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sábado, agosto 14, 2004

  Liberdade

Os atletas norte-americanos que desfilaram no estádio olímpico de Atenas foram assobiados por alguns barnabés que imerecidamente assistiam ao inesquecível espectáculo.

E se é verdade que em nenhuma situação me passaria pela cabeça assobiar atletas de nenhum país, nem mesmo os das infelizes ditaduras que os assobiadores aplaudem e aplaudiram no passado em profundo êxtase salivatório, devo reconhecer que não seria isento nos aplausos.

O meu bater de palmas a todos os atletas soaria mais forte à passagem das mulheres afegãs que se livraram das burkhas e das grilhetas que as impediam de participar em tão nobre evento e compartilharia um pouco da sua alegria recém-conquistada.

Aplaudiria os atletas cubanos com vontade, como se os meus aplausos pudessem dar-lhes a força que muitos naquele grupo vão precisar no momento em que consigam iludir os polícias do regime que os vigiam e os impedem de passar para o lado do mundo livre.

Aplaudiria de pé os homens iraquianos que já não devem ter receio de falhar um penalty e gritaria pelas mulheres iraquianas que não sabem se voltarão a ter a liberdade de participar em futuras olimpiadas se um radical que se celebrizou a matar civis pelo seu país conseguir o seu objectivo de conquista de poder, com a benção de todos os barnabés deste mundo.

Aplausos para todos, uns mais fortes outros menos. Assobios para atletas que participam numa cerimónia única é mesquinho, qualquer que seja a bandeira que os precede.

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