, com o fim das medidas proteccionistas e de controlo dos preços, um pequeno produtor de arroz na Índia, que apenas tem uns dois ou três hectares de terreno, não poderá assegurar, com a venda do que produz, o necessário para a sua subsistência."

E o nosso canhoto pré-histórico PCP também tem uma posição clara. Querem...

"... o direito de cada país a uma produção agrícola razoável para a alimentação do seu povo, ou seja, o direito a ter uma agricultura e a exigência de produtos agro-alimentares saudáveis, não agressivos da saúde humana. Segurança alimentar que é explicitamente posta em causa pela liberalização dos mercados agrícolas, pela redução da protecção às produções nacionais, pela concepção dos «produtos agrícolas» apenas como «mercadoria» semelhante a qualquer produto industrial."

Ou ainda, quando a Comissão Europeia fala em diminuição de subsídios, o Avante insurge-se:

"A serem aprovadas, as propostas da Comissão Europeia, como vem sendo evidenciado por diversos especialistas e organizações sociais, constituiriam uma nova e forte machadada (senão a machadada final!) nestas actividades produtivas, com graves consequências para os interesses dos agricultores e pescadores portugueses, mas também um rude golpe na segurança e soberania alimentares do País. E se a agricultura e as pescas não são apenas actividades económicas, mas constituem um dos principais substractos materiais de moldagem e fundação de uma identidade cultural e nacional (no dizer do ilustre economista norte-americano Galbright), a continuação de políticas para a sua prática liquidação não pode deixar de ser vista como um incontornável atentado à soberania e independência de Portugal."

Em que ficamos? Cada canhoto, sua sentença? Olhem que entre os liberais não há muitas dúvidas. Todos os que conheço estão contra a subsidiação das agriculturas. Incluindo a americana, claro.

  Opções

o Avatares de um Desejo, considera deploráveis as 'palavras de Durão Barroso, no discurso de pesar da morte do diplomata Ségio Vieira de Melo ... ... "em relação ao terrorismo, temos que estar de um lado ou do outro"".

Eu considero deplorável que alguém considere sequer a hipótese de não escolher o seu lado.

  Dois títulos no Expresso.

1. Vieira de Mello morreu.
2. Estados Unidos matam jornalista por engano.

Quem lê as gordas, aprende: uma morte natural e um assassínio.

  Em Agosto...

Por falta de tempo, muitas coisas ficaram e ficam por dizer. Nos últimos tempos...

Li/Vi/Ouvi e Não Gostei

A miserável crónica de Mário Tomé no Público. (Não há QI disponível para muito mais)
Os discursos de cátedra de Miguel Portas e Lino de Carvalho sobre os incêndios. (Marraram como nos tempos de escola.)
A saída de Cristiano Ronaldo. (Saem todos. Bolas.)
A TSF ontem à tarde. Ana Gomes. Louçã. Goulão. (Abaixo de Cão)
Miguel Sousa Tavares, semana a semana. (A lucidez encolhe-se, a arrogância cresce)
Marcelo Rebelo de Sousa. (Cada vez mais chato.)
Carlos Rosado de Carvalho. (Tanta banalidade em horário nobre.)
O coro de lamentações sobre o encerramento da livraria francesa.

Li/Vi/Ouvi e Gostei

Os posts do Liberdade de Expressão sobre os incêndios.
O novo blog Umbigo.
O jogo do Sporting contra o Manchester.
O golo de Beto em Coimbra.
O Aviz, todos os dias.
O Homem a Dias.
O Mata Mouros.
O Sotavento em Julho. (mas não em Agosto)
O(s) discurso(s) de Koffi Annam

Li/Vi/Ouvi e continuo sem entender.

Incêndios.
Bombeiros.
Maggiolo Gouveia.

Pronto. De uma penada, livrei-me de uma dezena de assuntos.

terça-feira, agosto 19, 2003

  Dirigentes Estúpidos

Sérgio Vieira de Mello foi assassinado. A culpa é dos dirigentes estúpidos, explicou Ana Gomes. Só me ocorre a expressão 'abaixo de cão'.

A TSF ainda não utilizou a palavra 'terrorismo'. Nem 'assassínio'. Foi apenas uma explosão de um camião. Sérgio Vieira de Mello foi vítima do desabamento do edifício.

