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quinta-feira, maio 13, 2004

  Sem Resposta

Pois é. Fiquei sem respostas. Nem Barnabés, nem Blogs de Esquerda, nem Grãos-de-Areia, nem Cruzes. Continuam todos a gritar que tudo está mal, mas nunca clarificam como é que estaria bem. São anti-capitalistas mas não apresentam alternativas. Falam em liberdade mas são contra a liberdade económica. Ou então não são. Não se sabe. É segredo. Para que conste, aqui repito o post que ficou sem respostas.
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O Modelo

Rui Tavares escreve que os Barnabés já não gostam do regime cubano. Até sugere que se faça uma pesquisa no Google para demonstrar que deixaram de amar Che e Fidel. Pelo incómodo.

Ora bem. De uma vez por todas, barnabés e afins, pródigos comentadores deste blogue, bloquistas em geral, matem-me esta minha dúvida. Qual é o modelo que desejam para a nossa sociedade?

Considerando que:

1. Já não gostam do regime cubano;
2. Exceptuando o camarada Bernardino, não gostam do regime do grande irmão da Coreia do Norte;
3. Também não vão à bola com os antigos regimes do bloco soviético;
4. Já não gostam do anteriormente amado regime albanês;
5. Não gostam dos regimes comunistas africanos;
6. Detestam regimes liberais e têm ódio ao capitalismo;

Então, afinal, querem o quê? Qual é a vossa herança? O que representam? Os partidos incluídos no Bloco e o PCP continuam a defender o Manifesto Comunista, ou simpesmente, esqueceram-se de actualizar as declarações de príncipios? A aplicação prática do comunismo foi uma tragédia com milhões de vítimas. Querem fazer o mesmo outra vez? Em Portugal?

Os partidos de esquerda cada vez mais fazem lembrar as novas bandas 'rock', que quando nascem, gostam sempre de renegar as suas influências clamando pela originalidade da sua música. Querem ter um som próprio. Mas a uma banda ninguém é obrigado a comprar discos. Os partidos, pelo contrário, querem o poder para aplicar as suas teorias a todos nós, gostemos ou não.

E se, em desespero de causa, acreditarmos que o projecto político que defendem é mesmo inovador, então o que pretendem é pôr em prática uma experiência social completamente nova. Querem transformar os portugueses em cobaias. Que perigo, não é? Vamos renegar as experiências de outras nações e atirar o nosso povo para a vanguarda experimentalista? Desculpem, mas não quero arriscar. Tenho filhos.

E, se a experiência é nova, porque é que praticamente todas as vossas ideias públicas e publicadas encaixam perfeitamente nas ideias sempre propaladas pela velha esquerda e que conduziram os povos às experiências atrás numeradas de 1 a 5?

Argumentam que:

"Sem liberdade, esquece."

Afinal, são capitalistas ou são anti-capitalistas? O capitalismo não é mais do que liberdade económica. Liberdade de comprar, vender, transaccionar, emprestar, empregar ou empregar-se, contratar, investir ou poupar, importar ou exportar. Liberdade de criar, conceber, correr riscos e de reter os proveitos eventualmente gerados pelas suas apostas ou pela aplicação das suas capacidades. Vocês dizem que me dão liberdade e depois querem impedir-me de exercer a minha liberdade?

Gritam contra a globalização. Mas afinal a globalização não é simplesmente uma consequência da liberdade? Ser contra a globalização, só pode significar 'proibir' coisas. Proibir é sempre limitar liberdade. Afinal, o que é que querem proibir? Querem que a liberdade disponível para os cidadãos dos países mais ricos não esteja acessível aos povos dos países mais pobres?

O partido de Louçã, o PSR, argumenta no seu programa que "Duzentos anos depois da sua vitória, o capitalismo é ainda o principal obstáculo ao desenvolvimento humano da humanidade." Então como explicam que o único factor comum aos 50 países que lideram o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da UN seja, justamente, a economia capitalista, e no caso dos 20 primeiros, várias décadas de capitalismo? Acham que é coincidência? Será por fruto do acaso que os países que mais subiram nesta lista nas últimas duas décadas, sejam também aqueles que mais subiram no Índice de Liberdade Económica?

Confesso que nunca consegui perceber exactamente o que é que querem. E, sinceramente, acho que vocês também não sabem muito bem. Mas, vamos lá. Pode ser que agora vá ser finalmente esclarecido. Haja esperança.

jcd : 4.5.04

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E agora, vou até ao Algarve. (Não, não são férias, infelizmente. É trabalho).

Respostas, não espero nenhumas. Eles não sabem.

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