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sexta-feira, janeiro 30, 2004

  O Pai Natal

Saddam Hussein era um benemérito, que nunca esquecia os amigos e tinha sempre uma lembrança na manga em forma de voucher...

Georges Galloway, deputado escocês e activista anti-war da Grã-Bretanha recebeu 1 milhão de barris. Em troca, dava a Saddam prendas destas. Está bem. Troca por troca. O homem fartou-se de apanhar chuva nas manifestações anti-americanas, nos debates políticos e a escrever para os jornais... Nada como uns barrizitos para alimentar as convicções...

O amigo Saddam era um verdadeiro defensor da igualdade e da redistribuição. Um verdadeiro socialista. A prova é que só deu 1 milhão de barris a um homem rico, Arthur Millholland, CEO da Oilexco do Canadá e activista anti-war. Mas o americano Samir Vincent, lobbista pró-palestiniano a activista anti-war e que não tinha salário de CEO, coitado, teve direito a 10,5 milhões. Certamente que se não fosse o Saddam, o gap entre ricos e pobres teria aumentado nos EUA.

Em França, também havia muitos amigos de Saddam. O melhor de todos é sem dúvida Charles Pasqua, antigo ministro do interior que recebeu a módica quantia de 12 milhõezitos. Nunca mais lhe faltará o pitrol para alumiar as lamparinas da sua casita... Uma ajudinha simbólica, todos sabemos que os políticos são mal pagos...

Já o amigo íntimo de Chirac e intermediário de negócios Patrick Maugein recebeu uma coisa pouca. 25 milhões. A troco de nada, evidentemente...

Também os italianos da Lombardia devem estar muito contentes com o seu presidente, Roberto Formigoni; um homem feliz com o seu milhãozito.

Saddam nem sempre foi um homem justo. Na Jugoslávia, enquanto o Partido da Esquerda Jugoslava recebeu 9 milhões e meio de barris, o Partido Socialista lá do sítio só teve direito a 1! Têm todos os motivos para expressar a sua indignação, até porque o Partido Trabalhista Romeno recebeu 5,5 milhões e o Partido Socialista Búlgaro 1,2 milhões. A única conclusão a tirar disto é que Saddam não era certamente comunista: O Partido Comunista Eslovaco só teve direito a trocos: 1 milhãozito de barrilinhos.

Também no Brasil é possível encontrar provas do anti-comunismo de Saddam. Enquanto que os comunistas do Movimento 8 de Outubro recebeu uns míseros 4,5 milhões de barris, um tal de Fuwad Sirham, teve direito a 10 milhões. Este Saddam só era comunista na Ucrânia: Deu 6 milhões ao Partido Comunista e deixou os sociais-democratas e os socialistas só com 1!

Na Rússia Saddam deu dinheiro aos liberais. Ooops... liberais? Ahhh... É o partido do Vladimir Zhirinovsky! Na Rússia a lista de presentes é demasiado grande. Saddam tinha por lá muuuuuuuitos amigos...

Saddam sempre foi amigo de seus amigos. O presidente Mubarak do Egipto, o primeiro-ministro líbio, o ministro do petróleo da Jordânia e o ministro dos negócios estrangeiros do Chade tiveram os seus vouchers em quantidade apreciável. Mas do que Saddam gostava mesmo era da juventude. O filho de Nasser, o filho do ministro da defesa da Síria, o filho do presidente do Líbano e a filha de Sukarno foram alguns dos que receberam prendas. Por sinal, esta última continuou a receber prendas depois de crescidinha...

Mas porque é que foram implicar com um homem destes? Estes americanos não têm mesmo emenda...

Ahhh.. grande Saddam! Espero que sejas ilibado depressa... Há tanta gente carregadinha de saudades...

quinta-feira, janeiro 29, 2004

  O Miguel Desistiu. Life is too short

O Miguel foi um dos miúdos mais inteligentes que conheci. Desde muito novo, o que ele faz melhor que ninguém é tornar fácil o que parece complicado ao comum dos mortais. O Miguel sabe juntar máquinas umas às outras. Combina-as, liga-as a um PC, escreve software de controlo e tudo parece simples. No seu quarto, ligava e desligava televisões, videos e telefones com o rato do computador. Mudava os canais da televisão com um microfone. Coisas destas.

Quando acabou a licenciatura, o Miguel quis ser empresário. Bem, para dizer a verdade ele nunca pensou em ser empresário. Queria simplesmente fazer coisas. Sem chefes e sem outras obrigações que não a de aplicar a sua capacidade com brio profissional.

No fim do século passado, ainda estudante, fez um trabalho excepcional numa empresa de um amigo. A visibilidade e a publicidade que conseguiu trouxeram-lhe clientes. Mas é muito complicado ser fornecedor de uma empresa sem ser ele próprio uma empresa. Por isso, sentiu-se obrigado a “legalizar-se”.

Constituiu uma empresa. Ou no caso dele, duas. Uma para consultadoria e outra para desenvolvimento de sistemas. Alguém o aconselhou deste modo. Sozinho, tentou entrar no sistema. Gastou muito dinheiro. Escrituras, Registos, viagens para a capital de distrito, impostos para isto e para aquilo, taxas inconcebíveis. Sempre ele atrás do estado. O estado nunca ajuda. O estado obriga a que um papel que tenha que sair de um organismo público e entrar noutro seja transportado pelo 'utente'. O Miguel gastou quase todo o dinheiro que tinha e tentou poupar na contabilidade, com a ajuda de um conhecido.

Após um período inicial calmo, a empresa do Miguel foi multada vezes sem conta. Porque se esqueceu de dar dinheiro a um jornal regional, porque se atrasou nas declarações do IVA, porque não se declarou a si próprio na Segurança Social, porque não entregou mapas de imobilizado, porque se atrasou nos salários a si próprio e nos respectivos descontos. Pior que tudo, as despesas com todo o equipamento informático que tinha em casa antes da criação da empresa não foram aceites pelo fisco. De tal modo que o lucro do primeiro ano foi quase todo para impostos. O Miguel deixou rapidamente de ser um excelente técnico para ser um péssimo burocrata. Foi obrigado a contratar 2 pessoas em part-time para o auxiliarem na burocracia. E para concorrer a um concurso público.

