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domingo, novembro 30, 2003

  Horários de Trabalho

O jaquinzinhos foi pouco actualizado na semana passada. Nos últimos cinco dias úteis, trabalhei sempre mais do que 8 horas por dia. Na 3ª feira só consegui sair do escritório por volta das 2:00 da manhã. Não fui o único. Este projecto, que está quase a terminar, envolve mais algumas pessoas. E apesar de todas estas horas roubadas à família e ao descanso, ninguém receberá horas extraordinárias e ninguém se sente explorado.

Este trabalho em excesso foi voluntário: ninguém obrigou ninguém a trabalhar noite fora. Poderia facilmente terminar-se a mesma tarefa com menos horas consumidas, com um resultado de menor qualidade. O excesso de trabalho é apenas uma questão de brio profissional e de querer fazer bem.

Há quem não concorde e lute pela proibição de todo o trabalho excedentário, para lá de limites fixados na lei. Julgo que grande parte da nossa esquerda partilha desta opinião: é necessário proteger os trabalhadores deles próprios, das empresas, da competição, disto e daquilo. Mesmo quem não quer ser protegido. Provavelmente, na próxima semana ainda se trabalharão mais horas que o normal. Depois virá a acalmia de fim de ano. A compensação virá lá pelo fim do ano. Uns diazinhos de férias extra sabem sempre bem quando os filhos estão por casa.

Por causa do excesso de trabalho, não comentei a morte anunciada do PEC. A morte do Floco de Neve, cujo peluche comprado no próprio Zoo de Barça vive no quarto dos meus filhos. A derrocada leonina frente aos turcos. (São mouros, são turcos... ai quem nos acode?...). Algumas crónicas publicadas na imprensa. A Moderna. A rapidinha de Bush no Iraque. A Taça America. A continuada e disparatada incompreensão sobre os efeitos do déficite que anima grande parte da nossa esquerda. A falta de reacção dos poderes públicos a quem ameaça incumprir a lei com o maior desplante e à-vontade: estudantes e taxistas, por exemplo. Tudo excelentes temas que ficaram de fora.

Melhores dias virão.

sábado, novembro 29, 2003

  Assunto Familiar

Até hoje, no jaquinzinhos nunca foram tratados problemas de índole familiar. Desta vez vou abrir uma excepção. Há efectivamente um assunto que divide a minha família e que me tem preocupado nos últimos dias. Confesso que não sei como resolver este dilema e a opinião de terceiros é benvinda. Digam-me, por favor: X-Box ou PS2?

sexta-feira, novembro 28, 2003

  A Catedral Branca


Catedral de Maputo, 1999

quinta-feira, novembro 27, 2003

  Brincalhão

Cheguei a casa e o meu vizinho benfiquista tentou enganar-me: disse-me que o Sporting tinhe perdido por 3 com os turcos! LOL! O meu vizinho é um pândego...

  Uma Ficção de Justiça

9:15 Homem prevenido vale por dois. Compro o Público e a Visão.
9:21 Chegada ao Palácio da Justiça. Dirigi-me ao Juízo que me tinha convocado e esperei no balcão. “Aguarde aí fora, por favor, já o chamam.”
9:40 O átrio do tribunal está cheio de gente. Todos aguardam pela voz chamadora.
9:45 Há uma enorme cacofonia no átrio do tribunal. Rapazes e raparigas em vários andares atiram nomes para o ar. No meio do barulho ouço o meu nome. Não percebi quem me chamou. Aproximei-me do local da aparente origem do som e fiz adeus a uma rapariga em traje informal e com papeis nas mãos. Rabiscou qualquer coisa no papel.
9:55 Outra vez o meu nome. “Estou aqui!” A tal rapariga ficou confusa. “Mas o senhor já tinha dito presente... Ah, mas o senhor não é o Márcio, é o João. Então falta o Márcio." O Márcio levanta-se. “Já tinha dito que estava cá.” "Então quem e que falta?" Ninguém se acusou. "Pedro? Paulo? Francisco? Zebedeu? Ah, afinal estão todos, muito bem. Aguardem aqui por favor."
10:10 A mesma senhora: "os senhores João, Paulo, Pedro, Francisco, Márcio, Zebedeu e a Dona Augusta ... por favor, acompanhem-me." Levam-nos para uma salinha pequena. Na tabuleta da porta lia-se "Sala das Testemunhas". 4 cadeiras. 7 testemunhas.
10:20 Entram mais dez pessoas na sala. Explicam que são testemunhas abonatórias. Chamam uma delas. Fico em pânico. Vão ser todas chamadas antes de mim?
10:45 Alguém vem avisar algumas testemunhas abonatórias que só vão ser ouvidas noutro dia. Que alívio.
11:05 Já li a Visão e o Público. E agora?
11:25 As testemunhas começam alegremente a falar umas com as outras. Foi assim! Não, não, foi assim... Ahhh, talvez! De certeza que vão mudar um bocadinho as versões da história. Finalmente sei o que aconteceu.
11:30 Chamam a primeira testemunha.
11:35 O Márcio diz a uma menina que tem que sair à uma, o mais tardar. Tem que ir buscar a filha. A menina responde-lhe: “Tem que aguardar” e vai-se embora.
11:40 Uma das testemunhas começa a falar sobre o déficit. Repete uns jargões comuns, disserta sobre o Pibe e sobre os gajos que só querem engordar e conclui com um: “Pois está mal, sim senhora!” Ninguém o acompanha.
11:41 O Márcio começa a falar do buraco do autocarro. Encontra interlocutores interessados. Fico a saber que o subsolo de Lisboa é um verdadeiro queijo suíço, disse o Ribeiro Teles que é o homem que mais sabe destas coisas. A conversa anima. Nunca pensei que tanta gente soubesse tanto sobre subsolos.
11:50 Debate-se o caso pedofilia. O Márcio não compreende porque é que “um gajo que todas as gajas se querem enfiar debaixo” se vai meter numa alhada destas. Perguntei a mim mesmo se ele estava também a pensar na mulher dele. Explica que as testemunhas do Casa Pia já começaram a cantar. Por isso é que quiseram ver a pila aos gajos. Ainda vão mais dentro, querem apostar? Ninguém aposta.
12:05 Já comia qualquer coisa.
12:10 Acabei de ler o Público pela segunda vez.
12:20 O Márcio sabe imensas histórias sobre todos os assuntos. Está entusiasmado. Já ninguém o cala.
12:23 Chamam a segunda testemunha. Dona Augusta qualquer coisa. O Márcio explica-nos: nasceu em Agosto, chama-se Augusta. Eu nasci em Março chamo-me Márcio. Alguém responde. "Bem visto. Eu devia chamar-me Novêmbrio."
12:45 A fome aperta.
12:53 A meirinha (sei agora que é assim que se chama a menina das chamadas), entra na sala e diz-nos que devemos voltar todos no dia 17 de Dezembro. Hoje já não vão ser ouvidas mais testemunhas. Disponham do dia, informa-nos. O Márcio pergunta: “E quem é que me paga o dia?” Ninguém. Voltem a 17 e bico calado. Pergunto: "E não se pode apertar o intervalo, tem mesmo que ser todo o dia?": a meirinha explica: "O senhor vai ser o ... quarto a ser ouvido. Só deve ser depois de almoço, mas tem que estar cá às 10:00 para a chamada." O Márcio protesta: "Se não me pagarem o dia não venho." Fica a saber que será multado em 30 contos.
13:00 Tive sorte. Hoje, só perdi a manhã.

Em Abril há mais.

  2000 Km de Praia

Praias desertas, águas quentes, 2000 Km de costa. Moçambique.


Praia do Baião, cerca de 40 Km a sul do Tofo (Inhambane), Novembro de 1999.

  O Verdadeiro Canhoto

O Anti-Direita Portuguesa não tem sido devidamente acarinhado pela Anti-Esquerda lusa, pelo menos aqui na blogosfera. É que, muitas vezes, diz exactamente o que pensam os canhotos, sem floreados. Para o José, tudo é uma conspiração, todos os que não são canhotos são fachos, capitalistas, exploradores, gajos, criminosos, arrogantes. Usa em adjectivos o que lhe falta em discernimento.

Ontem repetiu 11 vezes o mesmo post. Como é que alguém consegue publicar 11 vezes o mesmo post e, aparentemente, não dar por isso?

quarta-feira, novembro 26, 2003

  Yeap.

15.897.600 segundos
264.960 minutos
4.416 horas
184 dias
6 meses
1/2 ano

  Eu Gosto é do Soares (do filho...)

José Vítor Malheiros é um não-sei-quê do Público. Director disto ou daquilo, webmaster e cronista nas horas vagas. A sua penúltima crónica teve um amplo eco na blogosfera lusa.

A minha primeira avaliação de JVM aconteceu no final de 2002. Os Fóruns do Público eram um local de debate participado, principalmente o Fórum Sons, com dezenas de forenses activos e centenas de posts diários. Os fóruns andavam muito bem sozinhos, até que o José Vítor apareceu para pôr ordem na casa. Num mês de brilhante actuação, enaquanto esfregava um olho, acabou com eles. Primeiro encerrou fóruns sem dizer água vai. Depois reabriu-os. Criou dezenas de novos fóruns que ninguém utilizava. Criou o Fórum Gay que protegia e armou-se em censor apagando debates que não lhe agradavam. E ao mesmo tempo tornou os fóruns inacessíveis, tal foi o aumento do tempo de acesso e de resposta. E, um belo dia, apagou todos os posts anteriores a uma dada data, atirando para o lixo meses de debates. Quando tentou corrigir a asneira, tornando público o arquivo dos posts antigos, já meio mundo se tinha mudado para o novo Fórum Sons, em que o moderador tinha para dar muito mais simpatia e um bom senso multiplicado por 1000.

Ou seja, o José Vítor, com raro tacto e habilidade, conseguiu destruir em pouco mais de um mês o que levara muitos meses a criar.

