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segunda-feira, maio 31, 2004

  Coisas Ouvidas de uma Campanha Sussurrada às Escondidas

O PPM quer fazer de Cabinda um novo Timor. Sugere que vamos todos para a rua lutar pela independência do território. Acho bem, mas parece-me que ainda falta um qualquer Xanana cabindense que motive o pessoal. Ou então um bispo tipo D.Ximenes Belo. E também falta saber quem é que estará disposto a ir para lá com as espingardas, que estas coisas não se conseguem só com boas vontades. Vão ser necessárias muitas manifestações ali para os lados da Avenida das Forças Armadas. O PPM também quer acabar com os paraísos fiscais. Nunca percebi porque é que alguns têm esta mania de querer ditar as políticas fiscais de outros países, ao mesmo tempo que protestam contra o excesso de intervencionismo de Bruxelas nas políticas portuguesas. O PPM não falou do nosso rei nem da Letizia.

O PNR fez uma arenga contra os espanhóis que nos compram as empresas e pescam o nosso peixe. Uma proposta interessante: querem o fim da PAC. A maior parte do tempo de antena é preenchido na luta contra o lodaçal da imigração. O PNR explica que tudo isto se insere na luta contra a globalização imperialista. Tive que esperar até ao fim do tempo de antena para identificar o partido anti-globalizador. Por minutos convenci-me que era o Bloco de Esquerda que estava a pedir o meu voto.

Continuando no Bloco, gente fina é outra coisa. O Bloco tem sempre direito a tempo de antena nos noticiários. Ouvi um BE surpreendido. "Como é que um país com tanta água como Portugal depende em muitos por cento de energia importada?" Pergunta curiosa. Não esperava nada ver quem sempre se manifesta contra a construção de qualquer barragem, chorar porque nos faltam 20 ou 30... Numa coisa o Bloco é muito coerente: são sempre incoerentes.

O Movimento pelo Doente diz que já somos 62%. De doentes. Tantos? Já ganharam! Querem a livre escolha do médico e do hospital pelo doente. Ora aí está uma proposta com que concordo integralmente. E já agora, também quero a livre escolha das escolas pelos pais e/ou alunos. Está na altura de fazer um ME. Movimento pelo Estudante. Ou então uma coligação. MD/ME. Fixe. É pena os putos não votarem.

Outro pequeno partido, a CDU, trouxe uma actriz ao microfone. Uma tendência que vem crescendo nos últimos anos. São já vários os partidos que, para aumentar a "audiência" dos seus tempos de antena, recorrem a artistas e outras figuras públicas. Desta vez a CDU escolheu uma actriz de revista chamada Odete Santos.

  12 de Junho, Dia da Liberdade?

No Reino Unido o estado consome aproximadamente 41% da riqueza criada na sociedade. Um cidadão britânico no escalão médio dos impostos trabalha 41% do tempo para pagar o custo do estado. De 1 de Janeiro de 2004 até 30 de Maio de 2004, consumiu-se 41% do calendário. O Adam Smith Institute comemora este dia e chama-lhe Tax Freedom Day.





E em Portugal? Contas por alto, começamos a trabalhar para nós lá para o dia 12 de Junho, à hora do Portugal-Grécia. Agora só se pede à selecção que não nos estrague o dia e contribua para as celebrações de mais este Dia da Liberdade.

domingo, maio 30, 2004

  Já li. Gostei muito.

Ontem passei pela Feira do Livro de Lisboa quando Pedro Mexia apresentava oficialmente o seu "Fora do Mundo - Textos da Blogosfera". Tive oportunidade de rever alguns blógueres já conhecidos de anteriores festas e cumprimentar alguns novos. Foi também a primeira vez que no dia do lançamento de um livro cumprimentei o autor com a frase: "Já li. Gostei muito."

  Santa Luzia


Redes, Santa Luzia, Tavira

  Paulo Portas e o Pai do Déficite

Causou-me algum incómodo ouvir as palavras de Paulo Portas num qualquer comício realizado ontem à noite. O tema da arenga de Portas foi justamente o pai do déficite e esse foi o tema da última posta neste blogue. Como não gosto de ser associado a um populista estatista com poucos escrúpulos, aqui fica uma anterior posta do jaquinzinhos em que se explicava porque é que Sousa Franco é o papá deste monstrinho que ainda hoje (e por muitos anos) todos pagamos.

Publicado em 23/Jan/2004, post 'Irreflexões'.

"Os governos PS foram irresponsáveis logo com Sousa Franco. A despesa pública corrente cresceu sempre perto dos 2 dígitos. A 'sorte' de Sousa Franco, foi ter estado no governo na altura em que as vacas estavam gordinhas, o que lhe permite pegar hoje no megafone para publicitar o seu sucesso. Pina Moura já apanhou o início da dieta das ruminantes. Durante o período de Sousa Franco exigia-se um superavit nas contas públicas, quer via redução da despesa (ou crescimento abaixo do crescimento do PIB) ou, alternativamente através de aumento de impostos. Tendo em conta o horror à impopularidade que sempre fez o PS governar em função das sondagens, geriram Portugal numa permanente fuga para a frente. Já não tinham o escudo para desvalorizar... Felizmente, diga-se. Imagino o forrobodó que não teria sido o guterrismo com a moeda à solta..."

Sousa Franco não é o pai do déficite por estar na agenda de Paulo Portas. É o pai do monstrinho por mérito próprio: foi ele que engravidou a despesa pública.

sábado, maio 29, 2004

  Pai Desnaturado

Recebi este e-mail que me deixou muito abalado. Não há nada que custe mais a um pai do que ver uma criança abandonada pelo progenitor. Aqui fica este triste testemunho de um filho renegado por um pai sem vergonha, e que apesar de tudo, o perdoa:

Caros amigos:

Por favor ajudem-me. Estou absolutamente destroçado. O meu pai renegou-me. O meu querido pai que me fez crescer, que me alimentou e que me ensinou a ser grande e guloso, agora diz que não me quer. Diz que sou filho de outro. Não há nada mais triste para um filho do que não sentir o amor do seu pai. Eu amo-o. O meu pai, quando eu era pequeno e bonito, nunca me negou nada. Nunca me disse que não a nenhum dos meus desejos. Eu era comilão e ele sempre me deu tudo. Deu-me todas as goluseimas, deixou-me engordar, deixava-me alambazar com grandes pratadas e tinha sempre mais uma sobremesa à disposição. Dizia-me que não me faria mal. E eu acreditei nele e habituei-me a emborcar tudo e a comer sempre tudo sem nunca conseguir parar. Cresci e fiz-me um monstruoso e feio e por isso ele agora diz que não gosta de mim. Acha-me horrível (e eu sou...).

O meu pai não me ama. Por favor ajudem-me. Façam ver ao meu pai que eu o amo e perdoo-lhe. Amo-o muito. Ele fez-me e eu quero que ele volte para mim. Ninguém como ele satisfaz os meus caprichos, me alimenta e me dá amor. Por favor, devolvam-me o meu pai.

Déficite Luciano de Sousa Franco.


Pungente. Lamentável. Triste. O pai do Déficite que renega o filho. Assim não, Sr. Pai Desnaturado!

  Ooops! Gaffe...

E não é que apesar de tantos agradecimentos... esqueci-me dos não bloguéres? Shame on me! Então aqui ficam beijos e abraços (distribuídos de acordo com as normas em vigor neste blogue) para a Isabel Coutinho, Américo, Rafael, JACL, Rui Carmo, Zé Fontinha, Peixe Grosso, Daniel Rodrigues, Kafka, José Santos, Alf, Palheirão, JR Ewing, AM, Gato Preto, Kafka, Rui A., AP, P.Cansado e também para todos os que me visitam e para todo o mundo em particular e para os portugueses em geral.

sexta-feira, maio 28, 2004

  Obrigado

A todos os que parabenizaram ou citaram o primeiro aniversário deste blogue.

Ao meu conterrâneo laranjo-vermelho que não se aguenta nas canetas; Aos Blasfemos, que lutam permanentemente contra o estado geral da bovinidade, e apesar de anti-mouros nunca atentaram contra a vida deste sulista. Ao bloguista mais eclético da luso-blogosfera. Ao candidato ao parlamento europeu apreciador das coisas boas da vida. Ao voyeur que nos espreita das terras de Lorosae. Ao melhor fotógrafo de Beja e arrebaldes e que costuma parar pela Praça da República. Ao Sócio Gerente que sabe que os factos e a verdade são dois conceitos anti-revolucionários. Ao forense que luta contra o déficite de alma. Ao militante dedicado do partido da rosa, que não só tuge como muge. Ao que ao atingir a maioridade, busca a sapiência e batalha pela verdade. À Ana, minha quase vizinha, que nos conta a vida dos seus dias a partir da linha. Ao canhoto do Cruzes, de quem espero uma certa resposta duas vezes prometida... zzzz zzzzz zzzz. Estou a esperar sentado. Ao leão, lagarto e galinácio dos 12 costados. Ao atento observador do mundo que nos rodeia. Ao que atentam contra a linha dos que tentam manter a elegância, sugerindo-lhes deliciosos doces da avozinha. Ao bloguer voluntariamente mais faccioso da luso-blogosfera. Ao que sempre se surpreende com as surpresas da lusolândia, Ai, Jasus! Ao McGuffin que nunca para de nadar contra a corrente. À única Bomba que nunca provoca danos colaterais. Ao sempre presente Intermitente. Aos bloguistas que sopram forte de norte e por vezes arrefecem as águas algarvias. Ao matemático anti-liberal elitista melómano e plural. Ao homem das grandes fotos e dos pin-holes desfocados e que um dia ainda vai encontrar um disco velhinho que eu não tenha; Ao especialista em generalidades que nos abrasa em fogos intensos. Ao líder do lóbi dos arquitectos da luso-blogosfera. Ao Luciano, o mais comprometido espectador do nosso mundo. Ao popular-elitista imperial do quinto. Ao grande defensor da mais nobre causa. Ao desalinhado, desconforme, herético, heterodoxo e homofóbico, o grande impertinente. Ao sempre em desacordo habitante das terras do nunca. Aos sempre razoáveis da razão das coisas. Ao portista sulista que bloga entre a barreta e o levante. Aos mais ilustres vilacondenses da blogoesfera. Ao sempre credível desacreditado. Ao antropólogo pós-moderno de devoção mourista. Ao Gato Gaspar que mia e arranha a partir de uma toca algarvia. Ao Rui que nos toca adufe com intervalos de confiança alargados; Ao algarvio generalista da ilha da Culatra. Ao principal Partizam que nos mostra a guerra na blogosfera. À Ana das crónicas ao pequeno almoço. Aos sempre úteis desblogueadores, sem certezas absolutas mas com opiniões formadas. Ao líder da Passarada que procurava a Origem do Amor. Ao bloguer do blog de expressão portuense, benfiquista, monárquica, católica e politicamente indeterminada. Ao Nuno, o homem que não se cala. Aos "quizers" da Brigada que lutam contra a roupa do crocodilo. Ao horrendo Monstro Adamastor cheio de substrato. Ao blog que apenas quer ser Pecola. Ao Irreflectido lutador da causa socialista; Ao açoriano que apenas quer sol na eira, mesmo que não chova no nabal. Ao algarvio das terras do sol. E ao intimista que de tudo nos fala de tudo com frontalidade. A todos, muito obrigado.

