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segunda-feira, dezembro 27, 2004

  Bom Ano

Este blogue mais o seu dono meteram férias e só regressam para o ano. Para todos os que aqui vierem, óptimas entradas e um ano de 2005 superior às expectativas.

sexta-feira, dezembro 24, 2004

  Natal



quinta-feira, dezembro 23, 2004

  O Esclarecimento

Com o PS no poder não vai ser necessidade de recorrer a receitas extraordinárias para equilibrar o Orçamento de Estado. Manuel Pinho, porta voz de Sócrates para a área da economia condena as soluções que só servem para maquilhar os números.

E, podemos perguntar, o que vai fazer o PS para conseguir de uma vez por todas equilibrar as contas públicas? Aumentar os impostos, fazer 200.000 despedimentos na função pública, encerrar 150 institutos, cortar forte nas despesas sociais, fechar hospitais, criar novos impostos sobre o consumo? Não, nada disso. Manuel Pinho não podia ser mais claro. Com o PS, a solução óptima e definitiva será:

"1. Uma boa estratégia. 2. Uma boa capacidade de execução."

Excelente. Problem Solved. Estamos completa e definitivamente esclarecidos.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

  Em Resumo...

"...temos pela frente um duelo eleitoral entre quem não quis fazer nada e quem promete agravar a situação." (Gabriel Silva, no Blasfémias)

  O Pai Natal número 10.001

No Sábado passado estiveram 10.000 Pais Natal no Estádio da Luz. Ontem esteve um só. Entregou a prenda com máxima Paixão.

terça-feira, dezembro 21, 2004

  Notas Curtas

1. O Sporting já lidera o campeonato. (Pelo menos por 48 horas...)

2. Há greve no Casino e circo montado à porta. (mais uma prova do que sempre tenho dito: Já viu alguma greve à porta do Goodfellas?)

3. Obrigado. Obrigado.

4. Anda tudo a dar prémios e também vou dar um. Vêm aí o PMMIB MOAJ 2004, uma futura tradição da blogosfera liberal, algarvia e leonina. Em 2003 foi assim.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

  Prenda de Natal

A partir de hoje, estará disponível no MSN Games o viciante Settlers of Catan, online.

  Re-Tratamento

O provável futuro primeiro-ministro já anunciou o regresso à co-incineração. O anúncio é pertinaz. Mostra capacidade de decisão ao grande centrão, o que pode vir a ser diferença entra uma maioria absoluta e um grande imbróglio.

O caminho que Sócrates escolheu parece ser o mais adequado nos tempos que correm. Acusa-se o actual governo e o anterior de terem deixado cair a co-incineração sem ter encontrado uma alternativa.

Sócrates faz bem em avançar. Qualquer que seja a solução técnica escolhida, importante é a resolução definitiva do problema dos resíduos industriais perigosos. O que não podemos é ir atrás de argumentos das Quercus e quejandos e ficar eternamente à espera de soluções milagrosas baseadas em actos de fé e de voluntarismo. A credibilidade da Quercus anda muito baixinha e se a Quercus diz que é por aqui, o melhor é ir por ali.

Voltando à vaca fria, isto é, a Sócrates. Neste momento Sócrates precisa de um upgrade no disco rígido que lhe torne a memória mais persistente do que a curta memória socialista.

Quando Guterres tomou o poder havia uma solução definida: a incineração dedicada, com localização aprovada. Claro que o PS de então prometeu acabar com o processo. Nesses idos anos de 95, onde houvesse uma voz de protesto logo havia uma promessa de Guterres. E assim foi: uma das primeiras acções do PS no governo foi arrumar com todo o trabalho que estava feito que estava feito e voltar à estaca 0. Com Sócrates no ambiente decidiu-se acabar com a incineração dedicada e satisfazer os protestos de Estarreja. Passou-se à co-incineração com protestos de Coimbra e Setúbal. Obviamente, se o governo de Cavaco Silva tivesse escolhido a co-incineração, Sócrates teria decidido pela incineração dedicada.

Foram 6 anos foram de profunda política socialista na área do ambiente: debates, estudos, diálogo, muitas decisões no papel, muita determinação e muita argumentação. Na prática, não aconteceu rigorosamente nada. O PS abandonou o governo e de co-incineração? népias. Típico.