O Zé Vítor cronista publicou ontem uma crónica chamada EMEL. A crónica resume-se a isto: “Vai-te embora Santana, a gente até vota em ti para presidente da república, só para nos vermos livres de ti em Lisboa.” E porquê? Porque ao fim de 10 anos, a EMEL, finalmente, aparentemente começou a funcionar.

A EMEL foi criada em meados dos anos 90, com o objectivo de explorar o estacionamento de superfície em Lisboa. Como todas as boas empresas públicas, a administração da EMEL foi nomeada obedecendo aos critérios habituais de escolha para estas E.M’s: a gestão foi entregue a um grupo de poetas, sociólogos e de filósofos, amigos de longa data do senhor presidente da autarquia. Este grupo, de um amadorismo que saltava à vista, tomou conta da EMEL e rapidamente criou uma estrutura mastodôntica, com directores para dar e vender e excelentes regalias para todos. O costume. Diz-se que tinham mais directores que um banco.

Acredite-se que é difícil perder dinheiro com parquímetros. Os investimentos são irrisórios e os custos pequenos. Para que se entenda a eficiência da gestão soarista, a EMEL, que apenas paga à CML 25% das receitas que obtém dos parquímetros da cidade , conseguiu perder 500.000 contos num só ano. Como comparação, em Cascais a exploração foi entregue a uma empresa privada que pagava mais de 50% à autarquia por menos de 10% dos lugares e, ao que parece, não foi à falência.

A EMEL nunca funcionou. Ignorar os sapinhos e os seus papelinhos era a actuaçãp óbvia: as multas raramente chegavam e quando chegavam, raramente eram pagas. Bastava rasgá-las e nada acontecia.

Recentemente, com a nova administração, e após um ano de evidente paralisia, as coisas começaram a mexer. O bloqueio de rodas a veículos em infracção é fortemente dissuasor e as receitas da EMEL, ao que consta, terão disparado.

Por isso, ZVM chateou-se. Do que se queixa ele? Do facto dos fiscais da EMEL bloquearem veículos estacionados em locais próprios mas que não pagaram e ao lado estarem veículos nos passeios em relação aos quais nada acontece. Tem razão, o Zé Vitor: é mais seguro parar em segunda fila ou em cima do passeio. Estes são campos de actuação exclusivos da PSP e a incompetência e displicência desta organização no controle do estacionamento é histórica. Os polícias são mesmo os primeiros a dar o exemplo, como se pode ver perto de qualquer das nossas esquadras.

Mas então, o Zé Vitor errou o tiro: deve é bater na polícia. E deve bater-lhe bem, porque eles merecem. Ou então na lei, que, erradamente lhe atribui uma função para a qual não têm qualquer vocação. Mas neste caso em particular, o Zé Vítor deve aplaudir a CML: na parte que lhe compete, finalmente começou a funcionar. Aplauda-se.

Nota: O ZVM também errou aqui: ao contrário do que ele escreveu, não é verdade que quem “pagar o seu estacionamento e depois exceda o tempo pago em dez minutos corre um elevado risco de ver o seu carro bloqueado e multado”. Os bloqueadores só estão autorizados a actuar 2 horas depois de ter terminado o prazo do bilhete. Por isso, em Lisboa, há um truque simpes: pagar sempre o mínimo legal. Temos duas horas de tolerência antes de chegar o bloqueador. Ou então parar em cima do passeio, claro. Onde a Câmara não manda e a EMEL não pode actuar.

terça-feira, novembro 25, 2003

  Eles Andem Aí!

A Carga da Brigada Rosada!

segunda-feira, novembro 24, 2003

  Sabine

Já tinha lido o que sobre ela se escreveu na imprensa internacional, mas nunca a tinha visto excepto na foto do Telegraph. Obrigado, João.


Sabine Hérold, Liberté, j'écris ton nom.

  Avé César

Quando não é beato, João César das Neves merece ser lido. Hoje, no DN, JCN explica qual é a verdadeira luta dos dias que correm. (via Intermitente)

Escreve JCN:

"A verdadeira luta é um combate entre os que se julgam com direito ao dinheiro dos outros e os outros. A velha luta de classes não tinha, de facto, justificação. No processo produtivo, capitalistas e trabalhadores não são, na sua natureza, adversários na divisão de um bolo comum, mas parceiros no processo de o aumentar. Existem ocasiões de confronto distributivo, mas são secundárias e acidentais. Por isso essa contenda nunca teve a importância que alguns lhe queriam conceder. Mas existe um campo onde os participantes partilham um recurso escasso, num aflitivo «jogo das cadeiras»: o debate orçamental."

Tal como eu (ver post "Não Acredito"), JCN também aposta na derrota dos contribuintes.

"Em Portugal hoje há protestos dos mais variados lados. Ver indignados tantos sectores que sempre viveram à nossa custa tem de ser um bom sinal. O Governo deve estar, finalmente, a fazer verdadeiras reformas e a apertar nos sítios certos. Mas não haja ilusões: os contribuintes vão perder o embate. Passada a crise voltará o despesismo. Enquanto o ingénuo contribuinte não acordar e reagir, esta luta de classes, como a outra, tem um fim anunciado. No entanto, no meio da derrota clamorosa, os martirizados pagantes podem retirar algum conforto passageiro dos protestos daqueles que tanto gastam à sua custa. É este o único consolo dos vencidos na actual luta de classes."

Avé Cesar. Os vencidos saúdam-te.

  Novos Peixes na Banca da Direita (2)

Asul, Vodka Atónito, Vareta Funda, Isso Agora, O Teu Olhar, Mephistofeles, Paz-na-Estrada e Dias que Voam.

(Estavam no template desaparecido...)

Mais uma vez, benvindos a todos.

  A Aventura do Template Desaparecido

Por 24 horas o jaquinzinhos esteve desoperacional, inopinativo e infuncional porque destemplatizado. Com os posts impostáveis, o pânico foi grande. Aiiii, quem me ajuda! Socorro, que desgraça! Vieram os bons conselhos e agradeço a todos os que me ajudaram, principalmente aqueles a quem estou mais agradecido porque ajudaram mais. Durante a minha tentativa de correcção seguindo os conselhos dos conselheiros, a Pyra Labs devolveu-me o template. Está como dantes. Foi só dar um passeiozito pelo DSP (Dustbin dos Servers dos Pyrados) e regressou são e salvo, com mais uma aventura para contar. Agora vai ser acorrentado num directório do disco que é para aprender a nunca mais fugir sem deixar rasto.

Uff...

domingo, novembro 23, 2003

  Novos Peixes na Banca da Direita

Generalidade e Culatras, Duo Dinâmico, Primeiro Ministro, João Tilly, Irreflexões, Eclético, O Mundo da Rata Maluka, The Amazing Trout Blog, O Jumento.

Benvindos a todos.

  Não Acredito.

Perderam a vontade, ganhou a inércia. Tiveram medo. Em 10 de Janeiro de 2002, em plena pré-campanha eleitoral, escrevi em resposta a um forense do Público:

"O nosso maior (enorme!) problema a médio longo prazo chama-se despesa pública. Como fazer cortes substanciais nesta despesa quando todos aqueles cuja vida depende do orçamento de estado lutarão sempre (com maior ou menor justiça) por um aumento do seu quinhão?

Qualquer médico ou enfermeiro te dirá que o estado devia investir mais na saúde.
Qualquer professor ou estudante grita por mais recursos para a educação.
Os sindicatos da função pública querem aumentos de 6% e melhores carreiras com mais promoções.
Os reformados e pensionistas querem melhores reformas e pensões.
Os magistrados exigem mais investimentos na justiça.
Os polícias querem mais subsídios, melhores salários e os seus comandantes querem aumentar o perfil académico das corporações.
Os militares querem submarinos e aviões, melhores salários e regalias.
A Frente Unida para a Cultura quer triplicar as despesas na cultura.
As autarquias exigem aumentos de fundos e criam fontes de despesa rígida sem parar. Agora são as Polícias Municipais.
O RMG já vai em mais de 410.000 beneficiários e não para de crescer (num país onde se tem vivido quase em pleno emprego).

Para lá disto, o nosso futuro exige que o governo invista fortemente em infraestruturas. No cenário actual, Portugal já foi o país da Europa de menor crescimento, este ano. Somos os mais pobres e cada vez estamos mais atrás. No futuro próximo (a partir de Abril...) podem acontecer duas coisas, independentemente de quem ganhe as eleições:

Ou se continua como até aqui, aumentando todos os anos o quinhão de estado, e correndo mais tarde ou mais cedo o risco de estouro. Ou podemos cortar forte na despesa pública.

Teremos guerras e guerrinhas, corporações em peso em protesto, clima de guerrilha institucional e um governo de curta duração. Cortar forte na despesa pública só pode significar um explosivo cocktail que incluirá na sua receita coisas como programas de redução de funcionários públicos, encerramento de dezenas de institutos e comissões, concessões de serviços até aqui públicos, menos dinheiro para a saúde, educação e cultura (encerramento de escolas, diminuição de subsídios), cortes importantes em subsídios e na segurança social, privatizações da RTP, TAP, ANA, etc. Mas... só assim poderemos esperar taxas de crescimento futuras que nos aproximem da UE. Quem terá coragem? Estas coisas não são fáceis de conseguir em democracia.

Podemos também tentar o meio termo. Andar sem grande sobressaltos, com algum mau estar em alguns sectores, com taxas de crescimento baixas e com necessidades evidentes de aumento regular de impostos, vivendo do turismo e de pouco mais..."


Este é o 2º orçamento de um governo de Durão Barroso. A despesa pública continua a aumentar. Reconheça-se: apesar de alguns rugidos no início, não foram capazes. Guterres fugiu para evitar o futuro que se avizinhava. Durão não foi capaz de criar um novo futuro.

Mas o que é mais triste é ver que apesar da despesa continuar a aumentar, o clima de guerrilha institucional está aí. Ficam com a fama e o país não fica com o proveito.

