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segunda-feira, dezembro 13, 2004

  A Coragem de Rebecca

A Dra. Rebecca Gomperts, depois das corajosas acções na Irlanda e em Portugal com a sua Women On Waves, foi para a Argentina fazer os mesmos números que fez em Portugal, mas sem barco. Em breve a Rebecca regressará a Portugal para participar na campanha eleitoral.

Que coragem! A Rebecca escolhe sempre estes destinos difíceis, locais em que a liberdade é ameaçada, países em que as vozes das mulheres são silenciadas, sociedades que não têm capacidade de ganhar as duras batalhas sem a sua preciosa ajuda.

E, porque sei que a coragem da Dra. Rebecca é global, deixo já aqui algumas magníficas sugestões para as próximas acções de luta da organização que dirige. Por exemplo, Irão, Palestina, Arábia Saudita, Sudão, Síria, Indonésia, Jordânia ou mesmo Marselha.

Rebecca, que belo seria defender as mulheres escravizadas pelo Islão às portas das mesquitas de Damasco, de Amã... Imagina-te a discusar na Palestina, junto à Muqata, em defesa da liberdade sexual... Que nobre seria ir para o Cairo ajudar as mulheres egípcias na sua justa luta pelo direito ao divórcio, ou fazer uma tournée pelo Magrebe em defesa da luta das mulheres pelo direito à escolha livre dos parceiros...

Rebecca, nem é preciso ir tão longe. Sugiro-te a visita a um bairro árabe em Madrid e, em frente à mesquita, perorar contra os imãs que ensinam os maridos a bater nas mulheres com paus, para lhes aplicar os justos castigos quando elas se portam mal. Ou um discurso inflamado perante os milhões de magrebinos que em França agridem, humilham e expulsam de casa as mulheres que tiveram a ousadia de se apaixonerem por cristãos infieis, ao arrepio da lei que na Europa, aparentemente, aceita o Corão como excepção ao estado de direito.

Afinal, o que é isto para ti, Rebecca? Devemos sempre pôr as coisas na perspectiva correcta. Para quem tem a coragem de ganhar a vida a falar do direito das mulheres ao aborto nesses perigosos países ocidentais, qual a dificuldade de falar para as mulheres islâmicas de conceitos tão básicos como o de liberdade?

Rebecca, porque não vais até Teerão repetir nas televisões iranianas os discursos que fizeste em Portugal? Ah, Rebecca, isso sim! Prometo que estarei na primeira linha dos que defenderão a tua libertação em frente à embaixada e assinarei todas as petições contra o teu chicoteamento público. E para que não tenhas receio do que a seguir vier, garanto-te desde já que quando os Ayatolas te executarem, muitos milhões de mulheres oprimidas no mundo ocidental acenderão uma velinha por ti...

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