E que me perdoem aqueles que ficaram esquecidos, por culpa minha ou por culpa do espião dos links.

quinta-feira, maio 27, 2004

  Luz Indirecta


Abril de 2004

  Mau Marketing

Acabo de ver um novo cartaz de propaganda eleitoral que nos mostra 4 sorridentes candidatos socialistas ao salário de euro-parlamentar. Elisa Ferreira, Sousa Franco, Ana Gomes e António Costa mostram-se aos potenciais eleitores, em nome da lista do PS.

Mau marketing. Não compreendo estes publicitários. Bastaria uma ligeira alteração posicional destes 4 candidatos e o cartaz ganharia imediatamente uma nova dimensão e superior eficácia.

Apenas seria necessário esconder Sousa Franco atrás de Elisa Ferreira e Ana Gomes atrás de António Costa. Mas será que ninguém no staff do PS se lembrou de uma alteração tão óbvia?

  Alguns Comentários sobre o Mónaco-Porto que julgo serem particularmente interessantes.

"Druyna AS Monaco przegraya w finale pijkarskiej Ligi Mistrzów z FC Porto 0:3. Porayka francuskiego zespoju to bardzo zja wiadomoyj dla mistrza Polski u Wisly Kraków. W przyszjorocznej edycji Ligi Mistrzów AS Monaco rozpocznie rywalizacjp od III fazy kwalifikacji, w której bydzie rozstawione najprawdopodobniej kosztem podopiecznych Henryka Kasperczaka."

Talvez tenha razão. Não vejo qualquer motivo para discordar.

"Vo finále futbalovej Ligy majstrov 2003/2004 zvíjazilo portugalské FC Porto v gelsenkirchenskej AufSchalke Arene nad AS Monaco 3:0 a druhý raz v histórii získalo najcennejyiu európsku klubovú trofej (predtým v roku 1987). Mujstvo trénera Jose Mourinha natiahlo ynúru bez prehry v LM na jedenásm zápasov, naposledy prehralo 1. októbra 2003 doma s Realom Madrid (1:3). FC Porto sa do histórie zapísalo aj ako druhý klub po FC Liverpool, ktorý vyhral Pohár UEFA a následne Ligu majstrov (EPM) v dvoch po sebe nasledujúcich sezónach."

Ah ah ah! Estes eslovacos são uns pândegos!

Laget fra fyrstedømmet kom best i gang og fikk en stor sjanse allerede etter tre minutter. Vitor Baia spilte en stor kamp for Porto og reddet laget fra et tidlig baklengsmål. De første 25 minuttene av andre omgang var preget av et Porto-lag som forsøkte å ri på ledelsen. Monaco hadde ballen, men klarte aldri å produsere noen ordentlige sjanser. I stedet var det Porto og Deco som kontret inn en dobling av ledelsen. Kampen var da i realiteten avgjort og Monaco så ut til å ha gitt opp. Fire minutter senere satte innbytter Alenichev spikeren i kisten med 3-0. Hassan El Fakiri ble sittende på benken hele kampen.

Excelente Análise! Certas coisas são tão óbvias e passam-nos completamente ao lado!

  O Campeão

Nos últimos tempos, sempre que algum jornalista perguntava a Mourinho qual iria ser o seu futuro, este respondia: 'I shall see...'. Agora compreendi que o que Mourinho sempre respondia era um suspirado: "Ai... Chelsea!".

E, não sei porque tenho esta sensação que a milionária ida de Mourinho para o Chelsea vai ser menos milionária em, pelo menos, 100.000 contos...

quarta-feira, maio 26, 2004

  Sporting Melhor da Europa!

Aí está! Ganhámos! Somos os maiores!

O Porto ganhou ao Mónaco. Grande Porto, o melhor de todos os clubes da Liga dos Campeões. O Benfica ganhou ao Porto na final da Taça. Logo o Benfica é melhor que o Porto. O Benfica ganhou 1-0 em Alvalade, mas o Sporting ganhou 3-1 na Luz. Logo o Sporting é melhor que o Benfica. Logo... O Sporting é o melhor da Europa!!!

Spoooorting! Spoooorting!

O Vitória de Setúbal não conta. O Gençlerbirligy não valeu. Não existe nenhum clube chamado Rio Ave.

terça-feira, maio 25, 2004

  Mais alguns pseudo-depoimentos nas magníficas celebrações do primeiro aniversário deste vosso blogue.

Paulo Pedroso: "Jaquinzinhos? Como compreendem, não me devo pronunciar sobre estas coisas..."

Fernando Rosas: "Não sei nada sobre esse Jaquinzinhos, mas posso falar uma horita sobre ele, afinal, também não sei nada de economia e farto-me de ser convidado para botar discurso nas televisões..."

Valentim Loureiro: "Jaquinzinhos? Mas afinal, quantos são?"

Nuno Cardoso: "A culpa é do Rui Rio."

José Maria Aznar: "Hombre, coño, te digo, ese jakin es de ETA, no tiene nadie con al-qaeda..."

Professor Boaventura: "O jaquinzinhos é um representante da direita neo-liberal. Nas palavras de Joyce, é a busca de uma realidade auto-construtiva que impele a abundância da narrativa paradigmática que foge ao consenso da consciência evolutiva da esquerda pós-moderna. O conceito predominante cinge-se no âmago da cultura post-capitalista, cujo tema é sistematicamente interpolado no absurdo provindo das tentativas de apropriação dos papeis do bloguista pró capitalismo selvagem. Podemos dizer que Derrida já estimava a contextualização de uma neocultura modernista que desconstrói o paradoxo da cultura inovativa. Com bastante e evidente sentido das proporções, Pickett sugeriu que deve haver uma escolha entre a teoria patriarcal neodialética e o nacionalismo subdialético. É o uso arcaico da percepção de classe que demove o neo-conceito de teoria de classe, na utilização paradoxal da linguagem. Claro e evidente. Leio sempre."

Luís Filipe Vieira: "O jaquinzinhos faz um ano? Ã? Mentira! Já leio o jaquinzinhos, ã, desde Janeiro de 2003, pelo menos! Quem disse que não o podia ter lido, ã, antes de Maio? Nem pensem que me levam a taça! Invado o google, ã, e o blogger, ã, e escaqueiro tudo! Atrevam-se, meto logo uma cunha, ã, num amigo leal e está tudo resolvido."

Lili Caneças: "Não, não o conheço, mas queria dar-lhe os parabéns, sou amiguérrima do dono do restaurante onde ele jantou uma vez, e como ele faz um ano, queria dar-lhe os parabéns, acho que merece, até porque uma vez vi um carro que me pareceu ser o dele, por isso quero cumprimentá-lo, giríssimo, tenho um amigo que já leu uma vez o jaquinzinhos e a-do-rou!!!"

  Obrigado!

A todos os que desejaram um bom aniversário a este blogue. Assim que o Technorati estiver a funcionar, agradeço a todos individualmente.


Sierra Nevada, Abril de 2004

  Um Ano de Jaquinzinhos

Para celebrar o primeiro aniversário do jaquinzinhos, o autor deste blogue contratou um repórter e pediu-lhe para obter comentários de diversas personalidades. Apesar da difícil missão, o repórter parece ter sido bem sucedido. Enviou-me todos os depoimentos que se seguem. Espero que os depoimentos não tenham sido inventados.

Carvalho da Silva: "Vamos prosseguir as formas de luta e se o blogue continuar a ofender os sindicatos, faremos uma manifestação completamente pacífica em que vamos cortar todos os acessos ao Estádio do Dragão no dia do jogo inaugural do Euro 2004. E se surgirem problemas, a culpa só pode ser assacada ao governo, se não encerrar o blogue até lá."

George Bush: "Jakim? Is he an arab? We'll hunt him down!"

Francisco Louçã: "O que esse autor do tal blogue, o jaquinzinhos, o que ele tem que explicar é as suas fortíssimas ligações ao grupo Carlyle! O que ele tem de explicar é porque é que publica fotografias feitas com rolos da KODAK, quando todos sabemos que o genro de um director da Kodak é filho do primo da cunhada do contabilista do grupo Carlyle! O que ele tem que explicar é porque é que usa um monitor da LG, exactamente do mesmo modelo do utilizado pelo tratador do caniche da Madame Rumsfeld! Estas promiscuidades são uma vergonha e o senhor primeiro-ministro tem que ir à Assembleia explicar tudo!"

Ferro Rodrigues: "Eu é que sou o líder da oposição. Sobre o jaquinzinhos, seria bom que ele se explicasse; as acusações de Louçã parecem-me sólidas e muito bem fundamentadas. E se são verdade, espera-se uma atitude rápida do governo."

António José Seguro: "Olhem bem para este gráfico. À esquerda está o preço da gasolina antes do jaquinzinhos começar. À direita está o mesmo preço um ano depois da entrada em cena do jaquinzinhos. A relação é óbvia!"

João de Deus Pinheiro: "O Jaquinzinhos? Não sei quem é. Joga bem? Qual é o handicap? Costuma jogar na Beloura?"

Sousa Franco: "Confesso. O pai do déficite sou eu. A mãe é que não sei bem quem é. Sabem, na altura eu estava carregadinho de hormonas e era um ver se te avias. Era o que me aparecia pela frente, eu f..., desculpem, eu lixei todas. Foi a Estabilidade Orçamental, foram as Contas Públicas, foi a Despesa Corrente... Qualquer uma delas pode ser a mãe..."