Em 2001 e 2002, tudo lhe correu mal. Um cliente atrasou os pagamentos. Um cliente chamado estado. Atrasou os pagamentos, mas multou-o por não ter pago o IVA referente aos pagamentos que não lhe foram feitos. E cobrou-lhe IRC sobre lucros que só existiriam se tivesse pago em tempo. Foi multado meia dúzia de vezes por falta de entrega de declarações obrigatórias que desconhecia, por ter entregue outras fora de tempo, porque se atrasaram nas entregas à Segurança Social por culpa da ineficiência da própria segurança social. Mais as colectas mínimas.

Depois de ter sido limpo pelo estado de parte sensível dos rendimentos do seu trabalho, procurou ajuda numa empresa de contabilidade. Ficou a saber que esta era obrigada a cobrar-lhe um mínimo legal por empresa, uma enormidade para o trabalho que uma micro-empresa exige. Qualquer coisa como 170 euros por empresa por mês, mais despesas. Ouviu a ministra explicar que o PEC era para evitar que os malandros fugissem ao fisco. E o PEC que ele pagou foi calculado com base num lucro que só teria existido se o próprio estado não se tivesse atrasado 18 meses num pagamento, por causa de uma qualquer ilegalidade administrativa de serviços do próprio estado que não lhe diziam respeito.

A burocracia custou-lhe mais de 2.500 contos em dinheiro e, pior ainda, mais de metade do seu activo mais valioso: o tempo. Sugou-lhe a energia que nele anteriormente transbordava.

Deixei de ouvir falar nele no Verão de 2003. A última vez que o tinha encontrado, estava a pensar ir dar aulas para uma universidade, como assistente. Em Setembro, não me respondeu a um e-mail nem me atendeu o telemóvel no dia dos seus anos. Por fim, hoje, tive notícias. Um e-mail, vindo dos EUA, com um sufixo que não engana. Uma multinacional que todos conhecemos. O Miguel foi convidado para trabalhar para um cliente para quem desenvolveu um projecto com sucesso.

Sobraram-lhe duas hipóteses de vida. Ser funcionário público ou emigrar. Escolheu criar riqueza noutro país. No nosso, é proibido.

É exactamente o que se pode ler no Samizdata:

“If youngsters are being deterred from starting their own businesses then they are hardly to be blamed. Who wants to have to spend most of their time, effort and intellectual energy steering a path through a vast forest of regulations, directives and laws only to watch the taxman take a big, wet, juicy bite out of the little profit you have managed to earn. And, to top it all off, you then switch on the TV or open the morning newspaper only to be told that you are 'the enemy of the people'. Contrast this with going for a job in the public sector which will give you a guaranteed income, a job for life and the steadfast loyalty and service of the political classes. It's a no-brainer. Life is too short.”

Acho que fico feliz por ele. E triste por Portugal.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

  A Ver a 2



E que tal têm sido os últimos debates no Prós e Contras? Nas últimas semanas e nas próximas, às terças pela noitinha, prefiro sempre viajar pelo Sahara na companhia de Michael Palin. Na 2.

  Outra vez.

Dois dias depois da morte em directo na TV, um novo choque. Um colega de trabalho, daqueles com quem conversamos todos os dias, com quem desenvolvemos projectos, com quem passamos horas perdidas em reuniões e com quem partilhamos muitas vezes a hora de almoço, desapareceu. Tal como a Feher, foi o coração que o traiu muito antes do tempo em que estas coisas se tornam compreensíveis.

C. era um amante de fotografia e disse-me que gostava particularmente desta imagem.

Para o C. Descansa em paz.



segunda-feira, janeiro 26, 2004

  Feher

Hoje, não apetece blogar.

domingo, janeiro 25, 2004

  Assobiar Para o Lado



Ainda estamos em Janeiro e já há candidato ao prémio "Tiro no Pé" do ano. Esta obra de demagogia foi feita pelo partido que governou Lisboa de 1990 a 2002...

sábado, janeiro 24, 2004

  ..M'ESPANTO ÀS VEZES.

Ontem, este blog ultrapassou as 100.000 page views...

  As traduções são um lugar estranho

Que a Sofia herdou o jeito do pai, já se tinha visto na história das irmãs Lisbon. Ainda melhor é Lost in Translation. Um mimo. Infelizmente o sentido do título perdeu-se na tradução para a língua lusa. "O Amor é um Lugar Estranho"? Há tradutores muito criativos...

sexta-feira, janeiro 23, 2004

  Irreflexões

Pela versão beta do espião dos links descubro que fui desafiado. O Irreflexões, esse último dos crentes, o único que luta quase em exclusividade na defesa dos governos socialistas com base em argumentos quantificáveis, deixa-me o seguinte desafio:

"Aguarda-se que a ala da blogosfera, que tanto atacou e ataca o PS pela sua gestão orçamental fale disto."

O "isto" é o relatório que contém a Síntese da Execução do Orçamento do Estado de 2003. Diga-se que o desafio não é muito apelativo. Sugere-me um incompetente que se defende gritando: "Não sou o único!...".

E confunde um bocado o meu papel. Falar mal de Guterres não implica cantar loas a Barroso. Vituperar o fugitivo, é uma obrigatoriedade em função do que já sabemos do passado; aplaudir Durão é apenas uma probabilidade remota que só o futuro permitirá avaliar.

Posto isto, o Irreflectido compara e interpreta alguns números. Por exemplo:

"O IRC caiu quase 15% em relação ao previsto, porquê? Porque reflectiu o número de falências (favor fazer paralelismo com desemprego) e a taxa de tributação real também. Explicação: quem doa dinheiro aos partidos são as empresas, não os particulares."