Resta-me a consolação de acreditar que com Ferro as coisas seriam bem piores:

Foi em janeiro de 2002 que Ferro Rodrigues disse numa entrevista que "o aumento de gastos sociais era indispensável para nos aproximarmos de modelos sociais mais desenvolvidos do tipo do norte da Europa". É justamente esse o nosso problema. Temos governos com gostos escandinavos e um povo com uma realidade latina.

E agora, o quê?

sábado, novembro 22, 2003

  Plaza Mayor


Madrid, 2001

  A Intervenção da Objectividade Neste Mundo é Possível

Este blogue anda imbuído de um certo espírito de missão na iluminação de números sem senso. Em homenagem a alguém a quem troquei a profissão no penúltimo post, chamemos-lhe 'A Intervenção da Objectividade Neste Mundo é Possível'. Caro Bruno: mesmo sem conhecer as floristas de Coimbra, garanto-lhe que elas não fazem 80% da receita anual na semana da queima das fitas. Deve haver por aí um '0' a mais.

  O Jaquinzinhos errou!

Reconheço que também eu me sentiria muito envergonhado se alguém me chamasse o que quer que fosse que pudesse ser relacionado com o professor Boaventura.

Corrija-se: no último post, onde se lê sociólogo, leia-se antropólogo. Aqui ficam as minhas desculpas públicas a todos os antropólogos e ao Bruno.

sexta-feira, novembro 21, 2003

  Preocupação Posmoderna

O sociólogo Bruno está decididamente preocupado com o destino dos comerciantes de Coimbra, se os estudantes levarem em frente a terrível ameaça de não queimar as fitas em 2004.

Por isso pergunta a Francisco José Viegas "se terá uma noção do terrível impacto económico que isso terá para milhares de pessoas que nesta cidade vivem do comércio. É que para elas a notícia não podia ser mais desastrosa."

Parece que sem Queima das Fitas, o comércio coimbrão corre sério risco de desconstrução, tal como a autarquia de Setúbal...

Mas não se preocupe o Bruno: pode ter a certeza que haverá Queima. Nem que as propinas passem para o triplo... Vale uma apostinha? Na pior das hipóteses, a Unicer e a Cintra resolvem o problema oferecendo umas cervejolas aos dirigentes da AAC...

  Duzentos por cento, no mínimo!

A minha funcionária pública de estimação não sabia que a greve tinha tido 80% de adesão, segundo os sindicatos. Mesmo assim acredita que 80% é um valor possível. Para tal, basta que aos 10% de adesão dos locais em que trabalha se adicionem os 150% de adesão dos sítios por onde anda o homem do sindicato com as televisões atrás.


  Ninguém os Para

Blair e Bush atacam na Índia.

quinta-feira, novembro 20, 2003

  Eram Milhões, Biliões, Incontilhões...

No Blogo discute-se o número de manifestantes de Londres. A excitação é grande: já vamos nos 300.000. E demonstra-se: 100.000 na praça, mais bué do lado de fora.

Também quero fazer uma demonstração.

Velocidade do desfile: 2,5Km/h = 70 cm/s.
Largura Estimada para a Ponte de Waterloo: 15m.
Tempo de passagem na dita ponte: 95 minutos.
Número de manifestantes por m^2 em praças sem movimento: 2-3
Número de manifestantes por m^2 em desfiles: 1-1,5.
Em cada segundo, em cada secção de 15 m^2 da ponte deveriam estar 15-22 manifestantes.
Estes 15 a 22 manifestantes percorrem 1 metro de caminho em 1,4 segundos.

O número de manifestantes andaria entre os 60.000 e os 90.000

  A Dois

O homem que escreveu que "sem a URSS, e com o terminus da guerra fria, o mundo viu-se espartilhado por um garrote único na História, o de um só imperialismo globalizante, o norte-americano".

O homem que protestou contra o governo francês por este "não mexe[r] um dedo para impedir este fim lamentável e incompreensível" da Livraria Francesa de Lisboa e que protestou pelo abandono "cada vez mais nas mãos do afunilamento cultural americano que, mais do que globalizante, é estiolante e redutor".

O homem para quem, se a compra da Lusomundo pela PT avançar, «é a circulação de ideias que fica bloqueada; é o pluralismo, a independência e a isenção da comunicação social que estão em causa; são os valores de liberdade de expressão das diversas correntes que amalgamam o todo nacional que passam a correr um grande risco; é a eventualidade de afunilamento e de massificação da informação que se perfila, ameaçadora, no horizonte».

É este homem que não gosta do projecto da Dois, porque "não fica nada dito como vão ser escolhidos [os parceiros da sociedade civil], como vão participar nas prelecções, não fica dito como é que essa articulação vai assegurar o serviço público" e portanto "ficam dúvidas quanto a poder haver um favoritismo, eventualmente até um clientelismo, na escolha e no desenvolvimento da colaboração entre o operador público e os parceiros da sociedade civil".

Já sabemos que para os estatistas, enquanto o clientelismo for controlado por quem nós gostamos, tudo bem. Quando o clientelismo não é o nosso, o mundo fica perigoso. E eu, que não tinha grandes esperanças para o canal do ministro sarmento, começo a acreditar que poderá nem ser mau de todo. Para já, Sebastião Lima Rego está contra, o que é um fortíssimo ponto a favor do "A Dois".

  É do estado? Então é de borla!

Enganou-se o Barnabé:

"Dou apenas um dado: as famílias portuguesas pagam cerca de 40% dos custos globais da educação, a mais alta percentagem em toda a OCDE. Acho que chega."

Correcção: As famílias portuguesas pagam 100% dos custos globais da educação, exactamente a mesma percentagem de todos os países da OCDE.

  Muito Mau Gosto

Afinal o Muito Mentiroso não acabou. Agora está na Visão, na secção Puro Veneno.

  O Dia dos Jack-Asses

Eu sei que outros blogues já o fizeram, mas no dia da 'grande manifestação' londrina, esta carta de Frederick Forsyth merece um espaço também no meu blogue.

Dear Mr President,

Today you arrive in my country for the first state visit by an American president for many decades, and I bid you welcome.

You will find yourself assailed on every hand by some pretty pretentious characters collectively known as the British left. They traditionally believe they have a monopoly on morality and that your recent actions preclude you from the club. You opposed and destroyed the world's most blood-encrusted dictator. This is quite unforgivable.

I beg you to take no notice. The British left intermittently erupts like a pustule upon the buttock of a rather good country. Seventy years ago it opposed mobilisation against Adolf Hitler and worshipped the other genocide, Josef Stalin.

It has marched for Mao, Ho Chi Minh, Khrushchev, Brezhnev and Andropov. It has slobbered over Ceausescu and Mugabe. It has demonstrated against everything and everyone American for a century. Broadly speaking, it hates your country first, mine second.

Eleven years ago something dreadful happened. Maggie was ousted, Ronald retired, the Berlin wall fell and Gorby abolished communism. All the left's idols fell and its demons retired. For a decade there was nothing really to hate. But thank the Lord for his limitless mercy. Now they can applaud Saddam, Bin Laden, Kim Jong-Il... and hate a God-fearing Texan. So hallelujah and have a good time.

Frederick Forsyth


  A Luta Continua!

Os Freedom Fighters continuam a sua nobre missão e desta vez resolveram estoirar com mais uns quantos turcos e mais uns quantos iraquianos. Os 'targets' continuam a ser cirurgicamente escolhidos: todos sabemos que as maiores ameaças à liberdade são os funcionários e os clientes do HSBC Bank de Istambul, de um centro comercial popular e ainda a família de um sheik iraquiano.

Infelizmente, estes valorosos combatentes são obrigados a trabalhar na clandestinidade, uma vez que no Iraque vive-se uma ditadura imposta por uma maléfica potência ocupante. É lamentável que para destruir a sede da ONU em Bagdad, assassinar médicos da Cruz Vermelha ou simplesmente matar uma ministra que teve a veleidade de aparecer na TV sem véu, seja necessário actuar na clandestinidade ou recorrer a mártires do Islão.

É vergonhoso que os heróis da vitoriosa acção militar de hoje em Istambul não possam ser recebidos com toda a honra, glória e reconhecimento pelas ruas de Bagdad.

Temos que acabar com isto: é preciso que os nobres lutadores pela liberdade continuem a sua sagrada missão de cara descoberta, com dignidade e sem medo de represálias pelos inimigos da paz. Exige-se que as forças de ocupação abandonem imediatamente o Iraque.

Só com o saída imediata dos imperialistas americanos será possível ao povo iraquiano ser chacinado em liberdade. Todos a Londres hoje! Bush e Blair fora do Iraque, já! Bush Go Home! Vivam os Freedom Fighters!

  Believe It or Not? Not!

Lido aqui:

"Por cada 100 euros cobrados por serviços Brisa, a empresa tem um lucro de 72 euros."

Há quem não faça a mínima ideia dos assuntos sobre os quais escreve. E, porque este lucro mirabolante foi referido pelo jornalista da Antena 1, também há quem não faça a menor ideia do que está a ler.

quarta-feira, novembro 19, 2003

  CNN Breaking News

-- Authorities issue arrest warrant for entertainer Michael Jackson on one count of child molestation, police say.

Estará escondido em Neverland? Será que jmf são as iniciais de Jackson Michael Five? Hmmm...

  Faltam Médicos? O Papá Estado Vai Resolver...

Tenho um grande amigo que é médico. Endocrinologista competente, dividia a sua vida profissional por dois hospitais e, cada vez mais, pelo seu consultório particular. D. é adepto do papel crescente do estado na saúde, e nas discussões que tive com ele sobre este assunto, usa com frequência expressões como 'a saúde não é um negócio', 'o pecado do lucro', e outras máximas próprias de alguém que vota com convicção no Bloco de Esquerda. Apesar de ser contra a gestão privada de hospitais públicos (e de ser contra quase tudo o que é privado), um dos hospitais em que D. trabalhava era o Amadora-Sintra.

