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sexta-feira, fevereiro 27, 2004

  Os Extremos Tocam-se

Nota: Este texto era para ter nascido como um comentário no Barnabé, mas por ter crescido demasiado foi promovido a post.

Daniel Oliveira trouxe ao Barnabé a temática dos blogues fascistas. Fá-lo com evidente desprezo por 'essa gente' e considera-os 'pornografia política'. Felizmente, desta vez não foi tão longe como a nossa constituição, que no artigo 46º proíbe as organizações fascistas, o que até nem é muito importante porque não se define "fascismo" e é sempre fácil brincar com as palavras.

A verdade é que o direito da extrema-direita estar na blogosfera é exactamente igual ao da extrema-esquerda. Moralmente, tanto direito têm os extremistas de direita a criarem as suas associações como os extremistas de esquerda que já podem associar-se livremente. A opinião dos bloguistas de extrema-esquerda sobre os bloguistas de extrema-direita tem tanto valor como a opinião dos bloguistas de extrema-direita sobre os de extrema-esquerda ou como a minha opinião sobre os bloguistas dos dois extremos.

Tal como a extrema-esquerda (ou aquilo em que agora se travestiram os antigos UDPs, PSRs e afins), também os blogues 'nacionalistas' estão convencidos da superioridade moral das suas posições. E também eu estou convencido que as minhas posições liberais são moralmente superiores às dos dois extremos.

Tanto a direita como a esquerda extrema, pretendem impôr normas de conduta que acreditam ser superiores, porque baseadas em códigos morais e éticos em que acreditam religiosamente. Na prática, se por algum infeliz acaso chegarem ao poder, só poderão satisfazer as suas pretensões políticas à custa de uma violenta castração das liberdades individuais dos cidadãos. Os milhões de vítimas às mãos de regimes que simbolizam tanto o fascismo como o comunismo, são suficientes para o demonstrar. No caso da esquerda, com uma agravante. A miséria generalizada a que condenaram os povos que tiveram o azar de ser governados por ditaduras comunistas e economias planificadas. No caso da extrema-direita, com desprezo evidente pelos que do outro lado não viam a sociedade do mesmo modo.

Tanto os extremistas de direita como os extremistas de esquerda, têm o desagradável hábito de renegar aqueles que tentaram aplicar na prática as teorias que ainda hoje defendem Mais a esquerda que a direita, reconheça-se. 'Não era bem, aquilo', dizem, enquanto se refugiam em futuros utópicos, em amanhãs que cantam, baseados em experiências sociais que reclamam novas, mas tantas vezes repetidas como fracassadas.

No que concerne aos extremos, nunca o ditado foi tão adequado: "os extremos tocam-se".

PS: Também o 'jaquinzinhos não tem 'links' para os blogues de extrema-direita. Com uma excepção. Juntei o Aliança Nacional e o Anti-Direita Portuguesa na mesma secção da minha lista de links, na banca do peixe seco. Puro gozo, diga-se. Deixo os links para outros blogues com diferentes graus de extremismo, e com quem simpatizo mais. Até porque é impossível não simpatizar com a ingenuidade.

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

  A Serra

Nunca a Serra da Estrela se tinha mostrado tão bonita aos meus olhos.


Serra da Estrela, 22 de Fevereiro de 2004

  Um Bom Debate

MacGuffin em grande forma já deu a volta ao resultado. Conseguirá jmf responder à altura?

Aguardo continuação.

  Porque é que o Bloco de Esquerda não ama Bush?

*Em Dissecting Leftism

"The Left have always wanted more spent on welfare and made "Fascism" a swear-word. President Bush deposed a brutal Fascist dictator and sponsored a big expansion of welfare. But instead of being admired by the Left, he is hated with a passion."

  Eiflare


Paris, Junho de 2002

  Marketing

A Ordem dos Médicos está preocupada com a possibilidade dos seus membros não poderem escolher os laboratórios que comercializam os medicamentos que receitam aos seus clientes.

Para Pedro Nunes, presidente da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos, «quando o médico não sabe o que o doente anda a tomar, deixa de haver farmacovigilância» (vigilância dos eventuais efeitos adversos de um medicamento).

Pedro Nunes sugere que os médicos sabem a diferença entre dois medicamentos iguais comercializados por laboratórios diferentes. Como nenhum médico conhece os detalhes da produção de medicamentos, cuja avaliação de qualidade está a cabo do Infarmed, as únicas diferenças efectivamente visíveis e perceptíveis para o médico e para o doente são:

1. A embalagem;
2. O nome comercial do medicamento;
3. A atitude dos departamentos de marketing dos laboratórios concorrentes;
4. O Preço;

Para o médico, o preço é irrelevante. As cores e desenhos das embalagens também. Não é provável que os médicos receitem um medicamento apenas por gostarem do nome comercial. Logo, o motivo pelo qual um médico escolhe um medicamento de um dado laboratório em detrimento de outro igual, só pode ter a ver com a atitude dos departamentos de marketing de laboratórios concorrentes.

Diz ainda Pedro Nunes: “A substituição sem autorização do médico «é um crime, punido de acordo com o código penal», realçou o clínico, que alegou que «o direito de substituição [na farmácia] não tem qualquer vantagem para o doente».”

Tem sim. O preço. Eu quero ter o poder de substituir um medicamento de luxo por um genérico mais barato. Confio muito mais no Infarmed que em muitos médicos influenciados por simpáticos delegados de propaganda médica.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

  Casa de Santa Eufémia, 1999

Hoje é dia de beber um cálice de Porto. Vintage.

  Por onde andam eles?

Noto que os romenos que atacavam os carros nos semáforos com panos e detergentes de origem duvidosa, sugerindo-nos um pagamento pelas "limpezas" compulsivas, andam desaparecidos das zonas onde os via habitualmente. Não sei se foram expulsos, se mudaram a sua actividade para outros cruzamentos ou se regressaram a Espanha. É bom que o negócio da mendicidade organizada tenha acabado. Prefiro os vendedores da Cais.

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

  É Carnaval, Ninguém Leva a Mal...

que esta blogue não seja actualizado nos próximos 4 dias. Espero andar longe de computadores, redes, internets, teclados, ratos e outras modernidades. Até o telemóvel vai descansar. Não vou ver telejornais nem comprar jornais. Acompanha-me apenas a Rainha do Sul, e uma Dynax.

Podem encontrar-me no Folgosinho (procurem-me no Albertino). Talvez em Seia (mas não na segunda-feira, nesse dia o Camelo está fechado). Vou estar em Gouveia (no Júlio, evidentemente) e provavelmente também na Carrapichana (aqui será certamente no Escorropicha, Ana!). Talvez dê para passar por Nelas (pelos Antónios). Amanhã, Sábado, um bom ponto de encontro talvez seja o Fundão (no Alambique).

O maior problema é a escolha. Haja estômago.

E já agora, haja neve.

Até Quarta e Bom Carnaval para todos.

  Que prazer me daria...

Afinal, sempre há motivos para apoiar Santana Lopes a presidente.

É Miguel Sousa Tavares quem me dá os primeiros argumentos pró-Santana:

"Se algum dia Santana Lopes for Presidente da República, eu, pelo menos, vou passar a ter vergonha de ser português. Quero ser bielorrusso, apátrida, monárquico, anarquista, qualquer coisa, menos cidadão de uma República de que ele seja Presidente."

O potencial de divertimento ao imaginar o Miguel, como comentador da noite das eleições, no momento do anúncio da vitória de Santana, é um factor que não deve ser menosprezado...

  Protestos à Portuguesa

A Antram (vulgo Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias) quer que o governo estrague a vida às empresas que têm a distinta lata de não usar os serviços dos seus associados. Considera esta organização que qualquer empresa que use transportes próprios para entregar mercadorias aos seus clientes, está a fazer concorrência desleal com os camionistas da Antram, que também precisam desses produtos para transportar e não têm as suas próprias fontes de trabalho.