Ora, meu caro Irreflectido, em situação alguma o IRC pago tem qualquer relação com falências. Se as empresas falidas pagassem IRC, tinham lucros e não eram falidas. As empresas que fecham portas, por norma, há muito que não pagam um tostãozinho de impostos. O que aconteceu em 2003, foi a queda dos lucros das empresas, o que é um sinal dos tempos de recessão. Para o próximo ano, espera-se que a descida do IRC (que tanta falta faz), já seja devida a uma descida da taxa de tributação. E, perdoe-me a apropriação das suas palavras, mas como o governo que tão intransigentemente defende também baixou a taxa de IRC, deixo-lhe esta questão: "o governo PS baixou a taxa de IRC, porque quem doa dinheiro aos partidos são as empresas e não os particulares?"

Continuando.

"As taxas multas e penalidades cresceram, no total, mais de 39% acima das expectativas. Porquê? Porque é outra maneira de por os privados a financiar o Estado. Maioritariamente as pessoas"

Se isto tivesse acontecido no governo PS, certamente teríamos outra explicação: maior eficiência da fiscalização.

"A despesa corrente cresceu quase 3,1% face ao orçamentado. As remunerações certas e permanentes foram quase congeladas (cresceram 0,3%), mas os subsídios, de atribuição bem mais controlável para favorecer alguns em detrimento de todos (ao contrário do salário-base) cresceram mais de 9% (vejam aqui)."

O que o "aqui" mostra é que a receita corrente cresceu 1,2% e a despesa corrente desceu 1,7%. Nem foi mau de todo, mas seria bem melhor se a receita corrente tivesse caído 3% e a despesa corrente 6%.

É que eu atá acho que este governo tem feito muitas asneiras, das quais a última foi esta história dos imigrantes contados. Falhou porque prometeu muito e fez pouco. Só que, ao contrário do que parece sugerir o Irreflexões, este governo foi pior foi quando fez o mesmo que o PS: deixou andar. Continuamos a ter centenas de organizações e institutos desnecessários, uma burocracia assassina do desenvolvimento económico, intervencionismo excessivo do estado na economia, ministros medíocres e políticas inconsequentes. O PEC/Colecta Mínima é um permanente desincentivo à criação de micro-empresas que um dia poderiam ser grandes, e ainda somos uma carta fora do baralho no que diz respeito à captação de investimento estrangeiro.

Mas quando este governo faz bem, o seu partido está sistematicamente contra. Por exemplo, ao mesmo tempo que criticam o défice por não ter acabado, criticam os cortes que se fazem na despesa pública. Que suprema contradição, não acha? Tal como está contra a empresarialização dos hospitais, as mudanças ainda que insignificantes na lei do trabalho, as alterações obrigatórias à Lei de Bases da Sefurança Social, ao fim das dádivas a quem compra casa, por aí fora. Foram contra toda e qualquer medida cujo impacto fosse favorável ao equilíbrio das contas públicas. Afinal, querem o quê, que as coisas corram bem, ou o 'quanto pior, melhor'.?

Foi no seu blog que li esta interessante teoria:

"Os Governos do PS só começaram a deixar escorregar as contas públicas em 2000/2001.."

Os governos PS foram irresponsáveis logo com Sousa Franco. A despesa pública corrente cresceu sempre perto dos 2 dígitos. A 'sorte' de Sousa Franco, foi ter estado no governo na altura em que as vacas estavam gordinhas, o que lhe permite pegar hoje no megafone para publicitar o seu sucesso. Pina Moura já apanhou o início da dieta das ruminantes. Durante o período de Sousa Franco exigia-se um superavit nas contas públicas, quer via redução da despesa (ou crescimento abaixo do crescimento do PIB) ou, alternativamente através de aumento de impostos. Tendo em conta o horror à impopularidade que sempre fez o PS governar em função das sondagens, geriram Portugal numa permanente fuga para a frente. Já não tinham o escudo para desvalorizar... Felizmente, diga-se. Imagino o forrobodó que não teria sido o guterrismo com a moeda à solta...

A minha opinião sobre Guterres é simples: foi o pior que nos podia ter acontecido. Hipotecou o crescimento futuro de Portugal, patrocinou a mais incompetente e irreflectida gestão orçamental, deixou a despesa pública corrente aumentar prociclicamente a níveis insustentáveis, cedeu a todo e qualquer grupelho de pressão que lhe apareceu pela frente e ensinou aos portugueses que o estado paga tudo, direitos sem deveres, o povo quer o povo tem. E para cúmulo, quando se apercebeu das consequências da sua incompetência, fugiu. Como um cobarde, não assumiu a responsabilidade das suas decisões. Foi o primeiro a abandonar o barco.

E se o PS voltar ao poder com a economia novamente em crescimento, até aposto que vamos voltar a ver o mesmo filme. Sugiro-lhe desde já um título para essa potencial tragédia lusitana: "As Razões do Nosso Atraso - Part II".

E fiquemos por aqui que já é tarde e porque hoje é Sexta-Feira.

quinta-feira, janeiro 22, 2004

  Prelúdio


Belém, Dezembro de 1999.

  F.Y.I.

A história do "fichamento" dos americanos em terras de Vera Cruz, vista de dentro. O Pão e o Circo do Século XXI.

quarta-feira, janeiro 21, 2004

  New Kids in Town

1. Saudemos um novo blogue chamado Meia Livraria. O autor chama-se Cláudio e ri-se perdidamente dos “blogues de direita” que usam expressões em inglês. Não sei se ele considera o jaquinzinhos um right wing blog, mas espero que este pequeno post deixe o Cláudio positivamente Rolling On The Floor Laughing.

2. Pelo Paulo Pereira soube da existência do Technorati Beta. E neste novo espião dos links soube que existe um blogue chamado Minimalismo que definiu assim o Jaquinzinhos:

"Servo de uma empresa qualquer, futebolinho, pequenina burguesia, economiazinha, inveja baixinha, julga-se engraçadinho."

