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segunda-feira, fevereiro 09, 2004

  Escreveu Eduardo Cintra Torres, no Público...

"Em entrevista à SIC Notícias (27.01), Carlos Carvalhas disse e repetiu que o PCP não tem a simpatia da imprensa e da TV e por isso se nota menos na vida política que outros partidos [1]. Carvalhas tem razão. As simpatias, não assumidas, de uma parte da imprensa, rádio e TV vão principalmente para o Bloco de Esquerda[2]. O BE está em "estado de graça" em alguns "media" há anos e não é escrutinado pelo jornalismo como os outros partidos parlamentares. Toda a actividade do BE se destina a maximizar tempos de antena e a obter a tal simpatia referida por Carvalhas.

Tal como Santana Lopes, o Bloco é uma empresa de relações públicas de si mesmo[3]. No programa Conselho de Estado (2) em que participei há semanas fiquei estupefacto com as intervenções da ex-deputada Joana Amaral Dias, porque todas elas, mesmo arriscando descentrar os temas em debate, visaram apenas bajular os jornalistas e a imprensa em geral. Esta estratégia tem dado resultado. Enquanto na entrevista à SICN Carvalhas foi de novo confrontado com o apoio do PCP a regimes ditatoriais, nunca ninguém pergunta a Francisco "Écrã" Louçã, dirigente do PSR, "Secção Portuguesa da IV Internacional", se ele ainda defende a revolução permanente do camarada Leon Trostky. [4]


Só que ao dizer que o PCP não tem a simpatia da imprensa Carvalhas deveria considerar a frase também como uma autocrítica. A política faz-se em grande parte pela comunicação de ideias e acções através dos "media". O BE faz tudo através dos "media". O PCP quase nada faz.[5] No caso do BE o problema é dos "media" que se deixam embalar pela superficialidade do mediatismo bloquista. No caso do PCP o problema é do PCP. Para não dizer que o problema é o PCP.[6]"

Notas:

[1] É verdade. Também não dizem quase nada de jeito e por isso as audiências ressentem-se. Parece que só têm um militante disponível para os debates, o das barbas. Desde que a Odete foi para artista aquilo anda fraquinho.
[2] Também é verdade. Big Brothers, Telenovelas e Bloco de Esquerda, a vacuidade com bons adereços conquista facilmente o tempo de antena.
[3] O Santana ao menos faz túneis, o Bloco fica-se pelo circo. Louçã seria grande em Roma. Imagino-o sempre de dedo para baixo para alegria das turbas.
[4] Essa foi mázinha. Vai ter que aturar os Barnabés...
[5] Palhaçadas dão prime-time. Carvalhadas dão sono.
[6] Estamos no século XXI. Um partido que se chama comunista espera o quê? Imagine-se qual seria o sucesso de um partido chamado, por exemplo, Partido Retrógado Português. Ou Partido dos Ceguinhos que Não Vêem Um Boi À Frente do Nariz; Ou Partido dos Aduladores de Assassinos do Século Passado. Não parece ser grande marketing, pois não?

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