<$BlogRSDUrl$>

segunda-feira, dezembro 20, 2004

  Re-Tratamento

O provável futuro primeiro-ministro já anunciou o regresso à co-incineração. O anúncio é pertinaz. Mostra capacidade de decisão ao grande centrão, o que pode vir a ser diferença entra uma maioria absoluta e um grande imbróglio.

O caminho que Sócrates escolheu parece ser o mais adequado nos tempos que correm. Acusa-se o actual governo e o anterior de terem deixado cair a co-incineração sem ter encontrado uma alternativa.

Sócrates faz bem em avançar. Qualquer que seja a solução técnica escolhida, importante é a resolução definitiva do problema dos resíduos industriais perigosos. O que não podemos é ir atrás de argumentos das Quercus e quejandos e ficar eternamente à espera de soluções milagrosas baseadas em actos de fé e de voluntarismo. A credibilidade da Quercus anda muito baixinha e se a Quercus diz que é por aqui, o melhor é ir por ali.

Voltando à vaca fria, isto é, a Sócrates. Neste momento Sócrates precisa de um upgrade no disco rígido que lhe torne a memória mais persistente do que a curta memória socialista.

Quando Guterres tomou o poder havia uma solução definida: a incineração dedicada, com localização aprovada. Claro que o PS de então prometeu acabar com o processo. Nesses idos anos de 95, onde houvesse uma voz de protesto logo havia uma promessa de Guterres. E assim foi: uma das primeiras acções do PS no governo foi arrumar com todo o trabalho que estava feito que estava feito e voltar à estaca 0. Com Sócrates no ambiente decidiu-se acabar com a incineração dedicada e satisfazer os protestos de Estarreja. Passou-se à co-incineração com protestos de Coimbra e Setúbal. Obviamente, se o governo de Cavaco Silva tivesse escolhido a co-incineração, Sócrates teria decidido pela incineração dedicada.

Foram 6 anos foram de profunda política socialista na área do ambiente: debates, estudos, diálogo, muitas decisões no papel, muita determinação e muita argumentação. Na prática, não aconteceu rigorosamente nada. O PS abandonou o governo e de co-incineração? népias. Típico.

Depois foi o que se sabe: o PSD repetiu a experiência populista e assim como Guterres havia comprado os votos de Estarreja, Durão mandou comprar votos em Souselas e no Outão.

E em 2009, o que vamos ter? Espero enganar-me mas o que vamos ter no fim da próxima legislatura é, provavelmente... nada.

Fim de Página