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sexta-feira, fevereiro 20, 2004

  Protestos à Portuguesa

A Antram (vulgo Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) quer que o governo estrague a vida às empresas que têm a distinta lata de não usar os serviços dos seus associados. Considera esta organização que qualquer empresa que use transportes próprios para entregar mercadorias aos seus clientes, está a fazer concorrência desleal com os camionistas da Antram, que também precisam desses produtos para transportar e não têm as suas próprias fontes de trabalho.

Como o governo não interdita a actividade das empresas que prescindem dos serviços dos sócios da Antram, exigem-se compensações: as portagens mais baixas já não chegam, venham agora menos impostos para as transportadoras. Ou, melhor ainda, descontos no gasóleo. Com este bónus, as transportadoras poderão baixar os preços e obrigar todas as empresas a reconhecer que o ‘outsourcing’ do transporte de mercadorias é imbatível.

Como atingir este digno objectivo, o monopólio do transporte de mercadorias para os seus associados? Ora, evidentemente, o melhor método para ‘demonstrar’ a ‘razoabilidade’ das suas reivindicações consiste em estragar a vida a quem anda nas estradas; nada como uns engarrafamentos para conquistar a simpatia do povo para as suas nobres causas.

A Antram já aprendeu com a CGTP que para garantir o sucesso de um protesto, basta lixar a vida a quem quer trabalhar. Hoje, vão tentar embarrilar as estradas com TIRs, promovendo um criativo Dia Nacional Fora das Auto-Estradas. É dia de festa na velhinha N1. No Manjar do Marquês já estão preparados 3 barris de arroz de tomate e vai haver missa de celebração do regresso ao passado na Venda das Raparigas.

Apesar da animação que a Antram promete para hoje, o sindicato do sector que tanto gosta de greves, a FESTRU, está contra. Diz o senhor do sindicato, com um discurso revolucionário que me acendeu o sorriso pelo aflorar de recordações do Verão Quente de 75, que os patrões pagam poucos impostos, que deviam pagar mais e o que é importante é que o governo obrigue os patrões a pagar o mesmo a todos os camionistas. Exactamente, o mesmo a todos. Sejam eles bons profissionais, péssimos condutores ou simplesmente dirigentes sindicais fossilizados. Parece que há uns patrões que pagam mais aos melhores. Ora isso é certamente uma injustiça para ele próprio, e por isso, justifica-se a pergunta/manifesto:

‘E o governo, não faz nada? ‘.

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