Como o governo não interdita a actividade das empresas que prescindem dos serviços dos sócios da Antram, exigem-se compensações: as portagens mais baixas já não chegam, venham agora menos impostos para as transportadoras. Ou, melhor ainda, descontos no gasóleo. Com este bónus, as transportadoras poderão baixar os preços e obrigar todas as empresas a reconhecer que o ‘outsourcing’ do transporte de mercadorias é imbatível.

Como atingir este digno objectivo, o monopólio do transporte de mercadorias para os seus associados? Ora, evidentemente, o melhor método para ‘demonstrar’ a ‘razoabilidade’ das suas reivindicações consiste em estragar a vida a quem anda nas estradas; nada como uns engarrafamentos para conquistar a simpatia do povo para as suas nobres causas.

A Antram já aprendeu com a CGTP que para garantir o sucesso de um protesto, basta lixar a vida a quem quer trabalhar. Hoje, vão tentar embarrilar as estradas com TIRs, promovendo um criativo Dia Nacional Fora das Auto-Estradas. É dia de festa na velhinha N1. No Manjar do Marquês já estão preparados 3 barris de arroz de tomate e vai haver missa de celebração do regresso ao passado na Venda das Raparigas.

Apesar da animação que a Antram promete para hoje, o sindicato do sector que tanto gosta de greves, a FESTRU, está contra. Diz o senhor do sindicato, com um discurso revolucionário que me acendeu o sorriso pelo aflorar de recordações do Verão Quente de 75, que os patrões pagam poucos impostos, que deviam pagar mais e o que é importante é que o governo obrigue os patrões a pagar o mesmo a todos os camionistas. Exactamente, o mesmo a todos. Sejam eles bons profissionais, péssimos condutores ou simplesmente dirigentes sindicais fossilizados. Parece que há uns patrões que pagam mais aos melhores. Ora isso é certamente uma injustiça para ele próprio, e por isso, justifica-se a pergunta/manifesto:

‘E o governo, não faz nada? ‘.

quinta-feira, fevereiro 19, 2004

  A Retoma

4 dias sem fotografias no blogue? Corrija-se, já!


Derivada Positiva, Lisboa, Outubro de 2000

  Guterres já Ganhou

Porquê? Explica João Miranda:

"...Guterres é especialista em não fazer nada e essa é a maior qualidade de um presidente. O outro, seja ele Marcelo, Santana ou Cavaco, vai ter que provar em campanha que também consegue não fazer nada. Mas Guterres não precisa. Já todos sabemos que Guterres tem uma enorme vocação para a inação. E isso é tudo o que queremos de um presidente."

Pois é. E Pedro Roseta, teria alguma hipótese?

  A Mesma Velha História

Versão 1 – Anos 80

Gritava-se:

"Garantam os nossos empregos. Sejam patriotas, comprem carros americanos. O que será da América se deixamos entrar neste país os produtos baratos e de má qualidade do Japão? Eles trabalham 7 dias por semana quase não têm férias, ganham uma ninharia. A América nunca mais recuperará desta crise do sector automóvel."

Dezenas de políticos, organizações sindicais e outros ‘fellow americans’ constituem-se em grupos de pressão para impedir e/ou criar tarifas especiais à entrada de carros japoneses nos EUA. A esquerda rejubilava com o fim eminente do capitalismo.

No fim da década de 80, um grupo de rapazes de Detroit desfraldaram bandeiras americanas enquanto escaqueiravam um Honda Civic em frente às câmaras de televisão. Michael Moore filma Roger & Me. Desde que o clarividente Moore profetizou a desgraça americana em 1989, a economia dos EUA desenvolveu-se a ritmos substanciais, deixou a Europa a longa distância e atravessou toda a década de 90 em crescimento permanente e com taxas de desemprego residuais.

Versão 2 – Início do Século XXI

Grita-se:

"Garantam os nossos empregos. Sejam patriotas, exijam software americano. O que será da América se deixarmos entrar neste país o software barato e de má qualidade da Índia? Eles trabalham 7 dias por semana sem férias e ganham uma ninharia. A América nunca mais recuperará da crise do outsourcing."

Ñeste momento, há nos EUA quem tente proibir o outsourcing. A Rescue American Jobs Foundation luta para que os trabalhadores indianos de software sejam atirados para o desemprego e por troca sejam contratados trabalhadores americanos para fazer o mesmo trabalho a um preço 35 vezes superior.

A Coalition for National Sovereignty and Economic Patriotism, quer que os EUA abandonem a NAFTA a Organização Mundial do Comércio, e o GATT. Portas fechadas. Explicam que o sucesso económico de um país consegue-se fazendo exactamente o contrário daquilo que os EUA sempre fizeram até hoje.

Tal como os profetas da desgraça dos anos 80, os novos protectores da América ainda não compreenderam que o aparecimento de uma indústria de software indiana pujante e de qualidade é um inegável factor de sucesso para a economia mundial e principalmente para dois países: Os EUA e a Índia.

É verdade: não posso ser programador de computadores indiferenciado e ganhar 70.000 USD por ano. É pena, principalmente se apostei nessa carreira toda a minha vida. Mas também não posso ser ferreiro, correeiro, técnico de máquinas de cartão perfurado ou fabricante de bolas de futebol em Portugal. Esses empregos já não existem e nunca mais existirão.

Estas organizações americanas vivem por cima de uma dramática ilusão: estão convencidas que podem proibir a contratação de produção de software para os seus equipamentos fora dos EUA. Terrível engano: se o outsourcing de software for proibido, as empresas passarão a comprar todos os equipamentos, software incluido, fora dos EUA.

Para bem de todos. Afinal, se os americanos ganhassem salários equivalentes aos indianos, este problema nem existiria...

Versão 3 – Portugal 2004.

A facção mais retrógrada do Partido Socialista, reúne-se num clube a que chamaram Liberdade e Cidadania. Ontem falaram nas desgraças da globalização. Têm ideias semelhantes às dos grupos americanos acima citados.

Na mesa, Ana Benavente, Ana Gomes e Manuel Alegre. Espera-se, definitivamente, o pior.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

  Ladrão que Rouba a Ladrão

J., do Cruzes, suspeita que a história que se conta aí abaixo sobre Michael Moore é deturpada. Julgo que não é. Há dezenas de histórias semelhantes que por aí correm sobre o comportamento irrascível e irresponsável de Michael Moore para com os seus funcionários.

Mas neste caso particular, até teria muito apropriado se se a a história sobre Moore fosse mesmo deturpada. Como diz o ditado, ladrão que rouba ladrão...

  A Depressão Segundo São Barnabé

Segundo os Barnabés, a direita blogosférica entrou em crise. No conceito barnabeano, blogues de direita devem ser todos os blogues nazis, fascistas, nacionalistas, da direita inteligente, da direita reaccionária, populares, peessedês, neo-liberais, liberais, pseudo-liberais, cavaquistas, barrosistas, anarco-capitalistas, santanistas, satanistas, monteiristas, sá-carneiristas, monárquicos, fadistas, toureiros, skinheads, assinantes da Wired, professores de economia, estudantes de gestão, libertários, anti-aborcionistas, advogados de negócios, engenheiros inscritos na ordem, escanções, neoconservadores, guterristas, democratas que apoiaram a guerra, anti-tabagistas, pachecopereiristas, judeus, polícias, microsoftistas e mais uns quantos que eles acham que são de direita porque não são de esquerda. A "direita" está em crise.

