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sábado, dezembro 27, 2003

  Época Anti-Blogue

Por aqui, em vez de jaquinzinhos, foi mais bacalhau. Em vez do Público, do Telejornal e do Marcelo Rebelo de Sousa, foi o À Procura de Nemo, O Rei Leão e o Planeta do Tesouro. Em vez de polémicas bloguistas, as competições foram com a prole em violentas corridas virtuais. Fui estrondosamente derrotado múltiplas vezes num tal Fifa 2004. Que me desculpem o Adufe, o Paulo Pereira e outros, mas discussões políticas arrebatadas, só para o ano.

Agora vêm uns dias nos meus Algarves. Bom Ano Novo a todos. Que 2004 seja um dos melhores anos das nossas vidas.


Primus Inter Pares, 31/12/2000, Último Dia do Século XX, Monte Gordo


quarta-feira, dezembro 24, 2003

 

  Véspera

E para ser original, desejo...

A Todos um Bom Natal!



Crepúsculo Andaluz, Rio Tinto, Andaluzia, Novembro de 2000

  Conceitos

1. Da leitura dos comentários do 'post' Manipulações com Números, e ainda de comentários publicados no Blogo Social Português e no Adufe, assinalo com naturalidade a definição de pobreza que a esquerda perfilha:

Pobre é o homem cujo vizinho comprou um BMW.

2. 'António' acha mal que o desenvolvimento económico crie desigualdade e escreve: "É que o crescimento económico made in Ireland criou de facto pobreza na Irlanda!". Se ambos ganharmos 500 euros e amanhã o "António" ganhar 2000 e eu 1000, o crescimento económico criou desigualdade. Ainda bem, direi eu. Mal, diz o "António". Agora entre nós dois, a pobreza disparou de 0% para 50%. Foi o que aconteceu na Irlanda. O enriquecimento generalizado da população, fez disparar (e disparar é a expressão certa) a linha do limiar de pobreza. Enquanto a pobreza de facto diminuia para valores residuais, alguns agarravam-se à pobreza estatística, que de acordo com a brilhante definição por tantos defendida, aumentava. Na verdade, o que aumentou foi o número dos que compraram BMWs.

3. Daniel Tecelão, com alguma arrogância que só o seu evidente desconhecimento promove, escreveu entre outras coisas erradas que: "Partindo de um pseudo indicador, pretende fazer crer aos mais incautos que a pobreza é apenas a variável de uma qualquer estatística,onde os numeros são interpretados e manipulados conforme as conveniências." Caro Daniel: o que eu fiz foi justamente o contrário. Há um pseudoindicador que pretende fazer crer os incautos que há 20% de pobres na Irlanda e 0% em Cuba. Acredita, Daniel? E escreve ainda o Daniel: "Mesmo assim ainda lhe encontrei um mérito,evidencia o que o desevolvimento económico desregulamentado e desregrado(como os neo-liberais gostam)provoca:um fosso cada vez maior entre pobres e ricos." Ainda bem que por cá, quase não há crescimento, não é Daniel? Coitados dos irlandeses...

4. Quantos pobres terá uma comunidade em que:

"A casa típica é constituída por 3 quartos, 1,5 casas de banho, uma garagem, um átrio ou pátio e foi construída em 1962. Setenta por cento dos agregados familiares possui carro ou carrinha, mais de 25% possui dois ou mais carros ou carrinhas. Dois terços têm ar condicionado, um número similar tem micro-ondas, 30% têm máquina de lavar rouça. Quase todos têm televisão a cores(97%), metade tem duas ou mais televisões a cores e 75% possui videogravador.“

A resposta é 100%. São todos pobres estatísticos. A comunidade acima descrita é a da população americana que cai abaixo da linha dos 60% de rendimento mediano. (citado de Riqueza e Pobreza, João Carlos Espada, Miguel Morgado e Hugo Chelo). O paper completo está aqui.

Estamos no Natal e talvez esta seja a altura ideal para olhar para este mundo e perceber porque é que os países ocidentais, com economias mais livres, criaram sociedades em que as privações dos seus cidadãos se reduziram a níveis residuais, enquanto muitos outros países que abraçaram outras teorias deixaram os seus povos em níveis de subsistência e desenvolvimento insuportáveis. E o Natal é também a altura para perdoar os que ainda hoje, continuam a defender soluções políticas cujos deméritos são tão evidentes.

terça-feira, dezembro 23, 2003

  Manipulações

Alguns leitores deste blogue sentiram-se incomodados com o post 'Efeito Rosa'. Aparentemente, não gostaram do ano de intervalo entre a tomada de posse dos governos e a marcação dos traços na figura. Acham que não devemos dar tempo a que as políticas económicas façam efeito, não porque esse tempo não exista, mas porque a coisa ficava negra para o rosa. Faço-lhes a vontade. Aqui ficam 3 gráficos com as linhas noutros locais.

No primeiro gráfico as linhas coincidem com as tomadas de posse dos governos. Percebe-se que Sousa Franco é um génio. No dia em que tomou posse, Portugal disparou rumo ao paraíso. Um ano depois já a tendência se tinha invertido, mas ainda não existe uma explicação científica sobre as misteriosas razões que deram origem ao escorrega. Apesar do euro, das baixas acentuadas das taxas de juro e do crescimento internacional.

Parece que conforta muita gente saber que assim que este governo tomou posse, a linha continuou a cair como já vinha a acontecer desde o início de 1997 e ininterruptamente desde o fim de 99. E obviamente, se Ferro Rodrigues tem ganho as eleições, a tendência inverter-se-ia nesse mesmo dia e estaríamos hoje no céu.

Um segundo leitor indignado, diz que as políticas demoram entre 5 meses e 3 anos a ter efeito. Um ano era o que estava no gráfico original. Aqui ficam os 5 meses, no gráfico do meio. Durão Barroso agradece a sugestão, principalmente se olharmos para os indicadores de síntese económica.

E por fim, aquilo que todos os guterristas firmemente querem que tenha sido a realidade. Dedicado especialmente ao Manuel do Cruzes, que acredita que são os gastos públicos que relançam as economias, a verdade a que temos direito. O gráfico de cabeça para baixo.


Manipulações diversas em volta do indicador coincidente.

  O Zingarelho Verdesculpido da Expo


Volúpias, Lisboa, Dezembro de 2000

segunda-feira, dezembro 22, 2003

  Manipulações com Números

Mais forte que o aço, mais forte com o ferro, só uma folha de papel. O papel aguenta com tudo. Desde comboios que custam 7.500 milhões de euros, aeroportos virtuais que esperam mirabolantes milhões de passageiros, jogos de palavras caras e ilusórias, tudo parece verdadeiro numa folha de papel. Até notícias que não sendo falsas, enganam toda a gente.

Esta também foi notícia em todos os jornais, mas para o efeito, escolho o meu preferido. O título da notícia era este:

Um Quinto dos Portugueses Vive em Risco de Pobreza e Exclusão Social

Depois lê-se na notícia: "Apenas ultrapassada pela Irlanda (21 por cento), a situação portuguesa contrasta com países como a Suécia (dez por cento) e a Dinamarca (11 por cento) e é superior em cinco pontos percentuais à média da União Europeia, onde 55 milhões de pessoas vivem em risco de pobreza e de exclusão social, uma criança em cada cinco está ameaçada de pobreza e uma em cada dez vive numa família sem emprego."

Ah! A Irlanda! Afinal, ainda estão piores que nós... Esses malandros!

Mas afinal, o que é viver em risco de pobreza? Não ter dinheiro para comer? Não ter dinheiro para comprar um carro? Não ter casa? Nada disso. O artigo explica: "situação que ocorre nos agregados familiares onde o rendimento é inferior a 60 por cento da média nacional."

Ooops... espera aí! Como? Então... a Irlanda tem um PIBpc que é 125% do PIBpc da UE. Ora, 60% de 125%... dá 75%... Mais do que a média portuguesa. Mais de metade da população portuguesa é pobre segundo o padrão irlandês! Mas então... onde é que há mais pobres, em Portugal, ou na Irlanda? E se aplicássemos o critério, por exemplo... a Cuba? Segundo este critério, não há pobres em Cuba. São quase todos igualmente miseráveis, mas ninguém está abaixo de 60% da média nacional. Em Cuba, pobre só se tiver um rendimento inferior a 100€ por mês.

