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terça-feira, setembro 30, 2003

  Como fazer um Blogue Socialista.

1. A decisão de fazer um blogue socialista deve ser tomada nos orgãos competentes do partido, por proposta das organizações concelhias.

2. Após decisão favorável, cabe à Comissão Política Concelhia (CPC) da área do blogue, nomear a Comissão Organizadora do Blogue Socialista (COBS). Esta comissão deverá ter membros de várias sensibilidades e terá como missão avaliar as diversas plataformas existentes, escrever os Estatutos do Blogue Socialista (EBS) e a respectiva carta de intenções, de hora avante denominada Carta de Intenções do Blogue Socialista (CIBS).

3. Por proposta da COBS, será eleita por todos os militantes com as quotas em dia a Comissão Administradora do Blogue Socialista (CABS).

4. Será formado um Conselho Consultivo do Blogue Socialista (CCBS). O CCBS deverá reunir regularmente, analisará o evoluir do blogue e poderá propôr correcções a eventuais desvios editoriais.

5. A CABS deverá convidar figuras de relevo para escreverem textos para o blogue. Estas figuras de relevo terão o estatuto de Comentadores Residentes do Blogue Socialista (CRBS), por oposição a outros que por serem convidados com menos regularidade, serão chamados Comentadores Convidados não Residentes do Blogue Socialista. (CCNRBS).

6. A inauguração oficial do Blogue Socialista terá lugar na sede do partido e estão desde já convidados os CRBS, os CCNRBS e os membros da COBS, da CABS e do CCBS, e ainda os membros da CPC.

Se não é assim... é quase.

  Não... pode lá ser!

Segundo o presidente do Icep, investimento português em Espanha supera espanhol em Portugal.

Da Agência Lusa, via Público"

"O investimento directo português em Espanha ultrapassou em 2001 e 2002 o investimento directo espanhol realizado em Portugal, revelou hoje o presidente do Icep Portugal, Pedro Líbano Monteiro, no primeiro encontro ibérico de negócios.
...
Os dados do Banco de Portugal confirmam que o investimento directo bruto português em Espanha elevou-se a 3821 e a 3526 milhões de euros em 2001 e 2002, respectivamente, enquanto para os mesmos anos o investimento directo bruto de Espanha em Portugal elevou-se a 1607 e 1762 milhões de euros."


Agora que os nossos recursos vão criar riqueza para Espanha, já estamos todos mais contentinhos?

  Fim de Estação


Mystic Mist, Lisboa, Dezembro de 2002

  Baptista Bastos

Esta manhã na nova TSF, o tempo de antena foi de Baptista-Bastos. Falou sobre a falta de vergonha e exemplificou: o ministro demitiu o coordenador dos bombeiros e ele ficou. Segundo BB, Figueiredo Lopes deveria ter-se demitido, coberto de vergonha. O mais absurdo disparate, nos últimos anos mil vezes repetido. Se um chefe de bombeiros comete uma ilegalidade, o chefe dos bombeiros deve ser responsabilizado. Se há uma entidade obrigada a fiscalizar as actividades desses bombeiros que não cumpriu por omissão, essa entidade deve ser co-responsabilizada. Ridículo e demagógico, é assumir que um ministro em Lisboa é responsável por incumprimentos de normas de dezenas de milhares de pessoas por esse país fora.

Em Portugal não há cultura de responsabilidade e não há cultura de autoridade. Não aceitamos bem as normas impostas, mas exigimos a cabeça de quem quer que tenha a autoridade, sempre que alguma coisa corre mal por incumprimento dessas mesmas normas. Todos andamos em excesso de velocidade nas auto-estradas, todos acusamos a polícia de caça-às-multas quando actua e todos nos queixamos de falta de fiscalização. Quase todos os portugas davam de bom grado a voltinha de helicóptero, os mesmos que se escandalizam com o facto de outros o terem feito.

O que nós queremos e gostamos muito é de atirar a culpa para cima dos outros. "A culpa não pode morrer solteira". Desde que não seja a nossa, evidentemente. Bons culpados são os 'grandes', ministros à cabeça. Se o inquérito à queda da ponte de Queluz concluir que a ponte abateu porque um qualquer camionista anónimo lhe bateu, o relatório só pode ter sido encomendado para proteger os poderosos. A culpa não pode ser do camionista anónimo que ultrapassa a altura legal, é do ministro porque permitiu que a ponte caísse. Se o ministro legislar com vista a obrigar ao cumprimento das normas, anda na caça à multa, está a dar cabo dos pequenos transitários, etc. etc. E a Polícia, a nossa mais incompetente organização fiscalizadora, raramente é chamada à responsabilização.

Em Portugal, um ministro que aproveitou um acidente para se demitir (dava-lhe jeito), foi aplaudido pela nobreza do acto, embora não tenha tido qualquer culpa no assunto. Este mau exemplo (a fuga) é apontado como um bom exemplo para os outros. A lição a tirar é: Se alguma coisa corre mal, não a corrijas, demite-te em horário nobre e serás ainda mais nobre que o horário.

Portugal é o único país que precisa de tolerâncias zero, para que as lei sejam cumpridas. É proibido circular a mais de 90Km/hora na EN125, mas faz-se uma campanha para avisar os condutores que a partir de um dado dia, não se pode circular a mais de 90 Km/h na mesma estrada. Agora é que vai ser a sério. Meia dúzia de dias mais tarde já ninguém liga. As leis, essas não mudaram antes nem depois da campanha. Só mudam os ministros.

Um chefe de esquadra que resolveu fazer cumprir escrupulosamente a lei, foi apontado em todos os jornais como praticante da 'caça à multa'. Limitava-se a autuar os veículos mal estacionados e os excessos de velocidade. Acabou por ser transferido, por ser inconveniente. Excesso de multas custam votos. Ora aqui sim, Baptista Bastos deveria ter exigido a cabeça do ministro que permitiu que o único tipo competente na corporação fosse afastado. Ridículo é exigir o afastamento de um ministro porque um bombeiro encantado com o brinquedo que lhe deram resolve partilhá-lo com os amigos. Tal como é ridículo exigir a demissão de um ministro que ainda agora tomou posse por ter caído uma ponte que já estaria em mau estado antes dele ter chegado.

A sobre-responsabilização dos titulares de cargos políticos só acontece devido à desorganização da nossa função pública. Numa organização funcional em que as responsabilidades estejam bem atribuídas, esta discussão nem se faz. Não se espera que o Conselho de Administração de uma qualquer empresa seja responsabilizado pela queda de uma estante, porque não é o administrador que tem o obrigação de verificar se as estantes foram bem presas. Espera-se que haja alguém na organização com essa função atribuída e que seja claro para todos de quem é essa responsabilidade. O Conselho de Administração pode ter pecado por omissão, por não ter assegurado que uma função importante para a organização, a segurança, estivesse devidamente assignada. A penalização do Conselho de Administração faz-se porque uma empresa mal organizada dificilmente terá sucesso.

No estado, a desresponsabilização é permanente e nasce da desorganização da máquina. No estado não há know-how. No estado não há tempo para criar know-how. Os ministros e secretários de estado saltam do barco à velocidade dos ciclos eleitorais e é muito mais importante ter a máquina de marketing a funcionar do que o resto.

A miragem da 'reforma administrativa' e da 'reorganização do estado' não passam disso mesmo: miragens. A única solução que até agora tem funcionado, é a demissão do estado de certos actos. O estado deixou de ser banqueiro, produtor e distribuidor de energia, agente de telecomunicações. E é justamente aí que as coisas já funcionam melhor e que sabemos a quem pedir responsabilidades se as coisas correrem mal. E um dia, o estado poderá deixar de ser arquivador, inspector de pontes, gestor de frotas de helicópteros ou gestor de professores. E aí sim, uma vez repartidas e bem definidas as responsabilidades, poderemos exigir essas mesmas responsabilidades a quem contratualmente incumpriu.

segunda-feira, setembro 29, 2003

  Falar Mal do Sporting

Ontem, tentei ir ver o Sporting-Gil Vicente. Escrevi tentei, porque não consegui. Cheguei tarde, 10 minutos depois da hora e sem bilhete. (desta vez não funcionaram as trocas de game boxes e a venda de bilhetes via internet não estava operacional, à boa maneira lusitana). Apenas queria um simples bilhete para o jogo, o que deveria ser fácil de conseguir. Enganei-me. 20 minutos depois do início do jogo, a fila para as bilheteiras continuava a arrastar-se por uma centena de metros e era composta por um milhar de adeptos revoltados. Ao lado, várias bilheteiras encerradas. Desisti, claro está. Eu e muitas centenas de pessoas. A maior parte chegavam à escadaria, viam a fila e voltavam para trás. Outras ainda iam uns minutos para a cauda da fila e depois desistiam. Algumas tentavam dar o muito português 'golpe' causando uma enorme confusão junto às bilheteiras. Enfim, a mais completa desorganização.

Mais do que os resultados e a forma ocasional da equipa, o amadorismo na gestão do meu Sporting, preocupa-me. O custo de um vendedor de bilhetes por meia dúzia de horas, será o equivalente a apenas dois bilhetes não vendidos. Ondem foram centenas (quase que diria milhares...) de desistentes e que NUNCA mais voltarão a Alvalade sem bilhete. A mensagem é esta: se numa qualquer tarde de Inverno lhe apetecer subitamente ver o Sporting, adira à Sport TV. A organização de venda de bilhetes no estádio é semelhante à de uma mercearia de bairro.

Já no Metro, com 25 minutos de jogo decorridos, pude ver que continuava a gigantesca fila para as bilheteiras, fila para entrar na porta 2 e fila para o parque de estacionamento. As minhas desculpas ao Neo, com quem tinha combinado um copo, e os meus parabéns ao Tello, que trabalhou mais do que os colegas e mereceu o golo da vitória.

  A TSF, mudou?

Hoje de manhã, em vez de Carlos Rosado Carvalho, apareceu Perez Metello. Qualitativamente há uma mudança para melhor, o que nem era difícil. Brilharia sempre quem sucedesse ao rei da banalidade.

Politicamente, Perez Metello já funcionou na TSF e na SIC como representante oficioso de António Guterres. Por algum tempo, Metello prescindiu de grande parte da sua credibilidade em troca da participação no jogo político, o que lhe valeu um lugar de assessor do presidente Sampaio. Quando Metello falar mal das políticas económicas deste governo, nunca saberei se está a ser honesto ou se está, como habitualmente, a fazer política.

Depois vieram os sinais de Fernando Alves. Criticou Cuba. Com 'mas', evidentemente. Conseguiu meter a expressão "escória de Miami" para qualificar os cubanos que fugiram à ditadura e que residem nos EUA e a palavra "cruel" é associada ao embargo. A crítica ao regime cubano só aparece com a 'consciência da deriva'. Explicando melhor: o regime é bom, está é a praticar atitudes desviantes.

O 'Até aqui cheguei' de Saramago é a imagem que se procura. Isto é... sempre amei Cuba. Agora, prenderam jornalistas e partiu-se-me o coração. Cuba sempre foi o melhor exemplo. Agora já não é tão bom...