No fim de 2001, encontrei D. num jantar, dias antes de terminar o seu contrato com o Amadora-Sintra. D. contou-me: "No hospital "X", de gestão pública, num dia dou 3 primeiras (consultas a novos doentes) e 3 continuações. (doentes antigos). No Amadora Sintra em 5 horas dou 15 consultas. É muito pior.".

Não entendi. "É pior qual? O Amadora?"

"Claro! Mas pagam-me à consulta, tenho que dar muitas. É muito pior!".

Continuava sem entender. "Mas então, se dás 15 consultas num e 6 no outro... como é que é pior?"

Então explicou-me:

"Trabalho muito mais; não há tempo de repouso, porque quantos mais doentes atender mais ganho; não me deixam escolher a quem dou as consultas, no público somos nós que marcamos as segundas consultas e por isso podemos escolher os doentes mais interessantes; além disso posso canalizar para lá os meus doentes do consultório para fazerem algumas análises caras."

"Mas como é possível", perguntava eu. "Num lado em 5 horas fazes 15 consultas... 20 minutos cada uma. no outro, em 6 horas dás 6 consultas... 1 hora cada... "

D. esclareceu-me: "Não, a maior parte demoram só 10 ou 15 minutos nos dois lados, mas no 'X' temos muito mais tempo para outras coisas, para estudar, para ler, a pressão é muito menor."

Perguntei-lhe... "Mas então, a administração não lhes impõe um número mínimo de consultas?"

A resposta foi esclarecedora: "Era só o que faltava! Quem decide somos nós, os médicos da especialidade, e entre todos decidimos que cada um só faz 3 consultas a novos doentes."

Auto-gestão. Mas o que na altura me surpreendeu ainda mais, foi o anúncio que D. fez em seguida: devido ao sucesso do seu consultório particular, ia abandonar o Amadora-Sintra e ficar apenas no Hospital 'X', apesar de ganhar significativamente menos neste hospital do que no hospital com gestão privada.

Perguntei: "Então se ganhas mais no Amadora-Sintra, porque é que não deixas o outro hospital?"

Respondeu-me: "Não posso! O Hospital 'X' faz-me falta para as continuações... Como sou eu que faço as marcações, quando um doente meu precisa de análises, marco-lhe uma consulta. No Amadora, são eles que marcam...".

"Então o que me estás a dizer, é que os teus doentes particulares fazem análises gratuitas no hospital público..."

E D. respondeu: "Evidentemente! Fazes ideia de quanto custa uma bateria de testes para cada doente? Se não fossem de borla, muitos dos meus doentes nem podiam fazer todas as análises... E além disso, todos têm direito à saúde gratuita, e se não vão ao hospital por falta de capacidade, ao menos façam as análises sem serem obrigados a pagar."

O que mais me surpreendeu nesta argumentação, é a naturalidade com que ela é apresentada. Assim é que está bem. Não é de admirar que D. tenha sido um dos grandes activistas contra as mudanças na gestão nos hospitais públicos.

Ah, é verdade, parece que faltam médicos nos hospitais. O papá estado vai resolver: venham mais.

  Esmagador!

Este é um dos meus blogues preferidos. Fonte de inspiração permanente, não há como ler este blogue para aumentar o ego de quem não se revê na esquerda. Hoje, gostei particularmente desta frase, escrita depois de uma citação de Vital Moreira:

"Cito-as para quebrar esta sensação de total isolamento na Blogosfera portuguesa, dominada esmagadoramente pela direita e onde a esquerda mais visitada, ou porque está demasiado ligada sob o ponto de vista partidário ou porque a principal preocupação em relação à direita não é atacá-la frontalmente mas procurar agradar-lhe, parece ter poucas convicções de esquerda."

E agora, será que a a esquerda mais visitada irá comentar este post? Vá lá, digam da vossa justiça, quanto mais não seja para agradar à direita emagadora...

terça-feira, novembro 18, 2003

  O Estádio do Dragon

O novo estádio do Porto é muito bonito, e a festa de inauguração foi a melhor das três que as têvês nos mostraram.

Noto com prazer que o Sporting conseguiu inaugurar o seu segundo relvado ainda antes do Porto ter inaugurado o seu primeiro. O Porto promete recuperar e pretende inaugurar o seu segundo relvado antes do Sporting inaugurar o terceiro.

Também gostei de ver Luís de Matos adivinhar o resultado do jogo, embora ninguém tenha aberto a boca de espanto, pelo menos no Porto. Pinto da Costa terá mesmo dito: 'Ora! Isso de saber os resultados antes dos jogos já eu faço à mais de binte anos!'.

Também eu me vou dedicar a adivinhações: O novo estádio do Dragon terá um nome diferente no futuro: Estádio Senhor Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa. O bar do estádio vai chamar-se Salão Reinaldo Teles. Vale uma apostinha?

  Blogo Lento

O Jaquinzinhos não tem dado a devida atenção a muitos assuntos interessantes, por diversos motivos. O primeiro é o problema da concorrência interna: Nas horas de blogar, os filhos querem escrever cartas ao Pai Natal e surfar na Net em busca das últimas novidades da Bayblade; a cara-metade matraqueia no teclado o resto do tempo. Por outro lado, tenho trabalhado muitas vezes até tarde, voluntariamente e sem receber horas extras. É a retoma a bater à porta. E para cúmulo, a minha agenda dos últimos fins-de-semana deve ser parecida com a da Tatiana Romanova, mas sem jóias. Os dois últimos fins de semana foram distribuídos por casamentos e festas de aniversário, sempre até às tantas.

Gostava muito de ter escrito alguns bitaites sobre:

1. O Forum Social Europeu. Um dos primeiros trabalhos do Jaquinzinhos foi a cobertura blogueira do Forum Social Português. Ambicionava fazer o mesmo com o Forum Social Europeu. Não deve haver outra ocorrência neste mundo globalizado onde haja tantos assuntos inspiradores deste blogue como as diatribes anti-globalização, vulgo alter-globalização, vulgo alter-mundialistas. Para aqueles que conseguem levar o FSE a sério, o Paulo Pereira conta tudo apaixonadamente.

2. O TGV. Em tempos tive acesso ao estudo económico do primeiro projecto do TGV, o do Pi deitado. A valia económica do projecto era escandalosamente negativa, um extraordinário monumento ao esbanjamento de dinheiros públicos. Falando de memória, tratava-se de um investimento de 1.500 milhões de contos. Vale a pena escrever outra vez: 1.500 milhões de contos. As receitas que viabilizavam o investimento, apesar dos elevados montantes de subsídios, eram de cerca de 60 contos por ano (+IVA) por cada português adulto: 300 milhões de contos por ano. Uma barbaridade.

3. As horas extras dos bancos portugueses. Há casos e casos e é muito diferente falar de quadros ou de trabalhadores indiferenciados. Em tempos, escrevi sobre este assunto. Aqui e aqui.

Ah, e não se deve assobiar nos jogos da selecção, excepto se estiver a tocar o hino e não se souber a letra.

segunda-feira, novembro 17, 2003

  A Grande Poupança

No Público:

"O jornal suíço "Le Matin" escreve hoje que Valência é a cidade escolhida para organizar a Taça América em vela, deixando para trás, entre outras, Lisboa e Cascais. O Governo português minimiza a notícia e continua empenhado na candidatura.
...
O "Le Matin" destaca que "a candidatura de Valência tem sido a mais discreta e tranquila", em contraste com as outras candidatas - Lisboa, Marselha e Nápoles - que são palcos de reivindicações por parte de vários sectores laborais."


Isto sim, parece-me uma ajuda decisiva no combate ao despesismo.

  Insignificâncias

Estádio da Luz, Alvalade XXI, Dragão, Aveiro, Guimarães. Insignificâncias.







São chinesices senhor. Mais aqui. (com os devidos cumprimentos a Mr.Onion)

domingo, novembro 16, 2003

  Abertura



  What movie Do you Belong in?

Saiu-me este. Vou entrar em depressão por muitas horas. Estou falido, sou inseguro e armo-me em duro.

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Fight Club!

Teste aqui.

  A Profundidade do Pensamento Alterglobalizador

Hoje, no Público:

"No fim do cortejo, seguiam os partidos políticos franceses a fecharem a marcha. Os trotskistas da Liga Comunista Revolucionária, os Verdes, comunistas e os socialistas, que foram vivamente criticados durante o FSE. No fim da manifestação, um grupo de anarquista atacou a delegação de dirigentes socialistas, bombardeando-os com garrafas de água e iogurtes. Seguiu-se uma cena de pancadaria entre militantes socialistas e manifestantes anarquistas, que só parou quando a polícia separou os dois grupos."

  Early Morning Morons

"Somos contra a liberdade generalizada das trocas comerciais, porque só beneficiam aos mais fortes." - Bernard Cassen, fundador da associação ATTAC.

quinta-feira, novembro 13, 2003

  Grande Leão


Leão, 1992-Nov 2003

  Ninguém Consegue Travar o Barnabé

O luso-ibérico TGV parece-me ser um péssimo investimento (é a minha opinião até que me provem o contrário), destruidor de valor e com um retorno muito aquém dos recursos que se vão consumir na fase de investimento. Por isso, tudo o que for feito para travar este projecto, é benvindo. Tudo, excepto dar tiros nos pés.

Depois de explicar com convicção que um TGV precisa de 150Km para atingir a velocidade máxima, Daniel Oliveira foi evidentemente contestado. Respondeu de cátredra:

"Ao contrário de ti, fui jornalista na área das obras públicas e transportes, foi isso que fiz durante uns anos. Não faz de mim um génio, mas, ao que parece, faz de mim uma pessoa que sabe mais do que tu sobre a matéria. Li, para meu desgosto, muito sobre o TGV. Sobre os seus custos, o minimo critico necessário de passageiros para não ser uma catastrofe económica, as distâncias necessárias para se potenciar as suas vantagens. Dito isto, digo-te que os 150 quilómetros é a distância que o TGV demora a atingir a velocidade máxima, em exploração normal, e os 50 quilómetros são os necessários para uma travagem segura."