Esta definição é tão inteligente, tão inteligente que acontecem estas coisas, verdadeiramente brilhantes:

1. Se todos os milionários que vivem no Mónaco se mudassem para Portugal, o nível de pobreza aumentava em Portugal e diminuia no Mónaco, mas se, pelo contrário, os portugueses mais ricos transferissem os seus rendimentos para Espanha, o nível de pobreza em Portugal diminuia e em Espanha aumentava...

2. Se todos os portugueses passassem a ganhar o mesmo que um africano médio, a pobreza em Portugal... desaparecia.

3. Se daqui a 5 anos, todos os portugueses ganharem o dobro do que ganham hoje, o nível de pobreza não se modificará nem sequer uma décima.

4. Se desaparecessem subitamente os 5 milhões de portugueses que auferem maiores rendimentos, o nível de pobreza diminuia, mas se desaparecessem os 5 milhões mais pobres, o nível de pobreza aumentava.

Então, mas afinal, que raio de indicador é este? É o indicador preferido na nossa esquerda inteligente. Demonstra que os países ricos tem mais pobres que os outros, o insucesso do capitalismo.

Como este indicador não mede pobreza, mas desigualdade, quanto mais ricos houver, pior. E a desigualdade aumenta sempre que aumentam as oportunidades de enriquecimento da população, isto é, quando há crescimento económico. Por isso, há mais "pobres" na Irlanda. Mas os pobres irlandeses são cada vez mais ricos, o que não interessa muito divulgar... porque o capitalismo só pode ser mau e a prova é que gera pobreza e a maneira de medi-la é esta, porque todas as outras formas conhecidas demonstram exactamente o contrário...

sábado, dezembro 20, 2003

  Quarenta e Nove Mil Novecentos e Noventa e Nove



sexta-feira, dezembro 19, 2003

  Vá lá, arrebitem.

Por aqui, menos mal também.



  O Efeito Rosa

Anda por aí um antigo ministro que grita 'Que bom que eu fui. Ai a economia, ai que desgraça.'

Para que conste, foram hoje mais uma vez publicados os Indicadores de Conjutura do Banco de Portugal. Olhe-se para a evolução do indicador coincidente. Admitindo que os efeitos das políticas económicas demorem um ano a manifestar o seu efeito neste indicador (noutros demoram bem mais tempo), veja-se o efeito da rosa em todo o seu esplendor. E é fácil perceber o porquê da fuga de Guterres.


O Efeito da Rosa

  Anti-americanismo?

Um artigo interessante. Um protesto contra o excessivo peso do estado na economia norte-americana. Chama-se 'The tipping point'. (Onde é que eu já vi isto?) Escrito por Ilana Mercer, que tem outras qualidades para lá da inteligência.

  Pergunta

Caríssimo Senhor Condutor do autocarro de passageiros da Lisboa Transportes com o número 608, marca MAN, Ar Condicionado e ABS, matrícula 86-17-VH.

Esta manhã, quando circulava sem passageiros por volta da 9:45 junto às Amoreiras, rasgou uns papéis, abriu a janela e despejou-os para a rua. Na altura o meu filho de 9 anos perguntou-me: "Pai, o senhor daquele autocarro é um porco?". Respondi-lhe: "Não sei. talvez seja melhor perguntar-lhe.".

É o que estou a fazer agora. Poderá, por favor, responder ao meu filho?

  Ventoinhas e Avestruzes

Chamar ventoinha a Mário Soares é insulto e dá direito a repreensão e eliminação da acta. Chamar avestruz a Tony Blair dá direito a uma jocosa troca de palavras com o Senhor Presidente da assembleia e é sound byte em todos os orgão de comunicação social. A diferença é evidente: um insulto, para ser eficaz, tem que ser verdadeiro e todos sabemos que Tony Blair, nunca escondeu a cara.

quinta-feira, dezembro 18, 2003

  No More Wine, Captain!


Sem Rumo, Agosto de 2000, Lisboa

quarta-feira, dezembro 17, 2003

  Ai é?

Não contem comigo para ir ao choco frito nos próximos tempos!

  A Não Perder!

Não é só em filmes de Manuel de Oliveira que o riso pode surgir de onde menos se espera. Se a programação da RTP se cumprir, hoje à noitinha poderemos assistir a um momento hilariante, num filmezeco de série B. O motivo da gargalhada, já o contei num post de 15 de Setembro. Dizia o seguinte:

SPOILER

No Sábado à noitinha, por terras algarvias, jogava-se King com uma televisão ligada por perto. Passava num qualquer canal nacional um filme de série B sobre uns terroristas que desviavam um avião carregado com uma arma biológica capaz de arruinar com o futuro de vários milhões de inocentes. O jogo acabou quando a fita se aproximava de um final originalíssimo: um herói que não percebia nada de aviões ia aterrar o bicho seguindo instruções de um controlador em terra, depois do heroísmo de alguns passageiros ter arruinado o plano dos terroristas.

É então que acontece uma coisa fantástica: ignorando os problemas da despressurização, um terrorista abre a porta do avião e atira um passageiro pela borda fora. Ou então foi um passageiro que despejou um terrorista. É indiferente. O realizador escolheu um plano choque: o despejado em queda livre, rumo a uma morte certa por estatelamento terminal, afasta-se da câmara esbracejando em direcção às luzes distantes de uma qualquer metrópole americana.

Cena seguinte: torre de controle do aeroporto. O tal controlador que ia ajudar o herói a chegar a bom aeroporto e mais uns quantos preocupados intervenientes na fita estão todos presentes, congeminado a melhor solução para salvar os inocentes passageiros. E é nesse momento que o tipo que tinha sido feito pássaro involuntário estoira com o tecto da torre de controle e cai no meio da sala... isto, uns minutos antes do mesmo avião chegar ao aeroporto...

Nem a impossibilidade geométrica, nem a improbabilidade absoluta se constituíram em 'gag' humorístico. Juro que aquilo não era para rir. Ou dizendo de outro modo: não pretendia; o que sei é que desde a cena do atropelamento do ‘Snatch’ que não me ria tanto...


Mas a criatividade dos autores do argumento é ainda mais estonteante. No sistema de comentários, alguém esclareceu um importante detalhe. Efectivamente foi o terrorista que atirou um advogado pela borda fora, porque detestava advogados, devido a problemas do passado. Nada de especial, qualquer um de nós agiria da mesma maneira; (claro que nem todos escolheriam advogados. Alguns despejariam liberais, outros livravam-se de sociólogos, por aí fora). O que é fantástico é que o terrorista queria mesmo acertar na torre de controlo. Não foi sorte, foi pontaria. Quando empurrou o pobre jurista, gritou: "send them a message for me!"

FIM DE SPOILER

Dá hoje, outra vez. Começa à meia-noite. A queda deve ser lá para a uma e picos da manhã.

  Direitos Universais
(6 meses atrás, neste blogue)

Albojardaria, 10 de Maio de 2003
Exmo. Senhor Primeiro Ministro Durão Barroso

Espero que esta vos encontre de boa saúde. Eu por cá ando irritadíssimo com o seu governo que até agora só demonstrou uma total incompetência no que me diz respeito.

Passo a contar a Vossa Excelência o meu caso. Reformei-me recentemente e eu e minha Idalina, decidimos mudar-nos para Albojardaria, a terra da família, não sei se o senhor Durão conhece, fica a 20Km de Balurcos do Olival e a 30 de Cavernezes do Sul. Atrás de nós vêm 3 filhos, 5 netos, uns primos, a cunhada que nunca casou, os sogros, uma nora e um genro, e mais o cão, o gato e o passarinho. A aldeia não tinha habitantes e agora vai ter 17! Todos sabemos que não pode haver esperança no futuro sem uma política que inverta a macrocefalia do litoral e esperava eu ter do seu governo todo o apoio nesta minha decisão de repovoar o interior. Puro engano: só me arranjam complicações, senhor Durão!