Mas a realidade não é essa. A Cuba de Fidel sempre foi o que é hoje. E na realidade, talvez actualmente nem seja tão mau. Tudo indica que o regime, agora, mata menos.

Maus sinais na nova TSF.

domingo, setembro 28, 2003

  PP, PP e PP.

1. PP bateu em PP. Isto é, Pacheco Pereira bateu em Paulo Portas. Outro qualquer ministro deste governo e este tipo de desancanços poderiam chamar-se deslealdades mediáticas. Com Paulo Portas, não. Merece sempre.

2. PP esqueceu PP. Isto é, Paulo Portas esqueceu o Partido Popular. Agora o partido chama-se CDS e tem como referência histórica Adelino Amaro da Costa. Duplo azar de Adelino. Para lá de ter morrido, ainda o deixam sem companhia nas fotos oficiais, porque se fosse vivo, também já teria sido apagado.

  Jaquinzinhos Soltos

1. Poucos posts, hoje e ontem. Curioso por saber porque é que Bill Bryson é o 'escritor de viagens mais lido em todo o mundo', comprei 'Na Terra dos Cangurus'. Entre o Bill e o Blogue, o Bill tem ganho.

2. Vi o resumo do Guimarães-Porto, depois de ter visto na semana passada o resumo do Porto-Benfica e o Moreirense-Sporting, este na íntegra. Sempre pensei que o Porto ganharia este campeonato sem dificuldade. Agora já tenho a certeza. Nem precisam correr, já alguém ganhou o campeonato por eles.

3. O jaquinzinhos foi mais uma vez agraciado com 2 prémios do matamouros. Como sempre, os prémios ocupam lugares de destaque na minha vitrina virtual.

  Mau Sinal

O Weblog.pt está em baixo.

sábado, setembro 27, 2003

  Notas Soltas

1. O Fumaças mudou de poiso. O Fumaças considerou o jaquinzinhos um dos blogues imprescindíveis dos seus longos seis meses de vida, o que muito me honra, porque o Fumaças é um dos blogues que já eram obrigatórios antes do jaquinzinhos nascer. Sigo com atenção a onda de mudanças para o weblog.pt. Um dia, provavelmente, irei atrás.

2. Margarida Gil diz ao Público que seria muito provinciano ir a Coimbra ver os Stones. Por isso não vai. Se ela reflectir no assunto, talvez conclua que o público não vai ver os filmes de Margarida Gil pela mesma razão.

3. O Crítico não faz a mínima ideia do que é o liberalismo. O João Miranda bem tentou ajudá-lo, mas parece-me que sem sucesso. Para o Crítico, um liberal é aquele que "olha o dinheiro como o fulcro do mundo", por oposição a um humanista para quem "o homem está acima do dinheiro".

Se o Crítico escrevesse sobre música como de liberalismo, poderíamos ler no seu blogue que o piano é uma caixa preta com botões azuis e amarelos, da família do fagote, uma peça de madeira fumegante, Mozart seria um violinista húngaro que compôs várias polkas italianas para oboé e Casiotone.

E esta analogia, vale?

Uma das muitas diferenças entre o Crítico e um liberal, é que ele "prefere dar o seu dinheiro e o dos outros que podem pagar" a quem ele avalia como merecedor. Um liberal também prefere dar o seu dinheiro a quem acha que merece. Mas nunca teria a veleidade imoral de pretender dispôr do dinheiro dos outros.

4. Por falar em João Miranda, o Liberdade de Expressão é o blogue mais didáctico da blogosfera. Irrepreensível. Merece um Óscar.

5. A Conservatória do Registo Comercial de Cascais demorou 14 meses a entregar uma simpes certidão. A certidão serviu para fazer uma escritura de alteração de uma sociedade. A escritura obriga a registo. Faz falta uma nova certidão actualizada. Vai demorar mais 14 meses. Ou seja, para fazer uma simpes alteração estatutária a uma sociedade de acordo com a lei, serão necessários 28 meses. Senhor ministro ou quem de direito: demita esse conservador, absolutamemte incompetente. Uma vergonha.

  Humor na Blgosfera.

Já li isto de uma ponta à outra e ainda não descobri se é a sério ou se é humor.

  Redes

Correu muito bem o almoço de blógueres de ontem. Venham mais.


Rede, Monte Gordo, 31 de Dezembro de 1999

sexta-feira, setembro 26, 2003

  Almoço de Blógueres

1. Hoje, algures num restaurante de Lisboa, realiza-se um almoço de blógueres.
2. Amanhã, às 7:25 minutos o sol nasce por detrás de um pilar da ponte. A opção é entre o despertador+máquina fotográfica e manhã de sono prolongada. Decisão difícil.
3. A Ana, funcionária pública do tribunal de Lamego contou uma peta no serviço para ir passear de helicóptero. Riu-se da esperteza. O polícia Jorge foi com ela. O comandante dos bombeiros acha que não fez nada de mal. Foi apenas um prazer elitista proporcionado a alguns munícipes. Alguém que conheço diria que são as pequenas invejas que protestam. Tem razão. O Douro é muito bonito na zona das vinhas.
4. Há um candidato a presidente do Benfica chamado Guerra Madaleno. Sportinguistas e Portistas unidos, apoiam-no.
5. Não sei se a retoma está aí ou não, mas a avaliar pela quantidade de trabalho, o futuro é risonho.

Hoje não há mais posts, amanhã não sabemos.

quinta-feira, setembro 25, 2003

  Antes que o dia acabe...

Hoje completam-se 4 meses de vida deste blogue. Só mesmo na blogosfera é que um bébé de 4 meses se pode sentir quase veterano.

  The Portuguese Way

Um Cartório na Baixa de Lisboa. Uma escritura marcada para as 10:30. Todos os intervenientes chegam 10 minutos antes da hora. A escritura começa cinco minutos depois do meio-dia. Em vez do lógico pedido de desculpas por parte do notário e dos seus colaboradores, o que ouvimos é uma completa gozação com alguém, estrangeiro, cuja escritura estava marcada para as 11:00 e que teve a veleidade de protestar pelo atraso. 'Têm pressa? Vão prá CEE...'

  Notas Soltas

1. Rui Semblano, da Sombra sugeriu em vários comentários e no seu blogue que me candidatasse a uma 'Green Card Lottery'. Caro Rui: não é necessário. Desde 1992 que tenho visto permanente para os EUA e não penso mudar-me para lá.

Se acreditamos que numa determinada área alguma nação fez melhor que nós, devemos tentar que Portugal aprenda com esses e os imite. A fuga é sempre uma demissão. Se assim não fosse, Eduardo Prado Coelho viveria em Paris, o Critico Musical em Viena, Bernardino Soares em Cuba e Franciso Louçã em Utopia.

2. Também o Rui, sugeriu que alterasse a palavra liberal, que aparece no descritivo deste blogue para neo-liberal. Não faz sentido e seria bastante redutor. O neo-liberalismo é apenas uma escola económica e o meu liberalismo é também político e moral.

3. Refira-se porque é verdade que a entrevista fictícia de Manuela Moura Guedes foi parcialmente inspirada neste post , publicado no Tasca da Cultura em Agosto. Ainda sobre este assunto, agradeço todos os e-mailes que me chegaram acerca do debate nascido com a entrevista de Maria João Pires. Concordando absolutamente ou discordando integralmente, quase todos foram bem educados.

4. Muitos e interessantes assuntos surgidos na blogosfera e na imprensa mereceriam atenção. Infelizmente, não me sobra muito tempo para blogar. Melhores dias virão.

quarta-feira, setembro 24, 2003

  LIED(2O)N

Um código brilhante inserido na camisola de Liedson sugeria-nos o resultado final do Sporting-Malmöe. O "S" invertido simbolizava o 2, seguido do 'O' que simbolizava o 'Zero'.


Foz do Rio Gilão, Ria Formosa, Tavira, 20 de Setembro

terça-feira, setembro 23, 2003

  Epílogo

Embora fora de tempo e depois do assunto já ter sido encerrado por terceiros, volto ao tema de debate com o Assembleia e com o Crítico. Vantagens de ter um blogue democrata liberal e individualista que fala do que quer, quando quer.

Resolvi entrevistar-me a mim próprio. Para isto parecer uma entrevista na TVI, o entrevistador vai personificar Manuela Moura Guedes.

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MMG: Olá, eu sou a Manuela Moura Guedes. Uma menina de 9 anos foi atropelada por uma bicicleta em Pevidém e partiu uma unha. A TVI vai estar em directo do local do acidente neste jornal. Para já, uma entrevista com o autor de um blogue que se envolveu numa polémica, recentemente. Boa Noite, senhor Jaquinzinho, então como é que tudo isto começou?

Eu: Boa noite, Manuela. Tudo começou com um terrível erro. Uma tarde destas, quando regressava para o subúrbio onde resido, vinha eu do meu emprego numa empresa do sector terciário, dizia eu, em vez de sintonizar a Antena 2 deixei o rádio do carro utilitário na TSF. Involuntariamente, acabei por ouvir parte de uma entrevista de Maria João Pires a Carlos Vaz Marques. Nessa entrevista Maria João Pires fez algumas afirmações que erradamente interpretei como barbaridades.

MMG (espantada): Barbaridades? A Maria João Pires disse barbaridades?

Eu: Eu achava que sim. Mas estava errado. Como sabe ela até ganhou imensos prémios...

MMG: Como é evidente. Ninguém com um curriculum assim poderia dizer barbaridades. Mas afinal, o que é que ela teria dito?

Eu: Não me vou repetir, não tenho coragem... Compreenda que estou muito arrependido. Mas está tudo no meu blogue. Quem quiser pode ir lá e ler.

MMG: E, ao que sei, nesse seu blogue também inseriu umas frases suas que indignaram outros blógueres?

Eu: Sim. (Pausa) Gostei da maneira como aporteguesou bloggers. Vou passar a usar se não se importa...

MMG: De modo algum. Perguntava-lhe se tinha deixado outros blógueres indignados.

Eu: Exactamente. Nada de novo. Há sempre muitos blógueres indignados com o que escrevo. Sou muito insensível.

MMG: Hmmmm.... Então e que frases foram essas?

Eu: Foram muitas. Mas acho que a pior foi esta: "Por mim, depois de ouvir a entrevista de MJP, tenho sérias reservas à atribuição de subsídios públicos a MJP. O radicalismo das palavras da artista e algumas afirmações aflitivamente tontas não auguram nada de bom. Não pondo em causo o mérito de Balgais que me parece evidente, a subsidiação de projectos politicamente empenhados dá direito a qualquer um de nós para exigir o mesmo tratamento em projectos educativos próprios de qualquer índole." Referia-me à escola primária.

MMG (espantadíssima): Ooooohhhhhhh!!!! Você escreveu isso?

Eu: Escrevi. Nem sei o que me passou pela cabeça.

MMG: Balgais? Com ‘a’?

