<$BlogRSDUrl$>

sexta-feira, junho 18, 2004

  Sejamos do Contra

Meio mundo está contra. Outro meio não quer saber.

O lobby da indústria têxtil está contra a liberalização dos mercados. O lobby exige que todos os consumidores europeus sejam obrigados a pagar um preço mais alto sobre os têxteis, ao mesmo tempo que se limita a capacidade de enriquecimento do terceiro mundo.

As centrais sindicais estão sempre contra. Desta vez escolheram ser contra o novo regime do subsídio de desemprego. O que muda interessa pouco à CGTP. Estariam sempre contra. A CGTP, que está sempre contra várias coisas ao mesmo tempo, acha que os cidadãos não devem ter direito a tomar decisões sobre aplicações das suas próprias poupanças. O regime seria voluntário, mas a grande pensadora da CGTP, Maria do Carmo Tavares, acha mal: "As pessoas vão ser lesadas porque descontam parte do salário para fora do sistema de segurança social, mas nunca sabem quanto é que vão receber na altura da reforma". Eu também acho mal, Maria. E que tal proibir o negócio de venda de carros por privados? É que a gente compra hoje um carro e nunca sabe por quanto é que o vamos vender ao fim de meia dúzia de anos. Tá mau, Maria!

O presidente da Associação dos Professores de Matemática está contra os exames nacionais. Parece que é muito mais importante analisar competências fundamentais, como a oralidade ou a procura da informação e análise. O que é muito aborrecido e contraproducente é ensinar os miúdos a fazer contas. Pior ainda é perder tempo para os avaliar.

Em Paço de Arcos, um grupo de moradores está contra a construção de um edifício de 2 pisos na baixa da vila. O título da notícia do Público é "Moradores de Paço de Arcos Contra Prédio em Zona Histórica". Os moradores são um arquitecto. O que o jornal chama zona histórica é a apodrecida serração que estraga a zona histórica. Parece que os prédios oitocentistas caem se apanharem muita sombra. A câmara nega tudo. Está no último parágrafo.

Em Agualva, um grupo de ambientalistas é contra a demolição de casas antigas. Os tipos do Polis gastaram uma fortuna a contratar arquitectos e a fazer planos disto e daquilo... para quê? Mais vale perguntar o que é que está bem e o que é que está mal aos verdadeiros especialistas de todos os assuntos: as associações ambientalistas Olho Vivo e GEOTA. A opinião da Câmara ou da Polis está omissa no artigo. Who cares?

Os "ambientalistas" estão também contra a construção de uma barragem no Rio Sabor. Como sempre, aliás. Em Portugal, qualquer estrada, barragem ou ponte nunca poderá ser construída no local técnica e economicamente mais adequado. Os "ambientalistas" estarão sempre prontos a jurar que qualquer obra vai sempre destruir para sempre o último paraíso da natureza. A hipótese rejeitada é sempre a melhor. A todos estes grupinhos sugere-se um passeio de fim-de-semana ao Parque Natural da Penêda-Gerês. É proibido tomar banho nas barragens.

Fim de Página