Olhe só estas desgraças do seu governo. Meti o requerimento ao Ministério da Educação para abrirem a escola primária com jardim de infância para os meus netinhos. Tenho dois, um na segunda classe e um outro que ainda só tem 4 anos, mas já sabe as vogais todas. Pois sabe o que me responderam do Ministério? Para pôr os miúdos na escola mais próxima, que fica a 15 Km! Já viu isto? Era só o que faltava, mandar as crianças para uma escola a 15Km. Os meus netos têm o mesmo direito dos outros miúdos portugueses que é o direito de ter a escola ao pé de casa. Como é óbvio, vai ser também necessária uma escola secundária, para o meu neto mais velho (e para os mais novos que os anos passam a correr). Pois veja só: meti os papéis no Ministério há já 2 meses e ainda não se vê sinal de início das obras. Senhor Durão, as aulas começam em Setembro, não sei o que é que pretendem fazer. Todos sabemos que os jovens são o futuro deste país e não pode haver esperança no futuro com atrasos destes, principalmente quando podem provocar privação de um direito universal, o ensino público gratuito.

Estamos na disposição de esperar 5 ou 6 meses para que construam as escolas, antes de nos decidirmos por medidas de luta mais duras. Até lá, façam o favor de nos providenciar taxis para transportar os miúdos de e para as escolas.

Mas se fosse só isto, senhor Durão! É muito pior. Requeri à Rodoviária lá da zona que providenciassem três carreiras diárias de autocarros entre Albojardaria e Balurcos (é o mínimo) e mais duas para Cavernezes. Responderam-me que não havia movimento que o justificasse. Já viu isto? Imediatamente participei da empresa à Secretaria de Estado dos Transportes. Senhor Durão, disseram-me na cara que não podiam fazer nada, que a empresa é privada. Que vergonha, senhor Primeiro Ministro! Exijo a Vossa Excelência o favor de nacionalizar imediatamente a empresa e de providenciar o transporte público com qualidade, horários adequados e preços sociais, tendencialmente gratuitos. Todos sabemos que não há futuro para o país sem meios de transporte em condições. A mobilidade do povo é um direito universal. (Amanhã vou meter o requerimento para reactivar a estação ferroviária de Albojardaria, está fechada há 20 anos)

Entretanto, também não está a funcionar nenhum centro de saúde nas redondezas. Já requeri a instalação de um ao Ministério da Saúde e sabe o que me responderam? Que não têm intenção de abrir nenhum centro de saúde em Albojardaria. Como é possível? O meu sogro é idoso e faz hemodiálise. Querem fazê-lo deslocar-se 40Km para o centro mais próximo? Era só o que faltava! Dê vossa excelência ordem imediata ao seu ministro para fazer o centro de saúde de Albojardaria, dotado de primeiros socorros, instalações para pequenas cirurgias, hemodiálise e cardiologia para a minha Idalina. Mande instalar também uma máquina de ecografia que a minha nora está de esperanças. A maternidade só tem que abrir daqui a seis meses, mas, como pode haver parto prematuro, é melhor abrir já daqui a quatro. Vai ser preciso uma farmácia, é melhor abrir o concurso já. Tem que ser de serviço permanente, não se esqueça. Todos sabemos que não há futuro para o país sem um sistema de saúde pública universal e gratuito, um direito do povo!

E o ambiente, senhor Durão... Então não é que temos uma aterro a 7Km de casa? Já pedimos ao Ministério o encerramento imediato do aterro e... nem nos responderam, senhor Durão! Mas que país é este em que querem pôr o lixo perto de onde moram as pessoas??? O seu ministro do ambiente é um incompetente.

E senhor Durão, as coisas também não funcionaram na autarquia! Sabe o que me disseram quando fui pedir o asfaltamento da estrada entre Balurcos e Albojardaria? Que nem têm dinheiro para fazer uma fonte cibernética na praça quanto mais 15 Km de estrada. Parece-me que o senhor primeiro ministro não está a transferir o suficiente para as autarquias. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem um poder local forte. Faça favor de dar o dinheiro para me fazerem a estrada. Tenho um carro novo e não quero estragá-lo. Ou então, faça uma SCUT, é capaz de ser melhor que são os privados a pagar. Olhe que se o carro se estraga, mando a conta para o governo! As estradas gratuitas são um direito universal.

Mas quer mais? Quando pedi água e esgotos, respoderam-me : “Poço e Fossa”. Estamos no século XXI, senhor primeiro-ministro! Isto é que é a CEE? Peçam um subsídio à Europa, mas resolvam-me lá este problema. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem as condições mínimas necessárias à higiene moderna. Não se esqueçam da ETAR. O saneamento básico é um direito universal.

Senhor Durão, o seu Ministério do Equipamento Social também não está a funcionar. Já pedi o pavilhão gimnodesportivo há quase um ano e indeferiram-me o pedido. Mas o que é isto, senhor primeiro-ministro? Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem que as nossas crianças possam praticar desporto em condições! Ou será que os meninos de Lisboa são mais que os meus netos? Olhe que a Educação Física é um direito universal.

Continuando o rol de incompetências, que parece não ter fim, não querem instalar em Albojardoria uma necessidade básica de todas as localidades: o posto da polícia. Nem sabe como estamos indignados... Será que querem deixar uma família indefesa abandonada à sua sorte? Senhor Durão: todos sabemos que não há futuro para Portugal sem que esteja assegurada a segurança dos cidadãos, um direito absolutamente universal.

Olhe senhor Durão, estou verdadeiramente irritado com esta calamidade que é o seu governo. Eu não lhe quero tomar mais tempo, sei que é um homem atarefado, mas a incompetência dos seus ministros é tão grande que não consigo parar... deixe-me dizer-lhe que também não obtive respostas positivas para a estação de correios, dizem-me que só me montam o telefone se eu pagar uma data de dinheiro e o telemóvel só tem sinal de cimo do monte. Ponha essa gente na ordem, senhor primeiro ministro. Andou a privatizar as companhias e agora é esta pouca vergonha. Dê-lhes ordens, senhor Durão, ou nacionalize esses incompetentes! Esta é a era da informação, faça ver isso aos seus ministros. Todos sabemos que não há futuro para Portugal sem acesso a boas telecomunicações, que são um direito universal.

E a luz, senhor Durão! Dizem-me que tenho que comprar um gerador ou um moinho. Era só o que faltava, a EDP que compre! Haverá futuro para Portugal com o interior às escuras? Os quilovátios são um direito universal dos cidadãos.

Por fim, senhor Duráo (e esta é inacreditável) o Ministério da Segurança Social recusa-se a abrir em Albojardaria um centro de emprego. Ora isto é verdadeiramente ultrajante. Para virem para Albojardaria, os meus filhos e os outros todos despediram-se e agora estão todos no desemprego. Diga-me lá, senhor Durão, como é que uma taxa de desemprego de 100% não justifica um Centro de Emprego? É sabido que os efeitos desta globalização neo-liberal capitalista, é não haver empregos em terras como Albojardaria. Acha que há futuro para Portugal com taxas de desemprego desta grandeza? Olhe que o emprego é absolutamente um direito universal.

Entretanto, continuo à espera do subsídio que pedi para preparar o dossier de criação do Concelho de Albojardaria. Parece-me que sem poder definir o seu destino, Albojardaria nunca conseguirá fazer valer os seus direitos. A descentralização é um direito universal.

Só lhe quero pedir mais uma coisa. Há um terreno muito bom mesmo no centro de Albojardaria e que é bem adequado à instalação de outros serviços necessários. Por exemplo, podemos instalar lá o tribunal, o notário, as conservatórias, a repartição de finanças, o veterinário, a superesquadra, a Caixa Geral de Depósitos, e ainda dá para fazer um jardim, um parque de estacionamento subterrâneo gratuito, piscinas públicas gratuitas, um auditório municipal, a biblioteca e o centro de dia para os idosos e uns multiplexes da Warner. Só que o terreno pertence a uns latifundiários e é preciso expropriá-los. Faça favor de avançar com o processo que eu vou já preparar os outros requerimentos. Senão, tomo medidas mais duras e é pior.

