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terça-feira, agosto 10, 2004

  Meu Caro Henrique...

Pensei que debatíamos défices. Ora o exemplo que me dá não tem nada a ver com a nossa cordial discussão. Aquilo a que se chama défice público calcula-se no seu exemplo subtraindo ao Custo do Estado (3ª linha) os impostos cobrados (7ª linha). A amortização da dívida pública, o tal "factor que JCD despreza totalmente nas suas contas e que constitui o seu maior erro" não entra para estas contas. Para o nosso anafado estado poder amortizar dívida tem que ter um superavit. Se tiver um défice contrai dívida. (Sem contar com as frequentes maningâncias, claro está!).

No seu exemplo há uma linha que o Henrique baptizou como défice. Isso confunde quem lê. O que está nessa linha é a soma do eventual défice (que não existe no exemplo) com a amortização de dívida pública. Ora, para evitar confundir os seus interessados leitores sugiro-lhe um novo nome para essa linha. Chamemos-lhe défice crítico. Ou Francisco, ou Joaninha, é indiferente. Não lhe chame é défice para evitar baralhar neurónios mais distraídos.

A conclusão óbvia e imediata é que no seu exemplo não há a tal coisa a que na linguagem corrente chamamos défice. Logo parece-me que os pressupostos não se aplicam a uma demonstração que quer justamente provar que podemos ter défice permanente e sustentável ao longo do tempo.

Esclarecido este primeiro ponto, que afinal se consubstancia numa pequena clarificação de conceito, e enquanto aguardo um exemplo verdadeiramente esclarecedor, com défice e QED no fim, gostava de o parabenizar por esta feliz passagem no seu texto:

"Eu não acredito que a despesa do Estado tenha de crescer, em valores actuais, de forma igual ao crescimento real do país. Essa é uma crença profunda, no futuro do meu país, taxar os cidadãos de um país a mais de cinquenta por cento da sua riqueza produzida é um abuso do Estado. Esse abuso terá de ser corrigido com o crescimento económico e com a redução do OE face ao PIB."

Estando eu absolutamente de acordo com esta sua nobre visão liberal da economia, perguntava-lhe onde é que quer começar a cortar. Na educação? Na saúde? Nos salários dos funcionários públicos? Nos créditos bonificados? Nos tribunais? Em Belgais? No investimento público? Na Segurança Social? No Rendimento Social de Inserção? No combate aos incêndios? Nos subsídios à ópera? Na conservação do património? Ou vamos esperar 10 anos, de acordo com a sua improvável tabela de um estado contido, para baixar a carga fiscal apenas... 1% do PIB? Aguardo com ansiedade as suas esclarecidas considerações...

Sem outro assunto de momento, atenciosamente me subscrevo
jcd

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