Depois foi o que se sabe: o PSD repetiu a experiência populista e assim como Guterres havia comprado os votos de Estarreja, Durão mandou comprar votos em Souselas e no Outão.

E em 2009, o que vamos ter? Espero enganar-me mas o que vamos ter no fim da próxima legislatura é, provavelmente... nada.

  2005



sexta-feira, dezembro 17, 2004

  As Notícias que Nunca Saem na Primeira Página
(nem na última...)



Mohammed al-Durra é nome de poema e é também o nome do rapaz da foto. Vezes sem conta, as televisões mostraram-nos as imagens do rapaz aterrorizado e assassinado pelos impiedosos israelitas num dia de Setembro do ano 2000. Mohammed al-Durra foi capa de todos os jornais, assunto de todas as conversas e transformou-se num mártir e símbolo da nova Intifada palestiniana.

Talal Abu Rahma, o cameraman que captou os dramáticos momentos da morte da criança, acumulou prémios, entre eles o de "Best Cameraman of the Year", o "Prémio da Comunicação Cultural Norte-Sul", o Rory Peck Award e a Medalha de Bravura da Associação de Jornalistas Palestinianos.

Mais tarde, quase ninguém viu um documentário de uma cadeia de televisão alemã que demonstrou que o rapaz não podia ter sido morto pelas balas de Israel. Eu vi. Foi na SIC-Notícias, uma noite qualquer em 2002 ou 2003. A verdade inconveniente porque politicamente incorrecta é que o mártir palestiniano não teria sido morto por balas de Israel mas por balas palestinianas. Outros testemunhos apontavam no mesmo sentido. A notícia teve pouco impacto para lá das fronteiras de Israel. Encontrar notícia pró-Israel na Europa é como ver bom futebol no Estádio da Luz: só se vier de fora.

Levantaram-se então dúvidas sobre o cameraman. Do local onde ele se encontrava deveria ter sido capaz de perceber que os tiros que mataram Durra não poderiam ter sido disparados pelos soldados de Israel. No entanto, o laureado Talal até assinou um testemunho sobre o assunto.

O que se passou afinal? Um jornalista do Wall Street Journal garante que estamos em presença de uma falsificação: "it was nothing but a hoax". E conta-nos a história da manipulação, que teve total cobertura da cadeia de televisão France 2.

Talal Abu Rahma já se retratou e desmentiu o seu próprio testemunho e já passaram 20 dias sobre o assunto. E por cá? Nada nos nossos jornais... Afinal, o que é que interessa a verdade se a verdade contraria as nossas convicções?

  Pinto da Margem

Nas próximas autárquicas da Invicta esperam-se duas coligações: PSD/PP e PS/PC. PC de Pinto da Costa, evidentemente.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

  Tempos Instáveis



  Foi Você Que Pediu uma Consolidação Orçamental?

1. A compra dos votos dos utilizadores das Scuts. Custo estimado: 400 a 700 milhões de euros por ano.

2. A compra dos votos dos regionalistas, fundamentalistas do Porto e algarvios com ambições. Custo: equivalente a umas dezenas de Scuts.

3. Médicos, enfermeiros e gente assustada, votem em mim. Custo: O regresso às taxas de crescimento da despesa na casa dos 2 dígitos.

4. Ó tempo, volta pra trás. Custo: não interessa. A saúde não tem preço.

5. Extraordinárias, nunca! Ordem dos Arquitetos Presidente da Ordem dos Arquitetos Deputada do PS Helena Roseta contra a alienação de património do estado. Custo: Irrelevante. O Pacto de Estabilidade e Crescimento é um instrumento da ofensiva neo-liberal. O défice é o garante do combate ao neo-liberalismo.

6. Desempregados e empresários chico-espertos, compro os vossos votos. Custo: Mais uns milhões para gastar em "políticas de emprego" e outros tantos para doar sob a forma de "incentivos".

7. Trás-os-Montes, Beira Alta, quanto custam os vossos votos?. Sócrates paga com mais "investimentos" no interior.

E a campanha ainda nem começou...

segunda-feira, dezembro 13, 2004

  Obrigado!

