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quarta-feira, junho 23, 2004

  Os Recursos São do Povo, o Petróleo é de Moscovo

Andam por aí uns tantos incomodados com a fortuna de Abramovich, mais os espapanantes iates, os helis e as públicas mordomias do novo-rico. E depois atira-se sempre para o ar que o carcanhol que alimenta esta dolce vita vem das máfias, da corrupção, disto, daquilo, do Putin e de mais umas quantas fontes obscuras e esconsas.

Mas a história não é bem assim. O que enriqueceu Roman Abramovich foi apenas a aplicação prática dos príncipios alter-globalizadores, materializados no impedimento à livre circulação de capitais e no proteccionismo industrial, que sempre empobrece muitos e enriquece poucos.

Nos idos anos 80 as empresas públicas russas que se dedicavam ao negócio do ouro negro, socialisticamente geridas, estavam obviamente falidas. Ou, dizendo a coisa ao contrário, estavam obviamente falidas porque eram socialisticamente geridas. Falidas e sem capacidade técnica para irem buscar petróleo onde ele ainda existia, a grande profundidade.

Quando do concurso de privatização, as multinacionais foram impedidas de participar. Sem concorrência externa num país sem gente rica, os espertos avançaram. A Sibneft que não valia nada para o estado russo mas valia biliões para qualquer multinacional do sector com acesso a tecnologias de ponta, foi comprada ao preço da uva mijona. Depois, Abramovich financiou externamente a modernização da empresa, dotando-a da capacidade técnica de extrair o petróleo até aí inacessível.

Se o concurso de privatização da Sibneft tem sido aberto ao mercado internacional, a concorrência seria intensa. Entre a Shell, a BP, a ExxonMobil, a Texaco Chevron, a Elf, a Petronas, a Q8 e mais umas quantas com capacidade técnica para ir buscar o ouro negro, encontrar-se-ia um justo preço nascido da livre concorrência. O governo russo teria recebido o benefício do real valor do negócio do petróleo.

A limitação à livre circulação do capital estrangeiro tirou a riqueza aos russos e atirou-a para o Chelsea, para Mourinho e Paulo Ferreira, para os construtores de iates de luxo e para o Roman que começou a viver bem antes dos quarenta.

Claro que a esquerda só pode aplaudir. Afinal...

1. Os centros de decisão continuam a ser nacionais;
2. As empresas russas estão em mãos russas;
3. Evitou-se a exploração dos recursos naturais que pertencem ao povo por estrangeiros gananciosos;
4. As multinacionais capitalistas americanas não conseguiram deitar a unha ao petróleo russo;

Assim é que é. Os recursos são do povo, o petróleo é de Moscovo. Os iates são do Roman.

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