<$BlogRSDUrl$>

segunda-feira, março 29, 2004

  A Nova Versão da Fuga das Galinhas

Guterres não faz por menos: quer reconstruir o mundo. Depois de ter desconstruído Portugal, Guterres propõe uma nova ordem mundial. “Criação de uma Organização Mundial do Ambiente, de um Conselho para o Desenvolvimento Sustentável, limitação do direito de veto nas Nações Unidas (ONU) e reorientação das organizações mundiais financeiras.”

Nem mais nem menos. A última da lista deixa-me bastante preocupado. Com o curriculum que Guterres apresenta na ‘reorientação’ das nossas organizações financeiras, qualquer proposta de Guterres deverá ser imediatamente olhada com a máxima desconfiança.

Guterres também tentou uma nova explicação para a sua fuga do governo. Meia mentira, meia verdade.

A meia mentira está nesta frase: "o projecto proposto ao país estava completamente comprometido na sua execução no Parlamento”. Como é óbvio, nada mudou no parlamento com as eleições autárquicas. Não me recordo dum único projecto ”importante” do PS que tenha chumbado no parlamento. É uma fraquíssima desculpa.

Mas há uma parte da explicação de Guterres é verdadeira: “Houve um momento em que cheguei à conclusão não existirem condições para executar o projecto em que acreditava”. Aqui acredito em Guterres. Piamente, porque pias devem ser todas as nossas crenças guterreanas.

Acredito que ao fim de meia dúzia de anos Guterres finalmente compreendeu que nunca haveria condições para executar um projecto que consistia basicamente em aumentar a despesa pública todos os anos para satisfazer as promessas que alegremente ia espalhando pela Lusitânia ao sabor das sondagens. Um PIB que crescia financiado por um crescente endividamento externo. Guterres nunca reformou. O método guterreano de 'problem solving' tinha duas fases: 1. Criar um Instituto. 2. Atirar-lhe dinheiro para cima.

Em altura de vacas gordas, ajudado pelo Euro e pela baixa permanente das taxas de juro, ‘o projecto’ de Guterres funcionava como o 'projecto' da Dona Branca. E como sempre, há uma altura em que as pirâmides estoiram. Desse facto Guterres apercebeu-se a tempo. Não quis ser o primeiro-ministro dos anos de crise.

Guterres fugiu. Foi o primeiro a abandonar o barco.

Fim de Página