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terça-feira, janeiro 04, 2005

  A Desertificação de Lisboa.

Em Madrid, os edifícios da Plaza Mayor são para habitação. Por lá moram famílias, principalmente jovens, quer em casas próprias quer em casas arrendadas. Debaixo da histórica Plaza há um enorme parque de estacionamento que serve os turistas, os trabalhadores do centro da cidade e principalmente os residentes. A Plaza agradece. O parque permitiu a valorização das habitações centenárias, a procura acrescida permite a conservação permanente dos edifícios históricos e a população residente na zona nobre, com poder de compra acrescido, torna a zona viva, de dia e de noite.

Em Barcelona, a Plaça de Catalunya é uma zona central e residencial. Debaixo da praça histórica há cerca de 3.000 lugares de estacionamento. Grande parte da multidão que circula na famosa Rambla utiliza esses lugares. Só num dos muitos parques existentes no subsolo há mais oferta do que em toda a baixa de Lisboa!

Sugiro que se espreite para este mapa do centro de Barcelona, uma das cidades onde melhor se circula a pé, onde melhor se circula de automóvel e onde as zonas pedonais e exclusivas a peões ocupam mais espaço no centro. Espantoso, não é? Não, não é. Barcelona também é o que é por ter sabido resolver o problema do estacionamento. Com muita oferta, muita fiscalização e preços de mercado.

Em Lisboa é assim. Ou assim. O IPPAR acaba de confirmar a sentença de morte lenta a toda a zona do Príncipe Real e da Praça das Flores, sentença essa já emitida em primeira instância pela famigerada regulamentação do arrendamento urbano. E o que eu gostava era mesmo de saber a opinião destes críticos e defensores da cidade sobre a conservação e fruição dos centros históricos de Madrid e Barcelona...

Confesso que por vezes me espanto com a ignorância de certos doutores.

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