Depois, imitou Sevinate e pediu desculpa. Já antes tinha escrito nos comentários:

"Reconheço um erro resultado de uma leitura descuidada de notas antigas: a distância necessária para acelaração máxima é de 25 km. Bem diferente, reconheço. Por este lapso, que me desculpem os que me corrigiram e aos restantes."

Desculpas aceites. Mas sobre a distância de travagem, (evidentemente disparatadíssima) insiste:

"Quanto aos 50 km para uma travagem em segurança, que o Irreflexões desmentiu (à sorte), confirmei-os. Certissimos. Esta demora de travagem tem ver com o peso do veículo."

Deve ter consultado um antigo manual de comboios da URSS, e imagina um TGV com travões de tambor. E o Daniel conclui o seu comentário, a um leitor do seu blogue:

"Da próxima vez verificarei à primeira. E você, da próxima vez que desmentir, também o fará, antes de insultar. O insulto é mais fácil, bem sei, mas é menos sério. Teria, como vê, alguém que dá a mão à palmatória. Não é facil dar, mas dá. Espero que você procure informações sobre o tempo de travagem e faça o mesmo."

Aguado que o Barnabé dê novamente a mão à palmatória. Vai ser difícil. Arrancou a toda a velocidade e agora são precisos 50 posts para travá-lo.

Que é que tem o TGV do barnabé, que é diferente dos outros?

  Curtas Notas Blogosféricos de um Dia sem Tempo

1. O Jotinha do Terras do Nunca sugere que a entrevista de Ferro deve ter sido interessante porque o autor deste vosso blogue adormeceu. Talvez jmf tenha razão, basta não acreditar na generalidade das opiniões expressas pela pena dos seus colegas jornalistas. Mas no meu caso particular, não foi um caso de 'não querer ouvir'. Queria e muito. Afinal, Ferro é uma das principais musas inspiradoras do jaquinzinhos. Lutei com todas as minhas forças para ficar acordado... e perdi.

2. É por isto, isto, isto e mais isto, que o Liberdade de Expressão é um dos melhores da luso-blogosfera.

3. J., dos canhotos, depois de ter explicado com convicção que a história do emprego da Aldegundes não se podia passar em Portugal (que ideia, é o pão nosso de cada dia...), começou a escrever uma novela ‘tipicamente portuguesa’. Vale a pena ler. A visão que a esquerda tem do mundo, em directo do cruzes canhoto. Que eles vivem em busca duma utopia, já se sabia. Que nem a realidade do país onde vivem conheçam, já é mais estranho...

quarta-feira, novembro 12, 2003

  O Teste

92 pontos. (Áustria 21 - Chicago 4)


  Entrevistas

1. A Entevista do Dia

Alexandre Monteiro entrevistado pelo Bom Selvagem.

2. A Entrevista da Noite

Ontem houve uma entrevista sobre a Casa Pia. Sobre a libertação de Paulo Pedroso, Ferro contou-nos que o passeio parlamentar é para lamentar. Depois adormeci.

  A Judite deve estar aí a chegar.

Chegaram a este blogue através desta pesquisa.

Embora já esteja habituado a certas singularidades do Google, é para mim preocupante que o 'jaquinzinhos' seja a única sugestão para alguém que pretende saber "como faço para roubar dinheiro de bancos através de transferência"...

terça-feira, novembro 11, 2003

  A Torre


Torre Vasco da Gama, Lisboa, Janeiro de 2001

  As Bocas dos Blogues do Burgo

1. O J. do Cruzes está a contar-nos uma histórinha, como resposta à historieta da Aldegundes. Deve ser uma coisa mesmo fixe, não só porque demoraram 8 dias a estudar o assunto, como ainda por cima a contam por capítulos, tipo telenovela.

Aguardo ansiosamente pelo próximo capítulo... que malvadez fará o senhor Braz ao fisco para comprar o Ferrari ao filho? O Sr. Braz, é funcionário público ou agente da Fifa? O Sr.Braz poderá dar emprego à Aldegundes? E a D. Alzira, quem é ela?

Até aposto que tanto o Sr. Braz como a D. Alzira são agentes do capitalismo selvagem neo-liberal, filo-americanos, pró-guerra, libertários anti-emigração, líderes do empresariado corrupto-esclavagista, procto-sionistas, discrimindores de grupos de opção sexual minoritária, poluidores de rios, empregadores de africanos ilegais e que gostam de ver o Big Brother. Acertei?

Infelizmente, a histórinha dos canhotos parece demasiado forçada. É que não conheço rigorosamente ninguém que tenha um Ferrari (haverá por aí umas centenas, ao que sei), mas é muito, muito fácil encontrar por aí umas dezenas de milhares de Aldegundes...

2. O Crítico informa que nada tem a ver com equídeos livres e gado vacum mongol, mas a história do sexo oral em Singapura faz muito sentido, porque, 'Singapura é o "País mais Liberal do Mundo" segundo o mesmo Jaquinzinhos. O modelo para qualquer liberal que se preze'..

Ora cá o João nunca tal coisa afirmou, nem por sombras. Singapura tem uma economia livre, o que explica grande parte do seu sucesso, mas nenhum regime que intervenha punitivamente em acções tomadas de livre vontade por cidadãos conscientes que não ponham em causa a liberdade de terceiros, pode ter o aval de qualquer liberal que se preze. Essa é a mesma razão porque nenhuma ditadura é moralmente aceitável, seja de direita ou de esquerda, de economia liberal ou socialista.

E, evidentemente, ninguém tem nada a ver com as opções livres de todos os que rejeitam o coitocentrismo reprodutor como finalidade única das relações entre sexos.

Refira-se que não tenho grande esperança que esta mensagem passe. O Henrique vai continuar a acreditar que ser liberal é querer fugir ao fisco, ir de automóvel para Lisboa ou urinar em Hong Kong. Outros, com muito mais talento do que eu para a educação de adultos, já tentaram explicar-lhe os mais básicos conceitos de liberdade e não conseguiram. Até já ouvi dizer (mas não acredito) que naquela cabeçinha, não entra nada com mais de 7 sílabas: dó,ré,mi,fá,sol,lá e si...

  O Que é um Bom Orçamento

Um bom orçamento é aquele em que os aumentos aos reformados fossem significativamente superiores, como bem salientou Francisco Louçã no debate do orçamento.

Um bom orçamento é aquele que universaliza o ensino pré-escolar público gratuito a todas as crianças a partir dos 3 anos, principalmente se viverem em zonas de baixa densidade populacional, como muito bem refere a Fenprof, citando a proposta do Bloco de Esquerda à alteração da Lei de Bases do sistema educativo.

Um bom orçamento é aquele que aumente os salários dos trabalhadores da função pública no mínimo em 5,5%, os subsídios de refeição em 50% e que aumente as deduções em sede de IRS, como exige o Conselho Nacional da Fenprof.

Para o Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, para este ser um bom orçamento, teria que haver mais investimento na Justiça (e também na Educação).

A CGTP, por sua vez, manifesta-se contra cortes no investimento público, na saúde, na economia e nas obras públicas. Também é contra mais privatizações. Por isso, este é um mau orçamento.

Os estudantes do ensino superior continuam a sua luta contra o pagamento de propinas e várias associações de estudantes continuam a exigir que se atinga a norma constitucional de termos um ensino tendencialmente gratuito.

Para gostar mais deste orçamento, a Juventude Socialista, tendo em atenção as dificuldades dos jovens na aquisição de casa, exige o regresso do crédito bonificado na compra de habitação.

Quem anda muito preocupada com este orçamento, é a Associação Nacional de Municípios. Exige o fim das restrições ao endividamento das autarquias. Querem, justamente, gastar já hoje muito mais do que o que gastam. Afinal, as eleições estão aí à porta e o endividamento contratado hoje só vai ser pago por quem a seguir vier. Entretanto, apresentam uma alternativa: sacar dinheiro aos turistas que passam pelas nossas terrinhas.

O General Loureiro dos Santos, por sua vez, está zangado com o orçamento da defesa. É mais do mesmo. Infelizmente. Fica bem longe de satisfazer as suas previsíveis necessidades e não permite sequer pagar as dívidas. Assim, orçamento ao fundo.

A LPN protesta com toda a razão, contra o parca dotação orçamental para o Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável.

Já a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, apenas exige para os seus profissionais mais promoções, melhor progressão nas carreiras, subsídios, dispensas, etc, etc. Tudo justíssimo, evidentemente.

Este também não é um bom orçamento para a cultura. Santos Silva, do Partido Socialista, lamenta que os valores sejam inferiores aqueles que o seu governo gastava, salientando que quando deixou o MC o crescimento já tinha estagnado naquilo que considerava ser "um mínimo aceitável.

A AEP, em relação a este orçamento, lamenta que o governo tenha feito 'orelhas de mercador'. Parece que querem pagar menos impostos e ter mais benefícios fiscais.

Já as PMEs só criticam a falta de apoios. Lino de Carvalho, do PCP, concorda. É preciso "estimular os factores de desenvolvimento da economia e das empresas portuguesas. A obsessão do défice tem estrangulado o investimento público (mesmo aquele que é decisivo para a obtenção de fundos comunitários) e o apoio do Estado às micro e PME's".

Pior é a opinião da PME Portugal: A proposta de lei relativa ao Orçamento de Estado (OE) contém “medidas de extraordinária gravidade para a equidade fiscal, recuperação económica e desenvolvimento do País”. Impostos a mais, reclamam. Principalmente o Pagamento Especial por Conta.

O Sindicato dos Técnicos do Estado, critica a degradação do nível de despesas com pessoal no sector público. Era preciso gastar mais, para este não ser um mau orçamento.

Pelo país fora, muitos autarcas e regionalistas criticam o orçamento. Este autarca, de Santarém, diz que o distrito está parado. Queixa-se de muitos milhões de euros em falta.

Onde as críticas ao orçamento são maiores é no site do PS. O partido de Ferro Rodrigues reclama maiores investimentos públicos, preocupa-se com cortes nas verbas para os distritos, lamenta a falta de incentivos para o interior, não quer ouvir falar em portagens nas SCUTs, quer mais dinheiro para a ciência, critica os parcos aumentos das pensões, por aí fora.