Finalmente arranjou-se um substituto para a anterior vítima da crise que, felizmente, já entrou na retoma.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

  Milagres Matemáticos no País Profundo

Estava eu aí a circular pelo país e a zappar pelas rádios locais (passatempo que faço com prazer, não há nada como ouvir o relato de um jogo entre o Pinheirograndense e o Famajões feito por um comentador parcial em voz excitada e com pronúncia beirã) quando apanho um debate entre figuras políticas de uma qualquer terra entre o IP3 e o IP5. Um debate típico: o populismo do PP, a demagogia do PC, o "governo-faz-a-câmara-não" do PSD, o "a-câmara-faz-o-governo-não" do PS, o "aborto-cannabis-uniões gay" do Bloco.

E passou-se pelo PEC e pelo déficite, devem baixar o déficite e gastar mais, e por aí fora, quando começam todos a concordar que se não fosse a fuga fiscal isto seria um país de gritos, e haja saúde, estão todos de acordo, o problema é dos tipos que fogem ao fisco. "Tamos a resolver, tamos a resolver" gritava o senhor do PSD, "Não tão nada!", replicavam os outros, e então o senhor do Bloco sentenciou: "todos os anos são 37 Pontes Vasco da Gama de fuga fiscal", "é pá, 37 é um exagero, são só três ou duas e meia, 37 não", discordava o do PP, "são 37, 10.000 milhões de contos a dividir por 300 dá 37, eu faço as contas" respondia o bloquista, "é pá, mas isso é quase metade do PIB, se já gastam metade, então somos todos fugitivos" e vai de lol, lol, lol, riam eles, "mas isso já vem detrás", argumentava o PP, "já vem sim, vem do Cavaco", dizia o do PS, "nã, nã, do Cavaco já deve ter tudo prescrito", sentenciava o do PSD, "37, eu cá não atiro números para o ar como o ministro da saúde" insistia o bloquista, 37, são TRINTA E SETE! 37"... "é pá deve estar a faltar-te uma vírgula", "e um parafuso, pá" lol lol lol.

E então o do Bloco saca duns papéis e ataca o combate fiscal que é "uma vergonha, UMA VERGONHA! Diz aqui no Expresso, que é do Balsemão e do governo do Barroso e do Portas que de 2002 para 2003, a Direcção de Impostos aumentou o tempo médio dos processos em espera de 39 vírgula picos para 56 vírgula picos!", "É é, eu também li" confirmava o do PCP, "a Ferreira Leite num ano aumentou o tempo médio de espera de 17 meses!", "é no que dão os cortes cegos, a gente avisou", dizia o do PS. "Deixe-me lá ler isso" pedia o do PSD, "tá aqui, tá aqui" mostrava o do Bloco por entre uma chinfrineira de conversas cruzadas com barulho de manuseamento de papel de jornal em frente aos microfones. "Ahhh... pois... mas não deve ser isso... isso deve ser o tempo dos novos processos só... ah!!! pois claro! 56 meses vai dar tudo ao tempo do Guterres" concluia com evidente alegria o senhor do PSD, "não, não, 56 meses são dos processos novos, os antigos eram só trinta e poucos meses" defendia-se o do PS. "Nã, nã, ora 56 meses, são 5 anos.. 4 anos... 5 anos e 2 meses...não... ora 5 vezes 12 dá 60, 4 vezes 12 dá 48 se são 56 são mais 8, ora dá 2000... 1999! Foi tudo do Pina Moura" computava com felicidade o do PSD, "oiça lá, mas isto são médias, se a média aumenta é porque os novos estão mais demorados e os novos são da Ferreira Leite" dizia o do PS, "é tudo o mesmo, são todos iguais, o Guterres também governou à direita" ria-se o do PCP, "eu explico-vos" elucidava o bloquista, "os velhos ficaram lá todos e os novos já vão em 17 meses, são os deste governo" "não, assim a média baixava" dizia pouco convencido o do PSD, "está no vosso jornal, é um facto e contra factos não há argumentos" concluiu vitorioso o bloquista que falava muito mais alto que os outros.

Por aqui começei a perder o sinal. E que pena tive. Gostava de perceber afinal que processos são esses que conseguem aumentar em 12 meses o prazo médio em 17... Mas isso são apenas milagres da matemática. Está no Expresso, é um facto. Até porque se assim não fosse, em 10 anos, teríamos 370 novas pontes Vasco da Gama.

  Vem aí o Demo

No espião das visitas lê-se 666.. Em breve estará no 66666! Vou sair daqui. Desligar o computador. Benzer o blog com água benta. Santanás, vade retro que eu agora vou de metro.

  Bem Prega Frei Tomás

Um dos gurus da nova esquerda, o inenarrável Michael Moore, é estrela da New Yorker desta semana. Infelizmente a Clarinha deixou de nos traduzir os artigos da revista, pelo que é pouco provável que a nossa imprensa disserte à volta dos dias em que a jornalista Larissa MacFarquhar acompanhou o Michael num passeio pela Europa.

Refira-se apenas que o artigo da New Yorker volta a sugerir que Michael Moore maltrata os seus empregados. Parece que é habitual. Vários jornais e revistas têm escrito e noticiado o mesmo ao longo dos anos.

Esta história tirei-a do Chicago Boyz

One day during production on the first season of the show, Moore called two of his writers into his office. It was, for both of them, their first job in television, and they had been hired with the title of associate producer. They were not members of the Writers' Guild, the powerful union for writers in movies and TV, and thus were not receiving health benefits, and would not qualify later for a percentage of video and rerun sales. "Michael said, 'I'm getting a lot of heat from the union to call you guys writers and pay you under the union rules' ", Eric Zicklin, one of the associate producers, says, " 'I don't have the budget for that. But if they keep coming down on me that will mean I'll only be able to afford one of you and the other one's gotta go.' "

Moore appeared to have surmised (incorrectly) that the two writers had been appealing to the union behind his back. "He wanted to let us know that this would husrt us if it continued", Zicklin says. "We were scared out of our minds [...]"


Michael, dá-lhes... onde é que já se viu, os gajos a quererem sindicalizar-se!?! Rua com eles!

Eric Zicklin conclui a história assim:

"[...]I can't buy into this thing of Michael Moore is on your side - it's like trying to believe Justin Timberlake is a soulful guy. It's a media product: he's just selling me something. For the preservation of my own soul I have to consider him as just an entertainer, because otherwise he's a huge asshole."

Pois é. Mas isso já todos nós sabíamos.

  As Farmácias 2

Perguntam-me o Rui do Adufe e o e Nelson do Ai Jesus! porque é que sugeri um hiato de 5 a 10 anos entre a liberalização da propriedade das farmácias e a liberalização da instalação.

A razão é simples: para permitir a todos aqueles que nestes últimos anos pagaram balúrdios por uma farmácia, muitas vezes à custa de endividamentos no limite, a resolução das suas situações pessoais; para permitir o aparecimento de grupos e associações entre farmacêuticos ao mesmo tempo que se desmotivam novas transações de alvará com prémio.

E sim, muitas farmácias prestam um verdadeiro serviço público. Basta verificar as obrigações de serviço permanente em quase todas as pequenas vilas e aldeias de Portugal para o compreender.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

  Fases

O Bom Selvagem encerrou temporariamente o fornecemento de petiscos. ABNose apagou a luz na sua câmara escura. São duas referências de qualidade que se perdem na blogosfera. Espera-se que extravasem a sua criatividade em outros bons projectos, sejam eles vincados a tinta ou a sais de prata.

  O Meu Problema com os Estatistas

"O meu problema com os liberais é [...]. Nunca compreendo muito bem se são ou não a favor da assistência aos mais desfavorecidos (porque isso implica redistribuição) e em que moldes."
Timshel


Eu considero-me liberal e não tenho a menor dúvida que deve ser o estado a garantir a existência de uma rede de segurança que auxilie os mais desfavorecidos que realmente necessitem de ajuda. O que não quero é que seja o próprio estado o principal responsável pelo elevadíssimo número de cidadãos que procuram auxílio.