Nada a dizer, a definição está certíssima. Se este blogue fosse do dono de uma empresa (mas não de uma empresa qualquer...), dissertasse sobre futebol, jet-set, economia, grandes invejas e tivesse piada não se chamaria jaquinzinhos. Ovas de Esturjão, Postas de Pescada, Salmão Fumado seriam referências muito mais adequados. Ou mesmo Linguado ao Molho de Amêndoa, Uva Itália e Polenta. (Marisco não, sou alérgico). Mas, caro minimalista, o que eu certamente nunca faria era baptizar o meu blogue com um qualquer nome que contivesse referências à minha performance sexual.

Update: A malta da tasca gostou muito da sua resposta e convida-o para vir até cá beber uns copos, jogar um dominó e ver a cassete do Fernando Rocha. O Chico Barbeiro aposta que vocemecê é um ganda pândego, mas o Tabuinhas tá mais virado para que o minimal seja mesmo um intelectual, daqueles que lêem o 24 horas e coisas assim. Cá para mim vocemecê é mas é um ganda maluko, eheheh!

  6.498

Alguém conseguiu calcular que o mercado de trabalho português necessita em 2004 de 6.500 imigrantes. Científicamente, presumo. Como é que eles sabem? E quem são esses imigrantes? Trabalhadores para a Construção Civil, Empregadas Domésticas, Médicos, Enfermeiros, Jogadores da Bola? E se os que vierem não foram do tipo certo? Como é que se controla este número? São os primeiros a pedir que têm direito? E se houver 10.000 pedidos de legalização, reconhecem que se enganaram nas contas? E se forem 100.000, quem terá razão, o mercado de trabalho ou as contas do governo?

Só não percebo porque é que os partidos e os blogues de esquerda protestam contra este tipo de medidas. Afinal, é apenas um bocadinho daquilo a que se chama 'economia planificada'. Intervencionismo do governo na economia. Controlar o mercado. O estado a decidir por nós. Que bom, não é?

Note-se que após a chegada do Tinga e do Ricardinho, já sá sobram 6.498 vagas.

  Publicidade Gratuita

Dos 3 ou 4 restaurantes que havia nas redondezas, escolhi o que estava mais cheio. Olhei em volta e anotei a predominância de um dos pratos do dia. Rojões. Diga-se que, mesmo se acompanhados apenas por água mineral (Se Conduzir Não Beba), os rojões no restaurante Tanoeiro, em Vila Nova de Famalicão, estavam deliciosos.

segunda-feira, janeiro 19, 2004

  Agora, Zé?

O irmão do advogado Ricardo Sá Fernandes quer parar as obras do túnel do Marquês. Em Lisboa, a oposição entrou em deleite. Estão a ver? Yeap. És o maior, ó Zé! Obrigado, pá!

E se por acaso o tribunal suspender as obras, resta saber quem é que pode cantar vitória. Os politiqueiros baratos, os que exultam com o 'quanto pior, melhor' e os despeitados da cidade ficarão felizes. E os outros? Com o estaleiro montado, o buraco a avançar e a Rua Joaquim António de Aguiar rebentada de cima a baixo, o que todos devem desejar é que a empreitada decorra depressa e bem. Se a construção parar, quem mais perde são os que trabalham, os que vivem e os que são obrigados a passar diariamente pelo local esventrado. E perde principalmente a CML, que terá que suportar os brutais custos de imobilização dos estaleiros a favor dos empreiteiros.

O advogado irmão do outro, teve todo o tempo do mundo para bloquear judicialmente a obra. Resolveu avançar na altura mais estúpida. Se a obra parar agora, eu, que trabalho em pleno Marquês de Pombal, sou um dos que nunca lhe perdoarei. E as conversas do dia mostraram-me que a maioria dos que andam pela zona pensam como eu. As reacções que mais se ouvem variam entre o "Agora? Dasse!" e o "Pôrra! E vão deixar esta m.... assim?". O mano do Ricardo é por isso, desde já, um forte candidato ao próximo troféu "O Palerma do Mês".

Ou será que o Zé é ainda menos inteligente do que parece e acredita que a CML vai desistir da obra e repôr a situação anterior? Ó Zé, o túnel far-se-á sempre, independentemente dos embargos que possam ocorrer e dos períodos de suspensão de obra que possam vir a ocorrer. Porque eventuais ilegalidades administrativas, se as houver, corrigem-se.

Até porque falar de ilegalidades processuais na CML dá vontade de rir. Amareladamente, claro. É que no tempo de João Soares, algumas obras arrancavam a mando do presidente, de boca. Nem imagino quantas obras públicas existem em Lisboa inauguradas com placa, padre e fanfarra, e que ao fim de meia dúzia de anos ainda não têm sequer licença de construção, quanto mais licença de utilização... Foi justamente com Carmona Rodrigues que se começou a notar a tentativa de legalizar as situações pendentes e de tentar cumprir as regras básicas da construção na cidade. Até se fala da febre legalista que atacou a Câmara. Por isso, se eles abrem o livro, uiii... Vai doer.

  Cores Primárias


Cores Primárias, Tavira, Julho de 1999.

domingo, janeiro 18, 2004

  Arquitecta Thatcher

Aprende-se sempre alguma coisa ao ler a Pública. Hoje, Maria Filomena Mónica ensinou-me que Margaret Thatcher foi uma arquitecta de má qualidade. Na legenda de uma fotografria de Greenwich, em que se vê no horizonte a silhueta de Canary Wharf, esclarece-nos que estamos em presença do "símbolo supremo, e horrendo, da arquitectura de Mrs. Thatcher"...

Pois.

sábado, janeiro 17, 2004

  De acordo, LT.