Essa gente do seu governo não quer trabalhar. Senhor primeiro-ministro, aceite o meu concelho; ponha os com rédea curta, ou perca as esperanças de ganhar as próximas eleições. A SIC está a preparar-se para fazer um directo de Albojardaria para divulgar a escandaleira, é melhor mexer-se depressa.

Subscrevo-me com toda a consideração
Justino dos Direitos Universais


  Blog, s.m. blogue.

São traduções de dois artigos que valem a pena. O blogue chama-se Contra o Estado.

terça-feira, dezembro 16, 2003

  The Day of the Yellow Smiles
(via Comprometido Espectador)

No seu blogue, Andrew Sullivan apresenta-nos os nomeados para os GALLOWAY AWARDS. Lá como cá.

  Two Two Lips


Tulipas nos Campos Elíseos, Paris, 1990

segunda-feira, dezembro 15, 2003

  Incomodidades

No Barnabé publica-se uma fotografia de Rumsfeld com o ditador Saddam. Realmente, há fotos que são muito incómodas.



  A Constituição Europeia
(6 meses atrás, neste blogue)

...Por mim, não exijo muito da constituição europeia. Quero apenas que inclua uma referência ao Sporting, outra ao Algarve. Gostava de ver reflectido na constituição o direito de levar o meu cão a Inglaterra sem que o bicho fique de quarentena. O documento ficará incompleto se não referir o direito básico de comer clementinas doces tiradas das árvores até rebentar. Também gostava que os notários e as conservatórias fossem proibidos de chatear as pessoas e que não magoassem os touros nas arenas. Parece-me que é o mínimo que se pode exigir a um documento deste tipo. Ou então não façam nenhuma constituição, também serve...

  O Dia Seguinte ao Dia dos Sorrisos Amarelos

1. O jovem Ivan não sabe quem sou nem está interessado em saber. Pela aplicação da lei de Nyquist a sofisticação do Ivan é pelo menos dupla da minha. Que pena. Poderíamos ser bons amigos e, quem sabe, um dia os meus netos poderiam discutir a política do século XXI com os filhos do Ivan.

O Ivan também me explica o sentido do meu próprio post. ... 'os tambores da festa não ficam contentes se não forem ao ponto de calar o pensamento'. Olhe que não, Ivan. O que seria deste blogue sem poder brincar com os 'pensamentos' sofisticados de algumas musas blogosféricas?

2. Afinal jmf não estava pior que estragado. Agora é que parece estar.

3. Rui Semblano, um dos donos de um dos blogues que valem a pena, analisa diversas possibilidades de completude de leitura, compreesões imperfeitas e mentes limitadas. Tem razão. Ontem, bastou-me ler o título do post sombreado para fazer o filme todo. Bad News?.

4. O Rui, do Adufe, vê-me "num tom policial de caderninho na mão a anotar quem não está suficientemente inebriado com a detenção de Saddam Hussein". E recorda-nos que "Alguns deles" (deve ser um deles), "já tentavam quase em desespero, e há bem pouco tempo, escapar à inclemente solidão do purgatório das suas consciências, alargando a abrangência da culpa das asneiras cometidas pela grande super-potência e seus aliados a todos os mortais. Estes mesmos renascem agora para uma desproporcionada celebração ao bom estilo do futebol." Errado, Rui. Celebrei com muito mais felicidade a detenção de Saddam do que a vitória do Sporting na véspera. Quanto ao resto, agradeço-lhe. O que seria de mim sem estas sofisticadas interpretações da minha consciência?

5. Como muito bem diz o Luciano, a festa é nossa. Às claras e de rosto descoberto. Minha, dele, dele, dele, dele, dele, dele, dele, dele, deles, dele, dele e que me perdoem os que ficaram esquecidos. (pode-se sempre acrecentar mais uns quantos deles, para os interessados).

6. Só para esclarecer: Ficaria muito triste se Saddam fosse condenado à morte. Saddam tem que ser julgado no Iraque. A coligação deve ficar no Iraque pelo menos até ao dia em que um governo com legitimidade democrática tome posse. Gostei do 'We Got Him'. Não gostei do modo como os americanos mostraram Saddam na televisão, mostrando-lhe os dentes como um asno e, verdadeiramente humilhante, parecido com Marx.

  Ponha... Ponha... Ponha!!!

"E se agora os americanos vierem dizer que encontraram armas de destruição massiva, alguém vai acreditar que não foram eles que as puseram lá?"

Ninguém. Agora, antes ou depois. Se os americanos encontrarem, são falsas. Mesmo se forem verdadeiras são falsas. Saddam é falso. Foi a CIA que o colocou lá.

domingo, dezembro 14, 2003

  O General e os Soldados


Casa Milla, La Pedrera, Barcelona, Agosto de 2001

  O Dia dos Sorrisos Amarelos

Um resumo de alguma luso-blogosfera numa manhã de Domingo.

1. Via Causa Liberal: "Waiting for the first anchor to say "Yeah, BUT Where's Osama?" (Kathryn Jean Lopez, da National Review, a propósito da captura de Saddam).

"Entrementes, do Osama é que continuamos ainda sem nada sabermos... Talvez lá para o início do Ano Novo."

2. Não consigo disfarçar que estou pior que estragado, pois não?

3. Os inimigos dos meus inimigos, meus amigos são.

4. O povo amava-o. Os festejos são de plástico.

5. Esta foi a melhor desculpa que encontrei para desconstruir o momento: "sem hipocrisias lamentarei se a captura de Saddam Hussein contribuir para a re-eleição de George Bush."

6. É pá, isto pode ser muito mau para os americanos, agora é que eles vão ver...

7. We Got Him? O que é que eles querem dizer com isso?

8. Sem hipocrisias: "estamos quase do lado do vilão nesta história".

  Nunca!!!

"O que eu estava a dizer é que nunca, estás a ver, nunca o vão apanhar."

Daniel Oliveira, Barnabé. Parece que, finalmente, o TGV parou.


  Bom Dia!

Poderá ser um excelente Domingo!

  Utilizador-Pagador

Lido no Klepsydra:

"O utilizador-pagador é a antítese da ideia pioneira e já com mais de 100 anos dos seguros onde todos pagariam pouco para ajudar à grande desgraça de alguns..."

Os seguros representam também um exemplo prático do utilizador-pagador. O produto que se está a pagar chama-se cobertura de risco. Quem quer utilizar esse produto, paga-o. Os que não querem saber desse risco, não pagam. Quem não tem carro, não compra seguro automóvel. Quem não tem casa não compra seguro de casa.

Numa auto-estrada, o preço das portagens varia em função dos quilómetros percorridos. Quem anda mais quilómetros, paga mais. Nos seguros, o prémio pago varia em função do risco coberto. Quem tem o risco maior, paga mais.

  Mais algumas notas (as últimas sobre este tema)

1. Isabel: não vejo qualquer relação, por muito distante que seja, entre "Cultura não deve ser um privilégio das elites. Deve ser algo a que todos possam ter acesso." e oferecer a quem gosta de ópera mais de 100 contos por bilhete. Neste caso é ao contrário: todos contribuem para pagar um privilégio de elites. Até porque a grande maioria dos amantes de ópera pretendem manter o elitismo do acesso. Se a ópera fosse gratuita, logo teríamos pela blogosfera as habituais queixinhas deste género: "O problema: concerto de entrada livre! Consequência, turistas a passear-se, paroquianas idosas a abanar o leque fazendo um barulho horrendo e o pior de tudo, os jovens urbanos e as suas criancinhas de colo, e sem ser de colo, numa constante berraria, choradeira e correria. Impossível escutar Bach assim."

2. Já ontem no Expresso, o douto Carrilho professava que num país da dimensão de Portugal, a cultura tem que ser subsidiada porque não há mercado com dimensão suficiente. Aplique-se esta lógica a Andorra e o PIB do país ia todo para satisfazer as pretensões do Dr.Carrilho.