Eu: Sim. Foi uma grelha. Oops... enganei-me outra vez. Disse grelha em vez de grolha!

MMG: Ahahahahah.... Voltemos então a Bolgais, ahahah, ai que engraçado.

Eu: Ahahahah! Outra grulha!

MMG (Rindo com evidente prazer): Ahahahah. Aiiii... estou que nem posso. Ai... Bem, depois daquela frase infelicíssima houve uma reacção do Manuel Alçada.

Eu: Exactamente. Como é óbvio, chamou-me chicharro.

MMG: Foi muito moderado...

Eu: Pois foi. Além disso, escreveu: “Acredito que o Estado deve apoiar um bom projecto, quer este seja feito por MJP, JCD, o Papa ou o Louçã, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam. Esta é uma das diferenças entre democracia e ditadura.

MMG: Em itálico?

Eu: Não, a direito mesmo. Eu é que falei em itálico.

MMG: Itálico ou não, ele disse muito bem.

Eu: Pois disse. Mas na altura eu achava que tinha dito muito mal...

MMG (olhos esbugalhados): Achava?

Eu: Achava!

MMG: Porquê?

Eu: Dei uns exemplos no meu blogue. Um nazi, um terrorista ou uma pintora chanfrada podem apresentar bons projectos para educar as crianças dos outros. Eu achava que não queria que os meus filhos fossem educados por quem tivesse ideais racistas e também não queria que um alguém ensinasse a um filho meu as coisas que MJP disse na entrevista.

MMG: Ohhhhh.... E depois?

Eu: O Manuel explicou-me que o "estado deve dar dinheiro a qualquer chanfrado desde que este apresente um bom projecto, obedecendo às regras elementares de um Estado de Direito Democrático.”

MMG: O Manuel disse isso?

Eu: Não. Escreveu.

MMG: Não...

Eu: Sim. Está aqui.

MMG: O link não parece estar a funcionar...

Eu: Ahhh. Enganei-me outra vez. Lol! Aqui é que é.

MMG (Lendo...): Hmmm... Ele não disse exactamente isso.

Eu: Ai não? No post seguinte até escreveu: “O Estado deve apoiar o projecto do senhor neonazi? Se o projecto for válido, sim. Se incentivar à violência e à xenofobia, não.”

MMG: Ahhh... pois é. E você não concorda?

Eu: Não concordava. Agora, depois de ter sido elucidado, já concordo.

MMG: Já?

Eu: Já.

MMG: Oh! Mesmo que seja um projecto de um nazi?

Eu: Mesmo, já fui esclarecido. No papel, todos os projectos são válidos. Até havia um projecto de um filme sobre a Branca de Neve que depois de ter sido apoiado passou a ser sobre a Preta de Bréu. Mas como todos sabemos, isso não impediu o estado de continuar a apoiar o mesmo cineasta. Foi uma lição para todos nós, o estado deve apoiar todos.

MMG: Evidentemente. É para isso que serve o estado, não é?

Eu: É. Nazis, comunistas, alterglobalizadores, apresentadoras de telejornais, pianistas. Antes eu pensava que se o estado queria subsidiar a educação primária, o ideal era dar o dinheiro aos pais dos miúdos e eles poderiam escolher a escola livremente.

MMG: Vouchers? Que americanice...

Eu: Pois era. E também aprendi que o custo não interessa. Nem é preciso publicar as contas das organizações subsidiadas.

MMG: Irrelevante. Mais americanices.

Eu: Claro. E afinal, o que é que interessa quanto custa? Economicismos neoliberais! Bem, o que vale é que agora, reconheço que é muito melhor dar aos artistas todo o dinheiro que eles quiserem, para educarem os nossos filhos. Espero que lhes ensinem que nem todos os americanos são maus.

MMG (olhar incrédulo): Como assim? Existem americanos bons?

Eu: Claro. O Oliver Stone e o Michael Moore.

MMG: Pois é, tinha-me esquecido desses!

Eu: E quero que os miúdos saibam que a competitividade e o sucesso são coisas más, que o pior assassino do século XX foi Bush, e que no século XVIII as pessoas viviam muito melhor do que hoje. Coisas dessas.

MMG: As crianças precisam de aprender o que está certo. Então, e o que aconteceu depois?

Eu: Depois o senhor doutor crítico escreveu um manifesto anti-jaquinzinhos.

MMG: A sério? E o que é que ele disse?

Eu: Fez uma análise crítica profunda sobre a minha pessoa. Brilhante análise, diga-se. Descobri imensas coisas novas sobre mim, que ignorava.

MMG: Ah é? Tais como?

Eu: Não posso dizer. Se a minha mulher lê, põe-me a mala à porta.

MMG: Ooops... foi assim tão mau?

Eu: Sim... Foi horrível. Pôs-me no meu devido lugar, ao nível das paroquianas que cometem o crime de produzir ruídos parasitas com o abanar de leques enquanto as elites ouvem órgão. Ou pior ainda, dos pais que levam os filhos ranhosos a concertos e arrotam a menos de 200 metros das elites.

MMG: É triste dizê-lo... mas em Portugal, em 2003, ainda há gente assim, sem nível... é o que se pode esperar do governo que temos. E que mais disse ele?

Eu: Tantas coisas. Foi uma análise tão... tão... inteligente! Senti-me como um pequeno burguês nojento e inculto que vai para os centros comerciais arrastar-se, ouvir o Asere Je, vomitar ignorância, consumir produtos brancos...

MMG: Que horror... Imagino. Sentiu-se como alguém que não respeita O Mensch, Bewein dein' Sünde Gross, ou uma passacaglia em dó menor e um trio-sonata em Sol Maior...

Eu: Exactamente. Foi assim. Explicou muito bem, Manuela.

MMG: Obrigada. E mais?

Eu: Pedi-lhe humildemente desculpa por ser ignorante, analfabeto, inculto, egoísta, incapaz, pequeno, rural, tacanho, imbecil, fechado, cegueta, odiento, rancoroso, velhaco, invejoso, raivoso, fingidor, escarnecedor e por ter desdenhado do belo, do sábio, e do verdadeiro erudito, por ser incapaz de erudição. Rezei a noite toda, por ele.

MMG: Muito bem. Um verdadeiro acto de contrição.

Eu: Ele merecia-o. Iluminou-me e mostrou-me o caminho. O meu objectivo no mundo é pagar impostos para que algumas mentes privilegiadas possam assistir a espectáculos incompreensíveis pelo comum dos mortais, abaixo do custo. E ele foi nobre, aceitando a minha penitência. E voltou a dar-me na cabeça explicando que é impossível criticar as opiniões políticas de Maria João Pires porque ela toca piano divinamente. É totalmente verdade. Todos sabemos que Bach seria um excelente Ministro das Finanças.

MMG: Evidentemente. E então, o que vai fazer agora?

Eu: Vou trabalhar melhor e aumentar a minha produtividade, agora que descobri o meu papel na sociedade. Vou pagar os impostos com um sorriso porque sei que estou a contribuir para que alguém possa ser ainda mais feliz. Alguém que não vê o mundo pelo seu umbigo.

MMG: Pelo meu umbigo?

Eu: Não, pelo dele.

MMG: ahhh, pois... Caro bloguista, só mais uma questão. Por que razão aceitou dar esta entrevista? Foi só para pedir a remissão dos seus pecados?

Eu: Não só. Mas também porque percebi que tinha interpretado mal a situação. Sabe, afinal o elitismo do crítico tinha uma perspectiva ainda mais ampla, de pensamento e cultura, de humanismo e sensibilidade. Quando me apercebi, não resisti a tamanho altruismo. Caíram-me as lágrimas.

...(segundos de silêncio)

MMG: Que bonito.

Eu: É. Apetecia-me dar pontapés nos pais dos miúdos ranhosos que negam o direito de um pobre sem abrigo a escutar em silêncio um recital de órgão na Sé com entrada livre, sem ruído de fundo.

MMG: Dramático.

EuÉ. Percebi que se o estado subsidiar a ópera, o sem abrigo pode assistir ao concerto no S.Carlos, sem ser incomodado pelo barulho de insensíveis como eu.

MMG. Claro. Foi muito insensível.

Eu: Pois fui.

MMG: Pois foi.

Eu: Pois fui.

MMG: Pois foi.

Eu. Eu sei. Desculpem-me.

...silêncio...

MMG: Obrigado por esta entrevista. Passemos a um assunto mais importante. Um assalto a uma mercearia em Barroselas acabou mal. A dona da mercearia agrediu o assaltante, um cantor de ópera desempregado, com uma colher de pau. Em directo do local...

  Maldito blogger

Tinha eu acabado de escrever um belíssimo post pequeno-burgês, carregadinho de finíssima falsa ironia e hilariante humor barato, sobre o "debate" com o Crítico, quando ao fazer 'Post & Publish' o bicho me devolve uma mensagem de erro.

Chamava-se 'Excesso de Caviar, Falta de Chá'.

Ainda tentei fazer 'Back', mas o resultado foi 'Puffff'... Esvaneceu-se. Sorte a minha, sou incapaz de re-escrever duas vezes a mesma coisa, e assim evito a resposta esmagadora e catedrática do visado. Logo mando uns bitaites sobre o assunto, agora vou produzir riqueza a bem do país.

E a partir de hoje todos os textos serão escritos e gravados no processador de texto antes de virem para o blogger.

  De costas voltadas

Segundo o Público, os meninos e as meninas dos vários grupos homossexuais que pululam à volta do Bloco de Esquerda vivem um clima de guerrilha. A grande batalha trava-se entre o Opus Gay e o Clube Safo: ambos querem ir a Paris ao Forum Social Europeu, onde esperam realizar interessantes contactos internacionais.

Segundo o Opus Gay Serzedelo, Fabíola Cardoso, do Clube Safo, abusa de golpes trotskistas. Fabíola por seu lado, acusa Serzedelo de paranóia.

Gays e Lésbicas bloquistas de costas voltadas. Nada de novo, até porque, ao que consta, eles nunca se deram bem uns com os outros.

segunda-feira, setembro 22, 2003

  Tumba!

O Crítico atirou-se a mim! Desta vez não criticou os músicos que desafinam, os outros críticos que criticam muito pior do que ele, os pais das criancinhas ranhosas que fazem barulho no Sábado à tarde na Sé de Lisboa, o povo que vomita ignorância e que tanto o incomoda, nem entrou em debates com o Liberdade-de-Expressão, qual jogador de bisca em mesa de bridge convencido da mais valia da sua manilha.

Analisou-me. Tumba!

Sou isto tudo: pequeno burguês, aliás egoísta pequeno burguês, jogo na equipa dos analfabetos, incultos, egoístas, incapazes, pequenos, rurais, tacanhos, tragicamente fechados, sem vistas, sem relatividade, odientos, rancorosos, velhacos, invejosos, desdenhadores do belo e do sábio, escarnecedores do verdadeiro erudito, porque incapazes de erudição.

A minha mente é própria de escravos, mesquinha, fruto de gerações de clericalismo imbecil e de anticlericalismo cego e não menos imbecil. Por causa de tipos como eu morreram vários ilustres deste país.