Mas atenção: O PS quer que o governo gaste mais este ano, mas não nos anos seguintes...

Apenas falta salientar que também se critica o orçamento por:

Ser recessivo, e despesista ao mesmo tempo, ter obsessão pelo déficite e ao mesmo tempo ter um déficite real enorme escondido por manigâncias e gastar pouco em relação ao que devia e ao mesmo tempo não fazer consolidação orçamental.

Em conclusão: um bom orçamento para 2004, gastaria o dobro cobrando metade dos impostos, reduzindo o endividamento e sem déficite. Tudo às claras, sem maningâncias. Que bom.

segunda-feira, novembro 10, 2003

  Agradeço e Retribuo.

Dedicado ao Crítico Musical:

Leio neste artigo que "En Mongolia hay 11 millones de ovejas, 9 millones de cabras, 2 millones de vacas, 300.000 camellos y... 2,2 millones de caballos. Sobre todo, caballos. Tantos caballos como habitantes, en un país que tiene la menor densidad de población de Asia. La imagen de esos caballos en grandes manadas completamente libres, bebiendo las cristalinas aguas de un río en la inmensidad infinita de la pradera, sin cercas ni vallas, produce una sensación de libertad irrepetible."

Nota: Não vale a pena perder tempo a procurar a eventual relação entre o crítico e fauna mongol. Estou apenas a retribuir uma gentileza do Henrique, que me dedicou um bonito artigo sobre sexo oral em Singapura; achei que seria educado retribuir-lhe e, utilizando lógica e critérios equivalentes, escolhi um artigo sobre equídeos livres e gado vacum na Mongolia.

  Glória Cubana

Paulo Pereira, do Blogo Social Português, conta-nos que a ONU recomenda o fim do bloqueio a Cuba pela 12ª vez.

Leio no blogo que o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, "qualificou o bloqueio como uma violação dos direitos humanos flagrante, massiva e sistemática".E pergunta: "Quantas carências e sofrimentos nós teríamos poupado sem o bloqueio? Quão mais longe teria chegado Cuba em sua nobre obra de igualdade e justiça social se estivesse eximida de enfrentar este bloqueio feroz e desapiedado por mais de quatro décadas?"

Leio e espanto-me. 10 notas sobre o assunto:

1. Um dirigente cubano critica uma "violação dos direitos humanos flagrante, massiva e sistemática"? Soa tão a falso como ouvir o papa criticar as missas, um médico criticar os medicamentos, um ambientalista criticar as florestas, ou Pina Moura criticar os déficites.

2.A pergunta do ministro é muito interessante. Sugere-me outra: "Quantas carências e sofrimentos nós teríamos poupado sem o regime de Fidel? Quão mais longe teria chegado Cuba em sua nobre obra de igualdade e justiça social se estivesse eximida de enfrentar este regime feroz e desapiedado por mais de quatro décadas?"

3. Não há nenhum bloqueio a Cuba, há um embargo por parte dos EUA e que é ignorado na prática pela generalidade dos países do mundo, de tal modo que o impacto do bloqueio se tornou praticamente irrelevante. Cuba pode manter relações comerciais com 180 nações do mundo e tem assento em todas as organizações internacionais. Afirmar que o embargo norte-americano é responsável por Cuba ser hoje o país da América com menor rendimento per capita, é um grande elogio ao capitalismo. Taiwan é vítima de um bloqueio muito mais violento pelo seu gigante vizinho e tem prosperado.

4. Até meados dos anos 80, por vontade própria, Cuba privilegiava as relações comerciais com os antigos países socialistas. Hoje Cuba consegue manter comércio com praticamente todos os países do mundo, uma vez que ninguém respeita o boicote excepto os americanos e mesmo esses, parcialmente. A situação chegou a tal ponto que é hoje relativamente fácil para um turista norte-americano fazer férias em Cuba, via México. Infelizmente, se não há mais trocas comerciais é porque a miséria reinante o impede.

5. Qualquer empresa portuguesa pode fazer os negócios que entender com Cuba em perfeita liberdade, ignorando por completo a lei Helms-Burton. Do lado cubano é que já não é bem assim. Só algumas empresas autorizadas podem negociar com o estrangeiro. Há um embargo interno na economia cubana que não permite que os próprios cubanos mantenham relações económicas internacionais.

6. Parece que há quem acredite que se não fosse o embargo, Cuba estaria cheia de empresas americanas. Acontece que foi o regime cubano que limitou VOLUNTARIAMENTE as trocas comerciais e os investimentos estrangeiros no seu país por via da sua própria legislação. Apenas na última década, Cuba liberalizou marginalmente a sua legislação sobre o investimento estrangeiro e apenas em alguns sectores específicos da actividade económica. Enquanto a legislação económica cubana não mudar muito mais do que já mudou, as empresas racionais só investirão em Cuba se conseguirem contratos com o seu próprio governo ou com o governo cubano que garantam a protecção dos investimentos. E se bem que as leis permitam algum investimento externo, continuam a impedir a liberdade económica internamente.

7. Imagine-se o que aconteceria em Portugal se o governo decidisse nacionalizar os bens de empresas estrangeiras, abandonar o euro e substitui-lo por uma moeda não convertível, impedir o investimento externo por 30 anos e expulsar as empresas estrangeiras que actualmente têm actividade em Portugal, aumentar brutalmente as pautas aduaneiras, impedir a propriedade privada e cercear a livre iniciativa económica. Com ou sem bloqueios, Portugal atingiria rapidamente o nível de Cuba.

8. O acesso ao know-how não é problema para Cuba. Problema é a escassez económica que impede a compra de know-how.

9. Agora o regime Cubano proclama que necessita do capitalismo para sobreviver, ou seja, a mais completa antítese dos princípios que o fundamentam. Confunde-me essa permanente contradição a que tantos se agarram, ao exigir que a experiência socialista só é válida se abrir a fronteira ao vizinho capitalista. Afinal, não é o regime socialista de Cuba que espera alcançar a auto-suficiência dos seus cidadãos através de uma economia cientificamente planeada, e baseada na expropriação pública dos meios de produção e da sua utilização ao serviço do povo?

10. A Fidel, o embargo dá um jeitão, é a desculpa perfeita para a miséria do povo.

  O Pandemónio

1. Previa-se para hoje uma reencenação do Inferno na entrada de Lisboa pelas Amoreiras. Desde ontem que os avisos eram insistentes. Escolham alternativas. Vão por aqui. Vão por ali. A CRIL! A CREL! A Praça de Espanha! A Marginal! As televisões estavam lá todas, esta manhã. Resultado: não me recordo da última vez em que, num dia útil, demorei menos de 5 minutos desde o alto de Monsanto até ao parque do Marquês de Pombal.

2. Hoje, todos os noticiários vão contar ao mundo que, afinal, é fácil entrar em Lisboa sem túnel. Como consequência do 'hype' informativo, todos aqueles que hoje procuraram caminhos alternativos, vão amanhã regressar às Amoreiras. A manhã de Terça-feira, já sem televisões no local, deverá ser o dia da grande confusão.

3. A criação do parque de estacionamento em Monsanto é uma daquelas medidas que se tomam por um de dois motivos: marketing ou incompetência. Hoje, estavam 3 carros no local, um da polícia, outro da TSF. O terceiro deve ser do responsável pelo parque. Qualquer pessoa que queira vir para Lisboa de transporte público a partir da linha do Estoril, tem o comboio, até porque a linha do Estoril é a segunda que melhor funciona no acesso a Lisboa, só batida pela Fertagus. É incompreensível imaginar que alguém saia da auto-estrada, espere por um autocarro que nunca se sabe quando chega, para logo de seguida entrar na mesmíssima fila onde já estava anteriormente.

4. Mais importante que espalhar polícias por todo o lado, será impedir o estacionamento de superfície junto às Amoreiras. As manobras frequentes de quem quer estacionar ou sair do estacionamento entopem mais a fluidez do trânsito do que as obras. Na situação actual, permitir o estacionamento naquele local é idêntico a permitir o parqueamento no Viaduto Duarte Pacheco: durante o tempo de manobra, reduz-se sempre o acesso de duas faixas para uma.

5. E o túnel, valerá a pena? É sempre bom eliminar cruzamentos de superfície nas grandes cidades. Resta saber se se justificam os milhões que ali se vão enterrar, tendo em atenção outras necessidades da cidade de Lisboa. O futuro o dirá.

sábado, novembro 08, 2003

  Dias Felizes

J. e I. dão o nó daqui a duas horas.

Tenho aqui guardados muitos beijos, abraços e desejos de felicidade suprema para lhes oferecer. Este blogue volta à actividade depois de lhes ter sido entregue a encomenda.

  Notas Soltas de um Sábado de Novembro.

1. João Espinho, do Praça da República em Beja, além de bloguista é um excelente fotógrafo. Também é radialista. Para ouvir em frequência modulada, na Rádio Pax. A Montanha Pariu um Rato, Sábados entre as 22:00 e as 23:00.

2. Depois de Vale e Azevedo e Guerra Madaleno, a justiça volta a atacar o Benfica. O clube sofre o segundo ataque mais baixo desde o 25 de Abril. (O mais baixo deve ter sido este). Não vai haver problema. Estou certo que «a fibra moral» do clube lhe permitirá resistir ao ataque. Todos temos o dever moral de sublinhar o que o país já lhe deve.

3. A CGTP é contra. A Quercus está sempre contra. Lino de Carvalho está totalmente contra. Louçã também está contra. A Associação dos Municípios está unida no contra. Os estudantes são do contra. Os bombeiros também estão contra. Até a França está contra! E Daniel Campelo ainda está mais contra. O Tribunal de Contas foi claramente contra. Os "Verdes" também reclamam contra. Os deputados estão contra. Ferro vai votar contra, mas cuidado, as federações também estão contra. É uma questão de procura e oferta. É barato ser do contra e dá direito a notícia de jornal. Quem quer saber de quem é a favor?