A RTP usou desde o primeiro momento a expressão certa. Atentado terrorista.

  Comidinha na Mesa

Resumo do episódio anterior: "Sem o estado morremos à sede. Sem o estado morremos de doença. Sem o estado as noites são escuras". Perante tão sombrias perspectivas, então, inquiriu o ‘jaquinzinhos’, e a comidinha na mesa? E não morremos à fome, sem o estado?"

A Sombra responde sempre 3 vezes:

1. Enquanto houver um MacDonald's nunca morreremos à fome. (Morro eu. Esfomeadinho.)
2. O sector alimentício é totalmente controlado e legislado pelo estado. (Pois é. O sector automóvel também. E os aviões. E a construção civil. E as telecomunicações. Mas são privados. A luz também pode ser. E a água também. E o Hospital das Curas Milagrosas também.)
3. And with this last thought by The blog-arabist I rest my case. (Esta era na sequência da pergunta/resposta do meu co-provinciano silvista algarvio do barlavento pró-arabe António Baeta. Ah não?! A maioria da população mundial sofre de fome endémica.)

Não liguem muito ao tom brincalhão, reconheço no RS da Sombra um equilíbrio de opinião que não é muito fácil de encontrar na nossa esquerda. Continuando.

O problema parece ser o odiado lucro. Que horror. O lucro. Se só querem lucro, não podem ser tão bons como o estado bonzão que não se importa de ter prejuízos em nome do bem comum. Só que... o outro mundo que é possível ainda não foi inventado, infelizmente. Um mundo em que a gente saia de casa de manhãzinha e o senhor do café da esquina nos ofereça o pequeno-almoço de borla. Em que o médico trabalhe por amor à saúde, prescindindo do seu salário, isto é, do seu lucro. Esse mundo em que um qualquer Sousa Cintra distribua gratuitamente pelo povo garrafas de água do Alardo. E também um mundo em que os administradores da EDP prescindam do ordenado.

Em todos estes casos, na energia, na saúde, e em tudo o resto, estou-me nas tintas para quem pode prestar o serviço. Quero é que alguém o preste. E quando chega a este ponto, diz-nos a experiência que o estado não presta lá muito bem. (gosto do sentido dúbio da frase). Principalmente porque a relação preço/qualidade é por vezes absurda.

E até porque, diz-nos a história, quando o estado entra no sector da comidinha... aparecem as senhas de racionamento, as filas nas lojas do estado e a ajuda internacional.

Em Cuba, numa peixaria do estado:
- Por favor, tem carne?
- Não, aqui não temos é peixe. Carne não há é na loja da frente.


E sobre a fome endémica... digam-me lá: qual é a democracia capitalista liberal com fomes endémicas ao fim de uma simpes geração?...

  Sérgio Vieira de Mello

Gravemente ferido.

Da CNN:

Blast rocks U.N. Iraq HQ - An apparent car bombing has ripped through U.N. headquarters at the Canal Hotel in Baghdad, injuring an unknown number of people, a U.N. spokeswoman says. Sergio Vieira de Mello, the U.N. special representative to Iraq, was badly wounded in the blast, the U.N. says.

segunda-feira, agosto 18, 2003

  Água, Energia, Saúde e...

A Sombra explica-nos que o interesse privado é um péssimo gestor dos bens públicos. E dá-nos 3 exemplos. A electricidade, a água e a saúde. Peço-lhes um exercício adicional. O mais importante de todos os bens. Que desgraça nos acontecerá se a alimentação humana passar a ser gerida por privados, cujo único objectivo é o lucro?

- Pssst... (segredos ao ouvido...)

- O quê? Já é? Como é possível? E não morremos todos à fome?

  Blogues em Barda na Banca do Peixe (Parte 4)

Não sei porque razão o Brainstorming português me passou despercebido. Aplicar conceitos de gestão e marketing à sociedade portuguesa é uma acção meritória e digna de referência.

Muitos bloguers citam umblogsobrekleist como uma referência da blogosfera portuguesa. Perdi hoje uma horinha a ler o blogue. Ou dizendo de outra maneira, ganhei uma hora. Sobre o EAT THE CAKE AND HAVE IT, apenas uma nota: Não se pode obrigar um privado a investir se ao mesmo tempo se impede a rentabilidade dos investimentos através do controle de preços. Aqui a frase é outra: No cake, no investment.