Ora isto vindo de quem vem, só pode ser verdade. Tamanha erudição não me deixa qualquer margem de manobra. Descobri finalmente a minha índole e ela é mazinha. Sou um tipo que fico rubro de raiva, vocifero, escarneço, e fingo uma ironia (fingo porque sou incapaz da ironia original). E sou muito manhoso. Uiii.

Sabendo que não tenho perdão, só espero que reconheça o esforço que vou fazer e que me deixe entrar no encontro de blogues. (Prometo que fico caladinho na fila de trás.)

Aqui fica a minha oração de redenção.

Nobre Crítico que estais no cimo
abençoada seja a vossa sabedoria
vão a vós os nossos impostos
para que possa assistir a muitos concertos
aqui na terra e no estrangeiro

e nos conte tudo o que viu no seu blogue
desculpai-me a minha tola opinião
como desculpaste os erros da Maria João
e não nos deixeis cair no liberalismo.
Livrai-nos deste nosso mal.

Amém.

(50 leituras, em voz baixa e respeitosa)

PS: Amanhã não blogo. Vou trabalhar a dobrar para pagar mais impostos e assim completar a minha redenção.

domingo, setembro 21, 2003

  Notícia Virtual

Meliante Apanhado em Flagrante após Roubo Gritante


Ontem à noite a polícia deteve um meliante que circulava com evidente descontrolo na A3, perto do Porto. O condutor, um tal Sr. dos Santos, conduzia com as luzes apagadas e evidenciava sérios problemas de visão. Após ter soprado o balão, descobriu-se que o grau de alcoolemia era elevado. Dos Santos confessou que tinha metido dentro 2 penalties, um dos quais do tamanho de uma caneca. A polícia acabou por deter o Sr. dos Santos quando ao revistar o carro encontrou na mala 3 pontos roubados. Dos Santos resistiu à prisão empurrando um dos polícias, mas nega terminantemente tal acusação, afirmando que o agente da autoridade terá apenas escorregado.

Como castigo, o Sr. dos Santos vai arbitrar jogos importantes nas próximas semanas.

  Coisas em Atraso

1. A economia do Chile pós-Allende (na sequência de muita desinformação canhota)
2. Financiamentos Públicos a Projectos Privados (na sequência da debate com o Assembleia e mais uns tantos)
3. As 2 margens do Guadiana (porque é que os nuestros hermanos fazem urbanizações turísticas de raíz com qualidade elevada e cá só se fazem caixotes de cimento enfiados em cima de mais caixotes de cimento)
4. O ópera e o futebol. (AMS acusa Manuela Ferreira Leite do crime de assassínio da ópera em Portugal. AMS exige que seja o dinheiro dos outros a pagar os seus gostos pessoais. O meu barbeiro quer que o governo subsidie o Benfica para que este compre o Figo e o Zidane. Quem vale mais, o senhor Seabra ou o senhor Mamede?)

  Boa Surpresa da Manhã

Abrir a janela e descobrir que começou a Convenção de Outono das Andorinhas.


Tavira, Vale da Asseca, 20 minutos atrás

sábado, setembro 20, 2003

  Contas à Socialista

Escreve Manuel Maria Carrilho nas suas Contigências:

"Foi unânime o descrédito com que foi recebido o novo valor fixado pelo Governo português para o défice de 2003: 2,944%, a 56 centésimas do fatídico número dos 3%."

Ora... milésimas, centésimas, 20 milhões, duzentos milhões, o que é que isso interessa, não é Manuel? As vírgulas só são importantes nos livros...

  Tíitulo no Indy: "Meneses avisa: Cuidado com os Traidores".

Outras ideias para o futuro:

João Pinto, Simão e Deco avisam: Cuidado com as Simulações.
Guterres avisa: Cuidado com o Déficite.
Carvalhas avisa: Cuidado com os Comunistas.
Paulo Portas avisa: Cuidado com os Populistas.
Inês Serras Lopes avisa: Cuidado com as Tiragens.

Podem usar à vontade. Copyleft.

  OK, Manuel

O Assembleia respondeu à resposta à resposta ao meu post sobre a entrevista que Maria João Pires deu a Carlos Vaz Marques no Pessoal e Transmissível na TSF.

Para evitar confusões, há uma frase que é re-escrita no Assembleia:

"O Estado deve apoiar um bom projecto, obedecendo às regras elementares de um Estado de Direito Democrático, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam"

Então voltemos a um dos exemplos estapafúrdios, alterando alguns pontos e reforçando alguns detalhes:

"Imaginemos que Herr Helmut Shinizter, médico conceituado(prémio Nobel e tudo) e cidadão português de pleno direito, acredita nos princípios do socialismo nacionalista. Shinizter proclama que árabes e judeus são raças inferiores, embora nem todos sejam más pessoas. Para Herr Helmut o 25 de Abril foi uma tragédia para a pátria e a abertura de fronteiras é mais um passo para a destruição da pureza da raça. Shinitzer culpa os métodos de educação actual dos males do mundo e da quebra de valores e tem ideias próprias sobre como incutir às criancinhas os bons princípios que defende. Shinizter apresenta um belíssimo projecto para criação de uma escola primária, dentro das regras do estado democrático. Shinizter e centenas de outros cidadãos de pleno direito, consideram que este é um excelente projecto, e "o Estado deve apoiar um bom projecto, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam."

Por isso voltaria a fazer a mesma pergunta, imaginando que não tenha resposta, uma vez que o Manuel deu ordem de Stop ao Chicharro.

"...gostava sinceramente que o Manuel me explicasse com quanto é que o estado deve subsidiar este projecto de um senhor que por acaso é nazi, se lhe deve atribuir mais ou menos do que atribuiu à escola de Maria João Pires que também diz muitos disparates, ou se, neste caso, não deve apoiar e devemos afinal achar que quando o conceito de bom não é o nosso, a ditadura é melhor do que a democracia."

A discussão sobre a subsidiarização das artes também é muito interessante, mas não é este debate.

sexta-feira, setembro 19, 2003

  Choque e Espanto

Manuel Alçada, do Assembleia, não concorda com o texto ontem publicado neste blogue sobre Belgais e confessa-se chocado.

O Manuel acredita que "o Estado deve apoiar um bom projecto, quer este seja feito por MJP, JCD, o Papa ou o Louçã, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam."

Dando de barato que o estado "deva apoiar", resta saber como e quem define o que é um bom projecto.

Alguns exemplos:

Imaginemos que Fahid Jabar, prémio Nobel da literatura e cidadão português de pleno direito, tem um bom projecto. Quer ensinar criancinhas a serem bons mártires para mais tarde se explodirem em esplanadas de Tel-a-Viv. O estado não concorda com uma palavra do que diz Jabar, mas deve apoiá-lo. Certo? É que, para Fahid e centenas de outros cidadãos de pleno direito, este é um excelente projecto, e "o Estado deve apoiar um bom projecto, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam."

Imaginemos que Herr Helmut Shinizter, médico conceituado e cidadão português de pleno direito, tem um bom projecto. Quer educar criancinhas arianas nos bons princípios do socialismo nacionalista. O ensino terá como base o estudo genético de várias raças, com destaque para o judaísmo, o arabismo e as diferenças genéticas para as crianças de olhos azuis e cabelo louro. O "estado" não concorda com uma palavra do que diz Helmut, mas deve apoiá-lo. Certo? É que, para Shinizter e centenas de outros cidadãos de pleno direito, este é um excelente projecto, e "o Estado deve apoiar um bom projecto, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam."

Imaginemos que Francisca Louca, pintora abstracta famosa, tem um sonho. Quer criar uma escola primária em que as crianças aprendam desde novinhas os princípios básicos da igualdade e da solidariedade marxista-leninista e as vantagens da ditadura do proletariado. Na primeira classe as criancinhas serão introduzidas ao culto de personalidades, com destaque para a adulação de Estaline, Pol Pot, Enver Hocha e, claro, da própria Francisca Louca. Na segunda classe aprender-se-à a manobrar armas de fogo e na terceira classe as crianças serão obrigadas a recitar de cor o livrinho vermelho dos pensamentos de Mao. Há 10.000 pessoas a subscrever a petição para o apoio do estado a tal projecto. O "estado" não concorda com uma palavra do que diz Francisca Louca, mas deve apoiá-la. Certo? É que, para Louca e os seus apoiantes, cidadãos de pleno direito, este é um excelente projecto, e "o Estado deve apoiar um bom projecto, mesmo que não concorde com uma palavra do que digam."

O Manuel acha que apoiar bons projectos independentemente de concordar ou não com eles, é "uma das diferenças entre democracia e ditadura".

Como não percebo muito bem onde está essa diferença, gostava sinceramente que o Manuel me explicasse com quanto é que o estado deve subsidiar estes projectos, se lhes deve atribuir mais ou menos do que atribuiu a Maria João Pires ou se, nestes casos, não os deve apoiar e devemos afinal achar que quando o conceito de bom não é o nosso, a ditadura é melhor do que a democracia.

quinta-feira, setembro 18, 2003

  33 e 20000


Ria Formosa nas 4 Águas, Tavira, 12 de Setembro de 2003

  Tirado do Blogotinha

"Antes de Crescer Vou Morrer
Local: Hospital Pediátrico de Coimbra
Data: ontem à tarde

Cruzei-me com uma menina linda de cabelos castanhos claros que lhe caiam aos cachos pelos ombros emoldurando um rosto vivaço mas triste. Parei. Chama-se Daniela. Tem 6 anos. Diz-me com ar esperto que já sabe que tem uns olhos bonitos porque todas as enfermeiras e médicos lhe dizem o mesmo. Acrescento que ela é grande para uma menina de 6 anos. Deixou de sorrir por momentos e logo a seguir abriu os olhos num sorriso franco e ripostou:
- O meu pai diz que quando eu for grande vou ser mais alta que a mãe. Mas eu nunca vou saber. Sabes... eu nunca vou crescer. Tenho um bicho grande na minha barriga.... antes de crescer vou morrer.

Passei-lhe a mão pelo cabelo e afastei-me para que ela não me visse chorar."


  Falta um 'o'...

...mas aí está o Geop(o)lítica. Um blogue nascido no sistema de comentários do jaquinzinhos.

  Menino Prodígio

Naquele Sábado, a mãe fez anos. Nos dias de festa as regras não são para cumprir, principalmente quando se está em férias. O Afonso, de 8 anos, brincou toda a noite com os filhos dos amigos da mãe e o habitual limite da hora de dormir foi ignorado.

Às 11 cantaram-se os parabéns e cortou-se o bolo. Os adultos espalharam-se pelos sofás da sala em amenas cavaqueiras e as crianças esgueiraram-se para o quarto do Afonso.

Pouco passava da meia noite quando o Afonso entrou na sala, esbaforido...