3. Caro Rui: "A Europa anda a subsidiar realizadores americanos que não conseguem entrar na mafia das distribuidoras americanas que obrigam salas a passar so os seus filmes." Não é a Europa: são produtoras europeias que ganharam bastante dinheiro com o filme que refere. Também é conveniente pôr as coisas em prespectiva. Se escreveres Manuel de Oliveira no motor de busca do Google, aparecem-te 12.600 respostas. Se escreveres David Lynch, são só 396.000. E infelizmente, por cá, só ouvimos o que gostamos de ouvir. Algumas críticas a filmes de Manuel de Oliveira, são demasiado embaraçantes. Mas essas, habitualmente, são esquecidas. "I doubt de Oliveira meant to illicit so much laughter from his audience. It just seemed like the only healthy response to an overwrought movie experience." O nome João César Monteiro também nem sempre nos ajuda muito. Basta avaliar a excelente publicidade para Portugal que se pode ler nos comentários do ' Branca de Neve' no imdb. A primeira frase é: "Makes me ashamed of being Portuguese."

4. Longe de mim defender o papel do estado português no caso da colecção de Berardo. É um papel miserável. O estado põe-se de gatas perante um milionário snob que faz ameaças públicas a quem não lhe presta vassalagem. E desculpa que te diga, Rui, que o que está em causa é justamente um subsídio. Um enorme subsídio. Joe Berardo gastou milhões da sua fortuna para comprar obras de arte. E agora quer que o estado lhe ofereça um local que também custa milhões para guardar a colecção, em permanência. E não quer um espaço qualquer. Quer o mais nobre dos espaços, oferecido.

5. Isabel, continuo sem perceber quem escolhe e como se escolhe. Como viste, tens uma opinião oposta a outros defensores da subsidiação intensa da actividade cultural. E embora eu valorize muito mais a tua opinião do que a de outros opinadores, não me parece que seja possível utilizar a minha valoração dum ponto de vista prático. Ao dizeres que em cultura não pode ser 50%+1, estarás a sugerir que a tua opinião tem mais valor do que a de outros cidadãos?

sábado, dezembro 13, 2003

  Pescador


Pescador de Kayar, Senegal, Abril de 1992

sexta-feira, dezembro 12, 2003

  Ora vamos lá outra vez.

O debate sobre os subsídios animou no sistema de comentários. Aplausos e apupos, salpicado pelos taralhocos avulsos que quase sempre aparecem a fatelar estes debates. Ficam só mais algumas notas.

1. Gostava que o Kill Bill e a Isabel Coutinho se entendessem. Ele quer que se subsidiem os Joões Césares Monteiros mas não a ópera. A Isabel quer que se subsidie a ópera, mas não os Joões Césares Monteiros. E de certeza que haverá por aí um Nilton, de 19 aninhos e praticante de hip-hop quer que "subsidiem a música jovem, pá e que se lixe a ópera e os filmes fatelas, pá!".

Temos aqui 3 eleitores, 3 votos, 3 cidadãos iguais em direitos, liberdades e garantias. Quem desempata? Como se desempata?

2. Já no século V AC, Zenão de Eléia utilizava a redução ao absurdo para demonstrar a ilogicidade das proposições de outrém, habitualmente com ironia. Qualquer matemático principiante conhece o conceito. No entanto, parece que o exemplo do ski não passou no crivo mental do Henrique, que, ao que consta, não se dá mal com a matemática. Absurdo.

De qualquer modo, diga-se que concordo totalmente com ele. Seria ultrajante para os contribuintes portugueses que o governo me subsidiasse em cento e tal contos, só para eu satisfazer um gosto pessoal.

3. Ninguém acredita que o Henrique acredite que o Branca de Neve é mesmo uma obra prima. Pode ser-lhe útil para sustentar uma argumentação débil, mas arruinar-lhe-ia a reputação como Crítico.

4. Querida Isabel, eu sei que trabalhou na Gulbenkian. E aplaudo, mais do que ninguém, a atitude do milionário arménio e da sua Fundação. E acho muito bem que a Fundação Gulbenkian subsidie quem muito bem entender, mantenha vivo o seu corpo de Bailado, excelentes museus e até uns belos jardins. E também aplaudo o apoio da Fundação ao João César Monteiro no seu início de carreira, tal como acho muito bem que o Sr.Berardo e outros como ele coleccionem obras de arte imortais, e que outros milionários e mecenas suportem os esforços de jovens criadores. Também acho muito bem que o Sr.Berardo compre os seus Ferraris, Rolls-Royces e aviões privados, se achar que essa é a aplicação ideal para a sua fortuna. Cada um investe, aplica ou gasta o que é seu como muito bem entende. O que é muito diferente, é fazer o mesmo com recursos involuntariamente entregues por terceiros.

5. Se a ópera esgota todas as bilheteiras em todos os espectáculos, das três, uma, duas ou três: ou bilhetes são muito baratos, e/ou dão poucos espectáculos por ano e/ou fartam-se de dar borlas. Em qualquer dos casos, só o fazem porque se estão nas tintas para as receitas: caem-lhes do céu.

6. Em 4 dias, visitei este, este, este e este. Os links explicam como se financia a arte com qualidade e sem recorrer ao contribuinte. Podem crer, dá uma trabalheira. Por ser tão trabalhoso, aposto que se eles tivessem um Carrilho à mão, de certeza que também ficariam à espera do maná.

7. A grande diferença entre o choradinho pelo dinheiro do contribuinte e a lógica privada voluntária, vê-se aqui. Cá, os políticos anunciam quanto é que conseguiram extorquir do orçamento, para aplicar nas clientelas. Lá anunciam quanto é que angariaram de privados para projectos públicos.

E sim, nos EUA o estado também ajuda a cultura. Por exemplo, a cidade de Nova Iorque contribuiu com 65 milhões de USD para a construção no novo MoMA, que cai custar 858 milhões. O resto é angariação privada. Mais de 92,5%. Ainda faltam 228 milhões e podem contribuir aqui. Quando estiver concluído, a cidade ganhou mais um excelente espaço. Os 7,5% do município não se esvaem nos gostos elitistas de meia dúzia. Claro que por cá as coisas são mais fáceis, como o demonstra o Sr. Berardo que prefere chantagear o estado português. "Ou me dão um museu novinho só para mim, ou vou-me embora".

8. Escreve o Alexandre que "Boa, boa é a Egoísta, mas essa é subsidiada pelo Casino Estoril". Esse é o meu argumento, Alexandre. Se fosse dependente do Ministério da Cultura, nunca tinha passado o crivo do gajo que atribui os subsídios: No casino, há mulheres nuas. E há uma grande vantagem: é que se a Egoísta for uma trampa, nenhum contribuinte vai lamentar a tola escolha do iluminado.

9. Continuo sem saber quem subsidia os Stomp.

E fiquemos por aqui que já se faz tarde e porque hoje é Sexta-Feira.

  1-0, Ganho Eu

"Vamos Pagar Caro Esta Política Económica" - Sousa Franco, na Visão, Dez/2003.
"Vamos Pagar Caro Esta Política Económica" - Eu, quando Sousa Franco era ministro das Finanças e a despesa pública corrente crescia alegremente a 10% ao ano.

Para já, estou a ganhar 1-0. Acertei na minha previsão. E desde ontem, sinto-me mais optimista em relação ao futuro. É que Sousa Franco é um daqueles que raramente acerta uma...

quarta-feira, dezembro 10, 2003

  Ainda os Subsídios

Nestes três dias em que estive ausente, os subsídios à cultura foram debatidos em várias frentes. Já foi quase tudo dito, pelo que deixo apenas algumas notas.

1. O Crítico pergunta-me se eu quero acabar com a ópera em Portugal. A minha resposta é, evidentemente, negativa. Não quero acabar com a ópera, nem quero acabar com a investigação aeroespacial, nem com o design de microprocessadores, nem com o criquete profissional e muito menos com as antigas artes medievais de combate a cavalo. E de todas estas, a mais importante para o nosso futuro é o design de micro-processadores.