Lido no blog militante que não quer ser mudo:

"Se isto fosse um blog independente eu diria que:
- Vera Jardim - seria um bom Presidente da República;
- António Vitorino – seria um bom Presidente da Assembleia da República;
- Ferro Rodrigues – seria um bom Primeiro-Ministro;
- Mega Ferreira – seria um bom Presidente da CML.
Como não é, não me pronuncio."


Caros amigos benfiquistas e anti-liberais, assinalemos a originalidade deste momento: por uma vez estou de acordo convosco. Efectivamente, António Vitorino daria um bom presidente da Assembleia da República.

sexta-feira, janeiro 16, 2004

  Nunca mais aprendem!

Madrid (Ansa) -- Mulheres de todas as religiões lançaram na Espanha uma campanha de denúncias legais contra o chefe da comunidade islâmica (imã) de Fuengirola, cidade da Costa do Sol, que ensina os homens como "bater nas mulheres de acordo com o Corão, sem deixar marcas".

No livro "A Mulher no Islão", que acaba de ser lançado no mercado espanhol, o imã Mohamad Kemal, segunda autoridade muçulmana da Espanha, escreve no capítulo sexto: "Os golpes devem ser desferidos contra uma parte concreta do corpo, como os pés e as mãos, e devem ser usadas varas finas, para não deixar hematomas ou cicatrizes, que são passíveis de denúncias penais por violência nos tribunais".


O governo espanhol ordenou a retirada do livro de circulação.

Uma vergonha! Que enorme atentado à liberdade religiosa, esta acção maniqueísta do governo de Aznar que apenas revela a ignorância da sociedade ocidental por outras culturas, que não são nem melhores nem piores que a nossa, apenas diferentes.

Esta atitude do governo espanhol deve ser considerada como um atentado à liberdade de opinião que tem apenas em vista provocar a ira da comunidade islâmica. Até porque o Imã é apenas um mensageiro. Um jornalista de Allah.

Ainda há poucas semanas, Chirac queria que as mulheres tirassem o véu, o que é lamentável porque algumas cicatrizes e hematomas poderiam ficar visíveis.

E depois de medidas destas, será que ainda esperam que não haja atentados terroristas?

  Esmagado, Isabel!

São 15:00 da tarde em Lisboa e 13:00 em São Paulo e a Isabel Morais já vai em 17 comentários na defesa do "fichamento" dos americanos que chegam aos aeroportos brasileiros. Esmagou-me.

Então, e uma vez que eu não percebo nada do assunto, resumo aqui a opinião sábia da Isabel.

Isto já estava tudo preparado, não foi nada de especial, foi bem feito, o Brasil não quer saber para nada de notas verdes provenientes da terra dos gringos, Portugal tem vivido da ajuda humanitária da Europa, é Lula lá e teconolgia de cá, só 7% dos camones é que não querem voltar por causa do fichamento, Lula pode perguntar a Durão qual o paladar das botas de Bush, há criaturas aterrorizadas à solta nos comentários do jaquinzinhos, desenvolver a tecnologia foi coisa pouca, meia dúzia de dólar, oops, de Reais, ao preço da uva mijona, o governo brasileiro mente mas está cheio de boas intenções, quem não concorda é facho ou surdo vivendo em mundo de delírio e invencionice e o juíz foi mesmo palerma porque não podia ter despachado o tal fichamento.

Obrigado, Isa. Gosto de leitores assim: "pragmáticos, fundamentados e com razão de ser."

Fique com mais esta notícia da Globo:

"Depois das flores, as mulatas. Para reduzir a irritação dos turistas americanos que estão sendo fichados na chegada à cidade, a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) contratou mulatas e ritmistas para se exibirem no Aeroporto Internacional Tom Jobim, que ganhou ares de carnaval para inglês ver. No dia anterior, os turistas haviam recebido rosas e camisetas."

Tá a ver? Com esta medida ainda se aumentou o emprego no Rio, minha irmã! Vai ver que querendo, ainda arranja outros 17 comentários a provar que o juiz de Mato Grosso está apenas apostado em combater o desemprego...

  Críticos

"Recusamos a discussão estética com base em pressupostos políticos e acusamos a esquerda de o ter feito na questão das Torres de Alcântara..."

"Confiamos no artista, no génio, a política baixa não nos interessa, É-nos indiferente saber se foi a vaidade do Santana ou a do João Soares que contrataram o mestre."

"Criticamos o Santana pelos cartazes..."

Porque será que o Crítico escreve quase sempre no plural? Nós aqui no jaquinzinhos não concordamos. Pensamos que os Henriques devem manifestar as suas opiniões nas primeiras pessoas dos singulares. Nós já sabíamos que os egos dos críticos eram grandes, mas nunca os imaginámos destes tamanhos, a ponto de não caberem num Henrique único...

  Impressões sobre Impressões Digitais Digitais

Ficou animado o sistema de comentários do blogue, a propósito do último post “Tem Cara Esperto em Mato Grosso

Tem mesmo. Esse juiz que dá pelo nome de Julier Sebastião da Silva, e que nem tem idade para ser Presidente da República entre nós, tomou uma decisão que custou milhões de dólares aos brasileiros. Tornou-se um herói para uma certa esquerda.

O brilhante juiz Julier escreveu esta pérola:

[A decisão americana de registar todos os cidadãos que entram no seu país é] ''absolutamente brutal, atentatória aos direitos humanos, violadora da dignidade humana, xenófoba e digna dos piores horrores patrocinados pelos nazistas”.

Está-se mesmo a ver a relação. Extermínio de judeus. Anexação de países vizinhos. Impressões digitais electrónicas.

O que para mim é mais estranho é o sistema que permite a um qualquer palermóide do interior ter o poder de intervir na política externa de um país. Pobre Brasil. Imagine-se o juiz Rui Teixeira decretar a obrigação dos cidadãos dinamarqueses fazerem o pino para entrar em Pedras Rubras.