O 35mm ainda não estava listado. Mea Culpa. Click.

Para a Amélia, apenas uma nota: Não estou disponível.

E termino este post de sórdida publicidade a blogues alheios com o diascruzados. Só que, neste caso particular, não lhe dou uma palmadinha nas costas. Não quero que qualquer gesto meu seja mal interpretado.

(continua...)

  Questões Civilizacionais

Há exactamente 6 anos, a 18 de Agosto de 1997, publiquei este texto num forum de discussão da Usenet. Foi escrito a quente, por cima de uma experiência inesquecível. Provocou algumas reacções violentas, porque adjectivei 'caçadores' com palavras nada meigas. Nesses dias, debatia-se com paixão na comunicação social as vantagens e desvantagens da caça livre ou do regime associativo.

Hoje teria tido mais cuidado com as palavras, mas o conteúdo não poderia ser muito diferente. Este ano o número de caçadores foi reduzido e os terrenos estão vedados. Só duas coisas não mudaram: Os tiros acordaram-me outra vez às 5 horas e, infelizmente, na noite de 16 para 17 de Agosto de 2003, as garças e as cegonhas despareceram do Rio Séqua.

15 de Agosto de 1997 - Licença para Matar

15 de Agosto, 5 horas da manhã, uma casa de campo nas margens do Rio Séqua. Primeiro ouviu-se um tiro. Depois outro. E mais outro. Passados alguns minutos, já ninguem conseguia dormir. Encontrámo-nos todos numa varanda, com vista para o pomar e para o rio. O ritmo dos tiros é alucinante. Cada vez que se vê um pássaro no céu, ouve-se uma barragem de fogo, 10, 15, talvez 20 espingardas a disparar. Os pássaros geralmente perdem a guerra.

Rolas, patos? Não. Desses não há. Andorinhas, pardais, pombos, garças e cegonhas.

O que interessa é fazer o gosto ao dedo. Uma autêntica horda dispara a tudo o que voa. Os chumbos caem em cima da casa, nas hortas, nos carros. Há caçadores que se escondem debaixo de árvores de fruta, não respeitando vedações, terrenos arados, hortas, pomares. Quando se lhes pede para sair, alguns argumentam que têm todo o direito de ali estar. A festa dura até meio da tarde.

16 de Agosto de 1997

As garças e as gaivotas desapareceram do rio. As cegonhas desapareceram dos ninhos. No meio do pomar encontramos uma andorinha que já não voa, e outra que já não vive. Centenas de cartuchos abandonados nas margens do rio, latas de cerveja, lixo, cigarros. Uma gaivota morta, outra mais a frente, restos de laranjas roubadas aos pomares.

É isto o chamado regime livre? É para isto que se sucedem os debates na televisão, na rádio e nos jornais? São estes os direitos adquiridos reclamados pelas tais centenas de milhares de cidadãos?

Não há qualquer razão lógica para que um pais civilizado aceite esta barbárie, este comportamento criminoso, esta psicose de grupo predadora que se apodera desta gente.

O regime livrre ganhou uma dezena de antagonistas no dia 15 de Agosto, tantos como os que assistimos ao comportamento primitivo, medieval e mentecapto destes 'caçadores'.

jcd, Tavira/Lisboa, Agosto 1997


domingo, agosto 17, 2003

  Civismo

Por ter visto na semana passada o debate sobre os incêndios na SIC-N, confesso o meu espanto e tristeza por esta situação.

Numa altura em que o barlavento algarvio se consumia em chamas incontroláveis, aquele que demonstrou no debate ser um dos nossos maiores especialistas em florestas e fogos florestais divertia-se no sotavento algarvio. Quem sabe tanto do assunto devia estar no terreno a ajudar todos aqueles que cometeram tantos erros devido à falta de coordenação e de conhecimentos. Por isso, pergunto:

O que fazia você em Cacela Velha, Miguel Portas?

quinta-feira, agosto 14, 2003

  Rumo ao Sul



Flamingos nas Salinas de Tavira, Julho de 2001

  O Jogador Ideal

O Sporting anda no mercado para encontrar alguém que substitua Cristiano Ronaldo. E Quaresma. E Jardel.

