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segunda-feira, outubro 25, 2004

  Duas em Público (Updated)


"Para além de todas as particularidades do populismo e do seu pessoal político-propagandístico, a situação actual configura problemas estruturais, um "déficite democrático"ou, se retomarmos os termos de Fareed Zakaria em "O Futuro da Liberdade", uma "democracia", indubitável em termos constitucionais e políticos, mas que é, senão "iliberal", por certo insuficientemente "liberal", no exercício real, na capacidade de uma cidadania activa e na manifestação não apenas de pluralismo mas também de alternativas políticas - um exercício que também exige um quadro de regulação que dramaticamente falta."

Augusto M.Seabra, uma só frase. Para ler de um só fôlego. Público.


1. Hoje, no suplemento economia, um comerciante/empresário chamado Francisco Múrias quer fazer de nós parvos. A obrigação de emissão de factura nos restaurantes é um ataque aos comerciantes, explica ele. Parece que assim estamos a destruir o pequeno comércio, os sapateiros, os pasteleiros, os merceeiros. Evite-se a factura, portanto. Venha o velho talãozinho da máquina registadora...

2. Ontem Augusto M. Seabra dedicou uma página inteira de jornal a um equívoco. Segundo Seabra, Santana Lopes terá dito "Qualquer cidadão, infelizmente, é livre de dizer, a não ser que ofenda os outros". O que eu ouvi Santana dizer foi "Qualquer cidadão, e felizmente...". Mas mesmo que PSL tenha dito "infelizmente", reconheça-se que seria necessária uma grande falta de discernimento para interpretar a frase literalmente e não como uma gaffe. Acontece que Augusto M. Seabra acha que foi a sério. Vai daí, sai mais uma página de jornal de "Ai Jasus, a liberdade de expressão". Afinal, que discernimento é que se pode esperar de um tipo que co-assina este programa eleitoral?

Update: «Há momentos em que as democracias funcionam muito mal e outras funcionam melhor. Temos o dever de fazer com que esta em que estamos funcione mal. É isso onde eu, esforçadamente, com gosto, me tenho dedicado», Jorge Sampaio, TSF Online, via Intermitente. Para a semana teremos um artigo de página inteira de Augusto M. Seabra a criticar a opção de Jorge Sampaio pela democracia de mau funcionamento. Seabra suspeitará que "será melhor uma democracia que funcione bem, indubitável em termos constitucionais e políticos, na prossecução da capacidade de uma cidadania activa...".


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