E, por favor, evitem a história da reciprocidade. Não há reciprocidade nenhuma, há uma acção de retaliação nascida no habitual anti-americanismo. Os EUA registam eletronicamente as impressões digitais de todos os cidadãos de todos os países do mundo, excepto os 27 que estão envolvidos no projecto do visa electrónico. A decisão do juiz Julier aplica-se exclusivamente a americanos, pelo que não terá qualquer impacto na segurança interna do próprio Brasil. É a formiguinha em bicos de pés. “Eu, Joliet, enfrentei o império! Sou genial não, sou?“. É. A suprema tolice genial.

O Brasil é livre de fazer o que quiser aos turistas que o visitam, tal como os EUA ou qualquer outro país soberano. Devem é entender que quem perde com decisões infelizes, é o próprio Brasil. Os turistas americanos escolhem outros destinos para deixar os dólares. E sim, os dólares fazem muita falta ao Brasil. Estes também. Perguntem aos empregados dos hotéis cujos clientes fugiram para as Caraíbas. Para os americanos, o impacto económico é absolutamente nulo.

O juiz Julier é desde já o vencedor destacado do troféu ‘O Palerma do Mês’ do jaquinzinhos. Não é provável que até ao fim de janeiro alguém consiga atingir um nível tão alto. (A não ser que o Fórum Social Mundial atinja as expectativas a que já nos habituou, claro está...)

quarta-feira, janeiro 14, 2004

  Tem cara esperto, em Mato Grosso

Da Globo:

BRASIL REGISTRA PRIMEIRO CANCELAMENTO DE VIAGEM DE TURISTAS AMERICANOS
08/01/2004

Secretário de Turismo do Estado do Rio pede ajuda a ministro para recorrer da decisão judicial.

A Brazilian Incoming Tour Operators (Bito), associação que reúne as maiores empresas nacionais de turismo, registrou ontem o primeiro cancelamento de viagem de turistas americanos para o Brasil. O grupo de 240 pessoas, que havia feito reservas com a agência GB Internacional, sairia de Nova York e Miami em novembro. Segundo o vice-presidente da Bito e sócio da GB, Roberto Dultra, a identificação de cidadãos dos Estados Unidos nos aeroportos e portos brasileiros foi o golpe de misericórdia:
— Eles estavam prestes a cancelar por terem achado caro o visto para o Brasil, que, em janeiro de 2003, subiu de US$ 65 para US$ 100. Quando souberam da demora para serem fichados, desistiram de vez — disse.
Para Dultra, a decisão judicial prejudica a meta do Ministério do Turismo de aumentar de 3,8 milhões para 9 milhões o número de turistas estrangeiros por ano no Brasil até 2007.
— É o princípio da reciprocidade burra. Os americanos são nosso segundo mercado, ficando atrás apenas dos argentinos. Em 2003, recebemos 492 mil pessoas vindas dos Estados Unidos — acrescentou.
O secretário estadual de Turismo, Sérgio Ricardo de Almeida, contou que já reclamou com o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, e que este prometeu acionar a Advocacia Geral da União para recorrer da decisão judicial.
— Estamos pedindo dignidade no tratamento porque eles são turistas, não são criminosos — disse o secretário.

  Subsidiado, certamente

Vi este cartoon no Blog-de-Esquerda, com o título "O CAPITALISMO, JÁ SE SABE, CHEGA A TODO O LADO".



Nos EUA, nenhum investidor racional apostaria num local de mercado tão incipiente e com tão reduzido potencial. Mas se as decisões fossem tomadas por portugueses, não faltaria quem exigisse a discriminação positiva para uma região depauperada, um forte investimento público para infraestruturar um planeta carenciado, um hospital central, uma universidade e um pavilhão gimnodesportivo. E o Tim Hortons teria certamente direito a um subsídio e a inauguração com banda e ministro.

  O Ladrão de Esquerda e o Ladrão Neo-Liberal

"Economic progress, in capitalist society, means turmoil." (Schumpeter)

As empresas nascem, crescem e morrem. Se assim não fosse, ainda hoje a Rua dos Correeiros estaria cheia de vendedores de arreios e os nossos percursos diários de metro seriam feitos em carruagens puxadas por cavalos.

Mas para a nossa iluminada esquerda não é bem assim. Para José Mário Silva, do BdE, a falência da Parmalat é "um exemplo paradigmático dos abusos e distorções que o mercado permite". Para J., do Cruzes Canhoto, é uma cabala para fazer "desacreditar os príncipios do liberalismo”.

Ena pá. Pergunto a mim mesmo que limitações teria o JMS sugerido ao mercado que impedissem a falência da Parmalat... E, tal como o João Miranda, farto-me de coçar a cabeça a tentar descobrir qual foi o ‘príncipio do liberalismo’ que foi desacreditado.

Deixem-me tentar entender tão brilhantes raciocínios: os donos da Parmalat, ao ver a falência à vista, fizeram operações ilegais para enganar o sistema financeiro, e assim conseguiram atrasar a falência 1 ou 2 anos. Logo, a Parmalat faliu por causa da desregulamentação... Não foi a má gestão, a incapacidade de rentabilizar os seus activos, a falta de competitividade para acompanhar a concorrência, a aposta errada. Não, nada disso. A Parmalat faliu devido ao excesso de liberalismo. Brilhante.

Pergunto a mim mesmo que explicações darão estes pensadores para a falência uma empresa sueca, da maior construtora alemã, ou ainda para as 4700 falências no Brasil de Lula...

Infelizmente, não há exemplos de países mais socialistas não só porque não há grandes empresas para falir, mas também porque, ultimamente, os blogues à esquerda estão a destruir as memórias dos seus ícones a uma velocidade estonteante e já não iriam acusar publicamente o toque.

Também não deixa de ser curioso que a esquerda atribua a excesso de liberalismo as fraudes que levam à falência de empresas em países democráticos, mas as actividades normais e correntes de usurpação da mínima riqueza que os regimes comunistas e socialistas conseguem criar, sejam consideradas actividades criminosas...