A tarefa não é fácil. Quais são as características ideais desse jogador que o Sporting necessita? O jaquinzinhos dá uma ajuda desinteressada à SAD do Sporting. Devem procurar um jogador com o seguinte perfil:

1. Aguentar todo o tempo, sempre a correr. Nunca se cansar.
2. Ter uma pontaria virtualmente infalível. Qualquer disparo deve atingir sempre o alvo.
3. Ser totalmente polivalente.
4. Ter grande agilidade e adaptabilidade às mais variadas situações.
5. Capacidade de elevação insuperável.
6. Ser resistente às lesões. Ter capacidade de regeneração rápida.
7. Obedecer cegamente ao "mister"; ser capaz de cumprir infalivelmente todas as instruções dadas para o terreno de jogo.
8. Não dizer asneiras para os meios de comunicação social.
9. Não ser mulherengo.
10. Não ter contrato com nenhum outro clube.
11. Ser barato.

Uma análise aprofundada do mercado permite identificar imediatamente o jogador ideal para o Sporting. É este.

  Bias

P: Quem ganhará as próximas eleições na Grã-Bretanha?
R: A BBC está vem posicionada. Mente mais que os outros partidos e domina a comunicação social.

  O Paradoxo de Olson

O sempre interessante Socio[B]logue acrescentou uma nova entrada ao seu GLOssário: O Paradoxo de Olson.

Lê-se na entrada:

O «paradoxo de Olson» refere-se ao desenvolvimento de determinado tipo de comportamento, baseado no cálculo racional de custos-benefícios, onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros. A esses indivíduos, ou grupos, que procuram retirar o máximo de benefícios da acção de outros evitando, simultânea e intencionalmente, os respectivos ónus dá-se o nome de «free-riders».

A designação «paradoxo de Olson» resulta do facto deste princípio ter sido expresso, primeiramente, por Mancur Olson, sociólogo e economista de origem norte-americana, na sua obra «A Lógica da Acção Colectiva» (1971). Entre os inúmeros exemplos típicos deste tipo de comportamento encontram-se, por exemplo, a greve motivada pela contestação salarial e o trabalho em equipa desequilibrado. No primeiro caso, aqueles que não fazem greve usufruem, por norma, dos benefícios da acção daqueles que fazem greve sem, todavia, assumirem os riscos e custos que esse comportamento envolve. No segundo caso, aqueles que menos contribuem para os resultados do trabalho em equipa são, habitualmente, tão beneficiados como os restantes.


Sublinho esta frase: "onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros."

Esta é uma definição perfeita da actividade sindical nos dias que correm. O objectivo número 1 dos sindicatos é a obtenção de vantagens para os trabalhadores sindicalizados à custa de uma organização ou, em muitos casos, de toda a sociedade. Um dos exemplos que são apresentados para ilustrar o conceito é o trabalho em equipa desequilibrado. Numa economia livre, as diferenças de produtividade num grupo resolvem-se com diferenciação de remunerações. A tentativa permanente das organizações sindicais de evitar a avaliação e diferenciação salarial é justamente um modo de obrigar à manutenção do Paradoxo de Olson. Os melhores de cada grupo raramente necessitam protecção. São sempre os outros que promovem e recorrem ao sindicato com o objectivo de garantir para todos a parte dos proveitos adicionais criados pelos mais produtivos.

Uma situação semelhante é a da actividade cultural subsidiada. A pressão para obtenção de subsídios tem como objectivo conseguir proveitos adicionais para um grupo, à custa de todos os contribuintes.

No limite, o paradoxo de Olson aplica-se a toda a redistribuição de riqueza. A definição encaixa perfeitamente: "onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros". Os custos ficam a cargo de quem cria riqueza, os proveitos são divididos por todos.

Será o socialismo um enorme paradoxo de Olson?

quarta-feira, agosto 13, 2003

  Arroz de Lingueirão


Ria Formosa junto à Fábrica, Perto de Cacela Velha, 7 de Agosto de 2003

  18 anos

Atrevi-me a brincar com o Benfica e logo um leitor encarnado me pôs no meu devido lugar: Atirou-me com os 18 anos às trombas! Toma que é para aprenderes.

