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terça-feira, maio 11, 2004

  Eles não sabem nem sonham.

No Blog-de-Esquerda publicaram-se 2 posts seguidos, um atrás do outro, consecutivos e sem aparecer nenhum entre eles.

O primeiro é a falar mal de Champalimaud. Após um disfarçado e subliminar elogio às nacionalizações e a Vasco Gonçalves, Filipe Moura ironiza: "Haverá com certeza outros sítios e outros autores que melhor poderão falar deste português notável, que tanta riqueza criou, tantos empregos gerou e tão bem fez ao país."

O post seguinte para quem vem de cima para baixo, ou anterior para quem sobe blogue acima, é a promoção do cartaz eleitoral do Bloco de Esquerda. Um cartaz em que Miguel Portas proclama "Guerra? Só se for ao desemprego!"

Como sempre, em redor dos posts florescem os comentários. E, embora já não me surpreendam, é delicioso perceber como é que os nossos esquerdistas fazem a guerra ao desemprego: crucificando quem o cria.

Nos comentários, misturado com uma série de insultos, sobreeleva-se o conceito-mor: Champalimaud não criou emprego, Chamaplimaud apenas explorou trabalhadores. Nada de novo, o discurso da esquerda sempre pressupõe que não há outra maneira de empregar alguém sem o explorar. Todos aqueles que foram contratados pelas cimenteiras, seguradoras e bancos de Chamaplimaud, foram simples escravos explorados nessas empresas, contra sua vontade. Só pode ser assim. Os capitalistas oprimem, os capitalistas escravizam, os capitalistas exploram.

Felizmente, a esquerda liberta. A demonstração encontra-se num dos mais brilhantes comentários, tornado vivo pela pena do autor de um blogue que dá pelo nome de Enresinados. Escreve ele: "Se fossemos arranjar empresas para empregar os desprotegidos e os explorados, então aí sim, que Champalimaud ficaria sem um único coloborador."

Viva! Benvindo, Enresinado! Mas do que é que está à espera para o fazer? Força, rapaz! O país agradece. Parece que finalmente e por via indirecta compreendo o método que Miguel Portas vai utilizar na sua proclamada guerra ao desemprego. Miguel Portas vai tornar-se empresário. E para nossa felicidade suprema, não só vai empregar todos os desempregados da lusa pátria, como vai permitir a todos os explorados trabalhadores por conta de outrém livrarem-se da opressão.

Ó Miguel, no meio de tanta felicidade, agora que vejo em si o Sol que me ilumina, deixe-me fazer-lhe uma pequena perguntinha:

Quando começam as entrevistas para o recrutamento?

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