2. O Crítico explica-me que cada bilhete para a ópera custaria cento e tal contos por espectáculo sem os subsídios. Acontece que não está disposto a pagar o real valor: prefere pagar apenas meia dúzia de contos e exige que os outros portugueses (os incultos) sejam obrigados a pagar-lhe o resto do bilhete. Senão, diz ele, acaba-se a ópera em Portugal. Note-se: não se acaba por falta do subsídio: acaba-se porque ELE que quer assistir à ópera não está disposto a suportar o devido valor. Eu, inculto como todos os liberais, gosto mais de ski. Não acha escandaloso que para fazer ski em Portugal seja necessário pagar cento e tal contos? Não deve ser subsidiado para o meu saltinho à Sierra Nevada?

3. O Crítico diz que em toda a Europa a ópera é subsidiada. Óptimo. Assim pode continuar a ver ópera em Viena suportado pelos contribuintes austríacos. Os 9,95 milhões de portugueses que nunca vão à ópera, agradecem. E em Portugal, com algum esforço, apesar do ser muito mais giro jantar com a Bárbara Guimarães do que andar a pedinchar esmolas a matarroanos, poderiam conseguir algo assim, e assim. Se os apreciadores lusos estivessem dispostos a pagar o equivalente a 1,300 libras/ano , talvez já não faltassem cento e tal continhos por cada bilhete vendido...

4. Os argumentos do Crítico são exactamente os mesmos que utilizam os cineastas cujos filmes foram vistos por 1.600 espectadores. Se o estado não subsidiar, não fazem mais filmes. Óptimo.

5. Daniel Tecelão comentou o post sobre os subsídios com um grande BAHHHHHHHHHHHH. Noto a riqueza da argumentação e apesar de me sentir esmagado, tento responder-lhe da melhor maneira que sei: UHHHHH UHHHH.

6. Hugo Aires comentou: "Estou a ouvir o Sr. Joe Berardo, que acaba de afirmar que este governo não o permite expor a sua colecção de arte comteporania. Acha que aqui também é uma questão de subsidios?". Acho. O Sr. Berardo não vai oferecer a colecção aos contribuintes. Apenas quer que os contribuintes lhe ofereçam uma casa para a sua colecção. Um subsídio.

7. Ainda o Hugo, escreve: "O seu discurso, realmente é o de um Algarvio de vive na Capital, unica urbe, aliás onde se consegue respirar uma lufada de alguma (pouca) cultura." Informo-o que tive o prazer de ver as obras mais significativas da colecção de arte contemporânea do senhor Berardo, este ano, no Palácio da Galeria, em Tavira.

8. O Prós e Contras da RTP1 não foi sobre cultura. Foi sobre a cultura subsidiada. Não deixa de ser relevante que nesse mesmo programa os grandes sucessos que se apresentaram são obra de privados: a Fundação Calouste Gulbenkian, a revista Periférica e a colecção de Joe Berardo...

9. Estive a ver o DVD, depois de os ter visto no CCB, no ano passado. Que grande dúvida... quem subsidiará os STOMP?

domingo, dezembro 07, 2003

  African Vibrato


Maputo, Novembro 2000

  Subsídio ao Bom Senso

Acabo de ler no BdE, um tecto assinado por José Miguel Silva. É sobre os subsídios e ilumina o que de mais negativo e medíocre se encontra numa certa esquerda, arrogante, pretensamente culta, e certamente muito pouco inteligente.

Começa assim JMS:

“Uma das coisas que mais dá vontade de rir em certos apóstolos do liberalismo (económico) radical é a figura triste que fazem quando expressam a sua virtuosa indignação por essa abominável entidade que é o subsídio às actividades culturais.”

A meio, liberta esta pérola:

“Não vale a pena lembrar-lhes porque é uma gente, salvo as notórias excepções, profundamente ignorante e a quem a cultura mete medo. Não sabem para que serve, nem como funciona. Têm receio de não a saber desligar, ou que lhes devore o futuro, ou que lhes provoque uma doença triste.”

E no fim, continua a enganar-se:

“Não me irrita, pois, que eles afirmem ser contra os subsídios. O que me irrita é isso ser mentira. Porque eles não são contra os subsídios. São, sim, contra os subsídios à cultura. Se for para subsidiar uma cimenteira, uma universidade privada, uma fábrica de rolhas, uma empresa de telecomunicações (pior ainda, um "jovem desagricultor" ou um pescador em terra) – nihil obstat.”

Esta esquerda, anafada nos seus complexos de superioridade sofre com uma realidade deste nosso mundo: a sociedade teima em não remunerar os seus actores de acordo com os desejos do José Miguel. Esta mesma sociedade, que está disposta a deixar enriquecer Figo, Herman José, Belmiro de Azevedo, que compra milhares de livros a Saramago ou a Sousa Tavares e que permite o sucesso a meia dúzia de cantores pimba, continua a ignorar os esforços de muitos outros pretensos escritores, músicos, actores e artistas plásticos. E por isso, estes homens da cultura sem mercado, revoltam-se. Não contra a incapacidade de mobilização para as suas obras. Revoltam-se contra o estado. E exigem: “que alguém tire aos outros e nos dê a nós. Nós somos melhores que eles. Deêm-nos, senão o mundo está perdido. O que será deste país sem nós? O que seria do mundo sem os subsídios ao teatro? Oh...horror de sociedade em que o governo não dá o dinheiro aos escritores...”

Mas atenção... esta esquerda exige que se tire ao contribuinte e entregue à sua ‘cultura’, com duas condições:

1. Os que pagam não podem ter voto na matéria. Esses já provaram que escolhem mal, nas lojas, nos livros que compram, nos espectáculos a que assistem.
2. Os que recebem, são escolhidos por iluminados.

Nem pensar em deixar a escolha noutras mãos que não as dos amigos, de quem pensa como nós, de quem avalia como nós. As escolhas, para serem certas e adequadas, terão que ser feitas a favor dos gostos culturais dos que querem ser escolhidos. Por isso, numa situação de opção, quando Agustina foi escolhida em vez de Saramago, esta mesma esquerda revoltou-se. Censura! Incultura! O tal horror.

É que, quem escolhe é importante. As ditaduras também escolhem, mas essas escolhas estão geralmente erradas. Excepto se forem os nossos ditadores, isto é, excepto se nos derem a nós. Os representantes da cultura dos regimes nunca se queixam das escolhas dos seus ditadores.

Mas esta é também uma contradição da esquerda tola. É que, se somos todos iguais perante e lei, se se exige repartição equitativa da riqueza e repartição equitativa das oportunidades (como exigem em tudo o resto...), o direito ao subsídio é igual para o medíocre cineasta que faz filmes que ninguém está interesado em ver e para o Zé da Burra, segurança de bar no Cais do Sodré, tão português e contribuinte como todos os outros e que até gostaria de ser subsidiado para organizar espectáculos de lutas de galos, sex-shows ou concertos pimba.

Tanto teria direito ao subsídio o jovem encenador da moda que quer trazer a palco a milionésima versão de uma peça de Beckett, como a Paulinha do escritório do 4º Esq, crente no Reiki, e que quer organizar um espectáculo de dança erotico-trancendental, o Chico da Sobreda que quer ser pago para se dedicar à música Burn-in-Cave-Hip-Hop-XXI, a Vânia Marisa que sonha ser subsidiada para desenvolver a sua paisão pela Nova-Poesia Húngara do século XIX, ou o Zé Skinhead, que se especializou num ramo do grafitti, o Nouvelle Vague Scandinavia.

Tanto se pode indignar o JMS, como os apreciadores de música pimba, porque o direito à indignação será igual para todos aqueles que gostavam que o estado financiasse as coisas que lhes dão realmente prazer ver ou ouvir.

