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quarta-feira, agosto 18, 2004

  Ooops... He Did it Again!

Eduardo Prado Coelho resolveu partir numa nova cruzada: ensinar ao povo o que é o liberalismo. Na semana passada o Eduardo explicou-nos que o liberalismo era, por exemplo, a destruição de paisagem de S.Martinho do Porto.

Como se o exemplo escolhido pelo Eduardinho não fosse absurdo (a definição da paisagem está completamente nas mãos do estado), hoje arranja-nos mais dois exemplos de nível equivalente.

O Eduardo começa por dizer que "no campo cultural, por exemplo, é fácil ver que onde há mercado há homogeneização, e, por conseguinte, redução da liberdade de escolha e da liberdade de iniciativa."

Este homem vive na terra? Estará ele a falar sobre quê? Estará ele a pensar comparar a produção cultural norte-americana com a produção cultural dos tempos soviéticos, que por tantos anos idolatrou? É que a comparação entre a produção cultural dos agentes livres e a produção estatizada é de tal modo esmagadora a favor do mercado livre que só a má-fé ou a cegueira ideológica poderiam chegar a tão enviesada conclusão...

Mas o Eduardo continua ainda pior. A crónica de hoje refere-se a um cidadão cuja carreira política foi arruinada por uma revista.

O Eduardo explica que é uma questão de valores. A revista preferiu arruinar um inocente a perder uns cobres por causa das tiragens já impressas. É um problema do liberalismo, sugere o Edu.

Em Portugal aconteceram casos similares no fim dos anos 70 e no início da década de 80. Um jornal estatizado, ligado ao partido em que o Eduardo militava, amplificou um boato sobre uma alegada apropriação ilícita de fundos por parte de Sá Carneiro. Apesar de ser falso, muitos anos depois ainda havia quem falasse dos 33.000 contos roubados. Um outro caso, ainda mais grave pelas consequências, consistiu num boato propalado por outro jornal estatizado e que obrigou um ex-Ministro do Trabalho a fugir do país, por causa de um alegado desvio de fundos. A justiça levou quase duas décadas a limpar-lhe a imagem. Quando o fez, alguém se lembrava dele? O Eduardo deve lembrar-se. Era um homem próximo do partido.

O que o Eduardo não percebe é que estes exemplos só servem para provar a incompetência do estado. Se um cidadão é injustamente acusado, só uma aplicação célere da justiça permite salvar a situação, quer com a reparação pública da injustiça e reposição da verdade, quer com fortes indemnizações que não só pagam os prejuízos como desmotivam comportamentos similares. Se a justiça não funciona é porque a entidade que detém o exclusivo da sua aplicação não foi capaz de actuar. Essa entidade é o estado.

Gotcha?

Update: Dei como boa a versão de EPC. Afinal parece que as coisas não são tão lineares como ele conta. Os acusados por EPC desmentem a história (a revista foi mesmo mudada antes da publicação). E o 'inventor' do boato terá sido um elemento do comunista PT, para liquidar um adversário político... Será uma questão de valores, Eduardo?

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