Ana Gomes: "O jaquinzinhos? A culpa é das políticas imperialistas e ditatoriais desses incompetentes fascistas Bush e Blair e os seus lacaios Barroso e Chalabi!"

Scolari: "Pode ser ou pode não ser! Não fala mais nisso, eu convoco se quiser! Eu é que sou o presidente da selecção! Nem Vitor Baia nem o Jaquinzinhos!"

Durão Barroso: "Como já várias vezes afirmei, ainda não é tempo de falarmos de presidenciais."

Lula da Silva: "Jaquinzinhos? Não sei não, cara... De Portugal gosto muito de Bairrada e de Dão."

António Guterres: (o repórter encontrou o ex-primeiro no Pantanal. Tentou apanhá-lo, mas a velocidade com que ele fugia impediu a obtenção do depoimento).

Esperam-se ainda outros depoimentos, ao longo do dia.

segunda-feira, maio 24, 2004

  Brincadeira de Carnaval

Tarde no carro com rádio como companhia. Às 3 oiço um ministro afirmar que considera a hipótese de substituir os grevistas do SEF por agentes da Brigada Fiscal da GNR, durante o Euro. Às 4, o teaser do noticiário é claro: "O SEF considera a utilização de GNRs nas fronteiras uma brincadeira de Carnaval".

Grande bronca! Já nem o SEF respeita o ministro, pensei. Começa o noticiário e repete-se a frase do teaser: O SEF não concorda com a substituição dos inspectores grevistas durante o euro. Fico à espera de ouvir falar o responsável do SEF. Sai-me um sindicalista que quer empandeirar as fronteiras durante o Euro 2004. Para os jornalistas da Antena 1, o sindicato confunde-se com a instituição.

A jornalista vai entrevistando "o SEF", fazendo-lhe as perguntas que dão jeito para quem já tem as respostas preparadas. A segurança do país está em risco? Está e a culpa é do governo que não cede às reinvidicações. Um agente da GNR tem formação para fazer o trabalho de um inspector do SEF? O sindicalista responde: "Se eu estiver doente, não quero ser intervencionado por um alfaiate ou por um sapateiro".

Eu também não. Mas se o meu médico estiver em greve, prefiro escolher outro médico a morrer à porta do consultório. O que este sindicalista quer não é só 'fechar', mas também impedir que o 'serviço' seja prestado a quem dele necessita. Uma mesquinhez.

E por isso, espero bem que todos os grevistas como estes, que usam o direto à greve como instrumento de chantagem atirado contra terceiros, sejam substituídos. Não consigo ver qualquer sentido de justiça em fazer com que cidadãos ou turistas paguem por desavenças laborais que em nada lhes dizem respeito.

O estado deve-lhes dinheiro? Vão para tribunal. Acham que são mal pagos? Mudem de emprego. Enquanto aquele senhor sindicalista pensar que resolve os seus eventuais problemas lixando a vida a terceiros, não passa de um pequeno chantagista. E num caso como este, se o ministro ceder ao chantagista só demonstra fraqueza. Venha a GNR que eu aplaudo.

Nota: Um jornalista do Público também confunde o SEF com um sindicato:"O SEF classifica a possibilidade como descabida, mas adianta que ainda pode cancelar a greve."

  O Menino Encantou

Arte. De outro ângulo.
Mais uma. Ei-la aqui outra vez.

  Doug Pappas (via Samizdata)

Doug Pappas, economista e crítico de baseball, de 43 anos, anunciou no seu blogue que iria passar uns dias de férias. No último dia dessas férias, no Texas, faleceu vítima de um ataque cardíaco.

A caixa de comentários do último post do seu blogue, Doug's Business of Baseball Weblog, está a transformar-se num livro de condolências. Homenagem adequada a um blogger, na hora da despedida.

  Mais Uma...


Serra Nevada - Borreguiles, Abril de 2004

domingo, maio 23, 2004

  Moore is Less



  Pequena provocação com o cotovelo dorido

Escreveu o meu conterrâneo Almariado:

"Segundo parece José Mourinho é pretendido pelo Chelsea e José António Camacho pelo Real Madrid. E Fernando Santos? Quem o quer?"

O treinador do Benfica ficou em segundo e é pretendido pelo melhor clube do mundo. O terinador do Sporting ficou em terceiro, a um ponto de distância, e ninguém o quer. É assim o mundo da bola. Todos desejam os treinadores que conseguiram milagres com equipas fraquitas e ninguém procura os que não obtém sucesso com grandes equipas...

  A Democracia Venezuelana

Parafraseando alguém, jmf, do Terras do Nunca é um pândego... Agora deu-lhe para a Venezuela. Em resposta a um navegante do Mar Salgado, explica que a Venezuela não é uma ditadura. Pois não. Há uma boa definição no ElectionWorld:

"The country is a federal presidential republic where despite democratic structures there is no fair chance for the opposition."

Mas não é por isto que escrevi este post. O que eu queria mesmo era deixar um comentário lá no Terras do Nunca, mas o blog não o permite. Um comentário que chamasse a atenção do jornalista para uma leitura deficiente de uma tal revista insuspeita.

Caro jmf. Escreveu:

"(repare naquela parágrafo onde se lê que dois terços dos venezuelanos apoiam Chávez - é verdade, aquilo baseia-se em sondagens...). Depois, se quiser, falamos..."

Sugiro-lhe a releitura, desta vez atenta, da Economist:

"Mr Chávez retains the support of at least a third of voters." Um terço e não dois terços. É que, ao contrário de jmf, quase metade dos venezualanos que votaram em Chavez já se aperceberam da desgraça que é o seu presidente. Nem Bush sofreu um desgaste assim. E Bush vai-se embora no fim do ano enquanto Chavez ainda vai estragar a Venezuela pelo menos até 2007.

Estes erros são fáceis de entender. Acontecem quando se usam as lentes mono-coloridas com que jmf gosta de olhar o mundo. E não fica muito bem a alguém que só vê o mundo numa cor acusar outros de o verem a preto e branco.

  Post à Moda de João Miranda

Michael Moron ganha Cannes. Promiscuidade entre o cinema e política?

  Azul em Festa


Serra Nevada, Abril de 2004

sábado, maio 22, 2004

  Notas Sobre a Boda

1. Vejo 2 cadeiras vazias na trigésima-quinta fila. Pronto. Aquele envelope que eu imaginei ser das Colecções Philae era um convite para mim e para a cara metade. E eu a pensar que me queriam vender um cinzeiro em 48 prestações. Amanhã telefono ao Felipe e peço-lhe desculpa pela minha ausência. A Letizia deve ter estranhado. Vou inventar uma razão qualquer, do género, vinha cá um homem arranjar o micro-ondas e não pude ir. Desculpa, Felipe.

2. Os Louçãs de Espanha têm uma nova bandeira. O movimento anti-boda.

São contra o enlace real. O lema dos rapaz@s é 'Menos Bodas Reais, Mais Gastos Sociais'. A principal celebração marcada para hoje é um piquenique à hora da boda, para provar ao mundo que não estão a ver televisão. A chuva torrencial pressupõe uma anti-boda abençoada.

3. No fim do mês passado, os anti-bodas organizaram um happening barnabiano: empestaram uma loja em Madrid com um líquido mal-cheiroso; na opinião deles, tudo aconteceu em absoluta tranquilidade:

"L@s activistas han irrumpido en la 'boutique conmemorativa' del evento, situada en la calle Mayor nº 88, y han descolgado en la puerta una pancarta con los lemas: 'El paro, la represión y la falta de vivienda sí que son reales. Menos bodas reales y más gastos sociales'. Después, han rociado el establecimiento con un líquido azul de desagradable olor y, al parecer se han tirado algunas de las fotos. No ha habido represión ni altercados de ningún tipo; los activistas han abandonado el establecimiento con absoluta tranquilidad para todo el mundo."

No próximo congresso do BE podemos fazer o mesmo. Empesta-se o congresso em absoluta tranquilidade para o mundo. Eles não se importam.

4. Ontem, um activista do movimento anti-boda que a jornalista da TSF classificava como 'movimento cívico', explicava que era um escândalo o que se gastava com a boda e afirmava querer uma república em Espanha. Ó pá, faz lá melhor essas contas. Os reis raramente se casam mais do que uma vez e as eleições são de 5 em 5 anos... Se o argumento é só o economicista, por cá mais vale tirarmos o Sampaio e meter o marido da Isabelinha num palácio qualquer. E o que acham que aconteceria se perguntássemos aos espanhóis se preferem os reis que têm, ou os Miterrands, Chiracs, Soares, Eanes e outros que tais que os seus vizinhos aturam? Não adivinham a resposta dos nustros hermanos?

  Partidos? Dasse!...

Apesar de ainda não ter visto rigorosamente nada sobre o congresso, julgo que posso descrever com grande exactidão o que por lá se passa.

O líder já falou e foi muito aplaudido e vai falar novamente e a sala vai gritar numa só voz: 'SLB! SLB!Ooops... PSD! PSD!'.

Antes e depois do líder, muitos congressistas subiram ao palanque e, em inflamados discursos, não disseram rigorosamente nada pelo que foram vibrantemente aplaudidos.

Um ou outro congressista tentaram o improviso. Os improvisos são quase sempre escritos na véspera e decorados com grande esforço. Alguns delegados leram discursos escritos pelos conjuges.

Ocasionalmente aparece um delegado que tem opinião própria, o que é uma grande imprevidência e só é desculpável se o dito delegado opinativo tiver um blogue chamado abrupto. Os outros que arriscam, tornam-se incompreendidos e a sua carreira futura nos orgãos nacionais está em causa. Os aplausos denotam menos entusiasmo.

Quase todos metem um bitaite a perorar o PS, gesto que causa uma imediata e justa aprovação da sala. Outros terão sugerido malvadezas do PP homem ou do PP organização. Todos gostam de ouvir e os sorrisos cúmplices inundam a sala. Diminui-se a força do aplauso para não incomodar o líder.

As habituais reuniões secretas conspirativas dos santanistas, desta vez não têm como objectivo encontrar os caminhos certos para o assalto ao poder. O grande desígnio que une os santanistas na conspiração é a descoberta de uma desculpa que lhes permita passar o Sábado a ver o casamento de Felipe e a Letizia.

Alguns têm azar no sorteio: botam discurso antes da hora das refeições e são ouvidos com impaciência. O aplauso é inversamente proporcional ao tempo de presença no palanque.

