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terça-feira, agosto 17, 2004

  O Chavismo É Um Fenómeno Duradouro

Jorge Almeida Fernandes, hoje no Público.

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Durante os cinco anos de chavismo, a riquíssima Venezuela sofreu uma grave regressão económica. Só este ano haverá crescimento do PNB, graças ao preço do "crude". Os chavistas responsabilizam a oposição que sempre acossou o regime. É meia verdade, pois o chavismo é o principal portador de conflito. Fez da cena política um teatro de combate "entre o bem e o mal". O "mal" é a "oligarquia", que além da oligarquia propriamente dita envolve os empresários, os sindicatos operários ou até a Igreja católica.

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Chávez criou o vazio e rompeu com o mundo empresarial e com os sindicatos. E, sobretudo, não tem qualquer estratégia económica. Basta-lhe o domínio do petróleo para redistribuir a sua renda e seduzir as massas. As grandes "missiones" lançadas no ano passado, como a venda de alimentos a 50 por cento do preço, os cuidados de saúde gratuitos prestados por 10 a 15 mil médicos cubanos ou os programas de escolarização fazem sentir aos pobres que alguém se ocupa deles, mas a redistribuição sem investimento é um suicídio económico.

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Os problemas de Chávez começarão quando o preço do petróleo baixar. A sua política de redistribuição tornar-se-á insustentável. Isto não significa que os pobres o abandonem: ele é o herói e o líder. Mas as dificuldades podem incitar o Presidente a uma fuga para a frente, exercício perigoso num país partido ao meio e portador de grande carga de violência, tanto entre os pobres como nas classes médias. O árbitro seria então o exército."


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