  In-sex-cto


Pequeno Amor, Outubro 2003

sexta-feira, novembro 07, 2003

  O Fundamentalismo do Contra

Ouvi e não queria acreditar. Hugo Tente, um jovem da Quercus, explica que o comboio de alta velocidade pode aumentar a poluição. Os pressupostos que deram origem a tal conclusão, estão mais ou menos explicados aqui. A teoria base que justifica esta conclusão é de que com o TGV, mais gente passará a ir de avião...

A manipulação de informação não é coisa nova. O que a Quercus faz é comparar a situação actual com a situação prevista para 2010, partindo do princípio que o transporte aéreo vai aumentar a sua taxa de penetração. Se a Quercus comparasse a situação prevista para 2010 com e sem TGV, as suas conclusões seriam as opostas. Por isso, estes mesmos pressupostos servirão para concluir, se necessário, que a não introdução do TGV contribuirá para o aumento da poluição. Com a Quercus, tudo o que se faz tem sempre o seu lado mau e é esse que interessa publicitar.

O jovem Hugo, argumentou assim na TSF:

«As pessoas ficam com a noção de que é muito mais fácil, por exemplo, ir de Lisboa ao Porto. Em vez de fazerem uma viagem para outro local qualquer, se calhar muito mais curta, passam a fazer aquela. No somatório total de um ano estas novas vontades das pessoas se deslocarem acabam por se reflectir em muito mais viagens»


O que o Hugo sugere é que quem viaja hoje no Alfa, passará a viajar de carro no dia em que houver TGV. Já as pessoas que hoje, por exemplo, vêm passear a Lisboa no comboio da ponte, no dia em que houver TGV entre Lisboa e o Porto, mudarão o destino dos seus passeios para o Porto, em automóvel. O jovem Tente, tentou ainda defender que "para evitar esse possível aumento da poluição, sejam adoptadas medidas para dissuadir o uso do avião e também do automóvel". Caro Hugo: é para isso que serve o comboio, não é?

Tal como a maior parte dos Querquianos, bem intencionados e por vezes bastante importantes, acredito que Hugo não seja propriamente um fundamentalista ecológico, mas sim fundamentalmente do contra. E com o TGV, eu também sou do contra, mas com razões diferentes das do Hugo. É que um dia vi as contas da RAVE relacionadas com o TGV (o projecto do pi deitado) e arrepiei-me. Nunca tinha visto um projecto economicamente tão invável como aquele, e isto apesar dos pressupostos fantasiosos que suportavam o projecto. Agora, só quando vir outra vez é que acredito.

(Esta explicação do jovem Hugo, fez-me recordar outro momento brilhante da argumentação sobre-racional: o famoso artigo em que Eduardo Prado Coelho demonstrava que o aumento do preço dos livros faria aumentar a quantidade de livros vendidos.)

  Mudam-se os Tempos

Daniel Oliveira ficou triste com Cunhal. De coração partido, escreveu:

"Fiquei destroçado. Habituei-me a admirar Cunhal. Quando eu era comunista e depois de o deixar de ser. Sempre o vi como um homem de uma inteligência superior. O texto é das coisas mais confrangedoras que já li. Patético no seu simplismo, triste na sua pobreza intelectual, esquemático na falta de reflexão. Álvaro Cunhal poderá estar velho e diminuído, mas a sua história não pode e não deve permitir nenhum tipo de paternalismo. Isso sim, seria um insulto. Quem publicou aquele artigo no “Avante!” e lhe deu o destaque de páginas centrais, é gente que para quem uma assinatura basta. Mesmo que, ao publicá-lo, estejam a assassinar a credibilidade histórica dessa mesma assinatura."

Conclui-se deste lamento que Daniel Oliveira está mais moderno. É que, caro Daniel, não foi Cunhal que regrediu, foi o Daniel que acompanhou os tempos, e soube manter-se na moda. Cunhal, ao contrário, está exactamente igual ao que sempre foi, expressando as mesmíssimas opiniões com as mesmas palavras que sempre usou, tão confrangedoras hoje como ontem.

A diferença maior é que hoje, os antigos comunistas querem ser conhecidos apenas como homens de esquerda mas Cunhal continua a querer que lhe chamem comunista. E no século XXI, ser comunista não é nada fashionable.

Com este artigo, não foi a assinatura de Cunhal que morreu. Essa já nasceu gasta, mesmo quando muitos ainda a admiravam, respeitavam e se diziam comunistas. Foram os novos homens de esquerda que arredondaram as suas assinaturas, suavizaram-lhes os traços e mudaram a tonalidade da tinta. Mas não deixa de ser principalmente uma questão de forma e não de conteúdo.

  O Cromo nº 1

Foi detido, acusado da prática de pedrofilia.

  Festas

Ontem. Amanhã.

quinta-feira, novembro 06, 2003

  Concorrência Desleal

Na minha lista de posts ainda por escrever, constava um que seria dedicado ao camarada Bernardino Soares. Nesse texto, ambicionaria explicar com finíssima ironia porque razão o comunismo foi, é e será o astro que a todos ilumina; usaria de espúrio sarcasmo para afiançar que Cuba e a Coreia do Norte são as últimas reservas morais dos desfavorecidos e fundamentaria com ilusória convicção o fim do capitalismo, corroído pela sua própria ganância, como nos ensinou o camarada Karl Marx.

Seria uma metáfora que explanaria a minha visão do modo como a União Soviética combateu o imperialismo. Ou então, uma simples comparação, partindo do exemplo do modo como a Madeira combate a insularidade.

Logo de seguida, partiria de maldosas premissas para demonstrar que é devido à utilização pelo imperialismo de colossais meios materiais e ideológicos alienadores de mentes, que alguns povos parecem preferir o iníquo capitalismo ao socialismo moral.

Num parágrafo destacado, afirmaria peremptoriamente que numa sociedade de debate aberto e sem pressões, o resultado só poderia ser a escolha do camarada Bernardino para líder único de todos nós.

Maldosamente, proclamaria com evidente desrespeito pela verdade histórica, que apenas nos regimes não iluminados, os seres humanos deixaram de pensar. E seria num parágrafo importante que escreveria, com algum gozo, diga-se:

"O pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à das potências e classes exploradoras e opressoras, como se viria a demonstrar na prática se os 2363 actos eleitorais em que as forças iníquas levaram a sua avante não tivessem sido manipulados."

Perto do fim desse post, mentiria com elegância para expressar o meu desejo de que os países nos quais os comunistas estão no poder (China, Cuba, Vietname, Laos, Coreia do Norte) obtenham retumbantes vitórias na luta contra o capitalismo. E escreveria: "Acredito, convictamente que, apesar de estarem a perder por 82-0 aos 89 minutos de jogo, ainda conseguirão dar a volta ao resultado."

Terminaria afirmando que os princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo), respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade, tal como os pneus de corda e o comboio a vapor.

Eu bem queria escrever esse artigo. Infelizmente, Álvaro Cunhal antecipou-se.

quarta-feira, novembro 05, 2003

  O Homem das Arábias

A SIC transmitiu recentemente uma reportagem sobre um milionário saudita, apresentando-o como o homem que comprou ao governo as dívidas fiscais dos portugueses. A notícia, do modo que foi dada por Rodrigues Guedes de Carvalho, deturpa a realidade, continha inúmeras incorrecções técnicas e cria uma imagem falsa de uma operação de titularização de créditos, habitual em todo o mundo.

A SIC fez apenas o que o Expresso já tinha feito: Falsificou uma notícia ou, pelo menos, o seu título. (ver este excelente post no Tempestade Cerebral)

Nenhum milionário saudita comprou o que quer que seja ao fisco português. A SIC e o Expresso, ou alguns jornalistas destes orgãos de informação, apenas confundiram o Citigroup com um dos seus accionistas, detentor de cerca de 1/20 do capital do banco.

Nem vale a pena acreditar que a notícia foi dada por má fé ou por sensacionalismo. Acredito, honestamente, na boa fé dos jornalistas: terá sido apenas ignorância.

E claro, não é uma operação financeira recomendável. Bom mesmo seria equilibrar as contas públicas por redução na despesa pública; infelizmente dá muito trabalho e custa votos.

  Eu, Peron!

Já que está na moda, também fiz o teste. Descobri que sou um gajo bestial, um líder nato, um motivador dos povos, um homem justo e protector dos fracos. Ou seja, um diatadorzeco de meia tijela...

O que me salva a face é mesmo o 'high libido'!




Conscious self
Overall self
Vá lá, faça o teste que os tipos da Similar Minds ficam contentes!


  O Desmentido Auto-Desmentido.

João Soares confirma a notícia do Público, desmentindo-a.

  Sionistas!

Desde ontem que o sistema de comentários da Blogextra não funciona. Pior ainda, atrasa significativamente o carregamento da página. Cá para mim foi um ataque de hackers anti-sionistas. A Blogextra é de Israel.

terça-feira, novembro 04, 2003

  O Emprego da Aldegundes

Os nossos amigos canhotos responderam a parte do último post do jaquinzinhos num tom de avaliação e chumbaram-me! Reprovei sem glória nem distinção...

Um chumbo é sempre preocupante e pode obrigar a um moroso exercício de introspecção; felizmente, neste caso, tendo em conta o notável perfil dos avaliadores, preocupante seria passar...

Ignorando as partes que os canhotos também ignoraram na sua resposta, e deixando no sistema de comentários do canhotoblogue outra parte, resta-me este bocadinho que não resisto a trazer aqui:

Citaram-me os canhotos:

"Mas deixem-me que vos diga que quem paga o meu IRS é a empresa que me emprega. Eu sei que o conceito é difícil de apanhar, mas é verdade. O meu IRS está incluído no salário que recebo e é totalmente suportado por quem me paga as jornas."

