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segunda-feira, dezembro 06, 2004

  Má Sorte ter Sido Poeta

1. Maria Filomena Mónica escreveu um artigo no Mil Folhas sobre Boaventura de Sousa Santos. Divertido e certeiro, o artigo mostra-nos uma feceta pouco conhecida do Professor-Sociólogo-Político-"Cientista" de Coimbra. E logo se revoltaram os discípulos: Bruno Sena Martins e Luís Rainha apontaram holofotes para a janela do crítico em defesa da honra do "cientista" social coimbrão.

Luís Rainha explica-nos que o artigo é uma 'deselegante exibição de rancor e inveja'. O Luís está obviamente errado. Inveja do Professor Boaventura é algo que me parece ser humanamente impossível. O leão nunca tem inveja da hiena por muito que esta pareça mais divertida com o mundo que a rodeia.

Já o Bruno atribui à autora motivações 'risíveis e aleatórias'. Admito concordar com a parte das motivações risíveis. Muitos leitores do artigo devem ter começado por rir da poesia do Professor Boaventura, pelos menos amareladamente, antes de começarem a sentir, na melhor das hipóteses, alguma comiseração com a criatura. O que não posso é concordar com a motivação 'aleatória'. Personagens daquela índole não são fáceis de encontrar. São aves raras.

Para quem nunca leu, aqui fica um exemplo da poesia do Professor Boaventura, já anteriormente publicada neste blogue.

(...)
"alagada de medo
escancaram-se as cancelas
das secretas construções
nas ruínas do ciclone de quarenta
trabalhos manuais sem mestre nem montra
entram chefes guerras caracóis
tesouras e pauzinhos
nas rachas das meninas
na catequese é em coro
e em filas
Boaventura tens quebranto
dois te puseram três te hão-de tirar
se eles quiserem bem podem
são as três pessoas da Santíssima Trindade
que é Pai, Filho e Espírito Santo
mexo nos anos sinto nas mãos
a moleza da cera não fere
alastra"
(...)
Boaventura de Sousa Santos


Há mais. Guardo-as para publicar um dia, quando for oportuno.

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