Está bem, já não brinco. Apenas posso sossegar alguns vermelhinhos mais preocupados: o que custa muito são os 10 primeiros anos. Depois a gente habitua-se.

  Garantido

Durante o período de relaxe do blogue, andaram por aí a discutir o RMG, a propósito de um post do Abrupto. Quando o jaquinzinhos tinha apenas uma semaninha de vida, (era ainda um jaquinzinhozinho) a prosa abaixo republicada também valeu alguns insultos e um debate acalorado com o Cruzes.

Lembro-me de ter sido censor pela primeira vez, apagando um comentário que sugeria que o *#%?#! do "jaquinzinho" nunca chegará a carapau.

Era isto:

"E no produto maravilha que foi o RMG, Paulo Pedroso foi triplamente incompetente:

1. Foi incompetente no conceito. Não foi Paulo Pedroso que baptizou o RMG, mas adoptou-o como se fosse o seu próprio filho. O apelido escolhido é muito pernicioso. A palavra "garantido" pressupõe que alguém tem um direito absoluto, independente da capacidade de o suportar por quem tem o dever de o pagar. Sinaliza a sociedade para ir em contramão. Se tens dificuldades, não tentes sair delas porque o estado só te ajuda se tu não fizeres nada. Não arranjes emprego que perdes o subsídio.

2. Foi irresponsável no financiamento. Apenas teve que gastar, não se preocupou com o financiamento que foi generosamente suportado pelos nossos impostos e pelo déficite público (o que é a mesma coisa). Quando se lança um produto que custa 50 milhões de contos deve dizer-se claramente de onde vêm os fundos. Se Paulo Pedroso tivesse dito: "os 50 milhões que vamos gastar serão financiados assim: nos próximos anos vamos aumentar menos os funcionários públicos, vamos atrasar a construção de x escolas ou de y hospitais e provavelmente vamos também aumentar impostos", teria sido muito mais honesto. Mas como não fez nada disto, foi simplesmente leviano.

3. Tecnicamente o RMG dificilmente poderia ter sido pior concebido. Retirar ao montante do subsídio todo e qualquer rendimento adicional que o beneficiário receba, desmotivando imediatamente qualquer trabalho legal é o maior incentivo que se pode dar à economia paralela. Não foi criada qualquer estrutura capaz de fiscalizar e de gerir a atribuição dos subsídios abrindo porta à fraude generalizada. O RMG foi extensivamente usado por comunidades marginais(para as quais é impossível fazer prova de rendimentos uma vez que vivem na economia paralela) e por toxico-dependentes e traficantes (o que muitas vezes era usado por estes como atenuante para a situação ilegal em que se encontravam). Isto para não falar na enorme pressão sobre as assistentes sociais que tinham de ir informar o "Zé Espanhol" que a partir do mês que vem os subsídios vão ser cortados...


O tempo blogosférico atropela os calendários. Diria que isto foi escrito no século passado mas nem sequer três meses passaram.

  Cristiano Ronaldo

Preferia Itália a Inglaterra. Por alguma razão decorou o cabelo com esparguete.

E o Sporting livrou-se de Jardel e recebeu mais 2 milhões. Em dois anos o Sporting deixou sair André Cruz, Phil Babb, Hugo Viana, Quaresma, Cristiano Ronaldo e Jardel. Meia equipa de luxo.

  História de um Filho da Mãe

Está aqui. (Via DesBlogueador de Conversa). Gostava de saber como é que tudo isto vai acabar. Arquivado, provavelmente.

  Restaurantes a Sul

O distinto Vialgarve lista alguns recomendáveis poisos para reabastecimento no reino dos Algarves e sugere que outros algarvios façam o mesmo. Boa ideia. Recomendo apenas 3.

1. O melhor restaurante na Praia: Pezinhos na Areia na Praia Verde. Come-se bem, por vezes muito bem e uma vez por outra, divinamente. Os empregados são todos simpáticos. O treinador só pode ser muito bom. Momento de requinte: em dias de enchente telefonam-nos para a praia quando houver mesa. Situação ideal: chegar às 3 da tarde e prolongar o almoço até ao fim do dia. Foi num dia assim, de Verão no Outono, que petisquei até ao pôr-do-sol e ainda houve tempo para fazer este boneco.

