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sexta-feira, novembro 19, 2004

  Voando Sobre um Ninho de Cucos

1.Se já restavam poucas dúvidas, agora dissiparam-se por completo. Soares pai já não funciona bem da pinha. Agora fala em golpes de estado. Diz ele que se não fosse a CE teríamos um novo 25 de Abril. Para nos libertar da corrupta ditadura em que estamos mergulhados. Ouvi hoje alguns minutos duma intervenção pública de Soares e cada frase era mais tonta que a anterior. Soares entrou definitivamente no ramo da anedota. Preocupam-me as ambições políticas do filho. Comigo não contará, nunca. Um voto em João filho de Mário para qualquer cargo público é uma declaração científica de descrença na hereditariedade.

2. Luís Osório, director da Capital, falou ontem num programa da Dois em que jornalistas debatiam o jornalismo. Que confusão vai naquela cabeça. Para Osório, os jornais têm que ser independentes porque se não forem os leitores deixam de acreditar no que lêem. Ou seja, Osório não lê o seu próprio jornal. Mas logo de seguida Osório diz o contrário do que acabara de sugerir. Não pode ser só independente, o jornal deve ser também e sempre um contra-poder. Sócrates que se cuide. Se ganhar as eleições, Osório transformar-se-á no mais fervoroso santanista.

3. Um advogado desconhecido resolveu dar um passo decisivo para a fama. Chama-se Nuno Ribeiro e quer estoirar com a EMEL. Um seguidor de Sá Fernandes, o tal que leva à falência os pequenos comerciantes da zona da Joaquim António de Aguiar e que fez a Câmara de Lisboa perder milhões de euros a troco de publicidade e louvores públicos da intelectualidade patega. Este novo chico-esperto quer simplesmente acabar de vez com a baixa de Lisboa. Imagine-se o que aconteceria ao que resta do comércio no centro se os poucos lugares de estacionamento que ainda sobram estivessem ocupados de manhã à noite pelos funcionários que chegam mais cedo aos escritórios. Imagine-se porque é isso que este senhor espera conseguir. E tendo em atenção a qualidade de alguns juízes que por aí pululam, o homem até é capaz de conseguir um qualquer acto suspensivo da tarifação do estacionamento e deixar definhar a cidade meses a fio enquanto a nossa incompetente e lenta justiça brinca aos papéis.

4. No debate do orçamento, Portas, Sócrates e Cravinho discutiram as receitas do estado. Põe imposto, tira imposto, dá Scut, tira Scut. Estamos tramados. Tanto os que lá estão como os que lá querem estar só pensam em receitas. E o que nós precisamos é de quem corte forte e feio nas despesas. Não se vê ninguém no horizonte que o queira fazer.

Estamos rodeados de inimputáveis.

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