- MÃÃÃÃÃÃÃEEEEEEEE.....! - gritou.
- O que é que aconteceu?
- Mãe... não vais acreditar! Estava um homem todo nu com uma pilinha enoooooooooooorme assim [gesto explicativo]... e... estava uma senhora e, anda ver mãe, ele enfiou [blog codificado], mãe anda ver, ainda está a dar... e estava uma menina com uma pilinha [blog codificado][gestos explicativos]... que nooooojo, anda ver, mãe, anda ver... e ele fez [blog codificado]

A mãe do Afonso ficou muito orgulhosa.

- O meu filho é muito inteligente! Vejam bem, com 8 aninhos já sabe sintonizar canais na televisão e eu, que fiz 40, ainda não sei...

  Aflitivo

Ontem, enquanto me arrastava pelas filas de trânsito que lentamente regressam à grande urbe, ouvi Carlos Vaz Marques entrevistar Maria João Pires no seu Pessoal e Transmissível.

Não ouvi toda a entrevista, mas a parte que escutei deixou-me espantado. As opiniões de Maria João Pires são aflitivas. Considera que nunca se viveu pior no mundo do que hoje, que há actualmente mais escravatura do que havia no século XVIII, mas não parece porque hoje a escravatura é escondida e antigamente era às claras. Para a pianista, Bush é pior que Hitler (não, não comparou Bush a Hittler, como escreve CVM no seu blogue. MJP recusou-se a aceitar a opinião de CVM de que Hitler teria sido o 'pior' do século XX, porque Bush é pior). Mas atenção, MJP não é antiamericana. Não se esqueceu de dizer que nem todos os americanos são ignorantes burros e malvados. Haverá alguns que até são boas pessoas.

Para a pianista, a educação dos dias de hoje não presta, porque usamos um modelo importado da odiada América, modelo que privilegia o sucesso, a competição e a quantidade. Subentende-se que tal modelo só nos pode trazer a todos a mediocridade. Se o ensino fosse diferente, poderíamos ser brilhantes pianistas e se o não somos, a culpa é do sistema. O génio não existe, é tudo ensinado, insiste MJP. Ela própria considera que o seu talento foi apenas consequência da sua educação. A ideia agrada-me. Posso culpar os meus pais pela minha voz de cana rachada, ao pé da qual Zé Cabra parece um Pavarotti.

Para MJP, o talento ensina-se. Ensina-se, mas não deve ensinar-se demasiado, porque o sucesso é mau. O nosso talento aprendido deve ser reconhecido pelos nossos amigos e pela nossa família, mas o sucesso público é algo muito negativo, egoísta, e individualista. Lembrei-me da história do homem que passava a vida a queixar-se de falta de dinheiro, até ao dia em que ganhou a lotaria. A partir desse momento, sempre que ouvia alguém lamentar-se da escassez, proclamava: "O dinheiro não é tudo na vida..."

Ora acontece que Maria João Pires lidera o projecto do Centro para o Estudo das Artes de Belgais. Belgais é isto:

O Centro para o Estudo das Artes de Belgais é um centro de pesquisa pedagógica e artística que pretende oferecer um ambiente estimulante para a procura individual no âmbito da criação artística, bem como incentivar a colaboração entre todos os intervenientes no processo artístico...

... uma convivência harmoniosa e enriquecedora da cultura tradicional das Beiras com os grandes valores da cultura universal, pode ser um poderoso factor de desenvolvimento regional e de afirmação confiante e solidária da região da Raia no mundo. Todas as actividades de Belgais têm como principal eixo a importância da presença das artes na formação do indivíduo e na afirmação sustentada da comunidade no mundo, bem como uma noção clara da missão do artista na sociedade, como agente de uma noção de progresso em harmonia com a natureza, os direitos do Homem e dos animais, e a felicidade dos que nos rodeiam.


Belgais parece-me meritório e entre outras coisas inclui uma escola primária, cujo projecto educativo está disponível aqui. Os alunos da escola de Belgais aprendem todos uma segunda língua "como ferramenta de integração solidária no mundo, como método eficaz de vencer inibições e como factor comprovado de sucesso escolar nas áreas da Matemática e da aprendizagem de outras línguas." Inspirado pelos trabalhos do pedagogo Claude Hagège, "defensor intransigente das línguas em risco de desaparecimento", em Belgais ensina-se o Francês.

Belgais é fortemente subsidiado. É um projecto elitista. Além de receber comparticipações de entidades privadas ou semi-privadas (EDP, Portugal Telecom, Galp Energia, entre outros), recebe verbas do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura e das autarquias envolvidas.

E muitos ainda se lembram do escabeche que percorreu a comunicação social quando se falou em corte de subsídios a Belgais por parte do Ministério da Cultura, como se o mundo acabasse no dia seguinte. Por mim, depois de ouvir a entrevista de MJP, tenho sérias reservas à atribuição de subsídios públicos a MJP. O radicalismo das palavras da artista e algumas afirmações aflitivamente tontas não auguram nada de bom.

Não pondo em causo o mérito de Balgais que me parece evidente, a subsidiação de projectos politicamente empenhados dá direito a qualquer um de nós para exigir o mesmo tratamento em projectos educativos próprios de qualquer índole.

O que se diria, por exemplo, de um projecto cultural nacionalista em que a educação dos jovens se faria sempre acompanhada da defesa intransigente dos valores da pátria, da alma lusitana transmitida pelo estudo de uma selecção criteriosa e adequada dos poetas clássicos que transmitam esses valores e de um ensino de história com especial referência à grandeza do império? A educação seria feita em forte contacto com a natureza, e as tradições lusitanas seriam devidamente transmitidas aos alunos. As touradas seriam parte integrante da classe de ginástica e de expressão cultural. Por aí fora. Tudo subsidiadíssimo pelo estado.

Que bom, podermos desenvolver os nossos sonhos com o dinheiro dos outros... O que nos vale é que daqui a 10 anos Portugal estará cheio de grandes artistas em várias áreas. Vamos dar cartas nas artes plásticas, na música e nos palcos. Com a garantia de Maria João Pires.

quarta-feira, setembro 17, 2003

  PAUSE

No Time. No Blog.

terça-feira, setembro 16, 2003

  Pinochets, Allendes, Castros, Ialas e outros quejandos.

No 11 de Setembro, a esquerda não assobiou para o ar. Cantou Allende. Na blogosfera, os canhotos multiplicarm os posts sobre o Chile e vituperaram os blogues que fizeram coisas tão horríveis como comparar Kumba a Allende ou que, na sua opinião, se preocupam mais com os 3000 mortos do WTC do que com os 3000 mortos pelo regime militar de Pinochet.

Para o Cruzes e outros blogues de esquerda, há assuntos que são vistos como sacrilégios. Estes dois factos históricos assustam-nos em particular: 1. Allende foi um péssimo primeiro-ministro; 2. A economia chilena recuperou do descalabro de Allende;

Evidentemente, isto não significa que Allende tenha sido um ditador e Pinochet um democrata. A verdade é que Allende foi legitimamente eleito e Pinochet foi um ditador sanguinário. E não é por dizer que Allende foi mau que se coloca um 'mas' em Pinochet. Não há 'mas' para ditadores assim como não há 'mas' para terroristas.

Reconheça-se que em 1973, no Chile, grande parte da população ansiava pelo fim do regime de Salvador Allende e por isso tanta gente aplaudiu o general e venerou-o como a um verdadeiro 'Salvador'. Quando Pinochet esteva retido em Inglaterra, as sondagens no Chile ainda apresentavam níveis de apoio à ditadura de 40%, quando já eram sobejamente conhecida a extensão dos crimes e das execuções em massa ocorridas no pós 11 de Setembro. Sem espanto, os maiores níveis de suporte vinham dos mais idosos, porque eram também os que se lembravam e não perdoavam os anos de Allende. Segundo este artigo da BBC na mesma altura, "a recent opinion poll showed most Chileans agree that General Pinochet should be returned to Chile on compassionate grounds". . Pol Pot não teria igual compaixão.

Então afinal, o que fez Allende de tão mau que provoca todas estas reacções negativas? Não recorrendo a sites de opinião política e usando apenas informações tão neutras quanto possíveis, os problemas foram os que se podem esperar quando se tomam medidas tão anti-económicas como as que Allende tomou.

Por exemplo, na wikipedia

In 1970, Salvador Allende, a Marxist and member of Chile's Socialist Party, who headed the "Popular Unity" (UP) coalition of socialists, communists, radicals, and dissident Christian Democrats, was elected by a narrow margin. His program included the nationalization of most remaining private industries and banks, massive land expropriation, and collectivization. Allende's proposal also included the nationalization of U.S. interests in Chile's major copper mines. Elected with only 36% of the vote and by a plurality of only 36,000 votes, Allende never enjoyed majority support in the Chilean Congress or broad popular support. Domestic production declined; severe shortages of consumer goods, food, and manufactured products were widespread; and inflation reached 1,000% per annum. Mass demonstrations, recurring strikes, violence by both government supporters and opponents, and widespread rural unrest ensued in response to the general deterioration of the economy. The MIR evolved during this period, being a violent leftist organization which carried out armed bank robberies to "benefit the poor." Allende did little, if anything, to stop the movement. During this period artistic and social movments flourished.
By 1973, Chilean society had split into two hostile camps. A military coup overthrew Allende on September 11, 1973. As the armed forces bombarded the presidential palace, Allende died. Reports are divided as to whether he committed suicide with a machine gun given to him by his friend Fidel Castro or was assasinated.


Ou aqui:

The situation grew still more critical in 1973, when skyrocketing prices, food shortages (caused by the reduction of foreign credits), strikes, and political violence brought Chile to the brink of chaos.

Ou mesmo no cruzes... (retirado daqui)

During the second and third years of the UP, demand outstripped supply, the economy shrank, deficit spending snowballed, new investments and foreign exchange became scarce, the value of copper sales dropped, shortages appeared, and inflation skyrocketed, eroding the previous gains for the working class. A thriving black market sprang up. (...) The strapped government could not keep the economy from going into free fall because it could not impose austerity measures on its supporters in the working class, get new taxes approved by Congress, or borrow enough money abroad to cover the deficit.

E claro, Allende, fazia um pouco como o actual presidente venezuelano, Hugo Chavez: governa na margem da legalidade e muitas vezes por cima das leis. A esquerda faz os possíveis por esquecer que Allende cometeu inúmeras ilegalidades, abusos de poder e que ignorava sistematicamente os orgãos do regime democrático chileno. Há até ignore que o parlamento chileno pediu aos militares que repusessem a legalidade. O exército fez pior, trocou uma ilegalidade por outra, do ponto de vista humanitário bem mais negra do que a de Allende.

Resumindo:

Pinochet foi um ditador. Tal como Fidel Castro, Salazar, Kadhaffi, Franco, Machel, Mussolini, Estaline, Saddam Hussein e outros quejandos.

Allende não foi um ditador. Allende foi tão só um muito mau governante que, para lá de estoirar com a economia de um país, cometeu diversas ilegalidades e abusos de poder, tal como Kumba Iala, Hugo Chavez ou Péron.