2. A melhor tasca para peixinhos grelhados já não é o Índio (ou a Camponesa, ou o Assobia) em Vila Nova de Cacela. Pode ser psicológico, mas sem o homem dos grelhados que alcunhou o sítio, as coisas já não são iguais. O ceptro entrega-se ao Vela 2 em Tavira. Chegar cedo, sentar e esperar. Os peixes vão chegando à mesa à vontade da gerência. Não escolhemos, só comemos. A par dos linguados, sardinhas e carapaus do costume e dos besugos e salmonetes que são sempre melhores no Algarve, servem-nos mucharras, bicas, encharrocos, azevias e outros bichinhos dos mares do Sul. Petinhas e Jaquinzinhos nunca vi. 3 problemas: Só há rodízio de peixe ao almoço, quem não chega antes da 1:00 arrisca-se a esperar tempos infindos e a decoração resume-se a uma exposição crescente de gadgets do clube dos lampiões. Perdoa-se o mau gosto clubístico pelo bom gosto dos peixinhos.

3. IMHO, o melhor restaurante do Sotavento: A Chaminé, na Altura. E a propósito de Chaminé...

Julho de 2003, Chaminé, Altura. Entro com um grupo de amigos, sento-me e quem está na mesa ao lado? O casal Ferro Rodrigues. Ferro come chocos com tinta. Pedimos a ementa, ovos de codorniz com linguiça (hmmm...schlept!) para a entrada, azevias fritas com arroz de tomate, lulas rechadas, dourada de mar alto escalada e... venham de lá também uns choquinhos iguais aos do líder da oposição. Senhor Dr. Ferro Rodrigues: sabemos que escolhe sempre chocos com tinta: faz mal. Foi o pior dos pratos escolhidos. estavam apenas muito bons, todos os outros pratos eram excelentes. Momento alto da noite: Ferro levanta-se, cumprimenta um gestor público conhecido que janta noutra mesa e quando se dirige para a saída... toca o famoso telemóvel Nokia! Os agentes da PJ não devem ter compreendido de onde vieram as gargalhadas que escutaram do outro lado das antenas.

terça-feira, agosto 12, 2003

  Internacionalizações (ou Blogues em Barda na Banca do Peixe - Parte 3)

O Direita é um blogue brasileiro, de direita.

Não concordo com tudo o que Giovani MacDonald escreve no blogue. Quase tudo, apenas. Mas a razão porque cito agora o Direita tem principalmente a ver com o Benfica. Acho que há uma certa equivalência entre o jaquinzinhos ser citado num blogue brasileiro e o Benfica ir à Europa. Raridades.

(continua)

  Mea Culpa

O jaquinzinhos teve acesso a esta carta enviada por um conterrâneo ao Dr. Sevinate Pinto.

Cachopo, 10 de Agosto de 2003

"Caro Senhor Dr. Ministro Sevinate Pinto

Por favor castigue-me! Eu sou um desses malandros proprietários criminosos e mereço castigo pela minha incompetência em gerir essa fonte de riqueza nacional de valor inestimável que é a floresta. Passo a explicar:

1. Em 1988 herdei um terreno! Que felicidade, sr. ministro! Um terreno, com 1,8 hectares algures entre Trancoso e Celorico da Beira, ao que parece um terreno na floresta! Já tinha ouvido falar de tais terras mas nunca as tinha visitado. Foi preciso tratar da papelada para legalizar a coisa e lá me atirei estrada fora até às beiras. Estive por lá 5 dias e só no último consegui encontrar o dito cujo! Não tem acessos, é preciso fazer meia horita de corta-mato e por isso custou a descobrir a herança. O terreno pareceu-me bonito. Reconheci uns marmeleiros e 2 carvalhos. As outras árvores não sei o que eram. Só lhe posso dizer que não eram laranjeiras, nem alfarrobeiras, nem figueiras nem amendoeiras. No fim dessa semana continuava à espera de papéis e por isso contratei um solicitador para tratar da coisa perante o estado. Esta primeira semana custou-me só 200 contecos. Não foi mau.

