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sexta-feira, março 05, 2004

  Exames? Dah....!

Recebi este e-mail, em resposta ao post 'O Completo Disparate':

Caro capitalista neo-liberal fascista de direita:

Não percebe nada de educação. Aconselho-a a leitura deste texto que encontrei no Blasfémias e que resume a avaliação correcta da situação:

"O que importa é a participação e a integração do aluno na dimensão estruturante e plástica do paradigma educacional resultante da simbiose entre o discente e o meio cultural envolvente sem esquecer a movimentação multicultural e semântica do contexto e do intertexto em que toda a sistematicidade da aprendizagem se integra. Obviamente.

Avaliar conhecimentos? Com possibilidade de reprovações? Nem pensar!

Isso é um factor negativo potenciador de desigualdades e gerador de sintaxes plenas de circularidades restritivas e de semióticas desfasadas das deslocações activas dominantes nos outputs sociais que intelectualmente se circunscrevem à estruturação cronológica dos imputs que se interligam na implementação do conhecimento junto da dimensão autêntica da pessoa enquanto ser, destinatário, agente, actor, cidadão, receptor, protagonista, personagem, participante e pessoa."


Ora, eu não diria melhor. Os exames, pelo seu papel diferenciador e pró-classista, só podem contribuir para uma indesejável heterogeneização sociológica da cidadania e para a implementação de sintomas desestruturantes a uma correcta e faseada construção do ser. A constituição de uma entidade própria não deve em nenhum caso ser moldada por príncipios centralizadores, imposições autistas de teorias do conhecimento ultrapassadas e que rejeitam as visões pós-modernas da construção do homem enquanto ser sociológico.

"A linguagem é intrinsecamente uma ficção legal", sugeriu Foucault. É tempo de percebermos que o ensino é apenas uma interpretação da linguagem. A ciência não é mais do que uma construção ficcional a partir de uma realidade nem sempre devidamente percepcionada.

É tempo de acabar de vez com o paradigma cultural capitalista. O conceito de classificação não é de algum modo método válido para formular exigências e valorizar a aprendizagem. Temos que gritar bem alto: "Não aos exames"!

A tentativa de reimplementação da avaliação fascizante, demonstra até que ponto a extrema-direita no poder tem uma visão retrógrada de uma sociedade que pretende hierarquizada e comandada por alguns princípios que hoje sabemos ultrapassados: a geografia, a gramática, a trigonometria e os mais fascistas de todos os pseudo-saberes: a multiplicação, a divisão e a raíz quadrada.

Assinado: Mariana Coruche


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