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segunda-feira, agosto 30, 2004

  Bosch é Bom

Diz a história, evidentemente falsa porque acabei de a inventar mas que deve ter um fundo de verdade porque já ouvi isto em qualquer lado, que um dirigente socialista de uma fábrica na antiga União Soviética mandou bloquear os termómetros nos 15º e nos 25º para que os trabalhadores não tivessem que suportar demasiado frio ou calor.

Lembrei-me disto a propósito de França. Durante o último governo socialista, a ministra Martine Aubry fez aprovar a lei das 35 horas. Pensava a ministra que com um limite semanal de 35 horas de trabalho, haveria mais emprego porque as empresas iriam a correr contratar as horas em falta e o governo poderia apresentar-se com um tremendo sucesso nas próximas eleições: maior riqueza e menos desemprego.

Sabe-se a história. O PS não ganhou, mas a lei ficou. Claro que não aconteceu nada do que se esperava. O aumento do custo de um factor apenas contribui para a diminuição da procura desse factor. O impacto é maior nas empresas industriais em que a produção é quasi-proporcional às horas trabalhadas.

Como era de esperar, teria que haver consequências. A ameaça veio da Bosch. A administração da empresa alemã foi claríssima nos seus propósitos: Ou se aumenta o número de horas trabalhadas ou as operações mudam-se para a República Checa. Há quem lhe chame chantagem. Mas só se pode fazer chantagem se houver um forte motivo para a fazer. E neste caso há. A concorrência.

A Bosch não pode impedir os seus clientes de escolherem a quem compram, e se a Bosch ficou mais cara, eles podem comprar noutro lado.

O actual governo fez aprovar uma lei que permitia em condições limitadas ultrapassar a lei Aubry. Seria necessário que 90% dos trabalhadores estivessem de acordo. Tal seria impossível, porque a Confederação dos Trabalhadores Franceses reclamava deter 30% dos votos dentro da Bosch, e era absolutamente contra a revogação de um 'direito adquirido'.

O governo parecia estar entre a espada e a parede: Ou cedia à Bosch e arriscava-se a uma forte reacção sindical e à avalanche de situações equivalentes em outras empresas, ou não cedia e ficava com mais 800 trabalhadores no desemprego.

Felizmente não foi necessário. Apesar das pressões da Intersindical lá do sítio, o aumento do período de trabalho foi aprovado com 98% de votos a favor. O pacote aprovado pelos trabalhadores inclui também o congelamento de salários por 3 anos.

O governo socialista francês resolveu por sua conta e risco diminuir a produtividade de todas as empresas que operam em França. As empresas reagem como podem. E se não podem, vão-se embora. Não há milagres. A lei das 35 horas poderá vir a ser revogada.

Duas lições para todos os governos: 1. A riqueza não se cria por decreto. 2. Os governos não devem impôr limites artificiais à actividade económica.

Mais aqui: Público, Forbes, BBC, Le Monde, L'Expansion, Global Insight, Business Week, Economist, Mises Economic Blog.


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