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segunda-feira, agosto 02, 2004

  Idiolatre-se.

As obras do túnel do Marquês estão quase a recomeçar. José Sá Fernandes está de parabéns: conseguiu atrasar em meia dúzia de meses a construção do túnel e entupir durante todo este período uma das zonas mais congestionadas de Lisboa.

O atraso nas obras é o único efeito prático das acções mediáticas do advogado. O que o José encontra para chatear são sempre questões administrativas. Pede-se mais papéis, mais estudos. Falta sempre uma assinatura, falta sempre um carimbo, um reconhecimento, uma licença, um alvará. Há sempre uma declaração caducada, uma licença expirada, um documento fora de ordem. No caso do túnel faltaria um Estudo de Impacto Ambiental (EIA), partindo dessa nova teoria que um túnel é uma nova estrada. O resultado do EIA estava à vista de todos. Um túnel é sempre melhor que uma estrada, em termos ambientais. O José criou um precedente que vai custar milhões às autarquias e alegrar os sócios das empresas de estudos. E deve ter dado muitas ideias a outros advogados menores que o vão imitar.

A única dúvida que existia era saber se as vantagens do túnel eram economicamente suportadas, mas essas são irrelevantes para o José. O estudo diz que sim, que o túnel é bom. Se dissesse que não, a empresa que o produziu nunca mais seria contratada. A dúvida subsiste, mas se as contas foram bem feitas, o túnel cria valor para o país ao diminuir as filas de trânsito.

Os custos da acção de Sá Fernades vão ser suportados pela autarquia, ou seja, por todos nós, lisboetas à frente. O jurista vai à sua vida sem ter que pagar nada a ninguém, apesar de ser o principal responsável pelos prejuízos que muita gente suportou ao longo destes meses. Aparentemente vai fazer a mesma patifaria para Caxias, para Alcobaça ou para a Rua da Madalena, isto é, encontrar pecadilhos administrativos e processuais em obras em curso, aproveitar e escudar-se na burocracia portuguesa para atrasar as obras e aparecer muitas vezes nos telejornais. Depois, mete o rabinho entre as pernas e parte para outras.

Somos mesmo um país estranho. Em que outro país do mundo é que um idiota que desbarata milhões de euros dos contribuintes apenas para engordar o seu inchado ego seria considerado um herói nacional por alguns nativos e pela comunicação social?

Trabalho na Joaquim Augusto de Aguiar, a rua do túnel. E o que eu queria é que as obras do túnel acabassem depressa. Eu, os moradores da rua, os trabalhadores das empresas que fecham portas todos os dias. A casa dos colchões já fechou. O célebre Lorde, onde o nosso presidente corta o cabelo está às moscas. A loja de artigos escolares não vende nada. Todos pediam obras rápidas. O José só queria que as obras estivessem muito tempo paradas. O José, que ajudou a estragar a vida de milhares de pessoas que durante o período de obras paradas perderam tempo e paciência para aceder e para sair de Lisboa, não se dá por satisfeito. Quer ir buscar mais uns quantos milhões aos contribuintes para oferecer aos meninos que o idolatram e lhe deram prémios.

O Zé é o típico representante de um mal português ao qual se aplica um famoso ditado com palavras só para adultos. O Zé é o tuga que não faz nada, apenas impede que os outros façam. Os Zés são uma das explicações para o nosso atraso crónico. Quem quer fazer, apanha com os Zés Barnabés pela frente para desfazer.

O único prémio que dou a este José que contribuiu para estragar algumas horas da minha vida nestes últimos meses é o meu profundo desprezo. E um conselho: vai à merda, ó Zé.

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