Não é preciso chegar a Domingo para conhecer os grandes vencedores deste congresso. A palma de ouro vai para os hotéis, restaurantes e outras micro-entidades do ramo da prestação de serviços, provavelmente sediadas nos arrebaldes de Oliveira de Azeméis.

Aí está. Objectividade jornalística é isto. E não é preciso ir lá.

sexta-feira, maio 21, 2004

  Neve Branca a Tons de Branco e Sombra


Sierra Nevada, Abril 2004

  Os Verdes Não Têm Esperança no Futuro!

Confesso que quando li este título fiquei transtornado. Depois percebi que a notícia não dizia respeito aos verdadeiros verdes, mas aos vermelhos que querem parecer verdes.

Compreendo-a. Cara Isabel Castro, que esperança se pode transmitir a um sub-agrupamento minoritário de um mini-agrupamento saudosista, cada vez mais encolhido e cujos referenciais só causaram miséria e desgraça onde encontraram espaços de aplicação prática para a sua matriz ideológica?

Para estes 'verdes' o futuro é negro.

  Peseiro

Até que faz algum sentido a vinda de Peseiro para o Sporting. Que outras alternativas de progressão de carreira estão disponíveis para alguém que passou pelo Real Madrid?

quinta-feira, maio 20, 2004

  Pub da Bola

A Nike tinha o ´Ole´. A Adidas responde com o 'Road to Lisbon'.

  Algum Erro, Edite?

Proibido mexer na embraiagem. (Excepto maquinista)
Danger! Perigo!


'Dager! Prigo!', Boane, Moçambique, 2001

  A Filha de Kerry

Está nesta foto. Aposto que a filha de Bush não lhe chega aos calcanhares. Os democratas são muito mais transparentes que os conservadores.

  Mourinho Peseiro

A Marca escreve que José Peseiro e Carlos Queirós rumam ao meu Sporting. Peseiro seria o treinador de campo e Queirós o relações públicas Valdano Bettencourt director. Até nem está mal visto. O Sporting e o Real Madrid, este ano, foram clubes gémeos: não ganharam nada e acabam o campeonato em terceiro. Em troca, podemos oferecer Fernando Santos para o Real Madrid B. E eles podiam emprestar-nos o Figo.

Mas podemos entender esta possível transação de outro modo. Reconheça-se que há algum 'wishful thinking' na contratação de um treinador português que já tenha sido treinador adjunto de um grande de Espanha...

  100.000

O sitemeter marca noventa e nove mil novecentos e qualquer coisa. Tudo indica que este blogue vai ultrapassar as 100.000 visitas. Coisa gira.

Vou sentir preguiça no corpo
e numa esteira de vime
beber uma água de coco

É bom
Passar um dia as 100.000 visitas

  Olivenç(z)a

Celebram-se hoje 203 anos sobre a mudança do (ç) para (z). 2 séculos bastaram para tornar Olivença na mais bonita das antigas povoações dos castelos de fronteira. O património histórico Oliventino, principalmente o castelo estão impecavelmente preservados e aproveitados.

Compare-se Olivença com a vizinha sempre-lusa Juromenha. Rimos ou choramos?

  'El Guterrismo'

No Público: Défice público espanhol será o dobro do previsto em 2004

"O novo governo socialista espanhol tem defendido a necessidade de manter o equilíbrio orçamental, mas ao ritmo do ciclo económico."

Guterres já tem seguidores do lado de lá da fronteira. Quantos anos serão necessários para Zapatero fugir do 'El Pantano'...?

quarta-feira, maio 19, 2004

  20 anos

Parece ter sido tirada no Outono, mas na caixinha dos slides escrevi Maio/1984. Nessa altura usava uma Olympus OM-2, comprada em Ceuta. Em Portugal as máquinas fotográficas eram consideradas 'produtos de luxo' e levavam com uma sobretaxa de 30%. As fotografias que estão antes e depois, muito estragadas, sugerem que estes correios ficam lá para os lados do Luso.


'O Cavaleiro da Malaposta', Maio de 1984.

  Uma História Sobre Águas

Já lá vai uma década. Uma reunião num micro-município do norte. Em cima da mesa estava a assessoria/consultoria na organização do processo de privatização da distribuição de águas no município.

"Não temos o dinheiro que precisamos para os investimentos e por isso vamos privatizar." - explica-nos o presidente.

A dimensão do município sugeria-nos algumas dificuldades e questionámos o autarca sobre a situação corrente. Esclareceu-nos.

"- Bem... a água é o maior consumidor de recursos do município. Facturamos 1.500 contos por mês e manter o sistema custa-nos 5.000 contos. E é necessário investir 200.000 contos nos próximos 2 anos, só para renovar as infra-estruturas e cumprir com as obrigações da UE..."

"Têm um prejuízo de 3500 contos por mês? Então, qual é a política de preços do município?" - perguntamos.

O presidente esclareceu-nos - "Esse é o maior problema. Temos os preços mais baixos da região, mas não posso aumentar. A oposição andou a dizer que quero aumentar a água e eu já desmenti..."

"- Sr. Presidente... se não multiplicar o preço da água por 4... nem sequer consegue equilibrar as contas... como quer libertar fundos para investir?" - perguntámos, certamente com expressão de absoluta surpresa...

Mais uma vez, respondeu com naturalidade: "- Eu queria que fossem os privados a aumentar, sempre podemos vir a dizer que a culpa é deles. Mas não vão poder. A oposição exige que no concurso se impeça o aumento dos preços acima da inflação..."

Resumi: "Se bem entendo, quer privatizar um prejuízo de 3.500 contos por mês e uma obrigação de investimento de 200.000 contos. E acha que vai haver alguém interessado?"

Desta vez foi ele a fazer cara de espantado: "- Vocês acham que não?"

  DizoManel

Ontem, num zapping ensonado pelos canais do cabo, deparo com o líder da Nova Democracia a botar faladura na TV. Esfreguei os olhos e tentei concentrar-me no assunto em debate, certamente algo de transcendente e verdadeiramente basilar para o futuro do país. Primeiro percebi que ele estava a protestar contra qualquer coisa. Nada de novo, o Manuel geralmente está contra. Depois percebi que o relevante assunto do discurso era a não convocatória de Vitor Baía, uma horripilante asneiro-decisão de Scolari. 30 segundos depois acabou o debate. Estava lá um senhor do PCP, que já devia ter gasto a saliva antes. Não sei que debate era, mas do bocadinho que vi, ganhou o PCP.

  Ainda a TSF, ex-TSF Rádio Notícias

No site da TSF está esta notícia: Militar Americano em Tribunal Marcial

Infelizmente, desta vez, não temos a opção de ouvir a mesma notícia conforme foi transmitida no noticiário das 7:00. A este texto, a jornalista acrescentou um ou dois parágrafos. Explicou que este soldado ia afirmar que não tinha ordens de ninguém para maltratar iraquianos porque tinha sido decidido pelas autoridades americanas deixar a culpa nos soldados e desresponsabilizar as chefias.

É a isto que se chama jornalismo objectivo...

terça-feira, maio 18, 2004

  Quem tem telhados de vidro...

Quanto tempo vão eles deixar o "Benvindo" à vista?

  A Minha Selecção

Aposto no Rui Jorge e mais 22.

Update: Acertei!!!

  Bolachas Maria, EP

Nos comentários a um post em que os Barnabés alertam o mundo para o perigo da privatização de 49% do capital das Águas de Portugal, o Manuel, do De Direita, perguntou:

"E quando privatizarem a alimentação, como vai ser?"

Miguel, da Origem do Amor, respondeu:

"... a alimentação já está privatizada ... ou acha que a Yop, as bolachas Maria, e etc pertencem ao estado?"

Caro Miguel, tenho a certeza absoluta que a alimentação em Portugal é 100% pública. Basta ler o Barnabé para perceber que se a alimentação fosse privada, morreríamos todos à fome.

segunda-feira, maio 17, 2004

  Jornalismo Independente

Facto conhecido: Gas Sarin Encontrado em Granada no Iraque.

Uma maneira aceitável de dar a notícia:
Soldados Americanos afirmam ter encontrado gas sarin em granada no Iraque.

Maneira TSF de dar a notícia:
Título: Granada de gás sarin causa dois feridos. Desenvolvimento: 9 linhas sobre a descoberta.
Segundo Título: Descoberta de gás sarin levanta dúvidas. Desenvolvimento: 13 linhas sobre as dúvidas.

Nesta segunda parte, (a relevante) dá-se voz a um especialista: o famoso Joseph Cirinsioni. Admito que a TSF se refira a Joseph Cirincione, mas a ânsia de dar a boa nova tenha sido demasiado forte para confirmar sequer o nome. É que para a TSF, qualquer um serve, desde que a mensagem seja a desejada para a causa do jornalista. O especialista que a TSF cita foi o autor de alguns famosos artigos, nomeadamente esta previsão dos finais de 2002, publicada no Le Monde: Why We Won't Go To War. Bem, para já, é o que há. Outros especialistas aparecerão e a TSF poderá enfim recorrer a nomes mais sonantes.

O que não pode ser é dar a notícia por si só. Os leitores poderiam ser levados a pensar em coisas indesejáveis...

  O Jaquinzinhos feito pelos seus leitores

Ainda vais ouvir falar de mim

Apeteceu-me "viajar" na blogosfera e vi em diversos weblogs o link "jaquinzinhos". Pensei eu, mas que raio, afinal isto é tão conhecido porquê? Descobri, agora está na moda falar, criticar e amaldiçoar quem de alguma maneira quer fazer deste país "the place to be". Ok, pode não ser bem isto, mas pelo menos, quem tenta que o nosso burgo saia do desespero em causa. Quero eu com isto dizer: mostra-te, criticas a esquerda, apoias o fascismo através de mails publicados no teu blog.

Sim, conheço o mundo da política tão bem como tu, e sei reconhecer quando há extrema direita a mover-se. Se pertencesses a alguma claque do sporting, clube do qual és confessadamente adepto, serias concerteza dos ultra 1143. Reservo-te o direito de te informares sobre tão mavioso agrupamento social.

Se és assim tão inteligente, com idéias renovadoras e eficazes, mostra-te. Mas antes, explica-me uma coisa. Em que direcção nos leva a direita? Será assim tão bom para a humanidade viver infinitamente com o estigma da estratificação social, em que os mais poderosos tentam a todo o custo escravizar e manter as pessoas na ignorância?