E sim, podemos comparar Pinochet com Fidel. É muito fácil a comparação: Pinochet matou menos e foi-se embora pelos seus pés. Fidel matou mais, levou os cubanos à miséria e alapou-se ao lugar com Supercola 3.

Quando houver tempo, virá outro post. Falta discutir a evolução da economia chilena.

  Na Esplanada do Antigo Mercado


Rio Gilão, Tavira, 12 de Setembro de 2003

segunda-feira, setembro 15, 2003

  A Queda - Al Qaeda

No Sábado à noitinha, por terras algarvias, jogava-se King com uma televisão ligada por perto. Passava num qualquer canal nacional um filme de série B sobre uns terroristas que desviavam um avião carregado com uma arma biológica capaz de arruinar com o futuro de vários milhões de inocentes. O jogo acabou quando a fita se aproximava de um final originalíssimo: um herói que não percebia nada de aviões ia aterrar o bicho seguindo instruções de um controlador em terra, depois do heroísmo de alguns passageiros ter arruinado o plano dos terroristas.

É então que acontece uma coisa fantástica: ignorando os problemas da despressurização, um terrorista abre a porta do avião e atira um passageiro pela borda fora. Ou então foi um passageiro que despejou um terrorista. É indiferente. O realizador escolheu um plano choque: o despejado em queda livre, rumo a uma morte certa por estatelamento terminal, afasta-se da câmara esbracejando em direcção às luzes distantes de uma qualquer metrópole americana.

Cena seguinte: torre de controle do aeroporto. O tal controlador que ia ajudar o herói a chegar a bom aeroporto e mais uns quantos preocupados intervenientes na fita estão todos presentes, congeminado a melhor solução para salvar os inocentes passageiros. E é nesse momento que o tipo que tinha sido feito pássaro involuntário estoira com o tecto da torre de controle e cai no meio da sala... isto, uns minutos antes do mesmo avião chegar ao aeroporto...

Nem a impossibilidade geométrica, nem a improbabilidade absoluta se constituíram em 'gag' humorístico. Juro que aquilo não era para rir. Ou dizendo de outro modo: não pretendia; o que sei é que desde a cena do atropelamento do ‘Snatch’ que não me ria tanto...

  IALA LA!

30 anos depois do golpe de Pinochet, mais um regime democraticamente eleito foi deposto por um golpe militar. O Saci Perere da África Ocidental, o homem que ofereceu um barrete vermelho aos guineenses, foi preso. Vou agora ler os nossos canhotoblogues e sei que vou encontrar inúmeros posts exigindo o regresso imediato de Kumba, o retorno dos golpistas aos quartéis e a reposição da legalidade democrática. Sei que vou encontrar estas exigências porque acredito na coerência dos canhotoblogues.

Iala e Allende, a mesma luta!

  Prémios

O jaquinzinhos recebeu mais 2 prémios atribuídos por ilustres lusoblogues. Um, do matador de mouros nortenho, que agraciou este blogue com mais um prémio da melhor Posta. Jaquizinho agradece, honrado.

O outro prémio é do blogue das cruzes. Já foi atribuído na passada sexta-feira, e sabe-se que 3 dias são uma eternidade em tempo de resposta blogosférico, mas o jaquinzinhos não pode deixar de agradecer tamanha distinção. Os canhotos atribuíram 4 prémios intitulados disparates de ouro e os bafejados foram o Homem a Dias, o Abrupto, os Marretas e o Jaquinzinhos. Os outros três co-vencedores devem ter ficado muito orgulhosos pela ilustre companhia do carapau. (sei mesmo que JPP terá telefonado a Durão Barroso e ter-lhe-à dito: "Zé, ganhei eu e o jaquim..." ao que o Zé terá respondido. "Ó Pacheco... tu vais longe, pá! já ganhas prémios com o jaquim, tás aqui tás famoso...").

O jaquinzinhos alombou com o prémio 'carapau de ouro', por causa deste post, de 10 de Setembro:

'Mas...' Não, Obrigado - Será que amanhã teremos um dia sem mais 'mas...'?

Já todos percebemos o dia 11 de Setembro foi um dia cheio de 'mas' e o jaquinzinhos não teve sorte na 'pergunta/desejo' feita na véspera do aniversário dia da infâmia. Mas isso são outras contas. Voltemos ao trofeu.

O canhoto J., no abstracto que acompanhou a entrega do trofeu, explicou:

" Jaquinzinhos professou a extinção das adversativas e muito especialmente da conjunção mais proletária de todas, o "mas". Ora antes, que o Jaquim dê o passo lógico seguinte e defenda a extinção dos adversários, congratulemo-lo por manter o gosto por discursos simplistas e censurêmo-lo por dificultar extraordinariamente a vida a advogados, cientistas, políticos e todas as outras profissões que consistem em analisar e explicar a realidade. Parabéns pelo carapau!"

Bem, agora fiquei mal. Afinal, o prémio é totalmente imerecido. Aparentemente, o j.do cruzes meteu a pata na poça, não percebeu nada e deu-me o trofeu erradamente... Sinto-me como o Helder Postiga quando marcou o golo com a mão... E agora? Bem... agora... fico com a taça! Não a devolvo. Até porque, estou desconfiado que o juri percebeu bem o que se escreveu mas preferiu traduzir para russo no babelfish, de russo para grego e de grego para mirandês. A partir do resultado de tamanhas retroversões, o prémio pode ter sido justo.

Ao dar aquela explicação para a atribuição do desejado trofeu, poderíamos ser levados a pensar que J do cruzes conseguiu mais uma vez demonstrar a clarividência típica dos pensadores actuais de esquerda e revelou um nível de interpretação da realidade contemporânea invejável, ao nível do que já nos havia demonstrado ao sugerir-nos subliminarmente que os cubanos que fogem de Cuba em barcos de borracha, só o fazem para ver mais de perto a miséria do Chile.

Mas não é verdade. O cruzes é melhor que isso e sabe o que está a fazer: pequenas deturpações da realidade não são graves e ajudam a manter o sonho vivo. Até porque, mais vale ser de esquerda por causa de um sonho do que fazer figuras destas.

  Tavira

Finda a confusão de Agosto, regressa a qualidade. O fim de tarde de sexta-feira nas esplanadas do antigo mercado, junto ao rio, merecia o Oscar da ociosidade. Fica a primeira das fotos prometidas, feita ao pôr-do-sol do mesmo dia a 500 metros de distância, na estrada para as Quatro Águas junto às salinas.



Fim de Tarde nas Salinas, Tavira, 12 de Setembro de 2003

sexta-feira, setembro 12, 2003

  Tavira

Blogue em fim-de-semana prolongado. Regresso previsto para a próxima Segunda-feira.

Alinhado um artigo sobre o Canal 18, subitamente elevado à categoria de imprescindível, tal como o Acontece, barbaramente silenciado pela censura moralista neo-conservadora deste governo ultra-fascista de extrema-direita.

Neste caso, a situação é bastante mais grave; sobre o Acontece, toda a gente diz que gostava e quase ninguém o via. Ao Íntimo, poucos o defendem, mas quase todos o espreitavam.

Também alinhada uma comparação entre dois ditadores, Fidel e Pinochet, menos importante desde que o Homem a Dias desvendou as pistas principais.

E espero trazer boas-novas de Tavira, em formato .jpg.

Bom fim de semana, blogosfera.

quinta-feira, setembro 11, 2003

  9 - 11


Twin Towers, Nova York, Abril de 1997

quarta-feira, setembro 10, 2003

  'Mas...' Não, Obrigado

Será que amanhã teremos um dia sem mais 'mas...'?

  Alter-dicionário do Mundo ou Um contributo para a educação do Nuno.

O Nuno tem 12 anos e é benjamim de uma família com uma longa tradição de militância na esquerda. O bisavô foi herói anti-fascista e preso político em Caxias antes do 25 de Abril. Desde sempre militantes do PCP, a primeira quebra na homogeneidade familiar veio com a irmã mais velha que, aos 20 anos, é já uma bloquista de alma e coração. O pai do Nuno está em férias em Cancun com a filha. Aproveitaram a 5ª Conferência da Organização Mundial do Comércio para juntar uns dias de praia às manifestações alter-globalização. PCP e Bloco em família unida contra o globalização capitalista neo-liberal.

O Nuno, quando for grande, quer ser como o pai. Está no bom caminho. Já aprendeu todas estas coisas:

1. O Durão quer tirar o dinheiro todo às pessoas para ele e para os amigos.
2. Na América os meninos morrem com fome e com frio porque o dinheiro é todo roubado pelos ricos.
3. Os hamburgers da McDonalds são feitos de minhocas e de restos de 'nhanha'.
4. África é pobre porque os americanos vão lá com uns aviões e trazem a comida toda e o petróleo e não deixam nada para as pessoas de lá.
5. Tem medo que os americanos invadam Portugal e que matem as pessoas quase todas, como fizeram no Iraque.
6. Ser anti-globalização é ser "contra os americanos irem roubar mais para o resto do mundo".
7. Os americanos dão armas e dinheiro a Israel para eles matarem árabes e lhes roubarem o petróleo.

Há mais pérolas de onde estas vieram. Muitas mais.

Ora, o Nuno está a crescer e vai ser necessário explicar-lhe outros conceitos. Preocupado com o estado da educação em Portugal, o jaquinzinhos deixa aqui uma ajuda para a família, ajuda esta que pode ser livremente usada por quaisquer outros pais 'progressistas' preocupados em explicar aos seus filhos que um outro mundo é possível e que o Pai Natal existe.

Seguem-se as primeiras entradas do Alter-Dicionário do Mundo, uma oferta grátis deste vosso blogue.

Alter-globalização – Neologismo de anti-globalização. Quando apenas os capitalistas neo-liberais proclamavam a inevitabilidade da globalização, a expressão utilizada era anti-globalização. Desde que Lula também diz o mesmo, utiliza-se alter-globalização.

Dívida externa - Situação da máxima gravidade provocada pelos países ricos, que emprestam dinheiro a países que não podem pagar.

José Bové - Militante alter-globalização anti-capitalismo neo-liberal. Perseguido pelos fascistas, já cumpriu uma injusta pena de prisão em França.

Maniqueísta – Pró-americano. Defensor de políticas neo-conservadoras. Apoiante da invasão imperialista do Iraque. Defensor dos sionistas.

Paz – Aquilo que existia no Iraque, na Palestina e no Afeganistão, antes dos sionistas e dos imperialistas chegarem. Em algumas nações, poderá ser necessário encetar lutas revolucionárias para conquistar a paz.

Pobreza - Fenómeno que ocorre nas economias capitalistas neo-liberais, cujas políticas provocam um brutal número de pobres. Os EUA são o país onde há mais pobres, cerca de 50 milhões. De acordo com as definições internacionalmente aceites de pobreza, Cuba é um país exemplar, onde ninguém ganha menos do que 60% do salário mediano.

Taxa Tobin - Imposto idealizado pelo Nobel da Economia, James Tobin. A ideia é taxar em 0,1 por cento as transações especulativas de capital e sacar assim dinheiro aos capitalistas. Era para ser 0,5%, mas parece que os capitalistas boicotariam o imposto não fazendo transacções.