Não deixaria de ser curioso assistir a uma discussão o nosso amigo Crítico e o José Miguel. Ambos estão de acordo em forçar os contribuintes a pagar aos artistas dos gostos que julgam superiores, e ambos se arrogam no direito de saber quem devem ser os escolhidos para a outorga da benesse. Mas, provavelmente, nunca estariam de acordo na repartição. O Crítico, conservador e clássico, deseja que o dinheiro que o povinho ganha seja entregue a uma elite que ele idolatra. A maior parte dos pró-subsídios da esquerda tola pensa que a lotaria deve beneficiar em primeiro lugar quem não tem público, os que professam géneros vanguardistas e, principalmente, embora não o digam, gente de esquerda.

A realidade actual é esta: quem tem público, não tem ajudas. Quem não tem amigos, também não. Restam os mesmos de sempre, os que não têm público, mas fazem parte dos lobbies que afectam e influenciam aqueles que decidem. Por isso, Santana Lopes e Carrilho conquistaram uma troupe de suporte e que era constituída pelos bafejados pela dádiva pública. Outros choram sempre: ninguém lhes liga. Para obter o subsídio, é preciso ser minoritário, mas não demasiado... Que injustiça.

Todos os anos, os grupos de teatro que não tiveram direito a uma fatia do bolo, protestam, não contra os subsídios, mas contra os critérios de repartição: "devia ter sido o nosso grupo e não o deles". A solução para estes grupos apanharem algumas migalhas no futuro, passa pela adopção do gosto actual dos decisores. A moda. É assim que se solidifica a criatividade e todos passam a fazer a mesma coisa. É por isso que o cinema português é de uma mediocridade atroz. O cinema português que conhecemos só existe se passar no crivo de um júri, que apenas escolhe as obras que, no papel, mais pseudoculturais se afirmarem.

A verdadeira criatividade, nasce sempre sem subsídios, porque não está sujeita às margens estreitas impostas por terceiros.

Ainda não percebi se o José Silva acha que se eu me quiser dedicar à escrita, à escultura ou à pintura, também devo ter direito a um subsídio à criação. Porque não? As tintas são caras, as telas nem se fala, preciso comprar um camião para transportar o mármore em bruto e 12 meses de salário digno para me dedicar à criação. Quem sabe, posso ser melhor que o Cutileiro... apenas me faltou a possibilidade de me iniciar. A quem devo pedir? E se formos um milhão a pedir, quem paga? Tantas dúvidas existencias dão para escrever um ensaio. O governo que me pague por favor, quero ser um criador. Já subsidiaram autores que passaram um ano a escrever obras que nem venderam 1000 exemplares, porque não a mim que já tive 45.000 visitas neste blogue?

Num comentário ao infeliz texto do JMS, alguém escreveu:

“A retórica do "onanismo" e da "elite" procura mascarar que o que se está a pagar é um trabalho: escrever, fazer teatro, dança, música e cinema dá trabalho e é perfeitamente legítimo querer viver (profissionalmente) dessas actividades; os subsídios não são um fundo de desemprego.”

Pois é. Mas afinal, todos nós devemos ser remunerados pelo que queremos fazer, independentemente do valor criado para a sociedade? É que se assim é, quero deixar o meu emprego e dedicar-me ao blogue, à fotografia, ao até ao turismo. Nem imaginam a qualidade do meu turismo, tenho uma genuína vocação de viajante e poucos serão melhores que eu nesta nobre actividade. Mas como os hotéis, os aviões e os bons restaurantes estão a um preço incomportável, também terei direito a um subsídio. Não?

Para terminar, a última frase do texto do JMS, é mentirosa e ignorante. Que me apontem um bom liberal que esteja de acordo com subsídios a cimenteiras, universidades privadas, fábricas de rolhas, ou empresas de telecomunicações. Não conheço. Também neste campo, os que querem manipular a economia são geralmente da esquerda interventora.

É que eu, embora sportinguista, também me indigno com os recursos públicos que financiaram o estádio do meu clube, embora acreditando vagamente que este investimento tenha algum retorno, quanto mais não seja porque nos estádios se podem realizar bons concertos, vão ficar em pé por muitos anos e bons, e terão num só jogo mais espectadores que todos os espectáculos que certos grupos subsidiados levam à cena num ano inteiro.

Ao estado, apenas deve restar um papel importante na actividade cultural, relacionado com a preservação do património e da nossa memória. É absolutamente insultoso desbaratar dinheiro retirado a outros, para que um grupo de amigos faça uma peça de teatro que se esgota no dia do último espectáculo com meia dúzia de espectadores e que apenas fica na memória dos poucos que lá foram (e por vezes, nem isso...).

Subsidie-se o bom senso, que bastante falta faz a JMS.

sexta-feira, dezembro 05, 2003

  Estranha Europa.

Rússia, Eslováquia, Estónia, Liechtenstein e Luxemburgo.

  Manipulando a Informação

Correcção: "Os 1 560 milhões de euros não correspondem a 10% do PIB; a dívida total de 13 900 milhões é que equivale a 10,5% do PIB. Ai a distracção!". Obrigado.

Foi manchete nos jornais e sound byte nas rádios: o estado vai perder 10% do PIB porque há dívidas fiscais no valor de 1560 milhões de euros em risco de prescrição, este ano ou no próximo. A notícia que se pode ler no site do Público é clara:

"As dívidas fiscais de cobrança difícil, no valor de 1560 milhões de euros, dizem respeito a mais de 18 mil processos instaurados até 31 de Dezembro de 1995, razão pela qual há um sério risco de prescreverem por terem excedido os prazos normais de serem levados a julgamento."

Deixa-se subentender que se os processos tivessem sido instaurados em tempo útil, estes montantes seriam cobrados. O mesmo explicou na TSF o senhor do sindicato: o problema está na falta de recursos humanos e na falta de informatização.

Ficámos todos indignados: o governo, por incúria, perde 10% do PIB, e afinal, tudo se resolveria com mais uns PCs e mais uns quantos funcionários públicos. Basta ler alguns comentários à notícia no site da TSF para perceber o que transpareceu para a opinião pública:

"Esta notícia revela a ineficácia ineficiência deste ministério e deste governo, quanto a esta matéria.Tantas medidas prometidas e tudo na mesma ou mil vezes pior.Temos um governo de inércia total."

"Não nos vamos esquecer nunca mais. E o PSD ficará estigmatizado para todo o sempre. Nunca mais vencerão eleiçoes.A culpa será do DURÂO"

"A Sra Ministra não tem vergonha de me cobrar impostos de todos os tostões que eu ganho até do Sub de almoço e perdoar a estes caloteiros. O sol quando nasce não é para todos."

"O Crime compensa!Depois desta espécie de amnistia por incapacidade/desleixo (10% do PIB, o que daria para tapar o buraco abaixo dos 3% para mais uns 8 anos!) espero que os otários que pagam os impostos sejam indemnizados, eh,eh!"

A mensagem passou: os portugueses interpretaram a notícia da maneira pretendida. Só há dois pequenos problemas: o primeiro é que estamos a falar de dívidas anteriores a 1995 e que atravessaram os 6 anos do guterrismo absolutamente impunes. O segundo problema é ainda mais interessante. Esta notícia é falsa porque este número é virtual.

Grande parte das dívidas só existem no papel. Mais de metade desta montanha de milhões são dívidas incobráveis que em qualquer empresa normal já teriam sido provisionadas na totalidade. Naquele balúrdio de milhões, estão incluídos os impostos que não foram pagos por empresas que entretanto faliram e a que o fisco todos os anos adiciona diligentemente os juros de mora, dívidas de empresas que se pagassem faliriam pelo que, racionalmente, não vão fazê-lo, dívidas de mortos e desaparecidos, e processos que correm em tribunal com o único objectivo de permitir um suporte legal ao perdão de uma dívida incobrável.

Daqui a meia dúzia de anos, a este número adicionar-se-ão também as colectas mínimas de 1000 euros por cabeça que centenas de milhar de ex-empresas sem actividade se recusam pagar, e que só vão prescrever lá para 2008.