E haverá problemas na falência da Parmalat? Certamente. Há um grave problema friccional que afecta parte dos trabalhadores que perderam o emprego e que terão que encontrar alternativas. Mas o mercado de leite não vai sofrer grandes alterações. O leite que a marca falida deixa de comprar aos produtores, será adquirido por outros empresas, que vão ocupar o espaço de mercado até agora ocupado pela Parmalat. Essas empresas vão investir e vão criar postos de trabalho para servirem o maior número de clientes que agora têm e em muitos casos vão utilizar os mesmos recursos abandonados pela empresa falida.

Importante, nestes casos, é facilitar o processo de falência, simplificá-lo tanto quanto possível e não deixar desvalorizar os activos da empresa falida. Haverá certamente inúmeros interessados em utilizar unidades fabris e equipamentos abandonados pela Parmalat. Se, à boa maneira portuguesa, impedirem a transacção dos activos da empresa e deixarem apodrecer as unidades fabris enquanto os processos se arrastam por longos anos nos tribunais, todos perdem.

E claro, mais importante ainda, é facilitar a vida a quem quer investir. Acarinhar quem quer criar riqueza. Simplificar os processos associados ao investimento. Desburocratizar. Liberalizar.

(feito em PC emprestado...)

terça-feira, janeiro 13, 2004

  Telegrama

PC Down. On/Off Broken. Chip7 1 Week. Blog Off. Stop.

segunda-feira, janeiro 12, 2004

  Me, Myself and I

“Estou aqui!!! Aqui!!! Olhem p’ra mim!!! Uh uuhhhhh...” - terá dito este fim de semana o marido da Bárbara, citando-se a si próprio.

  Vá homem, assim é que é!

P. é um rapaz de boas famílias. Em meados dos anos 90 P. abandonou a universidade e empregou-se numa pequena empresa de electrónica, que prestava serviços a uma empresa de transportes. A proximidade e as qualidades técnicas e humanas do rapaz, fizeram com que P. recebesse um convite para entrar na empresa a que prestava serviços. Foi contratado antes do Verão. Alguns meses depois houve uma greve na empresa. Reinvidicava-se um aumento extraordinário e redução do horário de trabalho.

P. aderiu à greve. Ganhava pouco, dizia ele. O aumento era justo.

Perguntei-lhe: "Se o salário é curto, porque é que aceitaste esse emprego?"
Respondeu: "O que eu queria era entrar, agora já não me podem despedir, posso exigir mais."

Tinha razão. P. afinal estava apenas a mitigar uma assimetria estrutural. P. não queria continuar a ser explorado na sua profunda precariedade de assalariado.

  Bruno, está contratado!

Precisamos de um jardineiro aqui no bairro. Pagamos uns cobres acima do salário mínimo. Começa já amanhã.

O Bruno acha que eu sou um radical liberal por escrever que os salários devem ser acordados emtre empregador e empregado. Depois explica-me o que ele acha que eu não percebo. Fala de assimetrias, de protecção, de bem estar social. Tá bem Bruno. A gente dá-te um contrato, mas não negociamos o salário contigo. É assim que queres?

sábado, janeiro 10, 2004

  Coisas Boas

O Sporting ganhou. G. melhora a olhos vistos. Já se pode pagar com via verde em parques de estacionamento. Há backups que nos salvam os dias.

  Alguma da Nossa Liberdade

Foi ontem publicado o Índice de Liberdade Económica para 2004. Hong Kong, Singapura, Nova Zelândia, Luxemburgo e Irlanda ocupam os 5 primeiros lugares e não é certamente por coincidência que o Luxemburgo e a Irlanda constituem os 2 casos de maior crescimento económico continuado dentro da UE.

Portugal passou de 32º para 31º. Infelizmente, à nossa frente estão quase todos os países da UE com excepção da França e da Grécia.

São estes os 30 países onde há mais liberdade económica, segundo os critérios dos autores:

1.Hong Kong, 2.Singapura, 3.Nova Zelândia, 4.Luxemburgo, 5.Irlanda, 6.Estónia, 7.Reino Unido, 8.Dinamarca, 9.Suiça, 10.EUA, 11.Austrália, 12.Suécia, 13.Chile, 14.Chipre, 15.Finlândia, 16.Canadá, 17.Islândia, 18.Alemanha, 19.Holanda, 20.Áustria, 21.Bahrain, 22.Bélgica, 23.Lituânia, 24.El Salvador, 25.Bahamas, 26.Itália, 27.Espanha, 28.Noruega, 29.Israel, 30.Letónia.

E nós a vê-los passar.

sexta-feira, janeiro 09, 2004

  Sado


Porto Palafítico da Carrasqueira no Rio Sado, Fevereiro 1999

quinta-feira, janeiro 08, 2004

  PMMIB MOAJ 2003: LdE

O jaquinzinhos foi agraciado com valiosos prémios atribuídos por outros blogues. Muito, muito obrigado ao tipo que modificou a causa e apagou o blogue, à maluca da rata e ao fotoalentejano da Praça da República pelas honrosas distinções.

Sem tempo para cerimónias longas e com um enorme atraso nos interessantes debates blogosféricos em que me envolvi, só atribuo um prémio: O futuramente famoso PMMIB MOAJ, Edição de 2003.

Ladies and Gentlemen. O Prémio Melhor e Mais Interessante Blogue de 2003 na Modesta Opinião do Autor do Jaquinzinhos vai para....

Liberdade de Expressão.

Pronto. Guarda bem o troféu que ainda vai valer ouro. Daqui a alguns anos, os telejornais abrirão a sua edição da noite com a conferência de imprensa de atribuição do PMMIB MOAJ. E dirão sempre: "O famoso troféu foi atribuído pela primeira vez em 2004 e o primeiro vencedor foi o hoje célebre..."

quarta-feira, janeiro 07, 2004

  O Diário da Dois

Na Esquina do Rio, a história do arranque da Dois, contada na primeira pessoa. Espera-se que os Diários de Bordo sejam para continuar.