Terrorrismo - Acções desenvolvidas por nações fascistas capitalistas neo-conservadoras globalizadoras neo-liberais como Israel e os EUA. O terrorismo actua contra combatentes palestinianos, iraquianos ou afegãos que lutam pela expulsão dos invasores dos seus países.

Transgénicos - Coisa muito má para a saúde das pessoas do terceiro mundo, para quem será sempre mais digno morrer à fome do que sobreviver com alimentos capitalistas.

(Outras definições são possíveis)

  A Entrevista de Ferro

Li no Ter Voz:

"Foi a entrevista de um português com convicções, seguro e coerente. O Partido Socialista continua de parabéns.".

Ferro continua sem jeito para a coisa. Não cabe na cabeça de ninguém escolher um dia em que o pessoal estava todo de olho na bola, para dar a primeira entrevista de jeito.

  Festa do Avante

Esta é a minha confissão pública de um pecado: Eu fui à Festa do Avante. Não resisti a Kevin Rowland e aos seus Dexy's Midnight Runners...

terça-feira, setembro 09, 2003

  Engordador do Sitemeter

Dos últimos 100 acessos ao jaquinzinhos, o engordador do sitemeter gerou os seguintes:

1. Bloggers Porno
2. Fotos de Jordana Jardel e Cristiano Ronaldo
3. Mentiroso Blog Carlos Cruz
4. Helga Filme Porno

4 em 100. 4% de acréscimo. Confesso-me desapontado... Nunca vou chegar aos números do Abrupto.

  Benchmarking à Portuguesa

Acabo de ouvir João Cravinho sugerir que Portugal deve seguir o exemplo da Alemanha e da França no que diz respeito ao cumprimento do pacto de estabilidade. Nada de novo, afinal é uma velha prática socialista: em vez de fazermos como os melhores, devemos imitar os piores. Chamemos-lhe benchmarking à portuguesa.

  Reuniões

8 horas de reuniões num só dia. É o que me espera, hoje. Se sobreviver à provação, regresso pela noitinha.

segunda-feira, setembro 08, 2003

  2X9

9 anos. (A foto tem 5)


Gémeos, 8 de Setembro de 1998

  Resultados Parciais do Engordador do Sitemeter

Confesso-me um pouco desiludido. O Engordador do Sitemeter já está online há 2 dias e até agora só gerou meia dúzia de vistas. Admito que os resumos que os motores de busca publicam de cada sugestão desmotivem os ratos a vir morder este queijinho, mas de qualquer modo já cá cairam estes:

1. Pilinha ao Léu
2. Foto de Felícia Cabrita
3. Motel Requinte em Lisboa (sempre acreditei neste!)
4. Motel Requinte Sexo (cá está...)
5. Sofia Alves Nua
6. jordana jardel nua cristiano ronaldo

6 em 2 dias e meio. A esta média dá 876 por ano. Fraquinho.

PS: Como se está a portar o engordador no Janela para o Rio, na Matriz, no 3tesas e no Rastaparta?

Última hora: Acaba de entrar a 7ª visita gerada pelo engordador. A honra coube a um(a) jovem madeirense... A busca foi : Fotos de Marisa Cruz Nua. Terá sido o Alberto?

  Tragédia

Corro um sério risco de perder a módica quantia de USD 3.750.000. É revoltante! Eu, que tinha recebido de braços abertos a proposta do Sr. Jim Martins, director do International Remittance Department do prestigiado Capital Bank International, em Lagos, Nigeria, acabo de ser tramado por gajos que, de certeza, querem ficar com o meu dinheiro. (ver post Ora bem, vamos nessa de 5 de Setembro).

Os malandros! Deram-me cabo da vida! Bloquearam o e-mail do Jim e impedem-me assim o contacto com este meu amigo, que, desinteressadamente, apenas queria que eu fosse primo do falecido casal Wolfgang e Helga Schinister. Perdi a fome e o sono! Os meus planos para um futuro diferente estão a ir por água abaixo...

Vejam bem o que fizeram ao meu amigo:

----- The following addresses had permanent fatal errors -----
jimmartins@hknetmail.com
(reason: 451 Blocked - see http://spamcop.net/bl.shtml?209.133.66.169)


Inventaram um spamcop só para me ficarem com os dólares.

O blogue é a minha réstea de esperança para contactar o Jim. Deixo aqui este apelo:

Jim, amigo! Sei que estás inocente, estão a montar-te uma cabala. Sei que nunca serias capaz de praticar actos de spamofilia. Os tipos querem desviar a atenção de outras coisas que tu deves saber. Amigo Jim, se me estás a ler, por favor contacta-me! Eu estou à tua espera. Olha, não queres avançar-me 20% do minha parte à cabeça? Dava-me um jeitão, Jim! Olha, Jim, pá, e-maila-me que eu mando-te o NIB na volta. Um abraço, e cumprimentos à família. PS: JIM, NÃO USES O TELEMÓVEL!

Se alguém conhecer o Jim, agradecia que lhe transmitissem este apelo. Não sei se também lhe bloquearam o acesso à Internet, eles são capazes de tudo. Obrigado.

  O Pecado do Lucro

R. é médico. Endocrinologista competente, dividia o seu tempo por 2 hospitais e, cada vez mais, pelo seu consultório particular. R. é adepto do papel crescente do estado na saúde, usa amiúde o argumento do 'pecado do lucro' e é activista contra a gestão privada dos hospitais. Apesar destas opiniões, um dos hospitais em que R. trabalhava era o Fernando Fonseca, mais conhecido por Amadora-Sintra.

Num jantar de amigos, R. informou-nos: 'Vou sair do Amadora-Sintra. Ganho mais do que no outro, mas com o consultório deixei de ter tempo para os dois hospitais.'

A minha pergunta, inocente, foi: 'Se ganhas mais no Amadora, porque é que não sais do outro?'

Respondeu-me: 'No hospital X(público), num dia dou 3 primeiras (consultas a novos doentes) e 3 continuações. (doentes antigos). No Amadora Sintra em 5 horas dou 15 consultas. É muito pior.'

Não entendi. 'É pior qual? O Amadora?'

Confirmou: 'Claro! Mas pagam-me à consulta, tenho que dar muitas. É muito pior!'

Quem não entendia nada era eu e o resto dos comensais. 'Mas então, se atendes 15 doentes no Amadora-Sintra e só 6 no outro... como é que é pior?'

R. explicou-me: 'Trabalho muito mais porque quantos mais doentes atender mais ganho; mas o problema maior é não me deixarem escolher a quem dou as consultas. No público somos nós que marcamos as segundas consultas e podemos escolher os doentes mais interessantes; além disso posso canalizar para lá doentes meus para fazerem as baterias de análises, que são muito caras. Assim os meus doentes poupam uma pipa de massa, no hospital são de borla.'

Mas, como é possível, perguntávamos, 'Num lado em 5 horas fazes 15 consultas... 20 minutos cada uma. no outro, em 6 horas dás 6 consultas... 1 hora cada...'

R. esclarecia-me, como se fosse a coisa mais óbvia deste mundo. 'Não, a maior parte demoram só 10 ou 15 minutos nos dois lados, mas temos tempo para outras coisas, para estudar, para tratarmos das nossas coisas, a pressão é muito menor.'

Perguntaram-lhe. 'Mas, ouve lá: a administração do hospital público não lhes impõe um número mínimo de consultas?'

A resposta foi esclarecedora: 'Era só o que faltava! quem decide somos nós. Entre todos os médicos da especialidade decidimos que cada um só faz 3 consultas a novos doentes e 3 somos nós que escolhemos. Se querem mais, a gente faz, mas em horas extraordinárias'

'E porque é que não deixas os dois e ficas só com o consultório?'

R. não pode deixar o público porque lhe faz falta para as continuações, e para as baterias de análises... dos seus doentes do consultório.

R. apenas assimilou uma atitude que se generalizou e que é assumida com naturalidade. Podem acreditar: R. é uma excelente pessoa e ao que consta um excelente médico.

domingo, setembro 07, 2003

  Anti-Alteres

O epíteto anti-americano começa a cansar. Os visados reagem. Agora, sempre que se pretende fazer uma crítica eivada de anti-americanismo primário, começa-se por dizer "Já sei que me vão chamar anti-americano..." o que desarma qualquer um! Para um anti-anti-americano, chamar anti-americano ao anti-americano que diz que lhe vão chamar anti-americano é dar razão ao anti-americano. Complicado. Nenhum anti-anti-americano deseja dar razão a um anti-americano, principalmente se o seu anti-americanismo é primário.

Este fenómeno já sucedeu anteriormente com os activistas anti-globalização. Quando se cansaram do epíteto, mudaram-se de armas e bagagens da luta anti-globalização para a defesa de uma alter-globalização. Como quase todos os anti-globalizantes primários que se mudaram para a alter-globalização são também anti-americanos primários, extrapolemos a ideia. Acabemos com os anti-americanos. Daqui para a frente, um bom anti-anti-americano pode epitetar um anti-americano de alter-americano. E o anti-alter-americano pode ser chamado de alter-alter-americano em vez de anti-alter-americano. Para os casos mais básicos (tipo Sepúlveda) podemos manter o anti-anti-americano, ou, em alternativa, o alter-anti-americano.

Assim fica tudo mais claro.

  Sierra Nevada

Fui e volto. Da próxima passo por aqui.


Fim de Tarde na Sierra Nevada, Abril de 2003

  O Zeca e o Luís

Pouco antes da morte de Zeca Afonso realizou-se um espectáculo de homenagem no Pavilhão da Amadora. Se bem me lembro, participaram Sérgio Godinho, Trovante e Teresa Silva Carvalho, entre outros. Zeca Afonso não actuou. Estava doente. A última vez que vi Zeca Afonso actuar ao vivo foi no espectáculo do Coliseu em 1994 (nem sei mesmo se foi o seu último espectáculo em vida). Nessa noite, Zeca não deu música, mas botou discurso. Foi penoso. O discurso político de Zeca Afonso sempre foi confrangedor e nessa noite não fugiu à regra. Uma dúzia de anos depois do 25 de Abril, Zeca Afonso alertou-nos para o fim da democracia, para o regresso do fascismo e da ditadura, para o fim da liberdade e para a censura que aí vinha. O perigo chamava-se Cavaco Silva.

Este Verão li com imenso prazer Patagonia Express de Luís Sepúlveda. Li-o de um fôlego e lamentei a última página por ter chegado quando o fim de tarde ainda estava longe. Hoje li a entrevista que a Visão publica com Luís Sepúlveda. O paralelo com Zeca Afonso é evidente. Tanto num caso como noutro, a genialidade anda a par da mais confrangedora ignorância, para não dizer boçalidade. É certo que Sepúlveda foi segurança de Allende e sofreu na pele a ditadura de Pinochet porque esteve na prisão. O que espanta é que tantos anos depois, vivendo em Espanha, ainda não compreenda o mundo em que vive. Nem mesmo o seu próprio país. (Vargas Llosa pode ajudá-lo.)

