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quarta-feira, junho 02, 2004

  Ignacio, Ignacio! (parte 1/2)

Vagueando pela net de link em link, encontrei um artigo de um "especialista" em Geopolítica e Estratégia Internacional, Doutor en Semiología e em Historia da Cultura na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de París, Director em París do "Le Monde Diplomatique" e Professor de Teoria da Comunicação Audiovisual na Universidade Denis. Ignacio Ramonet. Nesse artigo, o Ignacio descrevia-me um furacão na Ásia que afectava o Mercado monetário e explicava-me que este furacão representava uma medonha ameaça para a humanidade. O Ignacio alertava-me para a insegurança que a globalização estava a causar no resto do mundo e esclarecia-me que era essa globalização que impedia os governos de garantir a riqueza e a prosperidade dos seus povos.

Furacão na Ásia? Mas do que é que ele estaria a falar? Subitamente vi a luz, no canto superior esquerdo do artigo. O Igancio escreveu esta prosa em 1997, por alturas da crise asiática de que já ninguém se lembra. Nessas semanas de crise, a esquerda de que o Ignacio faz parte proclamou o fim do capitalismo, a nova ordem mundial e a confirmação da profecia de Marx do colapso do sistema.

Enganaram-se. Desde o início do século que se enganam. E engano sobre engano, continuam a defender os mesmos enganos com as mesmas certezas com que se enganaram anteriormente. Os países asiáticos de economia livre voltaram rapidamente ao caminho do crescimento e da prosperidade enquanto alguns outros que não quiseram abrir as suas economias mantiveram-se estagnados.

Ignacio é um enganado encartado e reincidente. Nos idos de 1999, Ignacio apostava em Hugo Chavez e em Novembro publicava esta loa ao incompetente líder venezuelano:

"There is a name on all Latin-American lips nowadays: that of Hugo Chávez. This 45-year-old army commander, who attempted a coup in 1992, was elected president of Venezuela in December 1998. Since taking office he has, with the support of the left and the have-nots and just as he said he would, embarked on a "peaceful and democratic revolution" that is worrying those who preach globalisation."

Infelizmente, a "pacífica" revolução chavista cada vez menos pode ser adjectivada de democrática e quem tem mais motivos para preocupação são os empobrecidos venezuelanos. E nesse mesmo ano em que Ignacio esperava ver a luz que nos ilumina numa pretensa futura prosperidade a caminho da Venezuela, continuava sentado desejando entusiasticamente encontrar sinais da queda do capitalismo. O fim da crise asiática era visto pelo Ignacio como "uma ilusão":

"The shockwave of financial crisis which began in Thailand on 2 July 1997 appears to hang in suspense. But this is an illusion. Globalisation of the world economy has created an interdependence between national economies, and the knock-on effects of crisis are therefore that much greater. The truth is we do not know where the domino effect will strike next."

O Ignacio esperava ou desejava que fosse a China a primeira a estoirar.

"For the moment all eyes are set on China, particularly since Japan?s decision to devalue its currency in the face of threatening recession. The lowering of the value of the yen has had a destabilising effect throughout the region and has led automatically to an over-valuation of China?s currency, the yuan. Sooner or later this will force Beijing to devalue, despite repeated promises to the contrary from Prime Minister Zhu Rongji."

E sugeria um resultado:

"For 20 years China?s growth rates have been above 10%; in 1998 according to official figures they fell below 8%, and were actually lower than 5%. As for foreign direct investment, in 1998 this saw a fall of 25% (1)."

E finalmente, previa:

"Of course, the fact that its currency is only partly convertible protects China from speculation. But in a year that will see, in June, the 10th anniversary of the Tiananmen Square massacre and, in October, the 50th anniversary of the founding of the communist regime, it is quite likely that we shall also see a devaluation of the yuan. This would threaten the Hong Kong dollar (the value of which is now pegged to the US dollar), and could set off a new spiral of devaluation in the region as a whole, thereby threatening the overall equilibrium of several of the world?s key economic regions."

A única conclusão possível é que o homem não acerta uma...

As últimas apostas do Ignacio para a prosperidade do mundo são o presidente Lula da Silva e o exemplo do mais perfeito idiota sul-americano, o cocalero boliviano Evo Morales...

Na Feira do Livro de Lisboa encontrei uma banca cheia de livros de Ignacio Ramonet. Estão ao lado das obras de Viviane Forrester e de Noam Chomsky. É o que se pode chamar "concentrado de disparate".

(cont).

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