Temos um estado que legisla sucessivamente contra o emprego, colocando entraves a quem quer criar riqueza, inibindo a contratação e o investimento, e diminuindo seriamente a probabilidade de sucesso de quem quer investir.

Temos um estado que activa a economia paralela garantido uma fatia significativa dos escassos recursos disponíveis para quem não precisa, e promovendo a atractividade da inactividade; é o mesmo estado que minimiza as possibilidades de criação de riqueza através de uma fiscalidade asfixiante e de legislação absurda, que não dispensa para si uma fatia cada vez maior do bolo cada vez menor.

Temos também um debate político envenenado. Geralmente, são os que agitam a bandeira da solidariedade e que exigem publicamente que o estado consuma cada vez mais recursos com crescentes ajudas aos mais desfavorecidos que pedem legislação cujo principal efeito é a criação de um número cada vez maior de desfavorecidos;

Uma coisa é ajudar quem realmente precisa de ser ajudado. Outra coisa é ajudar a criar um exército de necessitados.

"A Europa, em diversos graus consoante os países - sendo o mais tacanho a França -, atribui a um excesso de liberalismo os males que resultam do seu excesso de regulamentação, da superfiscalidade, de redistribuição, de protecção sectorial e de intervenção estatal. É um pouco como se um sedentário sobrealimentado atribuísse ao abuso de exercício físico o seu excesso de peso."
Jean-François Revel


  Sapal


Na Reserva Natural do Sapal de Castro Marim, Janeiro de 2003

sábado, fevereiro 14, 2004

  Farmácias

Um leitor do Abrupto, que assina M.Barrona deixou no ar 5 perguntas simples sobre o regime das farmácias. Aqui ficam 5 tentativas de resposta.

1. A margem de comercialização é de 20%?

Não, é maior. A margem de comercialização de 20% aplica-se apenas a medicamentos. A margem de comercialização média das farmácias varia entre 25% e 30%, dependendo da dimensão dos negócios de cosmética e de produtos farmacêuticos de venda livre, em que as margens são substancialmente superiores.

2. Alguém sabe quantos negócios podem aplicar uma margem deste teor?

A maior parte dos negócios tem margens de comercialização iguais os superiores. As margens de 20% nos medicamentos justificam-se apenas apenas devido à reserva de mercado que é garantida às farmácias pelo regime restritivo de propriedade e de imposição de barreiras à entrada. Apenas em casos especiais e no comércio de grande superfície com elevada rotatividade de stocks se praticam margens inferiores.

3. È verdade que os juros cobrados pela Associação Nacional de Farmácias ao estado, pelas dívidas no pagamento das comparticipações, são de 12% ao ano?

Não, não é. São juros de mercado. Inteiramente justos, diga-se. As farmácias não são bancos e não devem ser obrigadas a investir em volumosos fundos de maneio devido à habitual incompetência e incapacidade do estado.

4. Quantas vilas e aldeias deste país com menos de 5000 habitantes posuem farmácia?

É melhor fazer a pergunta ao contrário. Quantas vilas e aldeias deste país com mais de 2000 habitantes possuem farmácia? A resposta é: quase todas.

5. Existe algum estudo sobre quantas farmácias corem o risco de fechar caso a lei venha a liberalizar a instalação de novas farmácias?

Inicialmente, a liberalização faria aumentar substancialmente o número de farmácias. Nas grandes cidades, a concorrência das cadeias profissionalizadas com padrões de serviço elevado provocaria a falência de algumas farmácias antigas e com gestão inadequada; posteriormente será de esperar um movimento de concentração de farmácias em poucos grupos concorrentes. O único risco que se corre é do encerramento de farmácias em pequenas aldeias por aumento de concorrência em localidades próximas. Será sempre um risco reduzido.

Quando se fala de liberalização de farmácia, fala-se da liberalização de 2 regimes: o regime de propriedade e o regime de instalação.

Se o regime de propriedade for liberalizado sem se alterar o regime de instalação, ganham os farmacêuticos que hoje detém alvarás (aumenta a procura de alvarás não se alterando a oferta o que fará aumentar o valor das farmácias), perdem os farmacêuticos que não detém alvarás (deixam de ser os únicos a poder adqurir farmácias e estas aumentam de preço) e de resto pouco muda, excepto no aumento provável da qualidade de serviço em algumas farmácias por profissionalização da gestão.

Se o regime de instalação dor liberalizado e não se alterar o regime de propriedade, ganhamos todos, perdem os farmacêuticos: Os alvarás passam a não valer mais do que o custo de instalação de uma farmácia nova.

A solução simpática é a liberalização do regime de propriedade seguida de um prazo médio/longo (5-10 anos) para liberalização do regime de instalação.

Aí, ganham todos, menos os farmacêuticos novos que ainda não têm alvará. Mas também ninguém deve ter grandes esperanças de sucesso futuro baseado em legislação arcaica e anti-economica de manutenção de privilégios.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

  Ainda a Microsoft

A história da remoção da Estrela de David no Register. Também lá, a imagem do antes e do depois.



  Sexta - Feira 13, Dia da Sorte

O meu carro foi rebocado pela PSP. Estava mal estacionado. Que sorte imensa tive hoje. Quando cheguei ao local onde o tinha deixado e não o encontrei, pensei que o tinham roubado.

  PROPOSTA 17 - DEVE-SE OU NÃO?

Do Compromisso Portugal, esta foi a proposta mais polémica:

Deve-se ou Não? "Aprofundar a reforma da legislação laboral introduzindo uma maior flexibilidade; admitir a partir de 2006 a rescisão por iniciativa do empregador com contrapartida de indemnização crescente consoante idade e número de anos de casa. Durante período transitório de dez anos manter garantias actuais para trabalhadores com mais de 45 anos de idade e 20 anos de casa."

Pergunto de outra maneira:

Devem ou não os cidadãos ter a liberdade de contratar entre si, sem limitações, as condições em que estão dispostos a empregar ou a ser empregados, no que diz respeito a horários, salários, regalias e outras condições, obrigações e direitos?


4 historinhas para quem quiser debater.

Historinha nº 1: O dono de uma pizzaria nos EUA, incomodado com alguns jovens que pediam esmola, propôs-lhes o seguinte contrato: Dava-lhe jantar e mais uns dólares e em troca os jovens promoviam a Pizzaria passeando um cartaz com a seguinte frase: "Pizza Schmizza paid me to hold this sign instead of asking for money."

Os jovens e o dono da pizzaria chegaram livremente a um acordo. Logo porém, um guru de esquerda, Gary Ruskin, ligado a outro guru, Ralph Nader, iniciou uma campanha contra a iniciativa gritando a alto e bom som que era ilegal. Se o dono da pizzaria queria contratar os jovens, seria obrigado a contratá-los pelo período mínimo legal e a pagar-lhes salário mínimo legal.

Como colorário, o acrordo terminou. Perderam os jovens, o dono da pizzaria e a sociedade. Mas houve um palerma que cantou vitória.

Historinha nº 2: Em meados de 1990, F. investiu tudo o que tinha para iniciar o seu próprio negócio, adquirindo uma empresa de confecções em situação de pre-falência. 8 anos mais tarde a empresa faliu mesmo. 52 trabalhadores, alguns com cerca de 40 anos de casa, saíram sem indemnização e F. ficou sem nada, excepto os seus amigos e a sua capacidade de trabalho que mais tarde lhe garantiria um razoável emprego. A casa de F. tinha sido entregue como garantia de empréstimos a um banco. Esses empréstimos não foram pagos.

A única coisa que o F. pedia era flexibilidade contratual. Nesse ano difícil, só podia suportar 30 operários. Dois anos antes, quando precisara de 70 para fazer face a um pico de encomendas, também não conseguiu contratar os 20 em falta, porque para trabalho temporário é preciso pagar mais, e o sindicato informou-o que se pagasse mais aos de fora, os de dentro fariam greve. "Trabalho igual salário igual" gritava o delegado cantando vitória. Quem perdeu? Os trabalhadores, F., o país. Quem ganhou? A indústria italiana.