Aqui ficam alguns extratos da entrevista de Sepúlveda. Os comentários são meus.

“Queríamos construir uma revolução mais próxima de John Lennon do que Lenine. Não uma segunda Cuba mas sim um socialismo à chilena, de empadas e vinho tinto”

Santa Ilusão. Empadas e Vinho Tinto. Quanto ao vinho, não sei, mas em 3 anos empandeiraram quase tudo, é verdade.

“Desapareceu o velho país solidário e nasceu um país de merda, personalista, individualista”

Entre 1975 e 2000 os países cujo Índice de Desenvolvimento Humano mais cresceu em todo o mundo, foram (excluindo pequenos países e nações do fim da lista)a Coreia do Sul +28%, Malta +20%, Portugal +19%, Chile +18%, Israel +13%, Irlanda +13% e Espanha +11%.

“...devemo-nos alegrar quando morre um hijo de puta.” (sobre as mortes de Salazar e Franco).

Surpresa: Sepúlveda alegra-se quando Israel mata dirigentes do Hamas.

“Os EUA são a nação terrorista por excelência. Quando sujeitos tão fanáticos e perigosos como Wolfowitz, Rumsfeld ou essa espécie de Michael Jackson perverso que é Condolezza Rice assumem o poder, as consequências são terríveis. Foram capazes de montar a invasão do Iraque com a ajuda de uma Inglaterra com problemas económicos e de um imbecil chamado Aznar, megalómano atroz com fã de protagonismo.”

Eu tenho muito mais medo de fanáticos como Sepúlveda que dizem tamanhas imbecilidades, do que de dirigentes eleitos em regimes democráticos.

[O povo americano] “...a maioria é ainda mais ignorante do que parece. Os EUA são responsáveis por alguns dos mais perigosos retrocessos da humanidade.”

Claro, os EUA são o país mais atrasado, toda a gente sabe. E nada de chamar anti-americano ao homem...

[Os EUA] “É uma nação à qual continuam a chegar emigrantes que crescem e morrem sem nunca passar de um estado de sobrevivência. Viverão sempre em condições terrivelmente hostis.”

Nos EUA só as famílias tradicionais americanas é que têm hipótese. A imigração nunca foi a lado nenhum...

“Chega a doer quando alguém se diz de esquerda, mas não renuncia a parte da sua comodidade. Temos que vigiar constantemente a estupidez que nos rodeia e tenta devorar-nos. ... E sinto-me orgulhoso de não me ter transformado num burguês de merda”.

Vá lá pessoal. Tudo a dar o salário para acções de solidariedade e de ajuda aos mais desfavorecidos. E nada de dizer que ‘para esse peditório, já dei’.

sábado, setembro 06, 2003

  Portugal

Temos uma grande equipa, mas contra a Espanha jogamos murchos.


Elefante, Lisboa, 1977

  TSF de Esquerda?

Noticiário das 10:00.

1. Demisão de Mahmoud Abbas, em conflito com Arafat. Comentador TSF: José Goulão. Resumo do comentário: Sharon conseguiu mais uma vez destruir o processo de paz, o seu objectivo de sempre porque Israel negoceia sempre em falso. Agora, Sharon prepara-se para assassinar Arafat. Além disso, Abbas demitiu-se porque Israel isto, Israel aquilo, Israel e mais Israel. A TSF não ouviu mais ninguém.

2. O Guardian (sempre o Guardian) publicou um artigo de um antigo ministro do governo de Blair. Michael Meacher informa que os americanos sabiam do atentado às torres gémeas mas não fizeram nada porque queriam um argumento para impôr o seu império e controlar o petróleo no mundo. O tom de voz era: ‘tão a ver?... os gajos sabiam...”.

O comentário da embaixada americana em Londres "Mr Meacher's fantastic allegations - especially his assertion that the US government knowingly stood by while terrorists killed some 3,000 innocents in New York, Pennsylvania and Virginia - would be monstrous, and monstrously offensive, if they came from someone serious or credible." foi apresentado no fim. Não sem antes se ter sugerido que este artigo colocava ainda mais pressão em Blair. A minha companhia no carro, que apesar de bloquista é uma excelente pessoa, comentou: ‘eheheh, olha como os gajos ficaram à rasca’. Referia-se aos americanos, claro. Ou aos ingleses. Referi que as entoações podem fazer um artigo parolo parecer sério e um comentário jocoso parecer ridículo.

Quase a terminar, ‘Médicos de Setúbal em Greve’. Querem receber horas extraordinárias num montante que a administração acha que não lhes deve (mas esse detalhe não foi dito na notícia). Cerca de 5.000 contos para cada médico. Ouve-se o homem do sindicato (apenas) que alerta para os perigos que a população corre e os riscos em caso de urgências, por haver falta de médicos, por culpa da administração. Em caso de necessidade os doentes de cardiologia correm perigo de vida, por culpa da administração. A frase final é fantástica: por questões de deontologia médica, os responsáveis pela greve vão organizar um sistema de transferências para outros hospitais, para salvarem vidas. Suponho que salvam as vidas que a administração do hospital deixaria morrer por não pagar mais 5.000 contos a cada um. Gestores assassinos!

A última notícia foi totalmente isenta. Portugal perdeu com a Turquia em SUB-21.

sexta-feira, setembro 05, 2003

  Como Engordar o Sitemeter

Pergunta o neo, imaginando que para o fazer seria necessário cumprir com as 17 instruções do manual do Avatares. O jaquinzinhos dá uma ajuda:

Para engordar o sitemeter basta copiar o parágrafo seguinte para o vosso blog:

Encontro gay gays lesbica lesbicas mulher mulheres homem homens jordana jardel karen pelada boca nua sexo gratis gratuito borla massagem escort acompanhante pedofilia casa pia miguel paulo portas paulo dentro pedroso carlos cruz marisa cruz ferro rodrigues bikini oral anal angelina jolie twist sexyhot íntimo playboy fotos big brother catherine deneuve muito mentiroso bibi bóbó colegial bunda trepa trepar pipi pila pilinha fotos video videos adultos benfica sporting porto emplastro meter tirar ídolos sofia alves pedro pires telemóveis telemóvel toques download porno erotico warez mp3 tesão orgasmo equador sousa tavares beckham carlos queiroz cristiano ronaldo quaresma april lavigne madonna aventura simão sabrosa deco queca alexandra lencastre decreto lei portaria porcaria vilar perdizes bloco esquerda direita canzana taoismo centro socialista comunista festa avante conservador neoconservador arafat fidel lula europa iraque bush bushismo wolfowitz rumshfeld top sites anedotas radical sms biografia bola mamas breasts boaventura fernando rosas capitalismo neoliberal globalização alterglobalização antiglobalização aquecimento global lomborg baleias concurso boobies sapo gsm amazon comercial rtp sic tvi online antena best rock pacheco pereira cidade telepac netcabo mega freeware software asiáticas robim williams nicole kidman fetiche taras sado masoquismo pretas loiras hardware digital camcorder dvd flat mensageiro cinema jlo jennifer lopez asere je linux expresso publico dn jn bola meninas ribeira do sado carrapatos orelhas shakira recorde caras forum foruns vibrador menage trois hotel motel requinte euro 2004 69 boceta jbmendes alvalade luz webpage israel palestina hamas sharon amor vendas colocação professores ministério irs irc iva vitor baía scolari pinto da costa markl advogado felícia cabrita newsletters Rede net internet universidade faculdade emprego automóvel leilões astrologia desporto saúde jogos lara croft tomb raider virus chat logos amadoras virgem maluca louca britney spears.

Sucesso garantido. Se formos muito destrambelhamos ainda mais o google...

  Uiiii, esta doeu...

Num debate em que PVG e Rui Tavares (fora da blogosfera) discutem o sufrágio universal (entre outros assuntos), este último saiu-se com esta:

"Os seus argumentos, que são os seus soldados, passam a vida brigando entre si, apostando às cartas ou bebendo vinho (tinto) e pensando em voltar à terra para se dedicar a outras tarefas. Não posso deixar de sentir simpatia por eles: soldados preguiçosos, desmotivados e desconfiados são sempre melhores que soldados frios, competentes e cumpridores. Mas eis que o general que V. é lhes exige que galopem, e eles lá vão como podem."

Independentemente de ser ou não verdade, é um delicioso naco pós-argumentativo...

  Ora bem, vamos nessa!

Acabo de receber no meu e-mail a enésima mensagem em que um tipo na Nigeria pretende enriquecer-me do dia para a noite. Desta vez quer oferecer-me 15% de 25 milhões de USD e para o conseguir, só tenho que me daclarar primo afastado de um casal de fazendeiros mortos na recente queda do Concorde em França, Wolfgang e Helga Schinister.

Ora bem, vamos nessa! Criei um e-mail fictício e respondi ao senhor JM Martins, director do International Remittance Department do Capital Bank International, em Lagos, Nigeria.

Em nome do senhor Joaquim Bacalhau Mendes (não resisti...), residente no bairro de Contomil, perto das Antas, agradeci-lhe a confiança depositada, manifestei a minha curiosidade pelo modo como obtiveram o meu nome e e-mail, perguntei-lhe se o Martins é um sobrenome português (deve ser por isso que me conhece!) e expliquei-lhe que a proposta dele chega na melhor altura: "I really need that money to put my life back on the rigth track again". Terminei esperançado que "there is nothing illegal going on..."

Aguardo ansiosamente a resposta do Jim, cujo e-mail acaba em @gay.com.

Se ele me responder, conta-se aqui.

  Era mesmo isso que eu queria dizer!

Em meados da década de 70, lembro-me que o Sr. Mourão passava o dia inteiro sentado numa cadeira do barbeiro da terra. Septuagenário, reformado, conversava horas perdidas sobre política, futebol, televisão e sobre todos os assuntos da câmara e da paróquia com o barbeiro, a sua 'freguesia' e outros que como ele tinham feito daquele local o 'centro de dia' da terceira idade masculina da zona. O Sr. Mourão, apesar de opinar sobre tudo, tinha enormes dificuldades de expressão. As opiniões eram sempre confusas e contraditórias e as conclusões das suas dissertações contradiziam quase sempre os argumentos que utilizava, atropelando o seu próprio raciocínio. Uma frase que lhe era atribuída pelos amigos era "Quem disseste isso? Ah, foste eu!". Até que, na onda média da telefonia sempre ligada, se ouvia a voz de um qualquer político da época de quem o Sr. Mourão gostava. Mário Soares e Tengarrinha eram dois dos preferidos e em quem ele depositava maior confiança. Quando eles acabavam de falar, logo dizia o Sr.Mourão: "Ora aí está! Era mesmo isso que eu queria dizer!"

Hoje lembrei-me do homem por causa deste debate entre direitas. Ao ler o post do Catalaxia intitulado Estar à Direita, apeteceu-me dizer:

- Ora aí está! Era mesmo isso que eu queria escrever!

Fim de Página