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segunda-feira, janeiro 03, 2005

  Os Impostos Vão Aumentar em 2005

Hoje foi dia de diz e desdiz, como quase todos os últimos dias dos últimos meses do finado ano. Primeiro disse-se que com o PS no poder o IVA iria aumentar para 20%. Meio mundo botou discurso sobre o tema, uns que sim outros que não, e depois de muito comentado o PS desmentiu. Logo veio de lá o PSD, que desmentiu o desmentido do PS e até afirmou que com com o PS os impostos sobem mas com o PSD os impostos vão baixar.

Mentem ambos. Em 2005 os impostos vão subir. Não depende do partido do governo.

Nas campanhas, os partidos têm por hábito 'explicar' que se combate um défice enorme baixando impostos. Aumentando alegremente as reformas e os salários dos funcionários públicos. Praticando a solidariedade pública com uma aposta firme em novas e variadas despesas de índole 'social'. Construindo novos hospitais para inaugurar no ano das próximas eleições. Contratando mais polícias. Investindo em infraestruturas babilónicas e megalómanas. Organizando Expos, Euros e Capitais da Cultura para alegrar o povão.

Eles contam-nos esta história e, espantosamente, há por aí muito boa gente que acredita na patranha.

É mentira. Em Portugal os impostos vão mesmo subir. Em 2005, quase de certeza, e em 2006, inevitavelmente. O que não subirem hoje, subirão amanhã, com o crescimento anual da dívida pública ao ritmo da acumulação dos défices.

Vão começar pelo tabaco, argumentando que nos estão a proteger a saúde. Depois serão as bebidas alcóolicas, para defender a sobriedade dos portugas e diminuir os custos de tratamento das cirroses. Logo se seguirá um imposto ecológico sobre energia e combustíveis. E, Deus nos livre, se o Bloco tiver poder de obrigar o governo a satisfazer os seus caprichos, teremos uns impostos palermas que em nome da justiça social servirão para afugentar o capital de Portugal e provocar ainda maiores aumentos de impostos a prazo. E também virá o IVA. Alguns produtos vão mudar de categoria, passando de 5% para o 12% ou de 12% para 19%. Produtos com peso no cartaz de compras. As bebidas alcoólicas, por exemplo. O vinho e a cerveja. Ao mesmo tempo vão baixar um ou dois produtos pouco significativos de cima para baixo, para justificar a coisa como uma arrumação e não como um aumento de impostos. E quando já não souberem o que fazer, é o 19% que vai para 20% ou o 5% que vai para 6%. A culpa será da herança do anterior governo.

Infelizmente, não haverá alternativa. E não há alternativa porque a alternativa é insuportável para os partidos.

O que é obrigatório em Portugal é acabar com 200.000 postos de trabalho no estado e suportar a lenta e penosa absorção desta multidão pelo sector privado. Desfazer ou encolher para as suas competências fundamentais as centenas de IFADAPs/INGAs/IAPMEIs/ICEPs/ANACONs que por aí pululam, consumindo ingloriamente fatias crescentes da riqueza criada nas empresas. Privatizar os serviços que sobrevivem incompetentemente à sombra do contribuinte. Diminuir significativamente as transferências para as autarquias, obrigando-as também a racionalizar os seus quadros de pessoal e as suas despesas eleitoralistas. Aumentar as horas lectivas dos professores do ensino secundário e das universidades públicas. Encerrar e concentrar escolas. Tudo coisas que terão um imediato e colorido 'bota-abaixo' dos sindicatos, dos grupos de pressão e mais meio mundo com a total colaboração da nossa inconsciente comunicação social que fará muitos directos das manifestações de indignação dos grupos afectados.

Se algum partido tiver a veleidade de fazer uns míseros 5% do que é obrigatório, terá desde logo garantido uma derrota das grandes nas eleições seguintes...

A conclusão é só uma: se nada do que é essencial vai ser feito, os impostos vão mesmo aumentar. Quem não o afirmar explicitamente nesta campanha eleitoral estará a mentir. Hoje mentiram-nos Manuel Pinho e Miguel Frasquilho. Amanhã vamos ouvir as mentiras de Sócrates e Santana. Vêm aí o tempo das promessas. É assim a política em Portugal.

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