Historinha nº 3. Em 1995, a XPTO decidiu correr riscos. Quando conseguiu o apoio de um investidor de capital de risco estrangeiro, tentou desenvolver e lançar um novo e inovador produto no mercado. O projecto poderia correr bem ou mal. Nunca se sabe. Para que a probabilidade de sucesso aumentasse, os investidores da XPTO sabiam que era obrigatório reunir um grupo de colaboradores motivados. Para satisfazer o investidor, criou-se uma nova empresa de capitais mistos. Acordaram escolher para a empresa apenas os melhores e remunerá-los muito bem. Porém... surgiu um problema. Sabendo que a probabilidade de bater com os burrinhos na água é bastante elevada, os gestores da XPTO não queriam ninguém contratado a termo certo. Acontece que os trabalhadores especializados que seriam destacados para este projecto tinham direitos de antiguidade legais na empresa do grupo em que trabalhavam. Só aceitavam a transferência, se os direitos forem transferidos para o novo projecto. O investidor de capital de risco não aceitou a probabilidade de ter que pagar indemnizações elevadas em caso de insucesso. Nem compreendia. Perguntava ele porque é que esses direitos não faziam parte de um fundo que acompanhasse os trabalhadores para os novos empregos. E dizia: "Silly!". Assim só podem promover a inactividade. Nada a fazer. É a lei. "Não". Dizia ele. ‘If we fail, we all loose’. Alguns aceitaram, outros não. Avance-se com os que aceitaram, decidiu-se. Para os trabalhadores menos especializados, a XPTO decide contratar a prazo. Mas o prazo para aferir o sucesso ou insucesso do projecto está estimado entre 4 e 6 anos. O limite máximo da contratação a prazo era de 3 anos. 1 ano depois de burocracias, confusões e indecisões, o investidor desistiu e o projecto morreu. Foi apenas mais um, entre tantos. Perdemos todos. O capital destinado a este projecto está hoje aplicado algures nos EUA. Que ganharam, evidentemente.

Historinha nº4. J. tinha uma pequena indústria. Precisava entre 10 e 20 trabalhadores, conforme o nível de encomendas. 10 fixos e 10 flutuantes. J. estava disposto a pagar 130 contos/mês a cada trabalhador. Mas, porque não podia livremente contratar e dispensar os trabalhadores ao ritmo das necessidades, J. pagava os mesmos 130 contos a uma empresa de trabalho temporário. Esta, por sua vez, entregava 100 contos a cada trabalhador contratado a prazo e destacava-os para a indústria de J. sempre que este necessitava. J. preferiria contratar directamente os trabalhadores e pagar-lhes mais. Mas não era possível. Em Portugal, o ajuste do número de trabalhadores às necessidades das empresas é ilegal.

Perdia J., perdiam os trabalhadores, perdia o país, ganhava um intermediário que apenas servia para ultrapassar obstáculos legais antieconómicos. Este era um intermediário que não criava valor, mas permitia que a destruição de valor imposta a J. fosse minorada, à custa dos salários daqueles que a lei pretendia proteger. Foi então que um sindicato do sector moveu um processo a J., acusando-o de violar a lei utilizando artimanhas para não contratar trabalhadores sem termo.

Hoje os problemas de J. estão ultrapassados. Vendeu as instalações da sua fábrica à Lidl, onde hoje todos os ex-trabalhadores podem utilizar os subsídios de desemprego para comprar livremente produtos importados exactamente iguais aos que anteriormente fabricavam naquele local.

  Dynax Digital

Ora até que enfim! Afinal, ainda há esperança de vida para as minhas objectivas...



  Ainda a Microsoft

Vários blogues referiram-se ao post ontem aqui publicado sobre a eliminação de símbolos 'inaceitáveis' numa fonte do Microsoft Office chamada Bookshelf Symbol 7. Se o espião dos links funciona correctamente, pelo menos o Aviz, o Barnabé, o Matamouros, o Homem-a-Dias, o Nortadas, o Adufe e o Contra-a-Corrente fizeram eco desta situação.

Não deixa de ser curioso verificar que a Microsoft publicitou amplamente a intenção de eliminar as cruzes suásticas da fonte, como pode ser comprovado com uma simples busca no Google, e até pediu descupla pelo 'engano' mas em nenhum caso algum se referiu à simultânea eliminação da estrela de David.

24 horas depois a Microsoft ainda não respondeu ao meu protesto. O utilitário de remoção dos símbolos inaceitáveis continua disponível.

quinta-feira, fevereiro 12, 2004

  Mais alguns blogues na bancada da direita

Babugem, Rua da Judiaria, The Bull and the Bear, Último Reduto e Impertinências.

  Crítico?

Hoje, a empresa de "Guilherme Portas" enviou-me um aviso: Atenção! Há novos updades para o seu sistema operativo. Os detalhes esclareciam-me. Era uma coisa muito crítica:

Critical Update for Windows (KB833407)

This item updates the Bookshelf Symbol 7 font included in some Microsoft products. The font has been found to contain unacceptable symbols. After you install this item, you may have to restart your computer.


Hmmm… Símbolos inaceitáveis? Serão símbolos fálicos? A maminha da janet? Bonequinhos em posições sugestivas? Não... Muito pior! Eram suásticas, senhor!



E eu, que nunca na minha vida tinha utilizado este Bookshelf Symbol 7, fiquei a saber que a partir do teclado tinha acesso a uma suástica. E vai daí, como a história do século XX transformou esta cruz num símbolo do mal, vamos todos mudar os sistemas operativos para acabar com isto! Vamos nessa.

Eis senão quando reparo em mais uma mudança. Não foi só a suástica que desapareceu. Ora veja-se:



A estrela de David foi também eliminada do Bookshelf 7. O símbolo da bandeira de Israel. Na Microsoft há uns senhores que não regulam muito bem da cabeça. Espero que não só a comunidade judaica mas todos os homens e mulheres com memória lhes caiam em cima. Pelo insulto. Já enviei o meu e-mail de protesto.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

  Noites Escaldantes


Noites Escaldantes, Parque das Nações, 1999

  Eu sei lá...

se se deve proibir o véu islâmico. O meu lado liberal diz-me que não, nem pensar. Porém...

...se a ostentação de símbolos religiosos deve ser livre, então a menina afegã pode vestir uma burkha no dia do exame numa escola pública.

...se em questão está apenas a liberdade individual, o menino tribalista pode andar nu na escola.

...se é apenas uma questão de liberdade de afirmação das culturas minoritárias, aceite-se a excisão feminina ou a liberdade das crianças ciganas faltarem à escolaridade obrigatória.

E depois, há o resto. O ridículo de assistir a uma peroração exaltada a favor da liberdade religiosa feita por alguém que no seu próprio país quer obrigar todas as mulheres a seguirem comportamentos religiosos oficiais. Dar "liberdade religiosa" a homens e mulheres que não têm essa mesma liberdade dentro da sua própria comunidade. Livres à vista do estado, prisioneiros de líderes comunitários.

Os usos e costumes franceses não nasceram da imposição de iluminados. O mínimo que se pode exigir a quem quer ser acolhido numa comunidade é o respeito público pelas tradições criadas ao longo dos séculos pelos que agora os aceitam e integram. As mulheres francesas também não podem passear de minissaia em Teerão.

Logo sou a favor e contra. Acho bem e acho mal. Não gosto de leis que proibam, mas muito menos de imposições por parte de minorias. Eu sei lá.

terça-feira, fevereiro 10, 2004

  Fanáticos do Liberalismo

Diálogo com o meu vizinho do lado.