Ricardo Gross classificou o Jaquinzinhos no seu Top Ten. JPT, da Maschamba, atribuiu-lhe um Gandula. A ambos, muito obrigado. E a ambos, os meus parabéns pelo primeiro ano de blogosfera.

  A Coragem de Rebecca

A Dra. Rebecca Gomperts, depois das corajosas acções na Irlanda e em Portugal com a sua Women On Waves, foi para a Argentina fazer os mesmos números que fez em Portugal, mas sem barco. Em breve a Rebecca regressará a Portugal para participar na campanha eleitoral.

Que coragem! A Rebecca escolhe sempre estes destinos difíceis, locais em que a liberdade é ameaçada, países em que as vozes das mulheres são silenciadas, sociedades que não têm capacidade de ganhar as duras batalhas sem a sua preciosa ajuda.

E, porque sei que a coragem da Dra. Rebecca é global, deixo já aqui algumas magníficas sugestões para as próximas acções de luta da organização que dirige. Por exemplo, Irão, Palestina, Arábia Saudita, Sudão, Síria, Indonésia, Jordânia ou mesmo Marselha.

Rebecca, que belo seria defender as mulheres escravizadas pelo Islão às portas das mesquitas de Damasco, de Amã... Imagina-te a discusar na Palestina, junto à Muqata, em defesa da liberdade sexual... Que nobre seria ir para o Cairo ajudar as mulheres egípcias na sua justa luta pelo direito ao divórcio, ou fazer uma tournée pelo Magrebe em defesa da luta das mulheres pelo direito à escolha livre dos parceiros...

Rebecca, nem é preciso ir tão longe. Sugiro-te a visita a um bairro árabe em Madrid e, em frente à mesquita, perorar contra os imãs que ensinam os maridos a bater nas mulheres com paus, para lhes aplicar os justos castigos quando elas se portam mal. Ou um discurso inflamado perante os milhões de magrebinos que em França agridem, humilham e expulsam de casa as mulheres que tiveram a ousadia de se apaixonerem por cristãos infieis, ao arrepio da lei que na Europa, aparentemente, aceita o Corão como excepção ao estado de direito.

Afinal, o que é isto para ti, Rebecca? Devemos sempre pôr as coisas na perspectiva correcta. Para quem tem a coragem de ganhar a vida a falar do direito das mulheres ao aborto nesses perigosos países ocidentais, qual a dificuldade de falar para as mulheres islâmicas de conceitos tão básicos como o de liberdade?

Rebecca, porque não vais até Teerão repetir nas televisões iranianas os discursos que fizeste em Portugal? Ah, Rebecca, isso sim! Prometo que estarei na primeira linha dos que defenderão a tua libertação em frente à embaixada e assinarei todas as petições contra o teu chicoteamento público. E para que não tenhas receio do que a seguir vier, garanto-te desde já que quando os Ayatolas te executarem, muitos milhões de mulheres oprimidas no mundo ocidental acenderão uma velinha por ti...

  A Bola

O Porto ganhou uma taça, o Benfica não jogou nada e o Sporting foi roubado. Ou seja, tudo normal.

sábado, dezembro 11, 2004

  O Discurso



sexta-feira, dezembro 10, 2004

  A Foto é Falsa?

No Acidental, Luciano Amaral linkou uma fotografia de George Bush. Um leitor do blogue enviou-lhe em e-mail chamando a atenção para uma possível falsificação da imagem:
"A foto de G. Bush é uma falsificação do ponto de vista da técnica fotográfica.Há dois níveis de profundidade de campo: o presidente e a multidão.G. Bush está focado, tudo o resto desfocado. Tal não é nunca possível, sem recorrer a processamento posterior. A imagem correspondente à assistência está toda desfocada em igual nível. Se a foto fosse "real" (a foto original) toda a assistência à mesma distância de Bush estaria focada e o desfoque aumentava à medida que os respectivos planos se afastassem ou aproximassem do presidente. A verdade é que tudo o que não é Bush está desfocado em igual grau."
Permitam-me discordar. A foto é perfeitamente plausível e quase certamente real. A foto foi feita com uma teleobjectiva, grande abertura e consequente baixa profundidade de campo, isolando o sujeito e desfocando a multidão que está tanto atrás como à frente do presidente. Dando o exemplo com a régua da imagem do lado, Bush estaria no "4", a multidão por trás atrás no "8" e a multidão á frente de Bush no "0".