Já sei, é mais fácil ficar no anonimato, pelo verdadeiro confessionário que é um monitor. Tentas evangelizar por trás da malha de madeira que esconde a tua cara (malha de pixels, neste caso).

Podes muito bem dizer que eu também falo apenas por trás dessa máscara que tão bem conheces, mas uma coisa te garanto: um dia vais ouvir falar de mim.

Cumprimentos
Carlos Fontão


Saudades dos Primórdios

...
Tenho saudades do jaquinzinhos dos primeiros posts. No princípio era imaginação, criatividade, grandes posts. A entrevista com a Manuela Moura Guedes. A carta do senhor que ia para a província. As atitudes dos partidos perante a blogosfera. Os posts sobre o Forum Social. Ainda me lembro de tudo de memória. Ultimamente, isto anda igual aos outros, com mais verve, mas igual.
...

Beijinhos
Isabel B.


  Memórias futebolistas de um fim de semana Netfree

1. Grandes celebrações! Portugal ganhou o europeu? O Benfica foi campeão do mundo? Não. Foi só uma Taça de Portugal e energias libertas após 8 anos de jejum. Sei bem o que isso é. Aproveitem a festa.

2. O Benfica ganhou. Não merecia, o Porto jogou melhor. Mas ganhou. Parabéns ao Benfica. E parabéns a Camacho que mais do que ninguém merece esta vitória. Mourinho, mais do que ninguém, merece esta derrota.

3. O técnico portista continua com um lamentável mau perder. Derlei, Nuno Valente e Maniche não foram expluslos, apesar de tudo terem feito para verem o cartão vermelho. Mourinho queixou-se do árbitro...

4. Taça é no Jamor. O Jamor é taça. O Jamor é lindo, em dias de sol e cheio de público.

5. Camacho vai estar na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O Real Madrid só está a um ponto de garantir o terceiro lugar na liga espanhola. E quem sabe, Camacho vai encontrar nessa pre-eliminatória o Benfica. Piada suprema, seria encontrar também Carlos Queiroz.

  O Crítico

O blogue do Henrique fez um ano. O primeiro post do crítico, após a apresentação, foi para falar mal de Augusto M. Seabra. Escrevia então o Henrique:

A. M. Seabra é o pluri-crítico do Público que critica tudo o que se pode imaginar, desde culinária até sociologia, passando por teatro, cinema, ópera, música clássica, desde a antiga à contemporânea, o tal Augusto que gostava de ser chamado de Papa da crítica portuguesa, um homem que sabe de planos americanos e estética pós moderna, um tipo que passa por Boaventura Sousa Santos como por um donut, mas que nunca percebeu o artigo de Sokal. Seabra é o crítico do público que critica tudo o que mexe, o chefe de fila da rapaziada que alinhava a parte cultural do jornaleco que começou por ser de esquerda, mas vai mudando de director e de linha quando muda, ou se prepara para mudar, o governo...

Mais tarde o Henrique fartou-se de elogiar o pluri-crítico. É que o Henrique tem dois ódios de estimação: os pós modernos e os liberais. Mas os liberais são muito piores que os pós-modernos. Foi com o Henrique que o jaquinzinhos manteve alguns debates divertidos e foi ele o maior adjectivador do autor deste blogue. Chamou-me de tudo: neoselvagem, suburbano feroz, egoísta pequeno burguês, analfabeto, inculto, pequeno, rural, tacanho, tragicamente fechado, sem vistas, sem relatividade, odiento, rancoroso, velhaco, invejoso, desdenhando do belo, desdenhando do sábio, escarnecendo do verdadeiro erudito, porque incapaz de erudição, com mente mesquinha de escravo e mais umas dezenas de epípetos de igual calibre, que são fáceis de encontrar nos posts do último trimestre de 2003.

Um dia, o Henrique conheceu-me e deixou de me chamar nomes. E eu deixei de lhe dedicar posts.

Hoje celebra-se um ano de entrada do Critico na blogosfera, agora valorizado com a entrada de mais gente para a edição. Saudações, evidentemente liberais, ao blogue a aos seus autores. E, quem sabe, um dia ainda arranjamos motivos para umas picardias, das que valem mesmo a pena...

  Jamor


Treino, Jamor, Maio de 2001

sábado, maio 15, 2004

  Sábado

1. Vale a pena ler a crónica de Helena Matos no Público. Vale sempre a pena ler as crónicas de Helena Matos.

2. A Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) que diz que todas as famílias devem receber 120 euros/mês/filho, independentemente do seu rendimento. Champalimaud tinha 7 filhos, não era? E Belmiro, quantos tem? Na notícia, não se escreve em nenhum lado sobre quem paga os 120/euros/mês/filho. Uma ideia: podemos aumentar os impostos em 150 euros/mês/filho a cada família, e após ter descontado 30 euros/mês/filho para despesas administrativas, já haveria dinheiro para satisfazer a pretensão da APFN.

Bem, força na peça. Como pai de uma família numerosa, não devo ser contra uma organização que pretende sacar impostos a outros para me dar a mim.

sexta-feira, maio 14, 2004

  O Milagre do Rosas

Ontem, conforme esperado, Rosas participou no debate sobre o estado da nação. O pensamento económico de Rosas é mais ou menos este:

Diagnóstico: Havia um problema de sustentabilidade das finanças públicas no tempo de Guterres, um desequilíbrio nas contas do estado.
Solução Recomendada: Aumentar mais os funcionários públicos, aumentar o consumo, aumentar o investimento público.

Génio. Puro génio.

  O Abrupto Jaquinzinhos feito pelos seus leitores.

2 e-mailes recebidos sobre Champalimaud. Se os autores autorizarem, substituirei as iniciais pelos nomes.
___

"Os complexos da esquerda em relação ao capitalismo e a ignorância da dita , impedem-na de vislumbrar o positivo da obra de um homem que gerou riqueza e emprego em Moçambique, Portugal e Brasil ( 3 continentes diferentes ). Em Moçambique, anos 60, na fábrica de Cimentos da Matola, conta-me o meu pai que na altura lá trabalhava , às 7 h da manhã já C. estava na fábrica a trabalhar na linha de produção, a sujar as mãos . Em Maceira ? Leiria , os trabalhadores da fábrica de cimentos ( depois Cimpor, hoje Secil ) tinham direito a bairro social com casa individual com jardim ( um luxo mesmo nos dias de hoje) , teatro / cinema e piscina da casa de pessoal , escola primária, grupo desportivo/campo de futebol , etc?ou seja tudo aquilo que a esquerda queria implementar no PREC mas que não teve engenho nem arte!......e quanto ao Brasil , não conheço mas a trajectória não deve ter sido diferente. Para quem quiser visitar a fábrica de Maceira , a obra continua à vista.

Com os melhores cumprimentos

JB"

____


"Os piores cegos são os que não querem ver. Como é possível que alguém fale mal de um homem que criou dezenas de milhares de empregos em 3 continentes, pagando sempre ordenados acima da média e dando condições de trabalho como os camaradas nunca foram capazes de dar a ninguém e na hora de morte mostra o seu enorme atruísmo?"

HMS"

  Perguntem à Edite

Durão Barroso adiou uma visita de estado ao México para poder estar presente na final da Liga dos Campeões. Edite Estrela já terá comentado: "Durão precipitou-se. Se fosse eu, ia às duas!"

quinta-feira, maio 13, 2004

  ATENÇÃO - A NÃO PERDER!

A RTP anuncia que hoje, pelas 22:30, Fernando Rosas vai falar sobre economia no programa 'O Debate da Nação'! Já estou aos saltinhos... desde os tempos do Monty Phyton Flying Circus que a minha expectativa para um programa de humor não atingia patamares tão elevados.

E na próxima semana, será o papa a falar de sexo?

  À vossa!

Hoje celebra-se o primeiro do Quinto. Parabéns!

  Sem Resposta

Pois é. Fiquei sem respostas. Nem Barnabés, nem Blogs de Esquerda, nem Grãos-de-Areia, nem Cruzes. Continuam todos a gritar que tudo está mal, mas nunca clarificam como é que estaria bem. São anti-capitalistas mas não apresentam alternativas. Falam em liberdade mas são contra a liberdade económica. Ou então não são. Não se sabe. É segredo. Para que conste, aqui repito o post que ficou sem respostas.
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O Modelo

Rui Tavares escreve que os Barnabés já não gostam do regime cubano. Até sugere que se faça uma pesquisa no Google para demonstrar que deixaram de amar Che e Fidel. Pelo incómodo.

Ora bem. De uma vez por todas, barnabés e afins, pródigos comentadores deste blogue, bloquistas em geral, matem-me esta minha dúvida. Qual é o modelo que desejam para a nossa sociedade?

Considerando que:

1. Já não gostam do regime cubano;
2. Exceptuando o camarada Bernardino, não gostam do regime do grande irmão da Coreia do Norte;
3. Também não vão à bola com os antigos regimes do bloco soviético;
4. Já não gostam do anteriormente amado regime albanês;
5. Não gostam dos regimes comunistas africanos;
6. Detestam regimes liberais e têm ódio ao capitalismo;

Então, afinal, querem o quê? Qual é a vossa herança? O que representam? Os partidos incluídos no Bloco e o PCP continuam a defender o Manifesto Comunista, ou simpesmente, esqueceram-se de actualizar as declarações de príncipios? A aplicação prática do comunismo foi uma tragédia com milhões de vítimas. Querem fazer o mesmo outra vez? Em Portugal?

Os partidos de esquerda cada vez mais fazem lembrar as novas bandas 'rock', que quando nascem, gostam sempre de renegar as suas influências clamando pela originalidade da sua música. Querem ter um som próprio. Mas a uma banda ninguém é obrigado a comprar discos. Os partidos, pelo contrário, querem o poder para aplicar as suas teorias a todos nós, gostemos ou não.

E se, em desespero de causa, acreditarmos que o projecto político que defendem é mesmo inovador, então o que pretendem é pôr em prática uma experiência social completamente nova. Querem transformar os portugueses em cobaias. Que perigo, não é? Vamos renegar as experiências de outras nações e atirar o nosso povo para a vanguarda experimentalista? Desculpem, mas não quero arriscar. Tenho filhos.

E, se a experiência é nova, porque é que praticamente todas as vossas ideias públicas e publicadas encaixam perfeitamente nas ideias sempre propaladas pela velha esquerda e que conduziram os povos às experiências atrás numeradas de 1 a 5?

Argumentam que:

"Sem liberdade, esquece."

