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quarta-feira, dezembro 01, 2004

  Notas Sobre A Crise

1. Pacheco quer Cavaco. McGuffin quer Borges. A Sara também quer Cavaco. Podem esperar sentados. Cavaco e Borges têm mais do que fazer do que estoirar a sua respeitabilidade num lugar tão pouco apelativo e mal pago como o de primeiro-ministro de uma equipa sem capacidade de gestão orçamental e num país habituado a governos paternalistas e gastadores.

2. Em Portugal só há 2 maneiras de ser primeiro-ministro. Não fazer nada de útil, o que por vezes (mas nem sempre...) é garantia de boa imprensa; tentar fazer o que é preciso e ser rapidamente despedaçado pela comunicação social.

A missão obrigatória de qualquer futuro primeiro-ministro de Portugal seria a de cortar substancialmente na despesa pública. Diminuir significativamente o número de funcionários públicos. Fazer muitas coisas que dão péssima imprensa. Ninguém vai sequer tentar. A boa governação é politicamente suicidária. Ou seja, venha quem vier, estamos tramados.

3. O presidente dissolve a assembleia mas pretende que este orçamento seja aprovado. Que pena. A única vantagem visível da dissolução do parlamento seria a gestão por duodécimos até Maio ou Junho... Sócrates prefere assim. O provável futuro governo do PS garante desde já um ano de desculpas públicas e livra-se da obrigação de ser o porta-voz do aumento de 2005 para o funcionalismo público.

4. Vem aí a campanha. E vêm aí as promessas. E agora das duas uma. Ou Sócrates está convencido que pode ganhar à vontade sem se comprometer, o que é difícil tendo em atenção a quantidade insuperável de despesistas que pululam no partido; ou então as SCUTS não terão portagem, não haverá lei das rendas, não haverá diminuição de IRS, não acabarão os benefícios fiscais, abre-se a torneira às autarquias, aumentam-se as 'despesas sociais' e haverá maiores aumentos para a função pública e em 2005 teremos um défice estratosférico.

5. Santana Lopes tem 4 meses de governo pela frente e depois, tudo indica, vai-se embora. E nestes 4 meses vai fazer o quê? Ser poupadinho? Tá bem, tá bem...

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