'Façamos um supônhamos'. Recorrendo a uma calculadora de Profundidade de Campo, e supondo que o autor usou uma Canon 20D com uma lente de 400mm e à abertura de 4,5, apenas estariam em foco os sujeitos situados de 14,9 a 15,1 metros do fotógrafo. Foi algo do género que aconteceu nesta foto. E até é fácil perceber que não é falsificação vendo as outras fotos do mesmo autor feitas no mesmo local.

  Ensino com Consciência de Classe

"No 10° ano no liceu ... num teste de filosofia, recusei-me a aceitar que a existencia de ricos e pobres se deve à exploração de uns por outros. Respondi numa perspectiva um pouco Darwinista e o Prof ... (tinha um nome engraçado) atribuiu-me uma nota 0."
(via e-mail)

  Forrobodó, Imagem de Marca

No Público: Francisco Louçã espera que a campanha eleitoral seja um forrobodó de declarações acerca do Presidente, do Parlamento, do país e até do planeta.

Francisco Louçã está certíssimo. Não me recordo de nenhumas eleições em que Louçã tenha participado sem forrobodó.

Francisco faz também um 'statement' de alta relevância sobre o Bloco que lidera: "O país exige aos protagonistas do debate político saber se têm uma resposta ou não para o desemprego, que é o problema número um de Portugal, e de saída do pântano de um modelo de desenvolvimento económico que produz pobreza e exclusão". Depois disto esperam-se explicações sobre o modelo de desenvolvimento que o Bloco defende. Por aqui ainda não consegui descobrir qual é. E até já me cansei de tentar...

quinta-feira, dezembro 09, 2004

  Tempo Frio


Sierra Nevada, Abril de 2003, -3ºC

  Os Meninos do Coro

O Presidente da República começa hoje as audições aos partidos políticos e reunirá amanhã o Conselho de Estado. O objectivo destas audições é o aconselhamento do presidente para que este tome uma decisão já previamente anunciada. Ou seja, os líderes dos partidos e os conselheiros de estado vão ser ouvidos para fazer figura de meninos de coro. Vão à benzedura. Se fosse eu líder de um partido mandava ao padre-cura um qualquer dirigente da terceira linha da jota de Carraspana de Baixo. E qualquer conselheiro de estado com um mínimo de respeito por si próprio nem poria lá os pés. O papá já decidiu, está decidido. A mesada pode seguir para a conta do costume.

terça-feira, dezembro 07, 2004

  A Idade da Razão

Ontem Mário Soares e Álvaro Cunhal debateram na RTP. A preto e branco. De um lado a liberdade, do outro lado a ditadura. Um Mário Soares em grande forma ganhou o debate e acabou por ajudar-nos a ganhar a democracia. Obrigado e muitos parabéns, Dr. Mário Soares.

O debate foi transmitido num canal chamado Memória.

  Notas de um Fim-de-Semana Alegre

1. O Fialho, finalmente. Confirma-se tudo o que me tinham contado. A qualidade do repasto reflectiu-se nas expressões satisfeitas dos convivas almoçadeiros.

2. O Sporting. Está quase. Os outros também estão quase, a um passo da glória ou a um passo do abismo. Por aqui apenas se deseja que Santana Lopes tenha pelo menos um motivo para festejar em 2005.

3. O boato. Corre célere o rumor. Portas e Sócrates estão mais perto do que se pensa.

4. Sampaio. Continua mal calado. Santana fala que se farta. O discurso de Sexta-feira á noite na Póvoa é só uma amostra do que aí poderá vir. O homem é um mestre no improviso e as notícias da sua morte política podem ter sido bastante exageradas...

5. Sócrates. Chamou insolente a Santana. Não se fala assim do presidente, indignava-se. Não? Então fala-se como? A par dos elogios entusiasmados dos que em tempos o insultaram, ouvem-se por aí muitos "palerma", "parvo", "paspalho", "palhaço" e outros qualificativos começados não só por "p" como por outras variadas letras e atribuídos com grande naturalidade ao nosso presidente. Nada de novo. Os adjectivos são os mesmos do Verão passado, as pessoas que os usam é que são outras.