  Contas Atrasadas

Antes da chegada do Pai Natal, (ou seja, há aproximadamente 5 séculos blogosféricos), debateu-se pobreza. O debate envolveu respeitáveis blogues, entre eles os militantes com voz. LT explicou-me que a frase "Pobre é o homem cujo vizinho comprou um BMW" que utilizei para ilustrar a argumentação de alguma esquerda, representa afinal o meu pensamento.

Obrigado. Gosto sempre que me explicam o que penso. Só que... aquala frase é o corolário óbvio de quem defende que se todos ganharem o dobro, mas alguns ganharem o triplo, aumenta o número de pobres... Não é, evidentemente, o meu conceito. Escreve LT a certo ponto:

"No entanto não é este assunto que aborda o Jaquinzinho. Fala ele de pobreza dizendo que quanto mais rica é uma sociedade, mais ricos são os pobres dessa sociedade. Pura mentira! Este modelo que defende é a sul-americanização. A riqueza das sociedades não se pode medir pelo volume global de riqueza mas sim pelo número de cidadãos que usufruem dessa riqueza."

Caro LT, estás infelizmente muito enganado. Redondamente. Não só não é pura mentira, é mesmo pura verdade. E é verdadeiramente espantoso que não compreenda esta evidência do mundo em que vivemos, no século XXI. Mesmo correndo o risco de generalização excessiva, atrevo-me a reescrever a sua frase e a tomá-la como minha:

Quanto mais rica é uma sociedade, mais ricos são os pobres dessa sociedade.

E é ainda mais verdade, se utilizarmos a tola definição de pobreza relativa, que aparentemente defende. É que o irlandês que ganhe o mesmo que o português médio, é pobre na Irlanda. Pobre estatístico, claro. O pobre estatístico irlandês é mais rico que o pobre estatístico português. Os verdadeiramente pobres são iguais nos dois países, mas aí... se são 20% em Portugal, não são certamente 21% na Irlanda, nem nada que se pareça.

Sobre o mesmo tema, pergunta o Adufe.

"Como mede o nosso Jaquinzinhos a pobreza e de que pobreza fala? Já sabemos que não é a relativa; A partir de quanto é residual? Qual o período histórico com que compara a dimensão actual da pobreza nas sociedades ocidentais? Qual a evolução da pobreza de que fala o Jaquinzinhos numa perspectiva cronológica recente, digamos, os últimos 100 anos no seio das sociedade ocidentais?"

Há 100 anos, o meu avô foi para a escola, onde alguns meninos andavam calçados. Há quase 40 fui eu e lembro-me que alguns meninos ainda andavam descalços. Mas claro, seguindo a lógica relativista, a pobreza aumentou. Se andavam quase todos descalços, nenhum era pobre, não é?

A evolução do bem estar no mundo ocidental foi verdadeiramente notável no século XX. Nos EUA, os limiares de pobreza estimados retroactivamente para o início do século em dólares constantes, são inferiores a metade dos mesmos patamares nos anos 60. Quer isto dizer que os pobres americanos duplicaram a sua riqueza em 50 anos. Em Inglaterra, os patamares reais triplicaram desde o início do século até aos anos 90. Foi assim um pouco por toda a Europa Ocidental.

(Procurando em "History of Poverty" encontra-se muita literatura sobre o assunto)

Continua o Rui. "Fico então a saber que nós as economias mais livres", não tivemos absolutamente nada a ver com o passado e as suas consequências sobre a actualidade da realidade económica e social dos povos que hoje enfrentam problemas graves para assegurar o desenvolvimento dos seus países."

Até podemos ter tido responsabilidade histórica em muitos casos, e certamente que sim, no caso de África. Se o Rui me disser que somos responsáveis pela pobreza na Ásia, pergunto-lhe qual Ásia. A da China, ou a de Taiwan? A dos países comunistas, ou a da Coreia do Sul?

E o que não podemos ser acusados, é do subdesenvolvimento de países que, no século XX, foram vítimas de regimes socialistas/comunistas, verdadeiros delapidadores de riqueza e bem estar dos seus cidadãos.

O que também não faz sentido nenhum é acusar-me de ter uma teoria económica cheia de lacunas, porque não são os liberais que prometem as panaceias universais para a felicidade do mundo, soluções globais, infalíveis e definitivas para a organização económica e social da nossa espécie. Antes pelo contrário. O que argumento é que os que apresentaram essas teorias falharam redondamente, e sempre acompanharam a propalada utilização criteriosa de medidas científicas com vista ao ajustamento da sociedade a um modelo pre-determinado, de fortíssimas castrações da liberdade individual dos cidadãos.

Os últimos parágrafos do post acabam por ser uma boa introdução para um tratado da incompreensão do liberalismo...

terça-feira, janeiro 06, 2004

  Tem Duas???

Ouvido de passagem, no Metro. Um imigrante de leste conta ao seu acompanhante as maleitas de uma familiar: "Médico disse ela ter vagina no peito".

  Relativismos

Na Comunicação Social: O salário mínimo aumentou 30 cêntimos por dia. A carcaça aumentou 25%.
Visão alternativa: O salário mínimo aumentou 2,5%. A carcaça aumentou 2 cêntimos.
Visão liberal: Os salários são acordados entre empregador e empregado. Os preços são livres.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

  Metade, não é mau de todo.

O meu conterrâneo Fernando manifestou dois desejos para o derby de ontem:

“...que ganhe o melhor e que o melhor seja o Benfica.”

Não se pode queixar: 50% dos seus desejos foram-lhe concedidos.

  2003.

Foi o ano com menor número de vítimas nas estradas portuguesas desde que há registos credíveis. Foi o ano com menor número de vítimas em acidentes na aviação civil desde 1940. O segundo número é inferior ao primeiro.

  Bom Ano

Finou 2003.
Terminaram as férias.
Entrou 2004.

Fim de Página