Eu: 'Ó pá... sabes o que é um "fanático do liberalismo"?'
O Meu Vizinho do Lado: 'Então.. deve ser aquele que quer obrigar todos a serem livres mesmo contra a sua própria vontade...'
Eu: 'Humm... que alívio! Então não sou. Para mim, quem quer ser parvo, tem todo o direito de ser.'

  O Drama de Iruan

Iruan tem apenas 8 anos. Tantos como a minha filha. Iruan é filho de pai Taiwanês e mãe brasileira. Quando Iruan tinha apenas 2 anos, perdeu a mãe. Ficou a viver com o pai, marinheiro, em casa dos avós, brasileiros. No Brasil. Há 3 anos o pai de Iruan levou-o a visitar a família chinesa. Durante essa visita, Iruan perdeu o pai. A família paterna adoptou-o e Iruan ficou a residir em Taiwan.

Após uma prolongada batalha judicial, o tribunal decretou o regresso de Iruan a casa dos avós, no Brasil. O lado taiwanês da família da criança reagiu. Iruan também. Não queria ir. 3 anos é muito tempo na vida de uma criança de 8.

As violentíssimas imagens do resgate de Iruan à sua família chinesa fazem-me questionar se a solução justa terá sido mesmo a melhor solução.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

  Eu quero "parabenizar"...

...todos os aniversariantes do dia.


"Mamãããããããããããããããããã....", Tavira, Julho de 2001

  Escreveu Eduardo Cintra Torres, no Público...

"Em entrevista à SIC Notícias (27.01), Carlos Carvalhas disse e repetiu que o PCP não tem a simpatia da imprensa e da TV e por isso se nota menos na vida política que outros partidos [1]. Carvalhas tem razão. As simpatias, não assumidas, de uma parte da imprensa, rádio e TV vão principalmente para o Bloco de Esquerda[2]. O BE está em "estado de graça" em alguns "media" há anos e não é escrutinado pelo jornalismo como os outros partidos parlamentares. Toda a actividade do BE se destina a maximizar tempos de antena e a obter a tal simpatia referida por Carvalhas.

Tal como Santana Lopes, o Bloco é uma empresa de relações públicas de si mesmo[3]. No programa Conselho de Estado (2) em que participei há semanas fiquei estupefacto com as intervenções da ex-deputada Joana Amaral Dias, porque todas elas, mesmo arriscando descentrar os temas em debate, visaram apenas bajular os jornalistas e a imprensa em geral. Esta estratégia tem dado resultado. Enquanto na entrevista à SICN Carvalhas foi de novo confrontado com o apoio do PCP a regimes ditatoriais, nunca ninguém pergunta a Francisco "Écrã" Louçã, dirigente do PSR, "Secção Portuguesa da IV Internacional", se ele ainda defende a revolução permanente do camarada Leon Trostky. [4]


Só que ao dizer que o PCP não tem a simpatia da imprensa Carvalhas deveria considerar a frase também como uma autocrítica. A política faz-se em grande parte pela comunicação de ideias e acções através dos "media". O BE faz tudo através dos "media". O PCP quase nada faz.[5] No caso do BE o problema é dos "media" que se deixam embalar pela superficialidade do mediatismo bloquista. No caso do PCP o problema é do PCP. Para não dizer que o problema é o PCP.[6]"

Notas:

[1] É verdade. Também não dizem quase nada de jeito e por isso as audiências ressentem-se. Parece que só têm um militante disponível para os debates, o das barbas. Desde que a Odete foi para artista aquilo anda fraquinho.
[2] Também é verdade. Big Brothers, Telenovelas e Bloco de Esquerda, a vacuidade com bons adereços conquista facilmente o tempo de antena.
[3] O Santana ao menos faz túneis, o Bloco fica-se pelo circo. Louçã seria grande em Roma. Imagino-o sempre de dedo para baixo para alegria das turbas.
[4] Essa foi mázinha. Vai ter que aturar os Barnabés...
[5] Palhaçadas dão prime-time. Carvalhadas dão sono.
[6] Estamos no século XXI. Um partido que se chama comunista espera o quê? Imagine-se qual seria o sucesso de um partido chamado, por exemplo, Partido Retrógado Português. Ou Partido dos Ceguinhos que Não Vêem Um Boi À Frente do Nariz; Ou Partido dos Aduladores de Assassinos do Século Passado. Não parece ser grande marketing, pois não?

  Taxi Driver

Eduardo Prado Coelho espanca José Mourinho na sua coluna diária do melhor jornal. Classifica o comportamento do Zé no fim do último SCP-FCP como de o de 'um homem completamente transtornado, manifestamente fora de si, no limite do ridículo ("Sr. Pinto de Costa, deixe-me ir para Inglaterra, lá sou o filho do rei"), empolgado por uma violência verbal que parecia sem limites'.

Coelho confessa que Mourinho sempre lhe 'pareceu detestável'. Compara-o com 'uma personagem do filme "O Samurai", de Jean-Pierre Melville, que era um assassino profissional, solitário e taciturno, para quem a forma do crime se tinha transformado na única razão de ser da sua vida'.

'A ausência total de sentido de humor' do Zé provoca no Eduardo uma 'considerável repulsa'. Por aí fora.

Recordando-me das violentas reacções de desagrado que este blogue provocou com um comentário sobre a referida criatura no último fim de semana, algo me diz que a blogosfera azul vai ebulir. Ou então, talvez não...

domingo, fevereiro 08, 2004

  Sábado

Uffff... Que correria. No meio de tantas voltas, ainda consegui:

Ficar babado como só os papás sabem; ver o alucinante fim do Everton-Manchester United; folhear as primeiras do último Perez-Reverte; ver parte de um belo jogo de futsal no belo pavilhão atlântico; olhar de solsaio para a relva do novo Estádio do Dragão; constatar que nem a ajuda divina de Santamaria foi suficiente para Quiroga e por fim partilhar com amigos um excelente fondue muito bem regado com Casa da Palmeira. Isto tudo nos intervalos da minha verdadeira profissão de fim de semana: condutor de veículos de transporte de crianças.

sexta-feira, fevereiro 06, 2004

  Cuidado...

Manel, olha que eles são perigosos...

  O Sofrimento de Fernando Rosas

Ontem, no debate sobre o estado na nação, Fernando Rosas manifestou a sua indignação com a possibilidade de alguém obter lucro por fazer negócios relacionados, por exemplo, com a distribuição de água, a saúde ou a educação. Fernando acompanhou a sua profissão de fé ideológica com uma expressão de enorme enfado, pronunciando arrastadamente as palavras negócio e lucro.

Fernando Rosas deve ser consequente com as suas afirmações e prescindir imediatamente do lucro que obtém no seu negócio pessoal, a prestação de serviços de educação. O seu elevado vencimento deve ser substituído por um passe social e senhas de refeição, garantindo-lhe o estado o livre acesso a bibliotecas e a todos os meios necessários à sua formação como professor. Poderá mais tarde reaver todas as despesas relacionadas com a sua actividade, mas nada mais.

Se assim acontecer, o Professor Rosas nunca mais fará expressões angustiadas relacionadas com o enorme nojo interior que sente todos os meses nesse momento doloroso em que, ao olhar para o recibo do salário, constata o degradante lucro (que horror!) obtido com o seu negócio (arghhhh!) na área da educação.

E pode estar o Professor Rosas descansado, que não lhe cobro nada por esta sugestão. A verdade é que não quero ter lucro a eliminar o sofrimento alheio. Neste caso, a sua felicidade futura é remuneração suficiente.

  Boneca de Cera


Barcelona, Agosto de 2001

  Ainda os Direitos de Autor

Respondeu muito bem o Contrafactos ao meu post sobre a apropriação ilícita de trabalho alheio. Acontece que se desconheço os detalhes da lei dos direitos de autor, conheço muito bem a parte que diz respeito aos trabalhos fotográficos.

