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segunda-feira, outubro 11, 2004

  Nobel

Luciano Amaral publicou hoje no Público a crónica "O Fim da História Económica?", com um excelente timing.

"Um fenómeno económico recente tem suscitado a curiosidade (e a discussão) de economistas e outros cientistas sociais: todas as comparações estatísticas internacionais mostram que a diferença de rendimento "per capita" entre a Europa mais desenvolvida (os antigos Quinze) e os EUA é hoje a mesma do que há cerca de trinta e cinco anos atrás. Tal como em 1970, hoje o rendimento "per capita" dos ditos Quinze é, em média, de cerca de 70 por cento do americano. Um olhar mais atento para esta comparação transatlântica mostra, porém, algumas curiosidades. A diferença de rendimento "per capita" entre as duas áreas económicas não tem origem na produtividade dos seus trabalhadores, que é idêntica, mas no tempo que dedicam ao trabalho, acontecendo isto quer porque é maior na Europa o número de desempregados (praticamente o dobro, na verdade), quer porque os que estão empregados - entre férias maiores e horários semanais menores - gastam menos horas no local de trabalho.

Este quadro aparentemente paradoxal tem levado a duas posições muito distintas para a sua explicação, protagonizadas por economistas célebres. De um lado temos economistas como Olivier Blanchard ou Robert Gordon, para quem estaríamos apenas perante preferências diferenciadas. Dada a escolha entre trabalho e lazer, os europeus prefeririam o último, ao contrário dos americanos. Do outro lado temos Edward Prescott, que, ainda colocando a tónica nas preferências, defende que elas se manifestariam em circunstâncias distintas. Os europeus prefeririam trabalhar menos, não por uma inata (ou cultural) preferência pelo lazer, mas porque o trabalho seria mais caro na Europa do que nos EUA. Segundo Prescott, o trabalho é mais caro na Europa por duas razões. Uma, os europeus têm acesso a generosos subsídios de desemprego, que os desincentivam a procurar trabalho de forma mais afincada. A outra, estão sujeitos ao pagamento de impostos sobre o seu trabalho, que os conduzem a trabalhar menos. Isto é, os trabalhadores europeus apropriam-se de uma porção menor da riqueza que geram e, por isso, preferem mais lazer.

Já que estamos a lidar com preferências, também eu indico a minha: prefiro a tese de Prescott."
Edward Prescott foi hoje galardoado com o Prémio Nobel da Economia.

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