Afinal, são capitalistas ou são anti-capitalistas? O capitalismo não é mais do que liberdade económica. Liberdade de comprar, vender, transaccionar, emprestar, empregar ou empregar-se, contratar, investir ou poupar, importar ou exportar. Liberdade de criar, conceber, correr riscos e de reter os proveitos eventualmente gerados pelas suas apostas ou pela aplicação das suas capacidades. Vocês dizem que me dão liberdade e depois querem impedir-me de exercer a minha liberdade?

Gritam contra a globalização. Mas afinal a globalização não é simplesmente uma consequência da liberdade? Ser contra a globalização, só pode significar 'proibir' coisas. Proibir é sempre limitar liberdade. Afinal, o que é que querem proibir? Querem que a liberdade disponível para os cidadãos dos países mais ricos não esteja acessível aos povos dos países mais pobres?

O partido de Louçã, o PSR, argumenta no seu programa que "Duzentos anos depois da sua vitória, o capitalismo é ainda o principal obstáculo ao desenvolvimento humano da humanidade." Então como explicam que o único factor comum aos 50 países que lideram o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da UN seja, justamente, a economia capitalista, e no caso dos 20 primeiros, várias décadas de capitalismo? Acham que é coincidência? Será por fruto do acaso que os países que mais subiram nesta lista nas últimas duas décadas, sejam também aqueles que mais subiram no Índice de Liberdade Económica?

Confesso que nunca consegui perceber exactamente o que é que querem. E, sinceramente, acho que vocês também não sabem muito bem. Mas, vamos lá. Pode ser que agora vá ser finalmente esclarecido. Haja esperança.

jcd : 4.5.04

__________

E agora, vou até ao Algarve. (Não, não são férias, infelizmente. É trabalho).

Respostas, não espero nenhumas. Eles não sabem.

quarta-feira, maio 12, 2004

  Tavira.


Tavira, Julho de 2001


  Bernardino Jong Il

Bernardino Soares quer debater a privatização da GALP na Assembleia da República antes do vencedor do concurso público ter sido anunciado. O jovem Dino explicou que não quer ser como os comentadores dos programas desportivos que aparecem nas TVs para comentar os erros dos árbitros depois dos jogos. O jovem Dino quer influenciar a escolha do júri.

Original. Para a transparência ser total, só falta ao jovem Dino Jong Il anunciar por qual dos consórcios está a fazer lóbi.

  Dois LOLs pela manhã

1. A Anacon pertende acabar com os blogs;
2. A crónica de Fernando Rosas no meu jornal.

Update: A primeira já foi desmentida. Humor pela manhã só mesmo com o Rosas.

terça-feira, maio 11, 2004

  Eles não sabem nem sonham.

No Blog-de-Esquerda publicaram-se 2 posts seguidos, um atrás do outro, consecutivos e sem aparecer nenhum entre eles.

O primeiro é a falar mal de Champalimaud. Após um disfarçado e subliminar elogio às nacionalizações e a Vasco Gonçalves, Filipe Moura ironiza: "Haverá com certeza outros sítios e outros autores que melhor poderão falar deste português notável, que tanta riqueza criou, tantos empregos gerou e tão bem fez ao país."

O post seguinte para quem vem de cima para baixo, ou anterior para quem sobe blogue acima, é a promoção do cartaz eleitoral do Bloco de Esquerda. Um cartaz em que Miguel Portas proclama "Guerra? Só se for ao desemprego!"

Como sempre, em redor dos posts florescem os comentários. E, embora já não me surpreendam, é delicioso perceber como é que os nossos esquerdistas fazem a guerra ao desemprego: crucificando quem o cria.

Nos comentários, misturado com uma série de insultos, sobreeleva-se o conceito-mor: Champalimaud não criou emprego, Chamaplimaud apenas explorou trabalhadores. Nada de novo, o discurso da esquerda sempre pressupõe que não há outra maneira de empregar alguém sem o explorar. Todos aqueles que foram contratados pelas cimenteiras, seguradoras e bancos de Chamaplimaud, foram simples escravos explorados nessas empresas, contra sua vontade. Só pode ser assim. Os capitalistas oprimem, os capitalistas escravizam, os capitalistas exploram.

Felizmente, a esquerda liberta. A demonstração encontra-se num dos mais brilhantes comentários, tornado vivo pela pena do autor de um blogue que dá pelo nome de Enresinados. Escreve ele: "Se fossemos arranjar empresas para empregar os desprotegidos e os explorados, então aí sim, que Champalimaud ficaria sem um único coloborador."

Viva! Benvindo, Enresinado! Mas do que é que está à espera para o fazer? Força, rapaz! O país agradece. Parece que finalmente e por via indirecta compreendo o método que Miguel Portas vai utilizar na sua proclamada guerra ao desemprego. Miguel Portas vai tornar-se empresário. E para nossa felicidade suprema, não só vai empregar todos os desempregados da lusa pátria, como vai permitir a todos os explorados trabalhadores por conta de outrém livrarem-se da opressão.

Ó Miguel, no meio de tanta felicidade, agora que vejo em si o Sol que me ilumina, deixe-me fazer-lhe uma pequena perguntinha:

Quando começam as entrevistas para o recrutamento?

  Geração SMS

Ainda com idades de um dígito, os meus filhos ontem tinham grandes novidades: a escola deu um e-mail a cada um. Um simpes e-mail gratuito com acesso via web. Chamaram-me para ver as mensagens enviadas e recebidas em profusão de todos e para todos os colegas.

'O Miguel gosta da Bia'.
'A Filipa gosta do André'.
'A Susana aaaaaaaammmmmmmmmaaaaaaaa o João'.
'É mentira, eu não gosto da Bia'.

95% das mensagens eram deste teor. Das outras, gostei mais desta:

'Alguém quer adoptar um gatinho sem mãe?'.

segunda-feira, maio 10, 2004

  Coisas Ouvidas no Zapping Matinal Radiofónico

1. Van Gaal quer ser adjunto de Mourinho no Chelsea. E tu, Bobby Robson, ficas-te?

2. Ferro Rodrigues disse uma série de coisas numa qualquer reunião/comício/festa do PS. Um dos sound-bytes que apanhei, era Ferro a proclamar que os portugueses devem ter memória. Que mania que estes socialistas têm de se apunhalarem pelas costas. E tu, Guterres, ficas-te?

3. Ferro também falou em mentiras e mentirosos. Com este tipo de atitudes, o líder do PS dificulta a concentração à esquerda, num futuro próximo. Há verdades que não se devem dizer em público, principalmente se se referem ao líder de oposição. E tu, Louçã, ficas-te?

  News... news...news...

O Blogger está com um ar jovem. Ena, ena! E será só a carroçaria ou o motor também foi rejuvenescido?

domingo, maio 09, 2004

  Pescador


Venda de Peixe na Praia de Kayar, Senegal, Abril de 1990

sábado, maio 08, 2004

  Primeiro Aniversário

Parabéns aos marinheiros do Mar Salgado, pelo seu primeiro ano em navegação blogosférica.

  Links Novos

  • O Acidental

  • Maioria Não Silenciosa

  • A Razão das Coisas

  • What Do You Represent

  • O Blog do Caldas

  • DigaoManel


  • sexta-feira, maio 07, 2004

      Cultura Geral

    Na Antena 1 debate-se o caso dos prisioneiros torturados. Já sei que:

    Todos os americanos fazem o mesmo, são todos iguais a Bush, os marines por onde passam rebentam tudo (já destruiram meio Porto, uma vez), são ordens de cima, o problema é dos filmes do Stallone, se a gente não se põe a pau ficamos iguais aos americanos, os alemães são boa gente, mas os americanos são maus como as cobras.

    Pronto, é estrutural e não conjuntural. É um povo de torturadores.

    quinta-feira, maio 06, 2004

      Especulações

    Tenho alguma simpatia por Luís Nazaré, apesar de três grandes defeitos que o caracterizam: não é sportinguista, nem algarvio, nem liberal. Luís Nazaré leu um qualquer artigo num jornal de Miami e logo escreveu este post:

    "Petróleo - Segundo o Miami Herald, se não houvesse especuladores de ouro preto, o preço do barril seria de 33 dólares em vez dos 38 dólares que recentemente atingiu nos mercados internacionais. O que é interessante é que a maioria dos especuladores são particulares abastados – ou, mais precisamente, fundos dirigidos a esse segmento -, desiludidos com o mercado accionista e ávidos de retornos rápidos. Bastam 100 mil dólares para entrar no clube. É o mercado livre a funcionar. Luís Nazaré"

    Interessante.

    Caro Luís Nazaré: É fácil encontrar nos jornais muitas teorias simplistas para explicar fenómenos de arbitragem de preço de 'commodities' com base em mecanismos miraculosos de especulação. Convém é perceber que para influenciar tanto o preço do petróleo, é preciso comprar muito, muito, muito petróleo, ou, principalmente, prometer comprar muito, muito, muito petróleo. E quem compra muito, muito, muito petróleo ou promete comprar muito, muito, muito petróleo, um dia tem que vender muito, muito, muito petróleo. E para ganhar com a especulação, terá que vender muito, muito, muito caro. Mas com o excesso de oferta, nesses dias o petróleo ficará muito, muito, muito mais barato. A não ser que encontrasse muitos, muitos, muitos especuladores, muitos mais do que os que já compraram muito, muito, muito petróleo. E o mais provável seria perder muitos, muitos, muitos dólares.

    Na prática, todos estes 'especuladores' são price-takers, navegando à vista num mercado em que apostam na continuação da subida de preços por escassez de oferta ou aumento de procura. Ou nem sequer apostam. Satisfazem simplemente 'encomendas' dos seus clientes de fixação de preço a prazo. Não nos podemos esquecer que há grandes fornecedores que se chamam Iraque, Venezuela, Angola ou Nigeria, que acrescentam um risco político de quebras de fornecimento que não pode ser ignorado.

    Mas se quisermos admitir que foram os 'especuladores' que realmente influenciaram para cima o preço do petróleo, isso só quer dizer que em breve veremos uma baixa acentuada, quando todos os 'especuladores' estiverem a nadar em contratos de petróleo sem ninguém disposto a pagar o preço especulativo.

    Nos mercado onde praticamente todos os compradores têm pequena dimensão, a especulação pura, seria apenas um jogo de alto risco. Admito que haja quem o faça. Mas neste caso, o preço teria muito pouco a ver com os jogadores. Aqui explica-se melhor a coisa. E aqui, explica-se porque é que os 'especuladores' podem apanhar um grande susto.

