<$BlogRSDUrl$>

sábado, fevereiro 14, 2004

  Farmácias

Um leitor do Abrupto, que assina M.Barrona deixou no ar 5 perguntas simples sobre o regime das farmácias. Aqui ficam 5 tentativas de resposta.

1. A margem de comercialização é de 20%?

Não, é maior. A margem de comercialização de 20% aplica-se apenas a medicamentos. A margem de comercialização média das farmácias varia entre 25% e 30%, dependendo da dimensão dos negócios de cosmética e de produtos farmacêuticos de venda livre, em que as margens são substancialmente superiores.

2. Alguém sabe quantos negócios podem aplicar uma margem deste teor?

A maior parte dos negócios tem margens de comercialização iguais os superiores. As margens de 20% nos medicamentos justificam-se apenas apenas devido à reserva de mercado que é garantida às farmácias pelo regime restritivo de propriedade e de imposição de barreiras à entrada. Apenas em casos especiais e no comércio de grande superfície com elevada rotatividade de stocks se praticam margens inferiores.

3. È verdade que os juros cobrados pela Associação Nacional de Farmácias ao estado, pelas dívidas no pagamento das comparticipações, são de 12% ao ano?

Não, não é. São juros de mercado. Inteiramente justos, diga-se. As farmácias não são bancos e não devem ser obrigadas a investir em volumosos fundos de maneio devido à habitual incompetência e incapacidade do estado.

4. Quantas vilas e aldeias deste país com menos de 5000 habitantes posuem farmácia?

É melhor fazer a pergunta ao contrário. Quantas vilas e aldeias deste país com mais de 2000 habitantes possuem farmácia? A resposta é: quase todas.

5. Existe algum estudo sobre quantas farmácias corem o risco de fechar caso a lei venha a liberalizar a instalação de novas farmácias?

Inicialmente, a liberalização faria aumentar substancialmente o número de farmácias. Nas grandes cidades, a concorrência das cadeias profissionalizadas com padrões de serviço elevado provocaria a falência de algumas farmácias antigas e com gestão inadequada; posteriormente será de esperar um movimento de concentração de farmácias em poucos grupos concorrentes. O único risco que se corre é do encerramento de farmácias em pequenas aldeias por aumento de concorrência em localidades próximas. Será sempre um risco reduzido.

Quando se fala de liberalização de farmácia, fala-se da liberalização de 2 regimes: o regime de propriedade e o regime de instalação.

Se o regime de propriedade for liberalizado sem se alterar o regime de instalação, ganham os farmacêuticos que hoje detém alvarás (aumenta a procura de alvarás não se alterando a oferta o que fará aumentar o valor das farmácias), perdem os farmacêuticos que não detém alvarás (deixam de ser os únicos a poder adqurir farmácias e estas aumentam de preço) e de resto pouco muda, excepto no aumento provável da qualidade de serviço em algumas farmácias por profissionalização da gestão.

Se o regime de instalação dor liberalizado e não se alterar o regime de propriedade, ganhamos todos, perdem os farmacêuticos: Os alvarás passam a não valer mais do que o custo de instalação de uma farmácia nova.

A solução simpática é a liberalização do regime de propriedade seguida de um prazo médio/longo (5-10 anos) para liberalização do regime de instalação.

Aí, ganham todos, menos os farmacêuticos novos que ainda não têm alvará. Mas também ninguém deve ter grandes esperanças de sucesso futuro baseado em legislação arcaica e anti-economica de manutenção de privilégios.

Fim de Página