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quarta-feira, abril 07, 2004

  Preto e Branco

O espião dos links levou-me até ao formigueiro e, por lá, descobri que abandonei uma "discussão".

Abandono? Senti logo umas valentes comichões. É que se até resisto bem aos insultos (basta ver como eles polulam alegremente e em perfeita liberdade selvagem nas caixas de comentários cá da casa), confesso que sinto um incómodo formigueiro nos parietais quando alguém me acusa de guterrismo.

Então, afinal, que discussão era essa que fez de mim um fugitivo?

Na sequência de um post em que Filipe Moura elogiava o MIT e se queixava dos congéneres lusos, deixei este comentário:

"E como convivem aqui no BdE sabendo que o MIT é uma universidade privada e que tem dado interessantes lucros?"

Kaboum!!!! Trump #%&#=Z Klank Plaft Catrapaz!

Levei na cabeça! Começou com um tal de André que me fez perguntas de máxima acutilância, como esta: "E como convive JCD com o facto que a coisa mais parecida com o MIT em Portugal seja o Instituto Superior Técnico, instituição estatal?" Não tenho resposta para isto. Apenas noto que a coisa mais parecida que temos com a Estátua da Liberdade é a Estátua do Marquês, património público, o que deve dar razão ao argumento do André. Suponho.

Ora após esta e outras questões de calibre semelhante, o André foi de imediato aplaudido pelo Colonizador de Formigas que me adjectivou de pró-alQaeda:

"A entrada aqui de alguém que se escusa a esse debate, fazendo perguntas retóricas e mais que politizadas, é pura e simplesmente terrorismo."

Estão a ver. Não é que o problema estivesse na pergunta. Estava era na resposta que não foi dada. Bem, o que é certo é que a pergunta foi considerada bombista e não se negoceiam respostas com terroristas.

Logo após esta estalada, entrou à liça o Zé Armindo - tas bom, ó Zé? - que brilhantemente me classificou como defensor de um "liberalismo lobotomizado".

Quando dois dias depois passei novamente pelo B-d-E e descobri estes beijinhos que me tinham sido dedicados, deixei por lá um comentário e nem mais me lembrei do assunto.

Quem não se esqueceu foi a Formiga, que nestas coisas deve ter memória de elefante. Três semanas depois, descubro que aquilo ficou-lhe atravessado na garganta. E as gargantas das formigas são apertadinhas.

O 'debate' teve sequência. O André foi novamente o primeiro a reagir. Explicou que eu quero "desmantalar o ensino superior publico para financiar o privado". André, podes estar descansado. Juro que não quero "desmantalar" nada. Quero é melhores escolas. Mas tenho a certeza que tu não vais deixar que tal aconteça.

O André escreveu também esta maravilha: "E a falta de qualidade das privadas é culpa dos alunos?" Tem esperto na cabeça. Vejam bem, estava eu convencido que Harvard, Stanford, Yale e o MIT entre muitas outras... eram privadas. Não são, diz-me o André. Só podem ser públicas. É a única maneira lógica de explicar coisas como estas.

E é então que a Formiga volta à carga. E destrói-me completamente. Começa por me sugerir a malvadez do financiamento das universidades com tráfico de órgãos. Ensina-me que a Universidade Católica é o "paradígma dos paradigmas" porque recebe subsídios públicos.

A tese deve ser esta: A UCLA é financiada por capitais públicos e privados e isso é bom; a UCP é financiada por capitais públicos e privados e isso é mau. Clarinho como ácido fórmico.

Depois elabora. "...rebater a investigação à lei das leis do mercado, é pura e simplesmente ridículo. Uma idéia hoje que não "vale" nada, pode muito bem vir a ser a chave para uma grande idéia do amanhã." Ora não se podem deixar essas ideias "nas mãos do mercado. Isso seria travar o desenvolvimento."

É que para o Colonizador, isto seria como "pedir a Ernest Hemingway que avalia-se o código fonte da central de gestão de compras da SONAE em Alverca".

Estão a ver a ligação. Cada um no seu poleiro. Quem deve avaliar as grandes ideias são os grandes idiotas. Nem se deveria pedir que o Hemingway "avalia-se" o Belmiro, porque ele anda noutras "fiestas". E não se pode pedir ao "mercado" que avalie o trabalho de "investigação" porque senão acabam-se as máquinas fotográficas.

E se bem entendi, (o que no caso da formiga-de-langton não é nada fácil, uma vez que o blogue é sobre Ciência, Vida Artificial, Auto-Organização, Novos Media e Sociedade e, principalmente, sobre Complexidade) não cabe aos financiadores da ciência nenhuma decisão. Aliás, nem deve haver financiadores da ciência. Suspeito mesmo que "as máquinas fotográficas, os telefones, as camas, os aviões, ou os simples clips" só existem por causa dos subsídios públicos. É uma questão de evolução e no meio da evolução, entre tantos milhões de pequenas ideias evolutivamente ligadas, há sempre pelo menos uma ideia subsidiada. Bem, o que é certo é que não perçebo nada disto, e por isso, por ser tão ignorante, "desconheço-me enquanto ser humano" e não vejo um bode no que concerne "à realidade multi-dimensional que me envolve". Boing!

Ora aí está. Então, venham de lá essas ideias. Descobre lá umas coisas para nós. Desmente o Magueijo que diz que a investigação em Portugal é "mediocridade sobre mediocridade sobre mediocridade". E o Magueijo deve saber do que fala porque pelo menos ele está numa universidade pública.

E realmente, o MIT... que desgraça, não é? O que nos vale é o meu Técnico, para salvar a investigação no mundo...

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