E responderam assim:

"Ando a ser roubado! Então não é que o salário que diz no meu contrato de trabalho não é o salário que recebo no fim do mês!!! Diziam-me que a diferença eram os descontos para a Segurança Social e para o IRS, mas vem agora o Jaques explicar-me que os descontos não são do meu salário mas directamente da empresa."

Eu não dizia que este é um conceito difícil de entender para canhotos? Vou tentar explicar melhor, acreditando porém na enorme dificuldade da minha tarefa, até porque a minha filha de 8 anos demorou mais de 10 minutos a perceber.

Use-se um exemplo prático: O Emprego da Aldegundes.

Pressuposto:

A empresa Dextro & Canhoto, Lda. (DCL) quer vender blogues a umbiguistas preguiçosos. O mercado parece ser grande e a administração está convencida da possibilidade de sucesso. Para tal a DCL pretende contratar um bloguére (m/f). Fazem as suas continhas e decidem que podem suportar um custo mensal de 123.75 Novos Rublos (NR), mais dois meses de subsídios.

História:

Após uma série de entrevistas, a administração da DCL decide contratar a Aldegundes, moçoila com jeito para a palavra escrita, desempregada, e que aceita o salário proposto, de 100 NR brutos. A rapariga, feliz da vida por ter tão simpáticos patrões, começa o seu trabalho com entusiasmo e motivação.

No fim do mês a DCL paga o salário da Aldegundes. Paga efectivamente 123.75 Novos Rublos.

Para onde vão esses rublos?

23,75 vão para a segurança social, como contribuição por parte da empresa.
11,00 vão para a segurança social, como contribuição por parte do trabalhador.

Na prática, dos custos salariais suportados pela empresa, 34.75 NR são para a segurança social. Podem dizer que é 100% do trabalhador, 100% da empresa, 50/50, 66/34: é irrelevante. Vem tudo do mesmo saco.

Depois, de acordo com a tabela de retenções, a Dextro & Canhoto, Lda entrega mais 21.5 Novos Rublos ao estado: o IRS da Aldegundes! Ena pá! O IRS da Aldegundes faz parte do salário que a empresa pagou... Surprise, surprise!

A Aldegundes vai então receber 67.5 Novos Rublos. Nesse dia, a Aldegundes começa a amaldiçoar os impostos e decide ser uma activa defensora do combate à evasão fiscal.

Que enorme injustiça, proclama a Aldegundes! Então não é que a nossa bloguére, dos 123.75NR que a empresa pagou apenas recebeu 67.5? 55% para a Aldegundes, 45% para a Ferreira Leite lá do sítio. Então e quem pagou a diferença? Who cares, caros canhotos: Veio todo do salário pago pela empresa, porque é lá que se cria a riqueza que alimenta o orçamento.

Durante o mês seguinte, a Aldegundes vai gastar o carcanhol que tanto mereceu. Vai comprar coisas e vai pagar outros impostos. Admita-se que no país dos Novos Rublos, se consome à portuguesa: a Aldegundes não poupa. Chapa ganha, chapa gasta. E vamos estimar que compra muitas coisas, 20% com IVA à taxa reduzida, 30% à taxa intermédia e o resto à taxa normal. Podem pedir a alguém que vos faça as contas, mas isto daria um IVA médio de 14%. Ou seja... do salário líquido da Aldegundes, 9.5 NR seriam para pagar IVA.

A Aldegundes, efectivamente só tem direito a consumir 58 Novos Rublos! Espantoso: menos de metade do que vale o seu trabalho. E isto, esquecendo a miríade de outros pequenos impostos e taxas que se pagam por isto e por aquilo, por tudo e, muitas vezes, a troco de nada.

E agora, levanta-se um canhoto e diz: "Então e os funcionários públicos, também pagam impostos, e nesse caso não há empresas! Toma que é para veres, seu dextro!"

Ora: é tirar de um bolso e meter noutro. Sabiam os caros canhotos que apenas algumas décadas atrás, os funcionários públicos não pagavam impostos? Um dia, decidiu-se que era uma injustiça, e passaram todos a pagar, aumentando-se-lhes o salário até ao nível de indiferença. Em vez de pagar 20, paga-se 30 e dá cá 10.

Ora, está na altura de fazer um ponto da situação:

1. Antes a Aldegundes, não fazia nada, não pagava impostos e recebia subsídio de desemprego.
2. Depois a Aldegundes passou a ter um emprego pelo qual a sua empresa paga 123.75 NR todos os meses, dos quais 34.75 vão para a segurança social, 21.5 para os impostos sobre rendimentos, 9.5 para o IVA e 58 para a Aldegundes. É. Menos de metade para quem trabalha.

História Alternativa:

Na véspera de contratar a Aldegundes, a empresa da concorrência Cruzes e Jaquim, Lda. começou a vender blogues importados da Hungria por um valor que não permite à DCL ser competitiva se pagar mais de 115NR por mês. Pânico! A Aldegundes custa mais do que 115 NR... Afinal, para conseguirmos ser competitivos e conquistar o nicho dos umbiguistas preguiçosos, só podemos pagar à Aldegundes 110 NR...

Se ao menos a Aldegundes custasse só 110... ainda receberia 62 Novos Rublos líquidos, uma vez que a tabela de IRS seria diferente...aí valeria a pena a aposta. Mas não pode ser: é que a Aldegundes está a receber 50 Novos Rublos do Subsídio de Desemprego e não está disposta a trabalhar tantas horas apenas por mais 12 Novos Rublos. (Ela ainda propõe trabalhar por fora... receber sem papéis, mas a Dextro & Canhoto, Lda. cumpre escrupulosamente a lei, não pode aceitar.)

Então e se baixassem os impostos... poderia empregar a Aldegundes, não...? O quê? baixar impostos? Ó seu neo-liberal filo-americano pró-capitalista! Não se podem baixar impostos, o estado precisa de receitas para pagar o subsídio da Aldegundes!

Por isso, a empresa desiste. Com sorte, encontra um fornecedor na Estónia que vende blogues já feitos a apenas 100NR e estabelece com ele um contrato de exclusividade. Com a diferença, faz um upgrade nos carros para os administradores. O estado não só não recolhe os impostos da Aldegundes, como ainda por cima, continua a pagar-lhe o subsídio. A Aldegundes encontra uns umbigustas preguiçosos que lhe pagam 80 NR (por fora, claro está!) e já não quer saber de nenhum emprego. Nem por isso deixa de ser uma activista no combate à evasão fiscal dos outros.

Estes últimos parágrafos, são apenas um resumo de parte da recente história fiscal da Europa.

FIM DA HISTÓRIA DO EMPREGO DA ALDEGUNDES

PS: Caros canhotos: se quiserem uma historinha para explicar o IRC, é só pedir. Também se arranja.

  Oral Lateralismo

As manhãs radiofónicas estão cheias de humor. Temos O Homem que Mordeu o Cão, os Cromos da TSF e, principalmente, as conversas entre António Macedo e o especialista em sexo Júlio Machado Vaz.

Hoje, o locutor contava ao sexólogo que na porta da Tate Gallery de Londres, uma instalação dos irmãos Chapman mostra 2 bonecos insufláveis em posição de sexo oral mútuo.

Explicação de Júlio Machado Vaz: representa a luta dos autores contra o coitocentrismo.

Este homem é um verdadeiro (m)achado!

segunda-feira, novembro 03, 2003

  Torre


Torre, 1 de Novembro de 2003

  Livres são os Blogues

O Jaquinzinhos foi admitido como membro de pleno direito na seita da UBL. Os blogues fundadores submeteram o jaquinzinhos e os outros blogues caloiros a diversas praxes divertidas, que aconteceram após um interessante ritual de iniciação, cujos detalhes estou impedido de divulgar por jura de silêncio. A cerimónia iniciática teve lugar no Panteão Nacional.

  Os Culpados

A Docapesca, cujo encerramento estava previsto desde que o MARL foi projectado, fechou. A Docapesca era concessionária de um espaço, que ocupou por um largo período, na zona ribeirinha entre Belém e Algés. Como concessionária, os contratos celebrados pela Docapesca caducam com o fim da concessão.

Nos terrenos agora libertados pela Docapesca, há um porto de abrigo para barcos de pesca. Com a reabilitação da zona à vista, o porto de abrigo deixa de existir. Os barcos que procuravam aquele porto terão que encontrar novos poisos: Oeiras, Cascais, Trafaria, Setúbal serão as alternativas.

Mas, como é óbvio, quem tem a sua vida organizada em redor de Lisboa, não vai de ânimo leve para Setúbal. E por isso os pescadores e os donos dos barcos, protestam. E podem e devem protestar contra o ministro, contra a administração da Docapesca, contra a Câmara e devem fazer valer os seus direitos legais nos tribunais e os seus direitos morais junto do governo.

Para o sindicato e para os donos dos barcos, não é bem assim. Os culpados somos todos nós. E por isso resolveram castigar-nos. Começaram hoje por castigar os habitantes da outra margem que procuravam chegar a Lisboa nos barcos da Transtejo e da Soflusa. Entre estes culpados que já pagaram hoje parte da factura, estariam muitos trabalhadores por conta de outrém que ‘picam ponto’, estudantes em dia de teste, desempregados com entrevista de emprego, doentes com consultas marcadas em hospitais.

E não fica por aqui: o homem do sindicato já avisou que muito mais gente vai pagar a factura. Ameaçou com cortes de estradas, encerramento da barra de Lisboa, bloqueios, demonstrações de força várias que vão prejudicar toda a gente, e que só acabará quando o governo ceder às suas pretensões. Não há problema para estes protestadores: ninguém fará rigorosamente nada contra eles. Eles podem ameaçar e executar a sua ameaça em perfeita liberdade porque nenhuma autoridade mexerá uma palha para o evitar.

Afinal, o que está em causa é tão só a liberdade de cidadãos anónimos. Coisa pouca. Afinal, qual é o valor da liberdade de anónimos em comparação com o valor do protesto de quem tem as televisões atrás de si?

domingo, novembro 02, 2003

  Evasões

Estava bonita a Serra de Estrela.


Torre, 1 de Novembro de 2003

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