    Os chamados 'especuladores' têm um importante papel a desempenhar neste mercado. Aqui explica-se porquê:

    "Far from being disruptive or "unconscionable," this sort of speculative demand performs an important economic function. If people were mechanistic and did not anticipate the future, a cutoff of Middle Eastern oil would disrupt the economy by causing a sudden drop in supply and a huge jump in prices. Speculative anticipation eases this volatility by raising prices more gradually; then, if supply is sharply cut off, speculators can unload their oil or gasoline stocks at a profit and lower prices from what they would have been. In short, speculators, by anticipating the future, help to smooth fluctuations and to allocate oil or any other commodity to its most-valued uses, over time."

    E, caro Luís Nazaré, o mercado de petróleo é um cartel. Um mau cartel, mas nem por isso deixa de ser um cartel. E um cartel, nunca é "o mercado livre a funcionar".

    Nota: 'Especuladores' são geralmente Fundos de Investimento onde muitas vezes estão aplicadas, directa ou indirectamente, as nossas pequenas poupanças. Ou Fundos de Cobertura de Risco que tentam fixar os preços de aquisição futuros para protecção do risco dos seus clientes, onde se inclui, por exemplo, a Galp.

      In Dog We Trust


    "Este Sol Que Me Aquece...", Lisboa, Fev 2001

      10 minutos antes da jorna

    1. Parabéns. O Abrupto completou a sua primeira eternidade blogosférica. JPP celebra a data com mais uma excelente crónica no Público.

    2. A verdade: o Sporting fez tudo para ficar em terceiro lugar neste campeonato. No próximo ano a final da Taça UEFA é no Alvalade XXI e os leões, em vez de jogar a final da Liga dos Campeões em outro qualquer país, preferem jogar a final da UEFA em casa.

    3. Os suínos voltaram a atacar em Leiria. Está-se mesmo a ver, os porcos donos dos porcos vão pedir mais uns subsídios para construirem uma ETAR. O lema dos suinicultores deve ser "cócó tratado só com subsídio do estado".

    4. O meu principal fornecedor de boatos já me abasteceu para o dia: Mourinho para o Chelsea, Camacho para o Porto, Queiroz para o Manchester, Peseiro para o Sporting, Peseiro para o Benfica, Queiroz para o Benfica, Queiroz para o Porto, Mourinho para Madrid, Peseiro para o Porto. Óptimo! Fico esclarecido.

    quarta-feira, maio 05, 2004

      Ena! Uma resposta!

    As minhas perguntas de ontem, feitas na posta intitulada 'O Modelo', não ficaram sem resposta. Foram os canhotos do cruzes que ensaiaram um post replicativo. Bem... não foi bem uma resposta. Foram mais umas perguntas. Meus caros, aqui responde-se a tudo. Vamos lá então.

    Pergunta nº1 dos Canhotos: "Diz-se liberal, então será que é defensor da criação de polícias privadas? Da privatização dos tribunais?"

    De modo algum, meus caros canhotos. Se há funções a que o estado nunca se pode alhear, a segurança, a defesa e a aplicação da justiça estão no pódio. O estado é a única entidade que tem o poder da força para obrigar ao cumprimento das leis e dos contratos livremente celebrados entre privados.

    Esta obrigação inalienável do estado não impede que se reconheçam as diferenças entre privatizar tribunais e privatizar a nobre função de aplicação da justiça. É a justiça que nunca pode estar subjugada a interesses privados porque os arbitra, mas não se pode confundir justiça com tribunais.

    A gestão da casa onde se aplica a justiça pode perfeitamente ser entregue a terceiros. Um dos maiores problemas da justiça do nosso amado burgo, está justamente na lamentável incompetência da gestão operativa dos tribunais e das organizações apensas (registos e notariado, por exemplo). Basta ser testemunha de um qualquer julgamento para perceber a lógica profundamente anormal dos conceitos utilizados. Eu já fui e já vi.

    Pergunta nº2 dos Canhotos: "... Do desmantelamento do serviço público de educação, permitindo que tenha melhor educação quem pagar mais?"

    Parece-me que está a pôr as coisas ao contrário. Actualmente, quem tem melhor educação é quem pode pagar mais. Quem não pode pagar está impossibilitado de escolher e até impossibilitado de exigir mais qualidade na educação dos seus filhos.

    O que o estado tem que garantir é que todos tenham acesso ao ensino e que todos tenham o poder de exigir qualidade para o ensino dos seus filhos.

    A solução evidente é a subsídiação directa aos encarregados de educação que teriam a liberdade de escolher a escola para os seus filhos, em vez do subsídio à escola e da obrigatoriedade de frequência de uma determinada escola. O subsídio seria equiparado a um rendimento e englobado no IRS de modo a que os menos necessitados não usufruíssem de um benefício que simboliza o príncipio da igualdade de oportunidades. Belmiro de Azevedo, por exemplo, por mérito próprio não precisa que lhe eduquem os filhos gratuitamente.

    O estado não tem que ser gestor de escolas, embora não me choca que o seja, desde que consiga fazê-lo com qualidade e eficiência. Num cenário de concorrência leal, se as escolas do estado forem tão boas como as privadas, terão muitos alunos. Caso contrário, dêem lugar a quem melhor sabe ensinar. E, evidentemente, todas as escolas têm que ter o poder de despedir os maus professores e de pagar melhor aos bons.

    O ensino superior, em escolas públicas ou privadas, deve ser financiado por propinas. As universidades devem ser livres de angariar quaisquer outros financiamentos. O estado deve garantir que ninguém fica de fora. A melhor opção parece-me ser a criação de um qualquer sistema de empréstimos (ou, melhor ainda, um sistema de garantia de empréstimos) que estaria ao dispôr de todos os alunos que desejem frequentar o ensino superior. No futuro, esses empréstimos seriam pagos como um adicional ao IRS até estarem totalmente liquidados. Quem mais ganhasse, mais depressa pagava.

    Os licenciados ganham substancialmente mais do que os não licenciados e são os principais beneficiados com o ensino superior.

    Pergunta nº3 dos Canhotos: "Defende a despenalização do aborto apenas em clínicas privadas para quem puder pagar?"

    Não estou a entender. Acha que a opção aborto deve ser paga por quem? O aborto deve ser livre, e feito em qualquer hospital a pedido da mulher, mas nunca deve ser gratuito. Na lista de prioridades do estado, o aborto não pode de modo algum estar num patamar de prioridade que o torne passível de ser oferecido pelos contribuintes.

    Entendo como inaceitável que cidadãos que rejeitam o aborto, por convicções morais ou religiosas, sejam obrigados a pagá-lo via impostos.

    Aqui ficam algumas perguntas de gabarito semelhante à vossa. Ensaiem as vossas respostas: "Defende a mudança de sexo apenas em clínicas privadas para quem puder pagar?"; "Defende o queijo da serra a 4 contos o quilo apenas em lojas privadas para quem puder pagar?"; "Defende o lipo-aspiração apenas em clínicas de estética privadas para quem puder pagar?";"Defende que apenas os carros de luxo tenham 8 airbags e sistemas de sgurança especiais de corrida para quem puder pagar?";"Defende que os melhores capacetes para motos, que salvam vidas, sejam vendidos apenas em stands privados a quem os puder pagar?"

    Pergunta nº4 dos Canhotos: "E é adepto da privatização de todas as estradas e vias de comunicação? E de todas as reservas naturais e património histórico?"

    Não, porque seria impossível a gestão privada de todas as estradas, principalmente enquanto for impensável um sistema de pagamentos adequado a todos os utilizadores. No caso das auto-estradas, aeroportos e linhas férreas, a gestão privada é fácil e vantajosa. Não sei como se privatiza uma reserva natural, embora o estado possa concessionar a gestão e manutenção a empresas especializadas, como já o faz em muitos casos, indirectamente.

    O património histórico pode ser conservado de muitas maneiras e em muitos casos com recurso a privados. De qualquer modo, cada euro gasto em conservação de património é muito mais bem aplicado do que em afirmações de opção cultural a que em Portugal se gosta de chamar 'indústria de conteúdo'.

    Pergunta nº5 dos Canhotos: "É contra a existência da segurança social, do serviço nacional de saúde e dos direitos laborais?"

    De modo algum. Citando-me a mim próprio, já que ninguém mais o faz:
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    "...não tenho a menor dúvida que deve ser o estado a garantir a existência de uma rede de segurança que auxilie os mais desfavorecidos que realmente necessitem de ajuda. O que não quero é que seja o próprio estado o principal responsável pelo elevadíssimo número de cidadãos que procuram auxílio.

    Temos um estado que legisla sucessivamente contra o emprego, colocando entraves a quem quer criar riqueza, inibindo a contratação e o investimento, e diminuindo seriamente a probabilidade de sucesso de quem quer investir.

    Temos um estado que activa a economia paralela garantido uma fatia significativa dos escassos recursos disponíveis para quem não precisa, e promovendo a atractividade da inactividade; é o mesmo estado que minimiza as possibilidades de criação de riqueza através de uma fiscalidade asfixiante e de legislação absurda, que não dispensa para si uma fatia cada vez maior do bolo cada vez menor.

    Temos também um debate político envenenado. Geralmente, são os que agitam a bandeira da solidariedade e que exigem publicamente que o estado consuma cada vez mais recursos com crescentes ajudas aos mais desfavorecidos que pedem legislação cujo principal efeito é a criação de um número cada vez maior de desfavorecidos;

    Uma coisa é ajudar quem realmente precisa de ser ajudado. Outra coisa é ajudar a criar um exército de necessitados."

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    Já os direitos laborais têm mais que se lhe diga. Deve haver liberdade contratual. Há direitos que me são dados por lei e que não quero ter: preferia vendê-los. Por exemplo, prescindo do direito à greve. Provavelmente, a minha entidade patronal até estaria disposta a pagar-me um adicional em troca desse direito. Mas não pode. Infelizmente, o estado impede-nos de negociar um direito que não utilizo e, desse modo, aplica-me um imposto indirecto de difícil contabilização.

    Até porque se algum dia entrar em conflito com a minha empresa tenho duas opções à minha disposição:

    1. Se achar que me pagam pouco, vou trabalhar para quem avalie melhor o meu trabalho; se ninguém me der mais, então não ganho pouco. Ando apenas iludido com o meu valor.
    2. Se achar que o contrato não está a ser cumprido, recorro ao tribunal do trabalho.

