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segunda-feira, maio 24, 2004

  Brincadeira de Carnaval

Tarde no carro com rádio como companhia. Às 3 oiço um ministro afirmar que considera a hipótese de substituir os grevistas do SEF por agentes da Brigada Fiscal da GNR, durante o Euro. Às 4, o teaser do noticiário é claro: "O SEF considera a utilização de GNRs nas fronteiras uma brincadeira de Carnaval".

Grande bronca! Já nem o SEF respeita o ministro, pensei. Começa o noticiário e repete-se a frase do teaser: O SEF não concorda com a substituição dos inspectores grevistas durante o euro. Fico à espera de ouvir falar o responsável do SEF. Sai-me um sindicalista que quer empandeirar as fronteiras durante o Euro 2004. Para os jornalistas da Antena 1, o sindicato confunde-se com a instituição.

A jornalista vai entrevistando "o SEF", fazendo-lhe as perguntas que dão jeito para quem já tem as respostas preparadas. A segurança do país está em risco? Está e a culpa é do governo que não cede às reinvidicações. Um agente da GNR tem formação para fazer o trabalho de um inspector do SEF? O sindicalista responde: "Se eu estiver doente, não quero ser intervencionado por um alfaiate ou por um sapateiro".

Eu também não. Mas se o meu médico estiver em greve, prefiro escolher outro médico a morrer à porta do consultório. O que este sindicalista quer não é só 'fechar', mas também impedir que o 'serviço' seja prestado a quem dele necessita. Uma mesquinhez.

E por isso, espero bem que todos os grevistas como estes, que usam o direto à greve como instrumento de chantagem atirado contra terceiros, sejam substituídos. Não consigo ver qualquer sentido de justiça em fazer com que cidadãos ou turistas paguem por desavenças laborais que em nada lhes dizem respeito.

O estado deve-lhes dinheiro? Vão para tribunal. Acham que são mal pagos? Mudem de emprego. Enquanto aquele senhor sindicalista pensar que resolve os seus eventuais problemas lixando a vida a terceiros, não passa de um pequeno chantagista. E num caso como este, se o ministro ceder ao chantagista só demonstra fraqueza. Venha a GNR que eu aplaudo.

Nota: Um jornalista do Público também confunde o SEF com um sindicato:"O SEF classifica a possibilidade como descabida, mas adianta que ainda pode cancelar a greve."

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