6. "E se as maiorias não tem razão?", questiona-se um confrade do almoço eborense. Raramente terão. Senão, como se explicam os shares de alguns dos programas mais vistos nas televisões?

segunda-feira, dezembro 06, 2004

  Má Sorte ter Sido Poeta

1. Maria Filomena Mónica escreveu um artigo no Mil Folhas sobre Boaventura de Sousa Santos. Divertido e certeiro, o artigo mostra-nos uma feceta pouco conhecida do Professor-Sociólogo-Político-"Cientista" de Coimbra. E logo se revoltaram os discípulos: Bruno Sena Martins e Luís Rainha apontaram holofotes para a janela do crítico em defesa da honra do "cientista" social coimbrão.

Luís Rainha explica-nos que o artigo é uma 'deselegante exibição de rancor e inveja'. O Luís está obviamente errado. Inveja do Professor Boaventura é algo que me parece ser humanamente impossível. O leão nunca tem inveja da hiena por muito que esta pareça mais divertida com o mundo que a rodeia.

Já o Bruno atribui à autora motivações 'risíveis e aleatórias'. Admito concordar com a parte das motivações risíveis. Muitos leitores do artigo devem ter começado por rir da poesia do Professor Boaventura, pelos menos amareladamente, antes de começarem a sentir, na melhor das hipóteses, alguma comiseração com a criatura. O que não posso é concordar com a motivação 'aleatória'. Personagens daquela índole não são fáceis de encontrar. São aves raras.

Para quem nunca leu, aqui fica um exemplo da poesia do Professor Boaventura, já anteriormente publicada neste blogue.

(...)
"alagada de medo
escancaram-se as cancelas
das secretas construções
nas ruínas do ciclone de quarenta
trabalhos manuais sem mestre nem montra
entram chefes guerras caracóis
tesouras e pauzinhos
nas rachas das meninas
na catequese é em coro
e em filas
Boaventura tens quebranto
dois te puseram três te hão-de tirar
se eles quiserem bem podem
são as três pessoas da Santíssima Trindade
que é Pai, Filho e Espírito Santo
mexo nos anos sinto nas mãos
a moleza da cera não fere
alastra"
(...)
Boaventura de Sousa Santos


Há mais. Guardo-as para publicar um dia, quando for oportuno.

quinta-feira, dezembro 02, 2004

  Consolidação Orçamental

Este orçamento é mau. Um orçamento é sempre mau se a despesa pública corrente aumentar mais do que o crescimento médio de longo prazo da economia. Mas apesar de ser mau, é bem melhor do que o melhor dos orçamento de Guterres.

Em nenhum dos orçamentos do período em que Sócrates foi governante, o estado engordou menos do que a engorda expectável no actual orçamento. Nem com Sousa Franco, o pior de todos, nem com Pina Moura, que apesar de tudo ainda abriu os olhos, nem com Oliveira Martins, que nada fez. É impossível. O PS não pode nem sabe governar em contenção.

Acreditará o presidente que um eventual governo socialista faça a "consolidação orçamental", depois de 3 meses de campanha eleitoral, em ano de autárquicas e presidenciais e com obrigações clientelares incalculáveis? O Partido Socialista em 6 anos de guterrismo geriu a coisa pública em permanente fuga em frente. Quando chegou à borda do precipício, fugiu.

O debate sobre o orçamento a que se assiste é um debate hipócrita.

O PP e o PSD proclamam a vontade pública de aprovar o orçamento. Na realidade, não querem. O ónus dos males futuros serão do presidente, que não deu garantias prévias de aprovação do orçamento. Como mostram as circunstâncias, em Sampaio não se pode confiar. O ideal seria mesmo a demissão do governo e o presidente que se arranjasse com um executivo intercalar de sua iniciativa.