Estão também incluídos na montanha dos milhões as notificações fiscais que são impugnadas pelas empresas e por particulares em que, quase sempre, o fisco perde. Quando um particular avança para uma impugnação fiscal, geralmente tem razão. Lutar contra o fisco custa muito dinheiro e tem muitos inconvenientes, principalmente a chantagem legal que o fisco faz ao não passar declarações de situação fiscal regularizada a empresas que tentam corrigir na justiça montantes por si exigidos.

É o próprio relatório da IGF diz que, quanto muito, o estado poderá aspirar a recuperar ¼ do montante em dívida. Mas estes detalhes não são notícias. O que é importante é que, como escreveu o esclarecido comentador do site da TSF com jeito para matemática, 10% do PIB daria para tapar o buraco abaixo dos 3% para mais uns 8 anos.

  Desblogueios



Ela: Ena, o Desblogueador fez 6 meses...
Ele: Ahhhhhhhhh...uma golfinha a falar!

quinta-feira, dezembro 04, 2003

  Há Sempre uma Colherada para a América

O jornalismo opinativo vem sempre ao de cima quando se fala da América. Ou de Bush. Ou de Israel. Infelizmente, alguns jornalistas são incapazes de transmitir uma simples notícia sem meter a colher. Não resistem.

Os EUA retiraram as tarifas especiais sobre as importações de aço que haviam sido introduzidas há ano e meio. A CNN noticia os factos, expondo os prós e os contras da medida e as reacções das várias partes interessadas, tanto na UE como nos EUA. Assim o fizeram quase todos os jornais de referência.

E entre nós? O jornalista do Público escreveu a notícia assim:

"O Presidente dos Estados Unidos decidiu levantar as sobretaxas sobre a importação de aço que vigoravam desde Março de 2002 e que tinham como objectivo proteger a "frágil" indústria siderúrgica norte-americana.

Deve ter ficado exuberante com a palavra "frágil", entre aspas: "Eheheheh, já lixei os gajos! Made my point!"

  44444

Preocupante. Olhei para o contador de visitas e li 44444. Em baixo, lia-se 4 em linha. Eram 14:14. Será uma cabala?

  Expliquem-lhe...

Também na Visão, a Arquitecta Helena pede explicações. E ela precisa mesmo que alguém a ajude. Alguém que lhe explique, devagarinho, e repita muitas vezes, alguns conceitos básicos.

Expliquem-lhe por exemplo, bem devagarinho, que o Citigroup não é detido por nenhum "príncipe multimilionário árabe". Talvez seja melhor começar por explicar-lhe o que é uma empresa e o que são accionistas. Ainda andamos por esses níveis básicos. E já agora expliquem-lhe que a cotação da opinião de Mário Soares anda um pouco por baixo, nos tempos que correm...

Expliquem-lhe, por exemplo, com muito cuidado... que para evitar que empresas públicas façam disparates com os dinheiros dos contribuintes, a solução ideal é privatizá-las. Depois, já podem fazer todas as asneiras sem nos irem ao bolso. E já agora, expliquem-lhe que as empresa têm administrações e que são as administrações que gerem as empresas, nomeadas pelos seus accionistas.

Expliquem-lhe que o 'sabe-se agora' que ela utiliza para explicar que os principais accionistas do Banco Atlântico são árabes, deve ser uma gralha. A expressão que a Helena deveria ter utilizado é 'sei agora'. Já se sabia antes. Os accionistas dos bancos não são entidades secretas, descobertas subitamente pela Helena.

Expliquem-llhe por favor que Portugal não está em guerra com ninguém. Felizmente. Será que a Helena sabe o que é uma guerra?

Expliquem-lhe que não é preciso usar o qualificativo 'não democrático' para ilustrar qualquer regime árabe. Não há regimes árabes democráticos. A democracia no médio oriente só existe em regimes não árabes.

E, por favor, expliquem-lhe... que 'os custos sociais e económicos elevados que pagamos', não são por causa do valor do défice. Esse até anda lá pelos 5%, como o seu partido reclama. O problema é que quem gasta mais do que o que tem, acaba sempre por pagar mais tarde. A Helena defendia publicamente aumentos de despesa pública de 10% ao ano. Quando o seu partido era governo e apresentava aqueles orçamentos com crescimentos de despesa insustentáveis, a Helena até disse (cito de memória): "o que a oposição queria era que o governo cortasse nos gastos para criar um clima de instabilidade social no país". Lembra-se? Pois bem, cara Helena, estamos hoje a pagar os disparates que a Helena aplaudiu.

Mas o que eu queria mesmo era que a Helena me explicasse a mim...

1. É mesmo verdade que Durão Barroso, himself, negociou armas com o Iraque do ditador Saddam? As coisas que você sabe! Mostre lá as provas ao pessoal, essa é uma notícia de primeira página!

2. Já terá passado o período de 100 dias, no fim do qual a Câmara Municipal de Cascais liderada pela Helena, iria revolucionar a qualidade de vida no concelho? É que, ainda hoje, qualquer munícipe com memória reconhece que em Cascais, mais incompetente que Judas, só a Helena...

  Portas Travessas

Leio na Visão que Miguel Portas julga ser impossível fazer 'uma política de esquerda em palco exclusivamente nacional, obedecendo aos critérios do Pacto de Estabilidade'.

Claro que pode. Se o Miguelinho quer aumentar fortemente a despesa pública para brincar aos governos de esquerda sem ultrapassar os limites do déficite e da dívida pública, basta-lhe aumentar o IRS, o IRC e o IVA. No curto prazo resolveria o seu problema, no longo prazo outros viriam para arrumar o quarto dos brinquedos.

quarta-feira, dezembro 03, 2003

  A Doer

É já a partir de Janeiro. Falar ao telemóvel enquanto se conduz, parar em cima de passadeiras, estacionar em segunda fila e em cima do passeio passa a dar apreensão de carta. Claro que as novas penalizações só terão impacto se toda a PSP for ao oftalmologista. A PSP não vê um boi à frente do nariz, e quando o vê, volta-lhe as costas.

Não é possível que os agentes da PSP não observem os carros em segunda fila à frente das suas esquadras. Só ainda não percebi se não actuam por incompetência, por displicência ou por algum motivo ainda pior.

terça-feira, dezembro 02, 2003

  Estilismos Dissonantes

Caro jmf: "Esquerda inteligente" não é uma ressonância. É um oxímoro.

  Entelijênsia e Cunhesimento
(Seis meses depois, neste mesmo blogue)

Teste de Química, 7º ano de escolaridade

Pergunta : Quais os cuidados a ter com o manuseamento de substâncias inflamáveis?
Resposta : não injerir não beber não olsar quemico com o alco e prodotos imflamafes.

12 anos de escolaridade obrigatória?... uiii

  Secreto e Selecto

Ontem, a UBL realizou uma reunião de máximo secretismo, num local selecto duma zona muito fina da nossa capital.

A reunião revestiu a forma de jantar de trabalho. Enquanto eram decididas importantes medidas para abater a moral dos canhotos, jantámos umas coisitas, o habitual para o membros da UBL. meia dúzia de lagostas regadas a Toitinger, Faisão Forestiere, Escargots à Bourguinonne e, em jeito de homenagem ao Barnabé, barramos umas tostas com caviar. Nada de especial.

No campo das decisões, para lá das que não podem ser publicamente divulgadas por motivos óbvios, decidimos que os blogues de esquerda com mais conteúdo são o Barnabé, o Anti-Direita Portuguesa e o Blog de Esquerda. (por ordem de importância, embora não esteja de momento autorizado a divulgar se a ordem é crescente ou decrescente).

Tentamos discutir a relevância do Causa Nossa, mas não conseguimos: sempre que alguém se referia ao assunto os comensais ublianos partiam-se a rir. A reunião não se prolongou para lá da meia-noite por questões de solidariedade: os nossos chauffeurs estavam com frio.

  Exte Hómen Deveia tere um Belogue



segunda-feira, dezembro 01, 2003

  Encontro Secreto

Esta mulher está já a caminho do Panteão, onde se vai realizar hoje um encontro secreto da UBL.


Mulher do Magrebe, Chefchaouen, Marrocos, Junho de 2000

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