É que a cláusula "Para que a fotografia seja protegida é necessário que pela escolha do seu objecto ou pelas condições da sua execução possa considerar-se como criação artística pessoal do seu autor" só pode ser avaliada pelo autor e por absolutamente mais ninguém.

Se o autor da fotografia acredita que a sua obra é uma das sete maravilhas do mundo, o problema é dele: ninguém estará certamente disposto a pagar-lhe o preço que ele pede. O que eu não posso é argumentar que, por não ver valor na fotografia, não pago mas uso. Esse argumento dar-me-ia o direito de piratear e oferecer, por exemplo, todas as fotografias de grandes fotógrafos, com a desculpa de que não gosto da sua obra. E levando este argumento ao extremo, seria livre piratear música pimba ou literartura de cordel.

Se o objecto fotografado envolve questões de direitos de autor é um assunto a discutir entre o autor da obra fotografada e o fotógrafo. E também neste caso a qualidade da obra fotografada não nos diz respeito: entre a foto e o objecto fotografado, venha o diabo e escolha.

Até porque o seu ponto 3. que corresponde ao artº 167 do Código dos Direitos de Autor, a ser aplicado como se diz, impedirá a comercialização de qualquer fotografia paisagística de qualquer cidade do mundo em que apareçam obras de arte. E basta procurar nas edições antigas do jornal para que trabalha para concluir que esta norma é muitas vezes incumprida e é quase sempre incumprida em todos os bancos de imagens que conheço. Lembro-me de alguns meses atrás um autor ter alterado títulos das suas fotos site de imagens para venda por ter sido levantado esta problema. (em vez de Monumento a Sá Carneiro, chamar-lhe por exemplo Detalhe da Praça do Areeiro...)

Mas diga-se que a lei não é tudo. A moral também conta. Um autor fez uma fotografia que pretende vender por 19 euros. Quem quer pagar o preço, paga e utiliza a imagem. Quem achar que a foto não vale o preço, não paga. Vai ao local e fotografa-o. O que não é moralmente aceitável é a apropriação do trabalho alheio, contra a vontade do autor.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

  Alvalade XXI

Palco da final da Taça UEFA em 2004/2005.

  Direitos de Piratear

A Ânimo publicou no seu site uma fotografia da Travel Images, um banco de imagens profissional português que já existe há mais de meia dúzia de anos. A imagem publicada foi esta, uma fotografia (sem grande qualidade) do monumento a Sá Carneiro no Areeiro.

O autor da imagem fez saber ao autor do blogue que a utilização da imagem pressupunha um pagamento de 49 euros. As imagens têm dono:

"All photos in Travel-Images.com, Portugalia.org, Azerb.com and Geo.Ya.com/Travelimages are copyrighted and may not be used without prior permission. The images are available for licensing, both for internet/multimedia and conventional print use."

Enganou-o. Só custa 19 euros. Lê-se no preçário do Travel-Images:

"Services & Prices:
- Rights for internet/multimedia use: 19 Euros per image
(not for re-sale / non-exclusive)
- Rights for traditional publication: 49 Euros per image
(not for re-sale / non-exclusive)"


Mas deixemos o preço de fora. O blogue anti-Santana Lopes Lisboa a Arder escreveu este post em que goza com a pretensão do autor da fotografia, publicando-a 9 vezes e escrevendo que o preço pedido pelo autor "faz lembrar aqueles truques bacocos com que o comércio engana as lorpas incautas".

Conclui-se que para o anónimo Lisboa a Arder, é lícita a apropriação de uma fotografia feita por um profissional e que vive dos proveitos obtidos com a venda dessas imagens.

Portanto, este negócio não faz sentido. Se um dia eu quiser vender as minhas fotografias via net, já sei que me arrisco a que o "Lisboa a Arder" se julgue no direito de se apropriar do meu trabalho e colocá-lo gratuitamente no seu site. A arte, com ou sem qualidade, foi transformada em open-source.

Não sei o que é que o autor do blogue faz, porque a única coisa que se conclui do seu blogue é um certo despeito pela derrota da coligação que governava Lisboa antes de Santana Lopes. Mas pergunto-lhe se acha que também me posso apropriar do seu trabalho. Sei lá, imaginemos que é professor, talvez possa obter explicações grátis para os meus filhos? Se for comerciante, posso ir à sua loja para ir buscar uns artigos sem pagar?

A não ser que se admite que a utilização da Internet para vender fotografias é proíbida e que a publicação on-line pressupõe imediatamente a gratuicidade dessas fotos. O Ânimo já retirou a imagem em causa do seu blogue. Fez bem. O Lisboa a Arder publicou-a 9 vezes em jeito de desafio. Diga-se que se Portugal fosse um país a sério, o anónimo autor do Lisboa a Arder seria obrigado a pagar o trabalho que roubou a um terceiro sem a sua permissão ou em alternativa, o blogue seria encerrado.

  Porque é que a galinha não faz pão?

Está no Intermitente e vale a pena ler. Tirado daqui.

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

  Plaft!

Uma enorme, completa e totalmente merecida bofetada dada ao Rosas, no Quinto.

  Kruger Park


Clave de Sol, Outubro de 2000, Kruger Park, África do Sul

Fui ao Kruger ver os bichos.

Vi uma família de selvagens Cães
na hora das refeiçães.
Dois Cudos completamente mudos.
Impalas e outras que tais, muitas mais.
Dezenas de giras girafas com pescoços garrafais.
Dois tromboscídeos in love e um bebé trombinhas.
Uma olifanta isolada, e mais vinte em manada.
17 hipotálamos num lago,
o rabo de uma leoa, seis cágados,
vários passarucos e dois cucos.
poucos porquíssimos porcos selvagens.
Otorinocerontes brancos e pretos em savanas separadas.
Cáfilas de macacoas em alegres macacadas.
Um abutre vestuto de luto num arbusto.
Necrófitos neófitos de dura cornadura
branca, preta ou encarnadiça.
Leopoldos népias.
Leocárdos, Leonardos, Leonéis
nem mudos nem peludos nem barrigudos.
Juba de leão, também não. Jaguar com pelo, nem vê-lo.
Matilhas de Boers.
Zebras brancas com riscas pretas e pretas com riscas brancas
em alegre confraternização com impalos e bois cavalos.
Crocodilo, nem no Nilo. Hiena nem em Viena.
2 Antílopes de marcas esquisitas, nenhumas chitas.
Um simpático casal de Nyalas com riscas e pintas.
meia dúzia de Búfalos e 1 esquilo de meio quilo.
Outros que não me recordo.
Volto, um dia, se o destino deixar.

jcd, Out 2000

  Afinal...

O Mainardi era aquele sujeito que estava no outro dia no Manhattan Connection, no lugar do Jabor. Por muito mau que o Mainardi seja, se está no lugar de Jabor o programa só pode ter melhorado.

Curiosamente, desde que reprogramei os canais do cabo e mandei o GNT lá para os trinta e tal, nunca mais vi o MC. Normalmente o meu zapping só vai até ao 20.

terça-feira, fevereiro 03, 2004

  Do Contra

Parece-me que é já a segunda ou terceira vez que jmf, do Terras do Nunca fala mal de um tal Diogo Mainardi, que desconheço em absoluto. Também encontrei uns artigos no Indymedia a insultar o homem. Fiquei curioso. Nada como uns bons cartões de visita para me abrirem o apetite.

Também espero ver em breve o último filme de Alejandro González Iñárritu, 21 Gramas. Não estava na minha lista de prioridades, mas depois de ler a crítica de Luís Miguel Oliveira a desancar no filme, a expectativa é alta. Deve se do melhor que se pode ver nas nossas salas.

  Solidariedade Pública, Custos Privados

A Ryanair é uma das companhias de aviação que pratica as tarifas mais baixas do mercado. Nos aviões desta empresa é possível viajar de Bruxelas para Barcelona por 30 euros, de Frankfurt para Londres por 16 euros, ou de Dublin para Londres por 8 euros. Em alguns casos, é possível aproveitar os lugares vagos em aviões por preços que chegam a ser de apenas... 1 libra!