O PS diz publicamente que não quer o orçamento mas reza para que ele seja aprovado. O PS quer chegar ao governo com portagens nas SCUTs (ainda são cerca de 200 milhões de euros, só em 2005), aumentos da função pública já decididos e limitações de gastos às autarquias. O orçamento rectificativo que aprovará será sempre limitado a umas quantas acções de propaganda eleitoral, porque poderá utilizar os argumentos da margem apertada que o anterior executivo deixou e da impossibilidade de alterar retroactivamente algumas despesas, devido a direitos adquiridos e a expectativas inalienáveis. O único engulho de Sócrates com este orçamento é a necessidade de aumentar o IRS. A aprovação deste orçamento garante pelo menos um ano de desculpas.

Sócrates quer esperar calmamente por 2006, ano em que o crescimento económico poderá ser bem mais significativo. E será provavelmente em 2006 que terá início um novo ciclo de esbanjamento à moda de Guterres.

Sampaio, o responsável-mor pela confusão, vai para casa reconciliado com a sua esquerda, o que lhe permitirá uma reforma cheia de festas, homenagens e com muitos salamaleques. Uma velhice entretida é para ele muito mais divertida do que aquela coisa chata a que se chama Consolidação Orçamental.

  Urgências - parte 1

A Anacom custou...

...em 1994, 16 milhões de euros.
...em 1995, 18 milhões de euros.
...em 1996, 22 milhões de euros.
...em 1997, 23 milhões de euros.
... em 1998, 31 milhões de euros.
... em 1999, 32 milhões de euros.
... em 2000, 31 milhoes de euros.
... em 2001, 38 milhões de euros.
... em 2002, 40 milhões de euros.
... em 2003, 45 milhões de euros.

O cresimento dos custos é superior a 12% ao ano (e mais de 15% a.a durante o guterrismo).

A Anacom ainda custa mais 30 milhões à economia, através dos lucros da prestação de serviços de regulação, que não são mais do que um imposto escondido entregue directamente por quem é regulado à entidade que detém o monopólio da regulação.

A Anacon não sabe o que é uma crise. A Anacon faz parte do monstro.

  Urgências - Parte 2

O IFADAP custou...

...em 2000, 24.2 milhões de euros.
...em 2001, 28.4 milhões de euros.
...em 2002, 29.6 milhões de euros.

Entre 2000 e 2002, período para o qual há informação disponível, os custos do IFADAP cresceram 10,5% ao ano.

O IFADAP não sabe o que é uma crise. O IFADAP faz parte do monstro.

  Os Nomes da Rosa

Roubado indecentemente ao Picuinhas. Um filme de terror.

Primeiro Ministro: José Sócrates
Ministro do Pacifismo e da Anti-globalização (antigo Ministro da Defesa): Miguel Portas
Ministro da Desjudicialização e da Luta Contra a Vitimização Social do Infractor (antigo Ministro da Justiça): Ana Gomes
Ministro da Solidariedade com a Palestina e com o Resto do Mundo Árabe (antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros): José Manuel Pureza
Ministro da Absoluta Igualdade e do Plano Quinquenal (antigo Ministro das Finanças): Francisco Louçã
Ministro da Camaradagem e da Fraternidade (antigo Ministro da Segurança Social, da Família, da Criança e do Cão): Manuel Alegre
Ministro do Desconstrutivismo e da Hermenêutica (antigo Ministro da Cultura): Manuel Maria Carrilho
Ministro do Aborto e da Gratuidade Geral (antigo Ministro da Saúde): Maria de Belém
Ministro da Compreensão e da Auto-Estima dos Alunos e Professores (ex Ministro da Educação): Ana Benavente
Ministro da Abolição das Propinas (antigo Ministro do Ensino Superior): Ana Drago
Ministro da Co-Incineração e do Gasóleo Feito de Bosta (antigo Ministro do Ambiente): João Soares
Ministro do Eterno Subsídio (antigo Ministro da Agricultura e Pescas): Gomes da Silva
Ministro das Pontes, Túneis e Viadutos (antigo Ministro das Obras Públicas): Jorge Coelho
Ministro Adjunto e da Luta Contra a Corrupção: Edite Estrela
Ministro da Regulação e Controlo Administrativo das Actividades Económicas (antigo Ministro das Actividades Económicas): Joaquim Pina Moura
Ministro das Seis Horas Semanais (antigo Ministro do Trabalho): Carvalho da Silva
Ministro da Mega Mix e do Telemóvel 3G (antigo Ministro da Juventude): Rui Unas
Director da (futura) Central de Informação do Povo: Luís Osório.