    Nunca exerceria um direito que do meu ponto de vista poderia ser chamado "chantagem legalizada".

    Pergunta nº6 dos Canhotos: "Será o projecto político que o Jaquim defende é mesmo inovador, então o que pretende é pôr em prática uma experiência social completamente nova. Quererá transformar os portugueses em cobaias?

    Não, que horror! Quero só que Portugal faça o seu ‘benchmarking’. Olhe para os custos e proveitos das soluções já testadas e tente copiar os que fizeram melhor. Acontece que os que fizeram melhor raramente adoptaram as soluções que os alvos das minhas perguntas defendem.

    Agora, já que me imitaram com perguntas, façam um esforço e imitem-me com respostas.

      Liberal Rico, Liberal Pobre

    Recebi um e-mail de um amigo algo angustiado com o rumo liberal deste vosso escriba. No meio da enumeração exaustiva das vantagens dos pontos de vista de esquerda, leio:

    "...nao conheco liberais pobres. Todos tem bons empregos e bons ordenados."

    Caríssimo P., deixando de lado o exagero da generalização, nem outra coisa seria de esperar. As pessoas mais inteligentes, geralmente, conseguem ser mais bem sucedidos nas suas carreiras profissionais.

    terça-feira, maio 04, 2004

      Kiss Me Softly!

    Grande Porto.


    Kiss Me Softly!, Fev 2001

      O Modelo

    Rui Tavares escreve que os Barnabés já não gostam do regime cubano. Até sugere que se faça uma pesquisa no Google para demonstrar que deixaram de amar Che e Fidel. Pelo incómodo.

    Ora bem. De uma vez por todas, barnabés e afins, pródigos comentadores deste blogue, bloquistas em geral, matem-me esta minha dúvida. Qual é o modelo que desejam para a nossa sociedade?

    Considerando que:

    1. Já não gostam do regime cubano;
    2. Exceptuando o camarada Bernardino, não gostam do regime do grande irmão da Coreia do Norte;
    3. Também não vão à bola com os antigos regimes do bloco soviético;
    4. Já não gostam do anteriormente amado regime albanês;
    5. Não gostam dos regimes comunistas africanos;
    6. Detestam regimes liberais e têm ódio ao capitalismo;

    Então, afinal, querem o quê? Qual é a vossa herança? O que representam? Os partidos incluídos no Bloco e o PCP continuam a defender o Manifesto Comunista, ou simpesmente, esqueceram-se de actualizar as declarações de príncipios? A aplicação prática do comunismo foi uma tragédia com milhões de vítimas. Querem fazer o mesmo outra vez? Em Portugal?

    Os partidos de esquerda cada vez mais fazem lembrar as novas bandas 'rock', que quando nascem, gostam sempre de renegar as suas influências clamando pela originalidade da sua música. Querem ter um som próprio. Mas a uma banda ninguém é obrigado a comprar discos. Os partidos, pelo contrário, querem o poder para aplicar as suas teorias a todos nós, gostemos ou não.

    E se, em desespero de causa, acreditarmos que o projecto político que defendem é mesmo inovador, então o que pretendem é pôr em prática uma experiência social completamente nova. Querem transformar os portugueses em cobaias. Que perigo, não é? Vamos renegar as experiências de outras nações e atirar o nosso povo para a vanguarda experimentalista? Desculpem, mas não quero arriscar. Tenho filhos.

    E, se a experiência é nova, porque é que praticamente todas as vossas ideias públicas e publicadas encaixam perfeitamente nas ideias sempre propaladas pela velha esquerda e que conduziram os povos às experiências atrás numeradas de 1 a 5?

    Argumentam que:

    "Sem liberdade, esquece."

    Afinal, são capitalistas ou são anti-capitalistas? O capitalismo não é mais do que liberdade económica. Liberdade de comprar, vender, transaccionar, emprestar, empregar ou empregar-se, contratar, investir ou poupar, importar ou exportar. Liberdade de criar, conceber, correr riscos e de reter os proveitos eventualmente gerados pelas suas apostas ou pela aplicação das suas capacidades. Vocês dizem que me dão liberdade e depois querem impedir-me de exercer a minha liberdade?

    Gritam contra a globalização. Mas afinal a globalização não é simplesmente uma consequência da liberdade? Ser contra a globalização, só pode significar 'proibir' coisas. Proibir é sempre limitar liberdade. Afinal, o que é que querem proibir? Querem que a liberdade disponível para os cidadãos dos países mais ricos não esteja acessível aos povos dos países mais pobres?

    O partido de Louçã, o PSR, argumenta no seu programa que "Duzentos anos depois da sua vitória, o capitalismo é ainda o principal obstáculo ao desenvolvimento humano da humanidade." Então como explicam que o único factor comum aos 50 países que lideram o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano da UN seja, justamente, a economia capitalista, e no caso dos 20 primeiros, várias décadas de capitalismo? Acham que é coincidência? Será por fruto do acaso que os países que mais subiram nesta lista nas últimas duas décadas, sejam também aqueles que mais subiram no Índice de Liberdade Económica?

    Confesso que nunca consegui perceber exactamente o que é que querem. E, sinceramente, acho que vocês também não sabem muito bem. Mas, vamos lá. Pode ser que agora vá ser finalmente esclarecido. Haja esperança.

    segunda-feira, maio 03, 2004

      Extremismos

    E, mais uma adivinha. Quem é que diz que...

    "Esta nova agressão ao Iraque é mais um exemplo da política externa norte-americana tendente a controlar as reservas petrolíferas no Golfo Pérsico e marca, também, um passo mais na convergência entre os americanos e os regimes despóticos muçulmanos da Arábia Saudita e do Kuwait para se apoderarem dos recursos naturais do único país laico que existe na zona. Consideramos, igualmente, que o primeiro-ministro Durão Barroso se tem comportado nesta matéria como um lacaio de George W. Bush, pondo-se ao nível de um qualquer ridículo monarca do Golfo, ao mesmo tempo que coloca em perigo vidas e interesses portugueses sem motivo algum."

    Resposta: Os Extremos Tocam-se.
    (Com a devida vénia ao Acidental)

      Best Seller

    Código Da Vinci pode ser mal escrito, pseudo-científico, deturpar a realidade, inventar teorias e enganar-se em factos básicos. Mas é uma história de aventuras do caraças, lê-se de um fôlego e poderia dar um grande filme 'Indiana Jones' style, se, em vez de ter sido entregue a Ron Howard, os escolhidos tivessem sido Lucas/Spielberg.

      É a Evolução, Estúpido!

    Notei alguns incómodos com a publicação de algumas cenas tristes que os deputados dos partidos de extrema-esquerda protagonizaram na Assembleia Constituinte. Principalmente, com a ligação que se fez entre a UDP, o MDP/CDE e o actual Bloco de Esquerda.

    Tanto nos comentários como em alguns blogs pró-Bloco, aparece sempre alguém a recordar que Durão Barroso, Pacheco Pereira, José Manuel Fernandes e outros tiveram o seu percurso pela extrema-esquerda. Do género: ‘Estão a ver, eles também eram assim’.

    Pois eram. Mas já não são. Elencando de memória e pedindo desculpa por eventuais erros:

    Durão Barroso era extremista do MRPP. Agora é do PSD.
    Ferro Rodrigues e João Cravinho eram extremistas, do MES. Agora são do PS.
    Pacheco Pereira era extremista, salvo erro do PCP-ML. Agora é do PSD.
    Santana Lopes era extremista do MIRN. Agora é do PSD.
    Vicente Jorge Silva e Acácio Barreiros, já falecido, evoluíram da UDP para o PS.
    Ana Gomes também foi do MRPP para o PS, embora neste caso não se note grande evolução.
    Também do PCP houve gente que saltou para partidos democráticos. José Magalhães, Pina Moura e Vital Moreira estão no PS. Silva Marques e Zita Seabra no PSD.

    Vejam se percebem a diferença: todos estes nomes militaram em partidos anti-democráticos e evoluíram. É que, o problema não está em ser-se tolo aos 20 anos. O problema está em continuar-se tolo aos 40.

      Jornalismo de Causas

    Meia-noite de Sábado. Na TSF, uma 'jornalista' fala em directo de Varsávia. Descreve-nos a situação: ninguém está a celebrar a entrada na UE. As praças estão vazias. Os únicos sinais representativos dos sentimentos dos polacos que a 'jornalista' encontra são cartazes a protestar contra a adesão da Polónia. A 'jornalista' explica que as pessoas estão muito preocupadas com a adesão e daí a ausência de celebrações; não se esquece de falar do impacto das manifestações do movimento alter-globalizador contra a união. No dia seguinte vejo nas TVs as celebrações dos polacos em Varsóvia. Vibrantes e alegres. E leio uma sondagem: quase 80% dos polacos estão a favor da adesão da Polónia.

    Sexta-feira. Agarrado ao computador sou acompanhado pela Antena 1 que retransmite o debate parlamentar e ouço 'just in time' a diatribe de Louçã contra Barroso. O debate não é um concurso, mas neste caso houve um clamoroso derrotado: Louçã. As apalermadas intervenções plenas de insinuações e acusações sem quaisquer provas e as repostas tolas que ia dando aos vários intervenientes que o puseram no seu devido lugar não deixaram grandes margens para dúvidas. Não? Qualquer pessoa que não tenha seguido o debate na íntegra mas tenha ouvido os noticiários da TSF e o resumo da sessão não tem grandes dúvidas: Louçã, mais uma vez, brilhou na Assembleia. O gajo é bom. Como se faz isto? Mostrando a acusação, selecionando partes das respostas e deixando a última palavra no acusador.

    A TSF é cada vez mais, uma estação de causas.

      A má Europa.

    A má Europa é a Europa que ameaça o Reino Unido.
    A má Europa é a Europa que exige que outras nações aumentem impostos.
    A minha constituição europeia só teria este artigo: "The Union shall offer its citizens an area of freedom, security and justice without internal frontiers, and a single market where competition is free and undistorted." Tudo o resto é desnecessário. Tudo o resto é o que a má Europa deseja.

    domingo, maio 02, 2004

      Sporting Vice-Campeão!

    No campeonato da Segunda Circular.

    sábado, maio 01, 2004

      Glurp!


    Cabanas de Tavira, Julho de 1999

      1 de Maio de 2004

    Há 10 novas nações na UE.
    Há 10 anos deixei de ver Formula 1.

    Fim de Página