2. Também gastei 50 contecos em anúncios para arrendar o terreno, mas ninguém lhe pegou...

3. Em 1992 recebi a certidão da conservatória com o terrreno em meu nome! Que felicidade, Dr. Sevinate! 4 aninhos bastaram para ter a coisa legalizada! E nesses 4 anos só tive que ir 3 vezes às beiras! Contando com os honorários do solicitador, até que a herança não foi cara. O total não ia em mais de 1200 contecos e uns 20 diazitos de férias consumidos. Já se sabe, quem é proprietário tem obrigações. A contribuição autárquica era só de 2 contecos por ano.

4. Em 1993 recebi uma carta de uma senhora que queria comprar o terreno por 1500 contos. Hmmm... talvez não seja má ideia. Lá vamos nós a caminho. Fica a papelada num advogado e mais tarde haverá a escritura. A papelada e o advogado foram só 70 contecos. 6 meses depois o advogado telefona-me. A senhora desistiu. Não a deixam construir uma maison no terreno. Voltou para França para casa da filha.

5. Em 1995 recebi uma notificação da autarquia para demolir as construções ilegalmente construidas no meu terreno! Fiquei em estado de choque! Outra vez a caminho das Beiras, desta vez começei pelo advogado. Fui visitar o terreno... e... surpresa! Um 'armazém' e um batatal! Árvores, nenhumas. Ainda hoje não sei quem utilizou a minha herança prás batatas, e vendeu a madeira, mas sei que a factura da câmara foi de 250 contecos... O advogado custou-me 300 para tentar descobrir os responsáveis... nada. Paguei uma multa de 50 contos pelo abate ilegal de árvores. Nem discuti. Pagar a multa era muito mais barato do que a contestação.

6. Em 1996 anunciei na imprensa local que o terreno estava à venda. Ofereceram-me 40 contos. Nenhum dos proprietários vizinhos do terreno ofereceu nada. Saia mais caro tratar da papelada do que vender. Os anúncios de venda ficaram por 100 contos.

7. Nesse ano resolvi florestar o terreno. 100 carvalhos a 15 contos cada um com plantação! Custou 1.500 contos mas os meus filhos um dia agradecer-me-iam. Gastei mais 60 em viagens e papelada. Até aqui a minha herança já vai em quase 5.000 contos, sem contar com a gasosa.

8. Este ano ardeu tudo. O senhor ministro diz que a culpa é minha. Tem razão. Castigue-me. Multe-me. Tenho o maior prazer em pagar. Entrego-lhe o meu valiosíssimo terreno como dação em pagamento e até estou disposto a oferecer ao estado os custos da escritura. Mea culpa, Sr. Ministro.

LMT


segunda-feira, agosto 11, 2003

  Blogues em Barda na Banca do Peixe (Parte 2)

Ivan Nunes é um tipo curioso. Ainda era puto e já escrevia nos jornais, aparecia na TV e era cabeça de lista no Política XXI. Discordava quase sempre dele. Agora discordo menos. A idade fez-lhe bem, embora continue a "errar": "A prova definitiva de que os capitalistas portugueses são imprestáveis é que ainda não houve nenhum empresário da informática capaz de oferecer um computador decente ao Pedro Mexia". Nope! A prova definitiva de que os capitalistas portugueses são espertos é que deve haver por aí milhares de empresários da informática capazes de vender um computador decente ao Pedro Mexia.

Actualmente, Ivan Nunes está na praia. Faz bem, este calor pede mesmo uns mergulhos.

Na cidade é onde está o Alfacinha. Destaque-se a cor verde da Alface. Na aldeia de Amor está o Aldeia de Amor. Tarde e a más horas, aqui fica a referência a este centrista, benfiquista e liberal.

E no Algarve, está o Local e Blogal. Embora venha do barlavento, entra directamente para a banca dos lingueirões da Ria Formosa. Até porque tem uma fotografia da minha Tavira em destaque...

(continua...)

  Ria Formosa


Ria Formosa junto ao acesso à Praia do Barril, Tavira, Julho de 2003

  Blogues em Barda na Banca do Peixe (Parte 1)

Sobre a Espuma dos Dias já falei. Só não disse que o blogue é mais um que vem à rede com tinta. É de Sarah Adamopoulos, jornalista que nos fez dançar o tango.

