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quarta-feira, junho 30, 2004

  Res-posta

Nota: Isto era para ser uma resposta a um comentário do Daniel Oliveira no Barnabé, mas cresceu e foi promovido a posta.

Não quero eleições antecipadas porque não quero ver o PS no governo a estoirar outra vez mundos e fundos, a ceder a todas as pressões, a governar pelas sondagens e a aumentar a despesa pública a dois dígitos ao ano.

Foi justamente a crise anunciada pelos excessos do guterrismo que provocou a fuga do seu líder e que fez com que o PS abandonasse o governo. O PS não teve coragem de gerir em contenção. O PS não sabe nem pode governar em crise. É um problema típico da esquerda. A esquerda conquista o eleitorado pelas promessas constantes de mais políticas públicas, mais intervenção do estado, mais isto e mais aquilo. Quando não o fez, como aconteceu em 83-84, perdeu metade do seu eleitorado. É também o problema de Lula no Brasil. Há uma grande diferença entre a promessa do paraíso e o financiamento da sua construção.

Quem atravessou esta crise económica foi Durão Barroso. Que estamos a sair da crise não é novidade nenhuma, excepto para quem não quer abrir os olhos. Uns dos melhores ?leading indicators?, os índices de bolsa, já anunciavam a viragem do ciclo desde o ano passado. O PSI 20 cresceu mais de 25% desde o início de 2003. Os dados do INE confirmam a viragem do período de recessão para uma fase de crescimento económico. No primeiro trimestre de 2004 a economia cresceu a uma velocidade de cruzeiro muito aceitável (2,4% anualizados) e o desemprego começou a baixar, o que só acontece com crescimentos sustentados acima de 1,5% - 2%).

Quem chegar agora ao governo, vai encontrar o início do ciclo de crescimento económico, que para ser bem aproveitado deverá dar origem a médio prazo a superavits orçamentais.

Ou seja, quem vier agora não pode fazer as mesmas asneiras de Guterres. Quem vier não pode desbaratar. Que o PS o fará se chegar ao governo, não tenho dúvida nenhuma. Sobre Santana Lopes, não tenho certeza nenhuma. E entre a mais que certa gestão despesista de Ferro ou a possível gestão despesista de PSL, o que muda é principalmente o adjectivo.

No PSD há sinais contraditórios. Por exemplo, o preocupante populismo de Luís Filipe Meneses ou Alberto João Jardim é incompatível com a sugerida e desejada nomeação de António Borges para as finanças. Admito que Durão Barroso ainda tenha algum poder para impor condições ao partido, mas também não sei se a proximidade de eleições não provocará uma alteração comportamental perigosa.

Pergunta o Daniel se nunca deve haver eleições antecipadas. Deve. Em duas situações:

1. Quando o partido maioritário não quiser formar governo;
2. Quando for impossível encontrar uma solução de governo por ser impossível formar maiorias;

Nada disso se passa agora. Agora há um oportunismo político das oposições, muito bem lideradas pelo Bloco de Esquerda, em aproveitar a onda das sondagens.

O Daniel engana-se quanto ao sentimento da maior parte das pessoas que votaram à direita. Por mim falo: eu queria que Durão fosse para a Comissão Europeia. É uma oportunidade que pode não se repetir para termos lá um português. E nunca, nunca, veria tal saída como uma fuga. Se Durão tivesse ganho as europeias, este problema nem se punha. Durão ia e a esquerda não queria antecipadas, pelo que a legislatura correria o seu ciclo normal de 4 anos.

O que eu não quero é eleições antecipadas, nem períodos longos de governos de gestão, nem orçamentos atrasados para as calendas, nem campanhas eleitorais carregadas de promessas perigosas que de um modo ou de outro, acabarão por ser cobradas.

Por mim, espero que Jorge Sampaio também não queira e tenha o bom senso de não ceder à lamentável chantagem que por aí corre. E espero mesmo que Sampaio e Barroso tenham chegado a um acordo prévio. E também espero que Portugal ganhe à Holanda.

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