Como é que a Ryanair consegue praticar tais preços?

Evidentemente, poupando nos custos. Na Ryanair, não há ‘lounge rooms’, bebidas grátis, serviços de refeições, jornais ou cinema a bordo nem brinquedos para as crianças. A tripulação é a mínima obrigatória. E, mais importante ainda, a Ryanair, geralmente, evita os principais aeroportos. Em Londres, usa Luton ou Stansted, em Barcelona usa o aeroporto de Girona e em Paris aterra em Beauvais. Estes aeroportos pequenos e regionais cobram muito menos pelos serviços de terra e pelo parqueamento dos aviões.

Esta foi semana foi negra para a Ryanair.

Em 2002, um passageiro que sofria de artrite e paralisia cerebral, Mr. Ross, comprou um bilhete num voo de baixo custo a partir do aeroporto de Stansted em Londres. O passageiro pediu uma cadeira de rodas e a Ryanair, alugou-a à empresa responsável pelo handling, facturando ao passageiro o preço desse aluguer: 33 euros, um valor superior ao preço que Mr.Ross pagara pelo bilhete.

Mr. Ross não gostou de ter pago pela cadeira de rodas. Interpôs uma acção contra a Ryanair e ganhou. A Ryanair foi condenada a pagar uma indemnização por danos morais ao passageiro e prepara-se agora para sofrer uma acção conjunta movida por algumas dezenas de passageiros deficientes.

Um juiz decretou que a empresa é obrigada a fornecer gratuitamente cadeiras de rodas a todos os passageiros que o solicitarem, independentemente do custo do bilhete. Nesta decisão do juiz reside uma enorme confusão entre responsabilidade, caridade, solidariedade e liberdade. A Ryanair foi obrigada por um juiz a praticar a solidariedade social, a seu custo ou neste caso dos outros passageiros: por causa desta decisão, a Ryanair aumentou ontem os preços de todos os bilhetes em 50 cêntimos.

Uma excelente ideia: podemos organizar uma agência de viagens para desabilitados usando a Ryanair como meio de transporte. Um juiz já ordenou que a empresa é obrigada a suportar os custos acrescidos do transporte de deficientes. E imagine-se que amanhã aparece no aeroporto um doente acamado, ou como li num blog (infelizmente não sei qual foi), um “boy in the bubble”. A decisão do juiz só pode ser a mesma: a Ryanair é obrigada a suportar o custo acrescido do transporte de cidadãos com necessidades especiais, uma vez que não pode haver descriminação, ao abrigo da Disability Discrimination Act. Significa isto que, o estado impõe leis socialmente justas, mas deixa o custo da sua aplicação para entidades privadas.

Repare-se que não é o estado que suporta o custo associado a um direito que impõe: é a empresa que o Sr.Ross escolheu. Ou dizendo de outra maneira, a infelicidade do Sr. Ross concede-lhe o direito de se apropriar de bens de uma entidade privada, suportado pela força da lei.

Acima disto, a Comissão Europeia quer obrigar a Ryanair a devolver milhões de euros que recebeu de aeroportos com quem estabeleceu acordos privados. O aeroporto de Charleroi pagou à Ryanair para que esta usasse as suas instalações por 15 anos, vencendo a concorrência de outros aeroportos da região de Bruxelas que também pretendiam a Ryanair. Como compensação, a empresa que explora Charleroi recebe as taxas correspondentes a uns milhões de passageiros que ao longo do período do contrato utilizaram esta transportadora e o prémio pago permite à Ryanair praticar preços mais baixos e suportar os custos acresidos de operar num grande aeroporto.

Este acordo só pode beneficiar os consumidores de viagens aéreas. A Comissão Europeia acha que não. E acha que não porque o aeroporto de Charleroi é detido por uma empresa pública e por esse motivo, o prémio pago à Ryanair é equivalente a ajudas do estado a empresas de transporte aéreo. Agora quer desfazer o acordo, obrigando a empresa a devolver o que recebeu legitimamente.

Meu Deus... E não se pode privatizá-las, de uma vez por todas?

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

  Águas Livres


Uma fotografia com 20 anos. Aqueduto das Águas Livres, Lisboa, 1984.

  Ena pá, o que para aí vai!

Chega um homem descansadinho ao blogue e descobre que a guerra civil de Alvalade se prolongou pelo sistema de comentários e por outros blogues de significativa qualidade.

Quem conhece este blogue, sabe que por aqui jamais se discutiram penalties, foras de jogo, cartões vermelhos, azuis, amarelos ou coisas afins. E vai continuar assim. O que escrevi no post anterior foi apenas uma opinião que julguei inconsequente sobre o que vi no estádio e sobre o que vi, li e ouvi após o jogo: acho que o Sporting foi a melhor equipa em campo, como em outros jogos o Porto foi melhor que o Sporting (e tem sido consistentemente melhor desde o início da época passada).

E de todas as declarações lamentáveis feitas no fim do jogo (onde evidentemente se incluem as do administrador da SAD do meu clube), as de Mourinho foram as piores. E não sou só eu que acho o mesmo. Praticamente todos os meus amigos de vários clubes partilham desta minha opinião, todos os jornais que li e todas as opiniões públicas que ouvi com excepção de algumas que vieram do Porto.

E também acho que todos os meus amigos portistas têm o direito de protestarem acerca da minha opinião e emitir pareceres contrários. E até podem ter razão. As maiorias nem sempre estão do lado certo. Façam o favor de discordar. Este blogue, além de sportinguista é liberal.

Mais uma vez aprendo que é mais aceitável o insulto a um ministro do que uma crítica a um membro do clã do futebol.

Recordo aqui um dos primeiros posts desde blogue, publicado nos longínquos tempos das eras de Maio de 2003:

"...Prometi a mim mesmo tentar evitar escrever sobre futebol porque corro três grandes riscos quando o Sporting vem à baila:

1. Posso parecer ter um grau de parcialidade tão elevado como a Leonor Pinhão, quando metade já era grave.
2. Posso perder toda a lucidez que me resta, como Miguel Sousa Tavares.
3. Posso perder a compostura como o irmão da ministra.

É que nisto da bola, sou tão imparcial como o PS: um penalty não assinalado contra o Sporting são coisas do jogo; um penalty não assinalado a favor do Sporting é uma conspiração.

Mais vale ficar caladinho..."


Ora aí está. Então o que é que acharam da entrevista do futuro líder do PS?

domingo, fevereiro 01, 2004

  Surpresas...

Ontem fui com os meus filhos e com um amigo a Alvalade. Fomos no metropolitano, sem apertos nem confusões, entramos no estádio sem quaisquer dificuldades e vimos o jogo pacificamente, entre gente maioritariamente civilizada. Um ou outro adepto mais fanático e com linguagem menos própria, servem apenas para provocar sorrisos e para mostrar aos meus filhos exemplos vivos do que vão ser os meninos que têm a mania que são melhores que os outros.

Gostei do jogo, mas não do resultado. O Sporting desta vez foi o melhor. Quando o jogo acabou, saímos facilmente do estádio e entrámos no metro sem problemas e sem confusões. Que bom seria se fosse sempre assim...

Esta manhã descobri que, afinal, houve uma guerra no estádio. Declarações de dirigentes inadequadas, muita falta de fair-play, o disparate nas capas dos jornais. Mas o pior é mesmo Mourinho. Traições, roubos, camisolas rasgadas, agarrem-me senão vou-me embora. Enfim. Nem se trata de mau perder, o jogo terminou empatado. É apenas uma total e arrogante incapacidade de reconhecer o mérito do adversário.

Mourinho até pode ser um excelente treinador, mas tem mau carácter. Rico em técnica mas pobre de espírito.

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