Como se vê, um governo sem mácula, para acabar de vez com as incubadoras e os irritantes anões feitos bobos da corte. Omne Ignotum Pro Magnifico.
(Por FCG)

quarta-feira, dezembro 01, 2004

  Parabenizemos o Sporting!

A única hipótese de não apuramento do Sporting para a fase seguinte da Taça Uefa é a vitória do Panionios em Sochaux e a derrota do Sporting em Newcastle por 8 golos de diferença.

A probabilidade de eliminação do Sporting é ainda assim superior à probabilidade de descida da despesa pública às mãos do próximo governo.

  Praia Verde



  Expectativas

Os mercados antecipam a futura solução governativa.

  A Pergunta Assassina

Ontem, na SIC-Notícias, o jornalista pergunta a António Guterres:

"Concorda com Cavaco quando ele diz que é preciso expulsar os políticos incompetentes para darem lugar a políticos competentes?"

  Nobody Expects The Spanish Inquisition

Sócrates dixit: "Esta crise política tem um único responável. Esse responsável chama-se Dr. Santana Lopes e o seu governo."

O que esperava ouvir de seguida não ouvi, infelizmente...

"Dois! Dois responsáveis. Os dois únicos responsáveis são Santana Lopes e o governo... e Paulo Portas. Os três responsáveis são Santana Lopes, o Governo e Paulo Portas... e Durão Barroso. Os quatro.. não... entre os responsáveis estão... fazem parte... Santana, Portas... Ora bolas, vou começar de novo."

  Notas Sobre A Crise

1. Pacheco quer Cavaco. McGuffin quer Borges. A Sara também quer Cavaco. Podem esperar sentados. Cavaco e Borges têm mais do que fazer do que estoirar a sua respeitabilidade num lugar tão pouco apelativo e mal pago como o de primeiro-ministro de uma equipa sem capacidade de gestão orçamental e num país habituado a governos paternalistas e gastadores.

2. Em Portugal só há 2 maneiras de ser primeiro-ministro. Não fazer nada de útil, o que por vezes (mas nem sempre...) é garantia de boa imprensa; tentar fazer o que é preciso e ser rapidamente despedaçado pela comunicação social.

A missão obrigatória de qualquer futuro primeiro-ministro de Portugal seria a de cortar substancialmente na despesa pública. Diminuir significativamente o número de funcionários públicos. Fazer muitas coisas que dão péssima imprensa. Ninguém vai sequer tentar. A boa governação é politicamente suicidária. Ou seja, venha quem vier, estamos tramados.

3. O presidente dissolve a assembleia mas pretende que este orçamento seja aprovado. Que pena. A única vantagem visível da dissolução do parlamento seria a gestão por duodécimos até Maio ou Junho... Sócrates prefere assim. O provável futuro governo do PS garante desde já um ano de desculpas públicas e livra-se da obrigação de ser o porta-voz do aumento de 2005 para o funcionalismo público.

4. Vem aí a campanha. E vêm aí as promessas. E agora das duas uma. Ou Sócrates está convencido que pode ganhar à vontade sem se comprometer, o que é difícil tendo em atenção a quantidade insuperável de despesistas que pululam no partido; ou então as SCUTS não terão portagem, não haverá lei das rendas, não haverá diminuição de IRS, não acabarão os benefícios fiscais, abre-se a torneira às autarquias, aumentam-se as 'despesas sociais' e haverá maiores aumentos para a função pública e em 2005 teremos um défice estratosférico.

5. Santana Lopes tem 4 meses de governo pela frente e depois, tudo indica, vai-se embora. E nestes 4 meses vai fazer o quê? Ser poupadinho? Tá bem, tá bem...

  Acontecimentos da Máxima Importância

Ontem.

Rato: Avariou-se. O PC é desfuncional sem ajuda do rato.

PS: Já há alternativa. Consegui um golpe tecnológico com recurso a crédito. Emprestaram-me um rato.

Fim de Página