Hoje refiro-me ao Cerco do Porto que por algum obscuro motivo ainda não estava à venda na bancada. O Cerco zangou-se em tempos com o Jaquinzinhos, acusando-o de ter uma voz que se confunde com os que "desdenham uma realidade que desconhecem". Não renegue uma região que à partida desconhece. Tiro ao lado. Este bloguista, apesar de algarvio, viveu muitos anos na Invicta. Nesse post/emeile, POS refere-se a certa altura ao caciquismo e coloca entre parêntsis "Narciso, Rio, Menezes, Valentim e tantos outros são o vergonhoso paradigma da nossa débil e embrionária democracia". Note-se a inclusão de Rio entre os nomes que cercam o Porto. É uma táctica velhinha e que, confesso, também uso por vezes. Por exemplo, antes colocava sempre o nome de Ferro ao lado do de Guterres. O objectivo era descredibilizar Ferro. Hoje faço o mesmo para descredibilizar Guterres.

Os 5 Violinos são um blog verde que actualmente está de férias. Agora que o campeonato está a começar é altura de voltar ao trabalho. Também verde é a Matriz, mas que tem coisas de outras cores. E tem o Pedro Lizzard, um verdadeiro leão que consegue ser imparcial nos momentos mais complicados. Eu não consigo, quando falo em futebol sou cego como o Miguel Sousa Tavares.

Também nunca o referi, mas antes das férias lia regularmente o hARDbLOG. Aguardo o regresso.

Há por aí um "estudante, benfiquista e meio liberal ou liberal e meio". Perigoso. Mais um que foi de férias.

O Retorta mudou de plataforma. Link actualizado.

Luís Carmelo também tem um blogue. Recebi um e-mail-anúncio da iniciativa que era bastante interessante, principalmente por não ter nenhum link para a página.

E há mais. Mais tarde.
(continua)

  Tintas e Ferragens

Numa destas noites quentes algarvias, vi uma reportagem numa TV sobre tatuagens e piercings. A certa altura uma menina, cuja cara mais parecia uma loja de ferragens, queixava-se por ter sido preterida em vários empregos por gente menos capaz. Que injustiça!!! A menina investiu tanto tempo e dinheiro a embelezar-se, e agora é preterida por gente vulgar e sem gosto! Parece-me obrigatória a intervenção do governo. Exigem-se medidas punitivas para quem discriminar jovens metalizados e talvez seja necessário estabelecer quotas para mais esta minoria espoliada nos seus direitos.

Na mesma reportagem apareceu uma senhora de 60 anos que se intitula recordista mundial das tatuagens. O corpo da senhora recordou-me uns antigos cortinados de uma velha casa que a minha avó tinha em Olhão. A senhora mostrou para quem quis ver as partes pudibundas, profusamente decoradas com piercings ameaçadores que me sugeriram as barreiras que os alemães espalharam pelas praias da Normandia para o Dia D. Dizia ela que gosta muito de sexo. Espero que encontre facilmente quem não se importe por ir para a cama com um cortinado de 60 anos e com barreiras metálicas anti-penetração.

E viva a liberdade!

domingo, agosto 10, 2003

  Ponto da Situação

Alguns dias sem blogues e perdi-me. A blogosfera parece ter explodido. A caixa de correio quente está cheia de anúncios de novos blogues, comentários que já perderam actualidade, queixas de leitores ofendidos e técnicas para aumentar o tamanho do pénis. O espião dos links reporta que nas últimas 3 semanas o jaquinzinhos foi chamado por 15 novos blogues. O Big Brother lista dezenas de nomes que desconheço. Não valerá a pena voltar a discutir atitudes a tomar perante a explosão da blogosfera. Devagar, devagarinho, vou espreitar todos. Que me perdoem os que ficarem para mais tarde.

Por onde começar? A Espuma dos Dias. A paixão de Chloe e Colin deu nome a um blogue. Imagino-o mutante, num ecrã de geometria variável, com fontes diversas e cores fluidas. Hoje mostra-se encarnado, cor de fogo. Só podia ser.

  Papa Encomenda Chuva

Já não vale a pena ficar pelos Algarves. Vem aí a chuva divina. O 'Jaquinzinhos' regressa à Blogosfera.

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