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quarta-feira, agosto 11, 2004

  Very Silly Season

O Virus do Nilo anda aí.

"Voltei recentemente à minha praia de infância, São Martinho do Porto, e fui até ao Facho - como tantas vezes fiz na vida. Há vinte e tal anos havia ainda um pequeno café que sobrevivia naquele que era considerado o ponto mais alto da costa portuguesa. A vista era soberba. Muitas vezes passei longas manhãs nas mesas do café, olhando a baía, o mar, as traineiras, o vulto longínquo das Berlengas. No caminho, havia uma casa antiga escondida no meio dos arbustos e um velho moinho.

Hoje é o desastre. A economia de mercado dominou tudo. E ao longo da encosta multiplicaram-se os aldeamentos com "comodidades modernas", "piscina", ar condicionado, e outras mordomias. A paisagem foi verdadeiramente devorada pelos construtores civis, ansiosos de fazerem negócios compensadores.

Ora a paisagem é um valor cultural. É património. É memória do olhar. É prazer dos olhos (como dizem com requinte os vendedores de Marraquexe). A paisagem é o que deve resistir a uma sociedade de mercado. A paisagem é um valor que se opõe ao espírito utilitarista. Em São Martinho do Porto vemos a lógica da sociedade de mercado. Será que Gonçalo Byrne (a quem se solicitou um plano para o cais ao longo da praia) poderá conter esta tendência?"

Eduardo Prado Coelho, Público

Ó Eduardinho! Mas então, quem é que define as regras, quem é que faz e aprova os planos de urbanização, os PDMs, os planos de pormenor, quem define os índices de ocupação, quem aprova os projectos, quem fiscaliza, quem licenceia? Haverá melhor exemplo de uma actividade menos liberal do que a construção das paisagens? Diagnóstico: Labirintose Tráumatica, Anti-ambidextrose (incapacidade de distinguir convenientente a mão esquerda da mão direita). Causa provável: Virus do Nilo.

"Que mais fazer? A resposta a Jaquinzinhos é simples: vender todas as empresas públicas, CGD incluída. Vender a RTP e as Rádios Públicas. Vender as águas, vender a TAP. Vender terrenos do Estado. Vender imóveis não necessários. Vender o ouro. Tentar vender a ilha da Madeira se possível! Apostar numa fiscalização rigorosa do tecido económico. Gastar mais dinheiro na fiscalização da fraude fiscal. Gastar dinheiro na simplificação administrativa e na redução da burocracia. Reduzir a dívida pública com as receitas extraordinárias e baixar os impostos consequentemente. Esperar crescimento com atracção de capitais estrangeiros. Despedir funcionários públicos para um nível que assegure eficiência à medida que o crescimento absorva o pessoal despedido. Diminuir o peso do Estado como agente económico directo. Mas começar sempre por aliviar a carga fiscal sobre a economia."

Henrique Silveira, Crítico Musical Anti-Liberal

Pronto tá bem! Julgo que isto equivale mais ou menos a uma rendição, não? Diagnóstico: Dissonância Cognitiva Profunda. Causa Provável: Vírus do Nilo.

"A filosofia neo-liberal (não confundir com os liberais americanos, anglo-saxónicos e franceses), encabeçada por pessoas como Fukuyama e a linha dura do partido Republicano, é uma das ideologias que mata mais no mundo e em muitos casos consegue ser tão burocrática como os antigos sistemas soviéticos."
Rui Curado Silva, Klepsydra.

Pior que a filosofia assassina só o preconceito ignorante. Diagnóstico: Retinite Pigmentosa, vulgo, cegueira. Causa Provável: Vírus do Nilo ou falta de água no relógio.

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